O que é uma Igreja?

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🎙️ Sermão: O que é uma Igreja?

📖 Texto-base: Efésios 2.19–22
Ephesians 2:19–22 NVI
19 Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, 20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, 21 no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor. 22 Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito.
SERMÃO TEMÁTICO OBEDECENDO A SEGUINTE ESTRUTURA:
Estrutura de Transformação (Aplicação Pastoral)
Muito usada por Tim Keller e John Piper — enfatiza o coração, a transformação e o evangelho.
Modelo:
O problema humano – Qual idolatria ou engano o tema confronta.
A resposta do Evangelho – O que Cristo fez para resolver isso.
A vida transformada – Como vivemos à luz dessa verdade.
Chamado à fé e obediência.

🩶 1. O Problema Humano — A visão fragmentada e superficial da Igreja

O movimento dos “desigrejados” — também chamado de cristãos sem igreja — é um fenômeno relativamente recente, mas com raízes profundas na cultura moderna e no individualismo religioso. Abaixo está uma explicação teológica, sociológica e pastoral sobre esse movimento:
📖 1. O que é o movimento dos desigrejados
O termo “desigrejado” descreve pessoas que afirmam crer em Deus e em Jesus Cristo, mas rejeitam a participação regular em uma igreja local. Elas dizem:
“Eu creio, mas não preciso de igreja.” “Minha fé é pessoal.” “Deus está em todo lugar, não preciso de templo.”
Essas pessoas não se consideram ateias nem descrentes — apenas não se identificam com nenhuma comunidade cristã institucional.
🧩 2. As causas do movimento
O fenômeno é multifacetado. Algumas causas principais:
🩸 a) Feridas e decepções eclesiásticas
Muitos saíram por causa de escândalos, abusos espirituais, lideranças autoritárias ou hipocrisia dentro da igreja.
Há uma perda de confiança na instituição e nos líderes.
💭 b) Cultura individualista e consumista
A geração moderna valoriza autonomia, liberdade pessoal e autenticidade emocional.
A ideia de submissão, compromisso e disciplina soa opressiva.
Muitos preferem “cultivar a fé sozinhos”, como consumidores espirituais independentes.
🌐 c) Espiritualidade digital e “fé sem comunidade”
A internet criou uma nova forma de “igreja virtual”, onde as pessoas assistem cultos, ouvem pregações e interagem online, mas sem vínculos relacionais.
Isso alimenta a ilusão de que é possível ser cristão sem comunhão.
🧱 d) Falta de compreensão teológica
Há uma visão distorcida do que é a Igreja.
Muitos a veem apenas como uma instituição humana, e não como o corpo vivo de Cristo.
A “teologia do eu” substitui a teologia do corpo (1Co 12).
📜 3. O que a Bíblia ensina sobre isso
A Escritura é clara: a vida cristã é comunitária.
Hebreus 10.24–25: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros.”
Atos 2.42–47: Os cristãos “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
1Coríntios 12.12–27: “Vós sois o corpo de Cristo, e individualmente membros desse corpo.”
Ser Igreja não é uma opção — é uma consequência da fé. Quem nasce de novo é enxertado no corpo de Cristo (1Co 12.13). Logo, não se pode amar Cristo e desprezar Sua noiva.
🕊️ 4. O perigo espiritual dos desigrejados
Isolamento espiritual: o cristão sem comunidade perde o cuidado pastoral, a correção e o encorajamento.
Fé subjetiva: sem o ensino bíblico regular, a fé se torna emocional e individualista.
Orgulho disfarçado: muitos afirmam “seguir só a Deus”, mas isso pode esconder rejeição à autoridade eclesiástica que o próprio Deus estabeleceu.
Testemunho enfraquecido: a Igreja visível é o meio pelo qual Deus mostra Sua sabedoria ao mundo (Ef 3.10).
💡 5. Como a Igreja deve responder
A resposta não é condenar, mas acolher, discipular e restaurar. Muitos desigrejados são feridos, não rebeldes. Eles precisam ser ouvidos, curados e reensinados sobre o valor bíblico da comunhão.
