173 - Há limite para o perdão divino?

O Evangelho segundo Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Reflexão bíblica textual / temática sobre o perdão que deve acontecer naturalmente entre irmãos segundo o modelo de graça e misericórdia oferecido pelo próprio Pai segundo a parábola do credor incompassivo

Notes
Transcript

— Quantas vezes se deve perdoar a um irmão? ... [Mat 18.21-35]

I. Introdução

— Se teu irmão pecar

Matthew 18:21–22 (NAA) — 21 Então Pedro, aproximando-se, perguntou a Jesus: — Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? 22 Jesus respondeu: — Não digo a você que perdoe até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
Setenta vezes sete — é um número elevado de vezes para se perdoar alguém que nos ofende, não é verdade?
Mas sabemos que o foco de Jesus não era, de forma alguma numérico;
Setenta vezes sete — aponta para a completude extrema do amor divino no perdão gratuito entre irmãos;
Não sabemos se Pedro entendeu claramente esta expressão numérica figurada da parte do Cristo, afinal, como assim?
mas podemos afirmar que Jesus decidiu esclarecer o conceito mais profundamente com uma parábola;
daí, temos a famosa parábola do credor incompassivo, ou impenitente;
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Vamos ao Texto Áureo da mensagem: [Mat 18.21-35]

II. Texto Áureo:

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Matthew 18:23–35 (ARA) — 23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. 26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; 33 não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34 E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida.
35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
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Vamos à Contextualização da mensagem:

III. Contextualização

— Quem é, porventura o maior no reino dos céus?

Uma parábola é uma história de ficção, porém baseada no mundo real, no que acontece, no que as pessoas acreditam;
Uma parábola é uma história não-verídica, mas que poderia ser verdadeira no mundo dos homens;
E toda parábola tem um gatilho, uma relação de causa-efeito, algo que levou Jesus a contar aquela história, respondendo algo;
Contexto é tudo na interpretação das parábolas bíblicas, em especial nos Evangelhos;
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— Certa feita, no início deste capítulo, os discípulos de Jesus começaram a discutir sobre qual deles seria o maior no reino dos céus [Mt 18.1-5]
Em resposta, Jesus trouxe pra junto de si uma criança, e disse que se não fossem como ela, não entrariam no reino;
Reforçando o valor dos “pequeninos”, Jesus alerta que era melhor morrer do que servir de queda para um dos pequeninos do reino;
Complementando, Jesus alerta sobre o risco dos escândalos, então Jesus conta a conhecida parábola da ovelha perdida e reforça:
No verso 15 de Mateus 18, que é a sequência natural do verso anterior, Jesus se move das crianças literais em outra direção, mais ampla...
— Falando do risco de queda dos pequeninos do Reino, Jesus começa a falar da dinâmica do pecado e do perdão, entre irmãos;
— Como agir com aquele que nos ofende com suas palavras, seus atos, seu silêncio e não se retrata do mal que nos causou?
— Como disciplinar, como punir, como fazer justiça — como aplicar o “olho por olho e dente por dente” sem incorrer em pecado similar?
Matthew 18:15 (NAA) — 15 — Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular. Se ele ouvir, você ganhou o seu irmão.
16 Mas, se não ouvir, leve ainda com você uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda questão seja decidida.
17 E, se ele se recusar a ouvir essas pessoas, exponha o assunto à igreja; e, se ele se recusar a ouvir também a igreja, considere-o como gentio e publicano.
Frequentemente aplicamos este texto à disciplina eclesiástica, ou então à presença de Deus nas nossas reuniões e cultos… o que é subjacente ou secundário, mas..
Mas observem qual o tema que Jesus está realmente tratando com seus discípulos com tais declarações no cap 18 de Mateus!!!
Jesus está falando sobre:
falsa sensação / desejo de grandeza;
escândalos e tropeços mútuos;
ovelhas que se perdem e deve ser resgatadas;
irmãos que pecam e suas tratativas de resgate e restauração;
sempre e unicamente buscando a restauração plena da ovelha perdida, o irmão que pecou!
A concessão de perdão incondicional, irrestrito deveria ser o tema principal da confrontação, não a disciplina, ou a aplicação da justiça...
Jesus falava sobre o “perdão”, como a essência da completude do amor divino pelos seus...
Vamos à parábola do credor impenitente, como dizem alguns...
Vamos ao Desenvolvimento da mensagem:

IV. Desenvolvimento

— O Reino dos Céus é semelhante a...

