A Grande Batalha Escatológica
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Este sermão foca nos confrontos de Cristo com as forças malignas e demonstra que a vinda de Jesus se configurou como uma atitude de batalha jurídica contra o reino de Satanás.
1. A Derrota de Satanás
1. A Derrota de Satanás
A vinda de Cristo foi a declaração da guerra escatológica, desafiando a autoridade (ἐξουσίαν) das trevas.
1.1. O Confronto de Reinos
Jesus, ao expulsar demônios, estava sendo acusado pelos escribas de agir pelo poder do "príncipe dos demônios" (Belzebu).
Jesus refutou a acusação, argumentando que Satanás não pode lutar contra o seu próprio reino (casa dividida).
A expulsão de demônios pelo Espírito de Deus é a prova de que o Reino de Deus chegou.
Transcrição Bíblica (Marcos 3.23-27 – NAA):
Então, convocando-os Jesus, lhes disse por meio de parábolas: “Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir. Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas tem fim. Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar os seus bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.”
Jesus é o agente que entrou na casa do "valente" (Satanás), amarrando-o, e podendo saquear seus bens (libertar pessoas).
1.2. A Queda de Satanás e a Autoridade Concedida
Os discípulos ficaram alegres por terem autoridade sobre os demônios através do nome de Jesus (submissão legal).
Jesus explicou que o triunfo dos discípulos era evidência de um evento maior: a queda de Satanás.
Transcrição Bíblica (Lucas 10.18-19 – NAA):
Mas ele lhes disse: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano.”
A "queda de Satanás" (verbo no imperfeito, ἐθεώρουν) denota uma ação em curso, uma antecipação profética da derrota dele, desencadeada pela vinda de Jesus.
Jesus transferiu aos discípulos a autoridade legal (direito) para pisar e despojar a casa do valente.
2. A Batalha na Cruz
2. A Batalha na Cruz
O momento da prisão e da crucificação foi o ápice da batalha jurídica.
2.1. A Hora das Trevas e a Autoridade
No Getsêmani, Jesus rejeitou a luta física com espadas, pois a vitória devia ser alcançada pelo cumprimento das Escrituras.
Jesus reconheceu que seus captores agiam sob uma autoridade temporária.
Transcrição Bíblica (Lucas 22.52-53 – NAA):
Então, dirigindo-se Jesus aos principais sacerdotes, aos oficiais da guarda do templo e aos anciãos que vieram prendê-lo, disse: “Saíram com espadas e porretes como para deter um ladrão? Todos os dias, estando eu no templo, não estenderam as mãos contra mim. Esta, porém, é a hora de vocês e o poder das trevas.”
Jesus foi aprisionado porque as trevas haviam alcançado "autoridade" (ἡ ἐξουσία) para fazê-lo, reforçando o papel de Satanás como instrumento da morte de Cristo.
2.2. A Soberania Sobre Pilatos
Diante de Pilatos, que se gabava de sua autoridade romana, Jesus afirmou que qualquer poder exercido sobre ele era concedido por uma autoridade superior e soberana (Deus).
Transcrição Bíblica (João 19.11 – NAA):
Respondeu Jesus: “Nenhuma autoridade você teria sobre mim, se de cima não lhe fosse dada; por isso, quem me entregou a você tem maior pecado.”
2.3. O Clamor de Abandono e a Ira Divina
Na cruz, Jesus ouviu o escárnio dos inimigos, repetindo o desafio satânico da tentação ("se és o Filho de Deus").
Durante as três horas de trevas, Jesus experimentou o sofrimento espiritual e a ira de Deus.
Transcrição Bíblica (Mateus 27.45-46 – NAA):
Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve trevas sobre toda a terra. Por volta das três horas da tarde, clamou Jesus em alta voz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?” Que quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
2.4. A Consumação da Vitória
O brado final de Jesus (tetélestai) foi o reconhecimento de que havia cumprido integralmente toda a obrigação religiosa e jurídica imposta pelo Pai.
Transcrição Bíblica (João 19.29-30 – NAA):
Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca. Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: “Está consumado!” E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.
A consequência imediata: o véu do santuário rasgou-se de cima a baixo, mostrando que a barreira entre Deus e os homens foi rompida. A cruz esmagou a cabeça da serpente (Satanás).
3. A Expulsão do Príncipe Deste Mundo
3. A Expulsão do Príncipe Deste Mundo
A cruz não foi apenas a redenção humana, mas o ato de destruição do Diabo e revogação de seu domínio.
3.1. Destruição do Diabo pela Morte
Cristo precisou participar da natureza de carne e sangue (Encarnação) para que, através de sua morte, pudesse destruir o Diabo.
Satanás é descrito como aquele que tem o "poder da morte" (κράτος) — um senhorio juridicamente legal, mas usurpado, sobre a morte.
A morte de Cristo aniquilou (destruiu) Satanás em relação à sua função de senhor da morte e acusador, libertando os cativos.
Transcrição Bíblica (Hebreus 2.14-15 – NAA):
Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.
3.2. Julgamento e Expulsão do Príncipe
Cristo associou o momento de sua morte (ser levantado da terra) ao julgamento do mundo.
O julgamento na cruz condenou não apenas Cristo (em substituição ao seu povo), mas também Satanás e o mundo.
Transcrição Bíblica (João 12.31-33 – NAA):
“Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.”
O Espírito Santo convence o mundo do juízo, "porque o príncipe deste mundo já está julgado".
4. Autoridades Despojadas
4. Autoridades Despojadas
Paulo detalhou a vitória jurídica total de Cristo sobre as hostes malignas na cruz.
4.1. O Cancelamento da Dívida
Cristo perdoou os pecados ao cancelar o "escrito de dívida" (χειρόγραφον), um documento legal contra a humanidade.
Este escrito representa o documento de acusação que Satanás utilizava diante de Deus, baseado nas exigências da Lei divina.
Cristo o cancelou, removeu do caminho e o pregou (encravou) na cruz.
Transcrição Bíblica (Colossenses 2.13-15 – NAA):
E a vocês, que estavam mortos nas suas transgressões e na incircuncisão da sua carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.
4.2. Despojamento e Exposição Pública
O termo "despojando" (ἀπεκδυσάμενος, voz média) implica que Cristo se despojou de seu corpo (morreu na cruz) para satisfazer a exigência jurídica dos acusadores (principados e potestades), e, ao mesmo tempo, os despojou de seus direitos.
Ao pregar o escrito de dívida na cruz, Jesus silenciou os argumentos satânicos.
Cristo publicamente os expôs ao desprezo, transformando a crucificação (um show de humilhação planejado pelos inimigos) em sua própria vitória sobre Satanás.
Jesus triunfou (θριαμβεύσας) deles na cruz, iniciando um desfile triunfal que se estendeu até a ascensão.