A Igreja precisa:
Ser mais relacional e menos institucional.
Demonstrar o evangelho na prática — graça, acolhimento, perdão.
Ensinar uma eclesiologia bíblica e encarnada.
Recuperar a visão de que a Igreja é família, corpo e templo do Espírito.
🌿 6. Conclusão pastoral
O movimento dos desigrejados é um sintoma, não a causa. É o resultado de um cristianismo ferido e desorientado, que precisa redescobrir o valor do corpo de Cristo.
A solução não é criar uma nova forma de “igreja sem igreja”, mas restaurar a beleza da Igreja verdadeira — una, santa, católica e apostólica, centrada em Cristo, edificada na Palavra e vivificada pelo Espírito.
RELATIVISMO PLIRALISTA E RELACIONAMENTOS LÍQUIDOS
🧠 1️⃣ Relativismo Pluralista — “todas as verdades são válidas”
Vivemos numa cultura moldada pelo relativismo pluralista, onde a verdade deixou de ser algo absoluto para tornar-se uma questão de preferência pessoal. A frase que define nosso tempo é: 👉 “Isso é verdade para mim.”
Esse pensamento não ficou apenas nas universidades — ele invadiu a espiritualidade. Hoje, muitos afirmam crer em Deus, mas cada um “a seu modo”. A fé se torna uma experiência individual, desvinculada da comunidade, da doutrina e da autoridade das Escrituras.
➡️ O resultado é uma espiritualidade personalizada, onde cada um monta sua própria “versão do cristianismo”:
“Eu creio, mas do meu jeito.”
“Eu amo Jesus, mas não preciso de igreja.”
“Deus é amor, então não importa a verdade.”
Esse relativismo gera cristãos sem corpo, sem autoridade e sem raiz — pessoas que creem num Cristo simbólico, mas não no Cristo revelado pelos apóstolos. O problema é que a Igreja não é uma soma de experiências pessoais, mas uma confissão comum: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16.16)
💬 “Quando a verdade é relativa, a comunhão se torna impossível.” — John Stott
💔 2️⃣ Relacionamentos Líquidos — “vínculos descartáveis”
O sociólogo Zygmunt Bauman descreveu nossa era como “modernidade líquida” — uma época em que nada permanece firme: nem empregos, nem compromissos, nem relacionamentos. Tudo é fluido, passageiro, negociável.
Infelizmente, essa mentalidade penetrou também na vida da igreja. Os vínculos tornaram-se frágeis; a membresia, opcional; a fidelidade, rara. As pessoas mudam de igreja como quem muda de loja: se algo não agrada, buscam outra “experiência”.
➡️ A consequência espiritual é devastadora:
Amizades superficiais, sem confissão nem prestação de contas.
Fé emocional, sem raízes profundas.
Comunhão descartável, que foge da disciplina e do compromisso.
Bauman dizia que o amor líquido “tem medo da solidez”. Mas o Evangelho chama para o oposto: uma fé sólida, uma comunhão perseverante e uma aliança firme no corpo de Cristo.
💬 “O amor de Cristo não é líquido; é firme como uma cruz.”
❤️ 3️⃣ Como isso se conecta ao problema do coração no sermão
🩶 O problema humano – um coração relativista e líquido
Vivemos numa geração que transformou fé em sentimento e comunhão em consumo. O relativismo pluralista diz que cada um pode definir sua própria verdade; o relacionamento líquido diz que ninguém precisa permanecer em compromisso. Essas duas forças moldam o coração moderno — e destroem o senso bíblico de Igreja.
Hoje, muitos querem um Jesus sem corpo, uma fé sem aliança, um evangelho sem comunidade. Preferem espiritualidade sem submissão, comunhão sem compromisso, adoração sem fidelidade.
Mas a fé cristã não é uma experiência privada; é um pacto público com Deus e com o Seu povo. Cristo não veio apenas salvar indivíduos — Ele veio formar um povo santo, unido pela verdade e sustentado por vínculos firmes de amor.