Matthew 18:23 (ARA) — 23 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos.
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A parábola de Jesus já começa falando de um rei que quer colocar seu Livro-Caixa em dia;
Alguém olhou para as contas, viu que havia muitas coisas pendentes, dívidas não pagas, devedores em silêncio;
— OK, vamos colocar a casa em ordem!
Matthew 18:24 (ARA) — 24 E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
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Os servos do rei começaram a “ajustar contas” com seus conservos, conforme determinação do rei;
E de repente, alguém se apresenta com uma dívida, no mínimo, “extraordinária”! Alguém devia a quantia exorbitante de 10.000 talentos!
Dez mil talentos - que dívida seria esta?
O talento, diferente do que muita gente pensa, é uma unidade de medida de peso padrão;
Era a maior unidade de pesagem estabelecida no mundo grego nos tempos de Jesus;
10.000 talentos poderia representar aproximadamente 340 toneladas de prata, ou mais;
Um talento equivalia a 6.000 denários (o salário de um dia), ou seja um talento equivalia a 20 anos de salário de um trabalhador.
Consequentemente, dez mil talentos representariam 200.000 anos de salário, ou 60 milhões de dias de salário.
A título de contextualização histórica:
O total de impostos pagos a César em toda a Galileia, Samaria, Judeia, Pereia e Idumeia era de 800 talentos por ano.
Seria a metade da receita de todo o reino da Pérsia nos tempos de Ester [Ester 3.9]
Foi o valor proposto a ser pago por Hamã ao rei para exterminar o povo judeu naquele tempo como forma de indenização;
De fato, dez mil talentos podem ter excedido toda a moeda em circulação na época de Jesus e sua audiência
O número era tão grande que beirava a realidade e a fantasia.
Jesus estaria, propositalmente fazendo uso de uma narrativa do absurdo para reforçar sua mensagem;
Poderia ser o tamanho de uma dívida estatal, uma dívida enorme, extraordinária, impagável, “indevível”!!!
Aquele homem tinha como pagar aquela dívida?
Veremos que, infelizmente não! E agora?

— Pague-me o que você me deve.

Matthew 18:25 (ARA) — 25 Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor [κύριος] que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga.
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Este é um momento realmente muito tenso da narrativa de Jesus nesta parábola;
Aquele homem foi chamado a prestar contas dos recursos que lhe foram disponibilizados em algum momento de sua vida;
Mas ele não tinha como pagar a dívida - não há qualquer referência em como ele a contraiu ou que ela fosse ilegítima;
Era uma dívida a ser quitada, legitimamente, e ponto final;
A escravidão involuntária causada por dívidas não pagas era uma realidade no mundo antigo, bem como para os judeus;
Famílias inteiras poderiam ser relegadas a um futuro completamente incerto ao se tornarem inadimplentes com dívidas contraídas;
Poderiam ser presos até que a dívida fosse quitada por alguém (resgate), ou ter todas as suas propriedades confiscadas;
Bem como poderiam ser vendidos como escravos, caso seus bens não bastassem para pagar a dívida acumulada (incluindo juros);
Curiosidade - esta é uma das raríssimas vezes em que a palavra “kurios = senhor” é utilizada para alguém que não seja Deus ou o Cristo nos Evangelhos;

— Uma dívida monumental, um perdão absurdo.

