Seja Cristão!
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Transcript
Texto base:
Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus.
Uma vida divorciada do fazer
Uma vida divorciada do fazer
Eu tenho por mim que muitos hoje, por mais que frequentem o prédio da igreja — talvez por longos anos — ainda assim vivem uma vida divorciada do que é ser cristão de verdade.
O que eu tenho percebido nesses últimos tempos é que muitos buscam viver uma espécie de cristianismo abstrato, uma espiritualidade de plástico. Sabemos quem Deus é. Ouvimos a respeito do Evangelho. Conhecemos as histórias bíblicas. Mas, no final das contas, tudo isso se torna muito distante da vida real. Ouvimos pregações, recebemos conselhos e assistimos podcasts cristãos que nos dão ideias interessantes de como viver. Mas tudo acaba em nada.
De alguma forma, a sociedade atual tem se contentado com o excesso de informações enquanto caminha em direção contrária na hora do fazer. Diante disso, eu tenho aprendido na minha caminhada com Cristo que muitos dos problemas que enfrentamos e dos sofrimentos que vivemos poderiam ser evitados — ou, pelo menos, saberíamos lidar com eles de uma forma melhor — se além de nos considerarmos cristãos, também agíssemos como cristãos.
Essa é uma verdade que pode parecer boba e ingênua, mas que, se analisarmos muitas das situações da nossa vida, chegaremos à conclusão de que isso faz parte da nossa realidade mais do que gostaríamos de admitir.
Seja na igreja, no trabalho, na faculdade ou, principalmente, em nossos relacionamentos, se vivêssemos conforme o que cremos, certamente evitaríamos muitos sofrimentos.
Como exemplo disso, eu quero ressaltar aqui duas virtudes cristãs que, se as colocássemos em prática como bons discípulos de Cristo, fariam toda a diferença em nossos relacionamentos. Muitos problemas seriam evitados, e em muitas situações saberíamos lidar de uma forma muito melhor do que normalmente fazemos.
Viva a Verdade
Viva a Verdade
A primeira virtude é a verdade. Hoje em dia, muito se fala sobre isso. Alguns defendem que a verdade é relativa, que cada um possui a sua própria versão. Vemos essa palavra sendo usada por políticos, influenciadores e por muita gente em diferentes contextos.
No entanto, o testemunho que a Bíblia nos dá é que a verdade não é uma ideia abstrata. Não é algo que pode ser moldado de acordo com o contexto ou com quem está ao nosso redor. A verdade é uma virtude cristã porque o próprio Cristo se apresenta assim.
Jesus não apenas ensina sobre a verdade — Ele é a verdade. A verdade não é algo que Ele possui, mas algo que faz parte de quem Ele é. Ele vive a verdade porque a verdade é a Sua própria natureza.
Em João 14.06, Jesus declara:
Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.
Se Jesus se apresenta dessa forma, e se a verdade é parte essencial do Seu ser e da Sua maneira de viver, então nós, como Seus seguidores e imitadores, também devemos viver assim.
Viver na verdade é mais do que uma escolha moral — é refletir o próprio caráter de Cristo em tudo o que fazemos. Logo, a verdade não é apenas uma ideia dentro da religião, mas uma maneira de viver. Agora o que isso tem a ver com os nossos relacionamentos?
A questão é que, se nutríssemos a verdade, se vivêssemos com transparência e buscássemos a honestidade em nossas relações, muitos problemas seriam evitados e, em muitas situações, saberíamos lidar de maneira muito melhor.
O que vemos hoje é que muitos relacionamentos são baseados na insegurança. E boa parte disso acontece porque, em algum momento, a verdade deixou de ser valorizada. Quando a verdade é deixada de lado, nasce a desconfiança. E quando a desconfiança se instala na relação, gerasse a insegurança.
Por exemplo, há casais em que o acesso à intimidade física é algo natural. Mas quando se fala sobre o acesso ao celular, surge um muro. O corpo — que é algo muito mais íntimo — é compartilhado sem dificuldade. Mas o celular, que carrega conversas, mensagens e registros do dia a dia, se torna um território proibido em nome da privacidade.
A mesma coisa acontece no âmbito financeiro. Muitas vezes, dentro de casa, vivemos escondendo gastos um do outro, mesmo estando sob o mesmo teto, trabalhando pelos mesmos objetivos e buscando construir a mesma vida. Uma coisa que sempre digo nos nossos encontros de casais é que, quando um perde, ambos perdem. Muitos ainda agem como se o cônjuge fosse um inimigo. Fazem as coisas por debaixo dos panos, escondem decisões e agem em segredo, como se a transparência fosse uma ameaça.
O grande problema, nesses casos, é que a verdade sempre vem à tona. Seja as conversas no WhatsApp, seja os gastos escondidos, seja o flerte no trabalho, seja o que você assiste no navegador da internet, ou até outras coisas — com o tempo, a verdade sempre aparece.