UMA FALSA COMPREEÇÃO DO QUE É IGREJA.
PORTANTO, O QUE NÃO É IGREJA?
Começaremos dizendo o que a igreja não é. Se você é um cristão, a igreja local não é um clube. Não é uma organização voluntária em que a adesão é opcional. Não é um grupo amigável de pessoas que compartilham interesses em questões religiosas, por isso se reúnem semanalmente para falar sobre o divíno.
Tampouco a igreja é um órgão prestador de serviços em que os clientes têm toda a autoridade.
Talvez tenhamos adquirido esse entendimento sobre a igreja local a partir das ênfases protestantes sobre o lugar da pregação e das ordenanças. Talvez tenhamos sido enganados pela sociedado ecidental democrática em ver as igrejas como associações voluntárias. Talvez esse seja o peso de um século de prática em sermos consumidores. Não estou certo, mas aqui estão alguns indícios do nosso pensamento equivocado:
os cristãos acham normal participar de uma igreja indefinidamente sem se tornar membros;
os cristão acham que ser batizado independe de se tornar membro;
os cristãos tomam a ceia do Senhor sem ser membros (o batismo deve conduzir naturalmente à membresia e que a ceia do Senhor é normalmente para membros);
os cristãos veem a ceia do Senhor como uma experiência individual e mística para cristãos e não como uma atividade para membros de uma igreja que estão ligados a um corpo vivo;
os cristãos não integram a vida de segunda a sábado com a vida dos outros santos;
os cristãos presumem que podem criar o hábito de se ausentar das reuniões da igreja alguns domingos por mês ou até mais;
os cristãos tomam a maior parte das decisões da vida (mudança, aceitação de uma promoção, escolha do cônjuge etc.) sem considerar os efeitos dessas decisões no relacionamento com a família da igreja ou sem consultar o discernimento dos pastores e de outros membros;
os cristãos compram casas ou alugam apartamentos tendo pouca consideração pelo quanto fatores como distância e custo afetarão sua capacidade de servir sua igreja;
os cristão não se dão conta de que são em parte responsáveis tanto pela saúde espiritual quanto pelo sustento físico dos membros da igreja, mesmo aqueles que eles não conhecem. Quando alguém chora, chora por si mesmo. Quando alguém se alegra, se alegra por si mesmo.
A doença básica por trás de todos esses sintomas, a doença que, admito, corre também em minhas veias, é pressupor que temos autoridade para conduzir nossa vida cristã por nós mesmos. Incluímos um pedaço da igerja quando e onde nos convém.
Isto é, tratamos a igreja local à semelhança de um clube ao qual nos associamos ou não. Esse pressuposto nos leva a conduzir a vida cristã de forma um tanto distante da igreja local, mesmo quando efetivamente nos filiamos a uma.
Os cristãos não se associam às igrejas; eles se submetem a elas.
Jonathan Leeman
Vivemos numa geração que desvalorizou o conceito de Igreja. Muitos cristãos amam Jesus, mas não amam o que Ele ama — Seu corpo, a Igreja.
O problema é duplo:
Individualismo espiritual: “Minha fé é só entre eu e Deus.”
Relativismo eclesiástico: “Qualquer grupo que fala de Jesus é igreja.”
Essa visão fragmenta o corpo e cria comunidades centradas em preferências, não em Cristo. O resultado é uma fé sem enraizamento, sem autoridade, sem disciplina, sem comunhão — uma fé que não reflete a natureza da Igreja que Jesus estabeleceu.
Mas o Novo Testamento não conhece esse cristianismo solto. A Igreja bíblica é una, santa, católica e apostólica — e negar isso é reduzir o que Cristo edificou a uma mera instituição humana.

✝️ 2. A Resposta do Evangelho — O que Cristo fez para resolver isso? Cristo edifica uma Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica

O apóstolo Paulo mostra em Efésios 2 que a Igreja nasce da reconciliação que Cristo realizou na cruz.
Efésios 2.14 “14 Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade,”
O Evangelho não apenas salva indivíduos — ele cria um novo povo. Cristo é a pedra angular (v.20), sobre quem todo o edifício se alinha.