Matthew 18:26–27 (ARA) — 26 Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. 27 E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.
Matthew 18:26–27 (NA28) — 26 πεσὼν οὖν ὁ δοῦλος προσεκύνει αὐτῷ λέγων· μακροθύμησον ἐπʼ ἐμοί, καὶ πάντα ἀποδώσω σοι. 27 Σπλαγχνισθεὶς δὲ ὁ κύριος τοῦ δούλου ἐκείνου ἀπέλυσεν αὐτὸν καὶ τὸ δάνειον ἀφῆκεν αὐτῷ.
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Quando lemos este verso, não percebemos quão mais absurda a narrativa se torna neste ponto;
Como assim? Aquele homem se humilhou, se prostrou, clamou por misericórdia, então ele bem que merecia uma chance, não é verdade?
Ele pede paciência ao rei credor, ele promete que, de alguma forma, ele pagará toda a dívida, então porque não dar um voto de confiança?
Falamos na introdução que dez mil talentos poderiam ter excedido toda a moeda em circulação na época de Jesus e sua audiência!
Que o número era tão grande que beirava a realidade e a fantasia. Ninguém consideraria que seria possível dever tanto!
Falamos que Jesus estaria, propositalmente narrando a parábola pela lógica do absurdo para reforçar sua mensagem;
Que esta uma dívida estatal, enorme, extraordinária, impagável, “indevível”!!!
Como uma dívida tão monumental poderia ser simplesmente “perdoada”???
Como uma estadista, um adminstrador minimamente responsável, poderia simplesmente esquecer, ou jogar fora tamanha fortuna?
Não pensando de um ponto de vista egoista - tal dívida não seria com uma pessoa, seria com o Reino, com o bem público!!!
Precisamos entender que o perdão desta dívida é tão ou mais absurdo que o tamanho da própria dívida;
Não podemos ter a menor dúvida que a audiência de Jesus compreederia claramente ambas as coisas;
Lembremos: Uma parábola é uma história fictícia, baseada no mundo real, no que poderia acontecer, no que as pessoas entendem e acreditam;
Mas continua sendo uma ficção, uma história absurda, neste caso, uma dívida absurda, seguida por uma promessa e uma anistia absurda;
O palavreado utilizado por Jesus nesta parábola é realmente muito intenso, muito marcante, muito forte, e certamente proposital, até desconfortável;
Nas palavras de Jesus, ele está ilustrando que o reino dos céus é semelhante a… um rei, que decide ajustar contas com seus servos… então:
… 27 e o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida...
… 27 Σπλαγχνισθεὶς δὲ ὁ κύριος τοῦ δούλου ἐκείνου ἀπέλυσεν αὐτὸν καὶ τὸ δάνειον ἀφῆκεν αὐτῷ…
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Gr.: κύριος - κύριος - alguém com poder ou autoridade, traduzido no NT como: ‘Senhor’, ‘Mestre’, ‘Proprietário’, ‘dono’, sendo sempre um título de amplo significado;
termo quase sempre se referindo aos Deus Yahweh ou ao próprio Jesus Cristo nos Evangelhos, mas na parábola fala-se de um rei;
Gr.: δούλου - δου̂λος - “um escravo”, originalmente o termo mais baixo na escala de servidão, “aquele que se entrega à vontade de outro”, a palavra mais comum e geral para “servo”;
estranho termo para se aplicar a alguém que teve acesso legítimo a tamanha fortuna real para administrar; este homem seria dono de escravos, mas não escravo;
Gr.: σπλαγχνισθεὶς - σπλαγχνίζομαι - se compadecer: lit.: ser movido ou sentir incômodo nas entranhas, ser movido de compaixão, frequentemente sobre Cristo quanto aos que sofrem;
o rei se compadeceu profundamente, fala-se de uma empatia profunda pela dor do outro, algo incompatível para um homem naquela posição;
Gr.: ἀφῆκεν - ἀφίημι - perdoar: lit.: mandar embora, partir, deixar pra traz, deixar expirar, não discutir a respeito, abandonar, omitir, lit.: abrir mão de um débito legitimo;