O ponto aqui não se trata de vigiar o outro, mas de cultivar uma vida de transparência. A verdade, a honestidade e a transparência são coisas que caminham juntas. E quando elas são vividas dentro do relacionamento, produzem segurança, confiança e paz.
Humildemente um cristão
Humildemente um cristão
A segunda virtude é a humildade. Quase como um clichê, sempre que falamos sobre humildade é importante definirmos o que é humildade.
Algumas pessoas pensam que, por falar com todo mundo, isso já seria humildade, mas isso não passa de alguém extrovertido. Outros acreditam que ser querido por todos é humildade, mas muitas vezes isso é apenas o reflexo de alguém que muda de comportamento dependendo de quem está por perto.
A humildade é uma virtude cristã, pois é assim que o próprio Jesus se define.
Em Mateus 11.29, Ele declara:
Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
Jesus não apenas ensina sobre humildade, Ele vive em humildade. A humildade não é algo que Ele possui, mas algo que faz parte de quem Ele é. Ela está no centro do Seu caráter e na Sua maneira de se relacionar com o mundo ao Seu redor. Em Cristo, a humildade não é uma estratégia, não é uma máscara ou um comportamento pontual.
Agora, se Jesus vive a humildade como parte da Sua própria natureza, então nós, como Seus discípulos e imitadores, também devemos viver assim.
Hoje, a grande maioria das discussões e brigas dentro de um relacionamento acontece justamente por conta do orgulho. O orgulho nos impede de ouvir, de ceder, de pedir perdão e até mesmo de reconhecer quando erramos.
Se agíssemos como cremos — e, nesse caso, se nós prezássemos por viver uma vida em humildade dentro dos nossos relacionamentos —, muitos problemas seriam evitados e, em muitas situações, saberíamos lidar de maneira melhor.
Agir com humildade no seu casamento, noivado ou namoro não significa fraqueza, mas sabedoria.Significa reconhecer o valor do outro. Significa ceder quando necessário. Significa pedir perdão e, acima de tudo, colocar o bem da relação acima do nosso orgulho individual.
Entenda que no final das contas, é isso que mantém um relacionamento de pé — não quem tem razão, mas quem tem disposição, e o combustível para esse estado de coração é a humildade.
Seja Cristão! Isso basta!
Seja Cristão! Isso basta!
Por certo, eu poderia enumerar tantas outras virtudes cristãs, que, se não apenas soubéssemos o que significam, mas as vivêssemos de fato, transformariam profundamente a maneira como nos relacionamos.
Poderia falar sobre a mansidão, e como ter um coração manso diante das situações que enfrentamos em um relacionamento, longe de nos tornar ingênuos, nos ajudaria a resolver conflitos de forma muito mais rápida e sábia.
Poderia falar também sobre a esperança, e como ela, como virtude cristã, nos convida a viver não em um otimismo vazio, mas em uma confiança real — crendo na transformação constante que o Evangelho produz, no poder de Deus que restaura, e no cumprimento fiel das Suas promessas.
A grande questão é que parece que nos acostumamos a ouvir pregações, participar de discipulados, consumir estudos bíblicos, ir a cultos e conferências — e, ainda assim, tudo isso parece não se converter em ação.
De alguma forma, sabemos muito, mas vivemos pouco. Sabemos muito talvez por que estudamos, porque ouvimos bastante, ou porque já estamos há bastante tempo dentro da igreja. Mas, ao mesmo tempo, vivemos pouco daquilo que aprendemos.
Esse é o motivo pelo qual muitos relacionamentos e famílias desmoronam. O Evangelho que Jesus nos chama a viver é mais do que informação. É mais do que conhecimento. É transformação. A vida cristã não é teórica, ela é prática.
Faça hoje mesmo um experimento em seu relacionamento! Os conflitos que você tem vivido, as situações difíceis que têm enfrentado — pare e se pergunte: “Será que tudo isso não é consequência de viver uma fé distante daquilo que ouvimos aos domingos ou nos encontros de casais?”
Pare um pouco e reflita: tanto você quanto o seu marido, ou você e a sua esposa, têm procurado viver o que ouvem? Têm buscado colocar em prática aquilo que aprendem, semana após semana, na igreja?
Novamente, eu sei que pode parecer um pouco ingênuo e bobo, mas a solução para grande parte do que enfrentamos na vida à dois, seria resolvida ou nem enfrentaríamos alguns problemas se buscássemos agir como cristãos de verdade.
Esse, talvez, seja o chamado mais simples que um pregador pode fazer — mas também um dos mais negligenciados. O convite desta noite não é nada mais do que isso:
seja cristão!
Se quisermos ver transformação real em nossas famílias, em nossos casamentos, em nossas vidas, o passo a passo é esse: ouça, creia, guarde e pratique.
Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 24 de outubro de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Carvalho
Soli Deo Gloria