O QUE É A IGREJA?

A igreja é o povo de Deus salvo por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo e que foi incorporado a seu corpo por meio do batismo com o Espirito Santo. Ela consiste em dois elementos inter-relacionados: a igreja universal é a comunhão de todos os cristãos que se estende desde o dia de Pentecostes até a segunda vinda e abrange tanto os crentes falecidos que já estão no céu quanto os crentes vivos de todo o mundo. Essa igreja universal se manifesta em igrejas locais caracterizadas por sua natureza doxologica, logocêntrica, pneumodinâmica, pactual, confessional, missional e espaçotemporal/ escatológica. Igrejas locais são lideradas por pastores (também chamados presbíteros) e servidas por diáconos, têm e buscam pureza e unidade, praticam a disciplina eclesiastica, desenvolvem fortes ligações com outras igrejas e celebram as ordenanças do batismo e da ceia do Senhor. Capacitadas pelo Espírito Santo com dons espirituais para o ministério, essas comunidades se reúnem regularmente para adorar o Deus triúno, proclamar sua Palavra, apresentar o evangelho a não cristãos, discipular seus membros, cuidar das pessoas por meio de oração e contribuição e posicionar-se tanto em prol do mundo quanto contra ele.
Allison, Gregg R. Eclesiologia: uma teologia para peregrinos e estrangeiros, pg. 28
A Igreja local é um grupo de cristãos que se reúnem regularmente em nome de Cristo para confirmar e supervisionar legitimamente a participação uns dos outros em Jesus Cristo e em seu reino, mediante a pregação do evangelho e a prática de suas ordenanças.
Mark Dever. Membresia na Igreja. Pg. 57

ALGUMAS METÁFORAS OU FIGURAS BÍBLICAS DA IGREJA

Toda a Trindade está envolvida na Igreja: um povo para Deus, uma noisa para o Filho e um templo para o Espírito.
1️⃣ A IGREJA É O POVO E A FAMÍLIA DE DEUS
📍 Efésios 2.19; 1 Pedro 2.9–10
“Vós, porém, sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.”
🧱 Exposição reformada:
A Igreja nasce da eleição eterna de Deus Pai, é redimida pelo sacrifício do Filho, e vivificada pelo Espírito Santo. Ela não é uma invenção humana, mas o povo da aliança, reunido soberanamente por Deus para Sua glória.
Antes, éramos estrangeiros — agora, pela graça, somos membros da família divina. Como ensina Calvino: “A Igreja é a mãe dos crentes, pois ninguém pode ter Deus por Pai se não tiver a Igreja por mãe.”
💡 Aplicações práticas:
A fé reformada é comunitária: ninguém é salvo sozinho.
Pertencer à Igreja é participar do pacto da graça, com privilégios e deveres: amor, cuidado, disciplina e serviço mútuo.
A comunhão dos santos é parte essencial da nossa perseverança — Deus nos sustenta por meio do corpo.
2️⃣ A IGREJA É O CORPO E A NOIVA DE CRISTO
📍 1 Coríntios 12.12–27; Efésios 5.25–27
🩸 Exposição reformada:
Cristo é a Cabeça da Igreja — não o Papa, nem o pastor, nem a assembleia — mas o próprio Senhor ressurreto (Cl 1.18). Todos os crentes são membros unidos a Ele pela fé. O corpo tem muitos membros, mas um só Espírito (1Co 12.13). Cada dom é concedido pela soberania do Espírito Santo para edificação mútua.
A Igreja também é chamada de noiva de Cristo: Ele a escolheu, purificou com Seu sangue e a prepara para o grande dia das bodas do Cordeiro (Ap 19.7). A santificação da Igreja é obra contínua do Espírito — ela é santa porque pertence ao Santo.
💡 Aplicações práticas:
Ser membro é reconhecer Cristo como Cabeça e submeter-se à Sua Palavra.
A diversidade de dons é expressão da multiforme graça de Deus.
A membresia visível é confissão pública da união invisível com Cristo.