— Sê paciente comigo, e te pagarei…

Matthew 18:28–30 (ARA) — 28 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos [τῶν συνδούλων αὐτοῦ] que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo [ καὶ κρατήσας αὐτὸν ἔπνιγεν λέγων]: Paga-me o que me deves. 29 Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. 30 Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.
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Na narrativa do absurso adotada por Jesus nesta parábola, temos agora um encontro inusitado;
O servo recém-liberado de uma dívida extraordinariamente impagável, por um rei poderoso, encontra um “conservo”, alguém de seu mesmo status social;
Gr.: συνδούλων - σύνδουλος - “um conservo”, termo usado em condições naturais referindo-se “servos” do mesmo Senhor sob as mesmas condições de servitude;
Esta foi a pessoa que o homem grandemente abençoado pelo perdão real encontrou, a saber, “um dos seus conservos”, o qual também lhe devia… certo valor em dinheiro;
Aquele homem, seu companheiro de servidão, homem em igual condição de vida, lhe devia o montante de “100 denários”;
Lembrando: um denário é o valor pago pela diária de um trabalhador assalariado, então;
Então estamos falando de uma dívida entre servos no valor de 100 dias de trabalho consecutivos;
# vamos ao cálculo #;
Os judeus guardavam o sábado, então eles trabalhavam até seis dias por semana:
Calculando: 100 denário = 100 dias de trabalho / 6 dias trabalhados = ~17 semanas = ~4 meses + 1 semana
Que dívida seria essa? Seria uma dívida realista? Pagável? “Devível”? Com certeza!
Esta era uma dívida que aquele homem tinha contraído com seu companheiro;
O encontro daquele homem recém perdoado com seu companheiro foi tão absurdo quanto toda aquela parábola naquele momento;
Os judeus sempre foram profundamente nacionalistas, com altíssimo senso de preservação comunitária;
Em tempos de restauração, ao longo de sua história, os judeus recompravam seus irmãos que haviam sido escravizados no passado;
Não era diferente nos tempos de Jesus, pois os judeus se protegiam, se resguardavam,
Contrária a todas as expectativas, aquele homem credor o agarrou, o sufocava e exigia pagamento imediato da dívida de 100 denários, sem diálogo;
As palavras da parábola continuam fortes, intensas, desproporcionais…
Gr.: … καὶ κρατήσας αὐτὸν ἔπνιγεν λέγων… O servo assenhorou-se do seu companheiro com violência, como um senhor de escravos cruel;
O devedor clamou por misericórdia, curiosamente usando a mesma frase usada pelo seu credor diante do rei, mas:
De nada adiantou — o homem se recusou a ouvir, mas “indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida”;
Aquele homem, beneficiado pela compaixão sem limites de um homem poderoso, não teve a menor empatia pelo seu semelhante - isso nos lembra algo?

— Um credor incompassivo…

Matthew 18:31–34 (ARA) — 31 Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. 32 Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; 33 não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34 E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida.
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A completa falta de compaixão daquele homem, anteriormente beneficiado, não passou despercebida;
Outros companheiros, conservos como o anterior, viram o que houve e o denunciaram ao rei tudo o que acontecera;
O resultado desta parábola fica visível a cada momento da narrativa - pois
o rei, indgnado pelo seu servo não ter se compadecido de seu companheiro, teoricamente na mesma medida de compaixão que recebeu, cancelou a anistia concedida;
Respondendo à pergunta gatilho que Pedro fez a Jesus, o Cristo sobre a prática do perdão;
Matthew 18:21 (ARA) — 21 Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?
A resposta de Jesus a esta pergunta, por meio da parábola do credor incompassivo e impenitente?
Matthew 18:35 (ARA) — 35 Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
Vamos ao Encerramento da mensagem:

V. Encerramento

— Há limite para o perdão divino?

— Esta parábola nos ensina algumas coisas muito poderosas acerca do Evangelho e da redenção;
(1) A primeira fala do tamanho da nossa dívida perante Deus;
Nenhum homem ou mulher tem realmente noção do quão hediondo é seu pecado diante de Deus, o quanto isso nos separa d’Ele;
O homem natural não tem capacidade de perceber quão profundo é o poço de perdição que a humanidade adentrou quando se separou do Deus eterno;
Porém, se não reconhecemos o tamanho da nossa “dívida eterna”, não somos capazes de valorizar a quitação desta dívida à altura - porque preciso de um salvador?
(2) A segunda fala dos resultados inevitáveis na vida daquele que é perdoado e que realmente compreendeu o tamanho da dívida da qual foi perdoado;
Os “dez mil talentos” em Mat 18:24 foram intencionalmente concebidos para representar uma dívida impossivelmente grande, que nenhuma pessoa jamais poderia pagar;
Na prática eterna, os 10 mil talentos representam com clareza o tamanho da nossa dívida de pecados perante Deus - ilustram simbolicamente a dívida da humanidade para com Deus.
E contra quaisquer expectativas, a exemplo daquele rei, Deus se dispôs a simplesmente “deixar pra lá”, perdoar o nosso pecado, a nossa dívida, nos isentar de toda cobrança;

— O que a Bíblia diz sobre o perdão?