A noiva fiel se prepara: vive em santidade, obediência e esperança.
3️⃣ A IGREJA É O TEMPLO E A MORADA DO ESPÍRITO SANTO
📍 Efésios 2.21–22; 1 Pedro 2.5; 1 Coríntios 3.16–17
🔥 Exposição reformada:
No Antigo Testamento, o templo era o lugar da glória de Deus. Mas agora, Cristo é o verdadeiro templo (Jo 2.19–21), e a Igreja é o templo que Ele edifica com pedras vivas. O Espírito Santo habita no corpo de Cristo e o santifica progressivamente. Assim, a Igreja é o espaço da presença de Deus na Terra — não o prédio, mas o povo regenerado e reunido.
Calvino dizia que onde a Palavra é fielmente pregada e os sacramentos corretamente administrados, ali está a verdadeira Igreja — porque ali o Espírito age.
💡 Aplicações práticas:
O culto público é o centro da vida da Igreja — Deus fala pela Palavra e age pelo Espírito.
A santidade comunitária é evidência da presença divina.
Nenhum crente é templo completo sozinho — o Espírito habita no corpo coletivo.
4️⃣ A IGREJA É A EMBAIXADA DO REINO DE DEUS
📍 2 Coríntios 5.20; Filipenses 3.20; Mateus 28.18–20
👑 Exposição reformada:
A Igreja é a embaixada do Reino de Cristo neste mundo rebelado. Ela existe para proclamar o Evangelho, discipular as nações e viver sob a autoridade do Rei. É a manifestação visível do governo espiritual de Cristo sobre os redimidos. Nossa cidadania está nos céus, mas fomos enviados ao mundo como embaixadores da reconciliação (2Co 5.18–20). A Igreja não é o Reino em si, mas é o instrumento pelo qual o Reino se manifesta — onde Cristo é pregado, obedecido e adorado.
💡 Aplicações práticas:
Cada igreja local é uma embaixada celestial, com o selo do Rei.
Cada membro é um representante do Reino — com missão, não com comodidade.
A fidelidade doutrinária e a santidade de vida são sinais de uma igreja legítima do Reino.
💬 CONCLUSÃO — A GLÓRIA DE DEUS NA IGREJA
A Igreja é: 🏠 O povo eleito e a família de Deus Pai 🩸 O corpo e a noiva de Cristo, o Filho 🔥 O templo e a habitação do Espírito Santo 👑 A embaixada do Reino eterno
“A Igreja existe soli Deo gloria — para a glória de Deus somente.”
Essas figuras — povo, corpo e templo — não são apenas imagens bonitas; elas revelam o que a Igreja é em sua essência. Por trás de cada metáfora está uma verdade espiritual profunda sobre a natureza da Igreja: quem ela é diante de Deus, o que a define e o que a distingue do mundo. É por isso que, desde os primeiros séculos, os cristãos confessam que a Igreja é una, santa, católica e apostólica — quatro marcas que expressam sua verdadeira identidade

A NATUREZA DA IGREJA

O Concílio de Niceia (325 d.C.) e a Definição da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica
Introdução
O Concílio de Niceia, convocado em 325 d.C. pelo imperador Constantino, constituiu o marco inaugural dos grandes concílios ecumênicos da cristandade. Reunindo bispos de todo o Império Romano, a assembleia tratou não apenas de disputas teológicas sobre a pessoa de Cristo, mas também de fundamentos eclesiológicos que definiriam o caráter da Igreja universal.
O símbolo de fé formulado em Niceia — e posteriormente ampliado em Constantinopla (381) — contém a mais antiga e duradoura confissão de unidade e identidade cristã: “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica”. Essa definição representou a autoconsciência da Igreja nascente como corpo místico e visível de Cristo, guardiã da verdade apostólica e instrumento da graça divina no mundo.
1. Análise Contextual: O Império, a Igreja e o Nascimento da Ortodoxia
O século IV testemunhou a transformação radical da posição do cristianismo no Império Romano. Com o Édito de Milão (313 d.C.), Constantino encerrou séculos de perseguição e concedeu liberdade religiosa aos cristãos. O imperador, buscando unidade política, percebeu na fé cristã uma força moral e social capaz de sustentar o Império.
Entretanto, a Igreja vivia um momento de tensão interna. A controvérsia ariana — centrada na negação da plena divindade de Cristo — ameaçava romper a comunhão entre as comunidades. Como destaca Everett Ferguson, “a nova posição da Igreja, agora favorecida pelo Estado, exigia uma definição pública e clara de sua fé comum; a unidade teológica tornou-se questão de sobrevivência institucional”¹.
A convocação do concílio em Niceia, na Bitínia, buscou restaurar a paz da Igreja e do Império, fundindo, pela primeira vez, o ideal de unidade espiritual com o de estabilidade política.
2. Análise Teológica: Cristo e a Igreja — Homoousios e Ecclesia Una
2.1. A questão cristológica
O concílio condenou as teses de Ário, que sustentava que o Filho era uma criatura inferior ao Pai (“houve um tempo em que Ele não existia”). Sob a liderança de Atanásio, o concílio proclamou que Cristo é “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai” (homoousios tō Patri).
Essa afirmação, mais do que uma definição sobre a natureza divina, sustentava a própria possibilidade da salvação: apenas um Cristo plenamente Deus poderia reconciliar plenamente a humanidade com o Pai. A Igreja, portanto, fundamentava-se na realidade da Encarnação como mistério de unidade entre o divino e o humano — modelo para sua própria natureza una e universal.
2.2. A eclesiologia de Niceia
Embora a fórmula “una, santa, católica e apostólica” tenha sido redigida na revisão constantinopolitana do Credo (381 d.C.), ela nasce do espírito e da teologia de Niceia, onde se delinearam os atributos da verdadeira Igreja.
Una – porque a Igreja é o corpo de Cristo, animado por um só Espírito (Ef 4:4). O concílio expressou a unidade visível da Igreja por meio da comunhão entre os bispos e da adesão comum ao Credo. “A heresia de Ário foi repudiada não apenas por erro doutrinário, mas por romper a comunhão da unidade católica”, observa Latourette².
Santa – porque sua origem está em Deus, e sua missão é santificar o mundo. Os bispos conciliares declararam que a Igreja participa da santidade de Cristo ao confessar corretamente a fé.
Católica – porque é universal, destinada a todas as nações. “Católica” (do grego katholikē, ‘segundo o todo’) indicava que a Igreja de Niceia se entendia como a totalidade da fé apostólica, em contraste com os grupos cismáticos e heréticos.
Apostólica – porque preserva a doutrina transmitida pelos apóstolos. Niceia reafirmou a autoridade das Sagradas Escrituras e dos bispos como sucessores apostólicos, garantindo a continuidade da fé.
Conforme Pablo A. Deiros, “Niceia estabeleceu o modelo da Igreja como comunidade de fé universal, cuja unidade não dependia de cultura, império ou idioma, mas da confissão comum de Cristo Senhor”³.
3. Impactos Culturais e Eclesiais: A Igreja Imperial e a Catolicidade da Fé
O concílio inaugurou a era da Cristandade, onde Igreja e Império formaram uma aliança simbiótica. Constantino presidiu o concílio, concedendo prestígio político ao episcopado e reconhecendo a autoridade da Igreja como mediadora da verdade e da moral pública.
Como observa Earle Cairns, “Niceia não apenas determinou o conteúdo da fé, mas modelou a Igreja como instituição universal — com uma teologia unificadora, uma estrutura episcopal e uma missão católica”⁴.
O uso do termo “católica” reafirmava a dimensão universal da Igreja frente às divisões locais ou doutrinais. Essa catolicidade, entendida como plenitude da fé e comunhão dos santos, tornou-se a marca da ortodoxia e da unidade espiritual que atravessou os séculos.
Ao mesmo tempo, a ligação entre poder imperial e autoridade eclesiástica produziu tensões futuras — o embrião do cesaropapismo no Oriente e, mais tarde, da teocracia papal no Ocidente. Niceia, assim, consolidou tanto a força espiritual quanto o peso institucional da Igreja na história.