Isaiah 64:6–7 “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças são como trapo da imundícia. Todos nós murchamos como a folha; e as nossas iniquidades nos arrastam como um vento. Não há ninguém que invoque o teu nome, que se disponha a apegar-se a ti. Porque escondes de nós o teu rosto e nos consomes por causa das nossas iniquidades.”
Isaiah 55:6–7 “Busquem o Senhor enquanto ele pode ser encontrado; invoquem-no enquanto ele está perto. Que o ímpio abandone o seu mau caminho, e o homem mau, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.”
Micah 7:18–19 “Quem é semelhante a ti, ó Deus, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do remanescente da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Ele voltará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”
Isaiah 43:25 ““Eu, eu mesmo, sou o que apago as suas transgressões por amor de mim; dos pecados que você cometeu não me lembro.”
Jeremiah 31:34 “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: “Conheça o Senhor!” Porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles, diz o Senhor. Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei.”
1 John 1:8–9 (NAA) — 8 Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos enganamos, e a verdade não está em nós. 9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Esta é a perfeita e profunda realidade daqueles que são perdoados pelo Senhor, porque sobre eles o sangue de Cristo foi derramado;
Vamos à celebração da Ceia do Senhor, onde teremos a oportunidade de ver aplicada a lógica do perdão mútuo...
A lógica do perdão é celebrada na Ceia do Senhor - pois celebramos a morte daquele que, voluntariamente assumiu o nosso lugar!
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A Celebração da Ceia do Senhor

1 Corinthians 11:23–32 (ARA) — 23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; 24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.
25 Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.
26 Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.
27 Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; 29 pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. 30 Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. [29 ὁ γὰρ ἐσθίων καὶ πίνων κρίμα ἑαυτῷ ἐσθίει καὶ πίνει μὴ διακρίνων τὸ σῶμα.]
31 Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32 Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.
#
Amados, já pararam para pensar acerca da possibilidade de “comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente”?
O que significa: indignamente? Literalmente falando: de modo indígno! A indignidade se estabelece por causa do pecado, e isso é um fato! Mas Paulo tem em mente quaisquer pecados?
O que nos torna indígnos perante o Senhor, se temos sido nós lavados e remidos no sangue do Cordeiro? A dignidade d’Ele, é a dignidade que d’Ele recebemos, não é?
Paulo orienta que o “homem” deveria examinar-se a si mesmo, e assim comesse do pão, e bebesse do cálice, pois… quem come e bebe “sem discernir o corpo”, come e bebe juízo para si.
Então, o que Paulo está realmente falando? Contextualmente falando: — Neste contexto, qual era o problema mais profundo na prática de fé da Igreja de Corinto?
Do ponto de vista de 1 Cor 11.27-29, o que pode nos tornar indígnos é a incapacidade de discernir o Corpo de Cristo! Como assim, discernir? Discernir é julgar corretamente, compreender.
Fiquem de pé, por favor, e olhem ao redor - sem constrangimentos, tente ver cada um dos irmãos presentes neste salão e que está prestes a participar da mesma celebração;
Examine-se a si mesmo e responda somente para seu coração - me permitam fazer um exercício com a Igreja:
— Tem alguém aqui, neste momento, que faz parte do mesmo corpo, mas você se recusa a amá-lo, aceitá-lo como irmão em Cristo? Prefere falar mal desta pessoa para outros?
— Há alguém aqui que lhe ofendeu e você se recusa a perdoá-lo, a serví-lo, orar por ele ou por ela, respeitá-lo como membro do mesmo corpo?
— Há alguém aqui, que você se sentiria muito melhor se ele fosse arrebatado, que você não concorda com nada do que ele pensa ou faz, então prefere ignorá-lo?
— Sinceramente, do mais profundo do seu coração, você não consegue se considerar parte do mesmo Corpo que este irmão ou irmã?
28 Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice
— se você se sentiu constrangido, por Deus, agora, então derrote o diabo, em o Nome de Jesus,
— se arrependa, peça perdão, não faça como o credor impenitente, e coma do pão, e beba do cálice,
— não deixe que o orgulho do seu coração arruine sua comunhão com Deus,
— porque se você acredita que pode manter a comunhão com Deus, odiando os seus irmãos, está muito enganado,
— Não é possível amar a Deus, que você não vê, sem amar ao próximo, que você vê
— e ninguém é mais proximo do que aquele que faz parte do mesmo corpo que você!
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