Conclusão
O Concílio de Niceia foi mais do que um evento doutrinário: foi o nascimento consciente da Igreja universal como comunhão teológica e histórica. Ao proclamar a consubstancialidade do Filho e fundamentar a unidade da fé, Niceia delineou as quatro notas distintivas da verdadeira Igreja: una, santa, católica e apostólica.
Como sintetiza Everett Ferguson, “Niceia foi o momento em que a Igreja, confessando o Cristo verdadeiro, confessou também a si mesma como Corpo verdadeiro de Cristo — unida em fé, santa em vocação, católica em alcance e apostólica em missão”¹.
Essa herança permanece viva até hoje, recitada em cada liturgia cristã que professa:
“Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica.”
Ela representa não apenas um enunciado doutrinário, mas o símbolo da comunhão e da identidade cristã, que transcende séculos, impérios e denominações.
Notas de Rodapé
Everett Ferguson, História da Igreja: Dos Dias de Cristo à Pré-Reforma, Central Gospel, 2017, p. 287-299.
Kenneth Scott Latourette, Uma História do Cristianismo, Vol. I: Até 1500 d.C., Hagnos, 2006, p. 180-193.
Pablo A. Deiros, História Global do Cristianismo, Editora Vida, 2020, p. 78-86.
Earle E. Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, Vida Nova, 1995, p. 118-128.
Franklin Ferreira, A Igreja Cristã na História, Vida Nova, 2018, p. 95-104.
E esse edifício — a Igreja — tem quatro marcas que revelam sua essência:
🕊️ (1) A Igreja é UNA
📖 Efésios 2.19 “Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus,”
“Há um só corpo e um só Espírito... um só Senhor, uma só fé, um só batismo.” (Ef 4.4–5)
A unidade da Igreja não vem da cultura, da tradição ou da denominação, mas de Cristo, o Cabeça do corpo e o vínculo que une o povo redimido de todas as épocas e lugares.
💬 A oração de Cristo pela unidade
Em João 17, Jesus orou para que o seu povo “fosse um”, assim como Ele e o Pai são um. Essa é a base da verdadeira unidade cristã: a comunhão espiritual daqueles que estão em Cristo. Entretanto, olhando para a igreja atual — dividida por denominações, ideologias e preferências — é fácil pensar que a oração de Jesus não foi respondida.
Mas, à luz das Escrituras, a unidade da Igreja não depende da visibilidade institucional, e sim da obra do Espírito. A Igreja é una porque há um só Senhor, uma só fé e um só batismo (Ef 4.5).
📜 Unidade verdadeira x unidade aparente
Ao longo da história, o chamado movimento ecumênico tentou reconstruir a unidade visível da igreja por meio da fusão de denominações e da tolerância doutrinária. O resultado, porém, foi o pluralismo, que sacrificou a pureza do evangelho em nome da “paz”.
A verdadeira unidade não é estrutural, mas confessional — nasce da fidelidade comum à Palavra de Deus e às verdades centrais da fé cristã. A Igreja é una quando confessa o mesmo Cristo, o mesmo evangelho e a mesma verdade.
⚖️ “A unidade não pode ser comprada com o preço da verdade.” — João Calvino
🪔 Unidade e pureza: duas faces da mesma moeda
A Igreja sempre lutou para manter unidade sem perder pureza. Ao longo dos séculos, o pluralismo liberal tentou relativizar doutrinas centrais como a divindade de Cristo, a expiação e a autoridade da Escritura. Os reformadores, ao contrário, sustentaram que a verdadeira comunhão se dá em torno das Solas da Reforma:
Sola Scriptura — a Bíblia como autoridade final;
Sola Fide — a justificação pela fé somente.
Essas verdades formaram o elo que uniu os evangélicos do século XVI e que ainda hoje sustentam a unidade da verdadeira Igreja de Cristo.
❤️ A Igreja invisível e a comunhão dos santos
A falta de unidade visível é um escândalo, mas não uma derrota. A oração de Cristo foi respondida — há uma comunhão invisível e indestrutível entre todos os verdadeiros crentes, que transcende fronteiras e denominações. Essa unidade espiritual é real, porque todos os que estão em Cristo compartilham uma mesma vida e missão: tornar o Reino de Deus visível ao mundo.
📖 A Igreja Visível e a Igreja Invisível
(Síntese de R.C. Sproul – Somos Todos Teólogos e O Que é a Igreja?)
🕊️ 1️⃣ A Distinção Entre a Igreja Visível e a Invisível
A distinção entre a igreja visível e a igreja invisível foi articulada inicialmente por Agostinho de Hipona, e mais tarde reafirmada pelos reformadores, especialmente João Calvino.
Agostinho usou a expressão corpus permixtum (“corpo misto”) para descrever a igreja: um povo misturado de crentes verdadeiros e falsos professos.
A igreja visível é a comunidade institucional, composta por todos os que professam fé em Cristo, participam dos sacramentos e vivem sob governo e disciplina espiritual. Ela é visível porque se manifesta publicamente — tem templos, membros, liderança, pregação e estrutura.
A igreja invisível, por outro lado, é composta por todos os verdadeiros regenerados e eleitos — aqueles que realmente pertencem a Cristo e são conhecidos por Ele (2Tm 2.19). Ela é invisível porque só Deus vê o coração; nós só enxergamos aparências e confissões externas.
📜 “Nem todos os de Israel são, de fato, israelitas.” — Romanos 9.6 📜 “Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim.” — Mateus 15.8
🩶 2️⃣ A Relação Entre as Duas
Agostinho e Calvino ensinaram que a igreja invisível está substancialmente dentro da igreja visível. Os dois não são grupos separados, mas realidades diferentes da mesma Igreja de Cristo: A visível é a expressão externa do povo de Deus. A invisível é o verdadeiro corpo espiritual dos redimidos.
Há crentes genuínos fora da instituição visível (por circunstância, isolamento ou impossibilidade), como o ladrão na cruz (Lc 23.39–43). Mas, de modo normal, os eleitos vivem e crescem dentro da comunidade visível, pois é ali que Deus ordenou os meios de graça: Palavra, sacramentos e comunhão.
Por isso, separar-se voluntariamente da igreja visível é desobediência a Cristo, que a instituiu (Hb 10.25).
“Quem ama a Cristo não despreza sua noiva.” — R.C. Sproul
🔥 3️⃣ O Corpo Misto e a Paciência de Deus
Jesus ensinou que o Reino é como um campo com joio e trigo (Mt 13.24–30). Até o dia da colheita, os dois crescem juntos dentro da igreja visível. Isso significa que a presença de hipócritas ou falsos crentes não invalida a igreja verdadeira — ela continua sendo o corpo de Cristo enquanto mantém a pregação fiel, os sacramentos e a disciplina (as três marcas da verdadeira igreja).
Ao mesmo tempo, Cristo ordena que a igreja pratique disciplina com prudência — corrigindo o pecado sem arrancar o trigo junto do joio. Somente Deus conhece o coração.
👁️ 4️⃣ O Que É Invisível Para Nós, É Visível Para Deus
Nós só podemos julgar a fé pelas aparências — profissão de fé, frutos visíveis e vida cristã. Mas Deus vê o coração, conhece os eleitos e sabe quem realmente pertence a Cristo. Assim, o que é invisível para os homens é claramente visível para Deus.
📜 “O Senhor conhece os que são seus.” — 2 Timóteo 2.19
Essa distinção não é para dividir a igreja, mas para lembrar-nos da nossa limitação humana e da soberania de Deus na salvação.
🌍 5️⃣ Tornar o Invisível Visível
Calvino afirmava que a tarefa da igreja visível é tornar a igreja invisível visível — manifestar no mundo o Reino de Cristo. Fazemos isso de três formas: Pregando o evangelho fielmente — tornando o Reino conhecido pela Palavra. Vivendo em santidade e misericórdia — mostrando ao mundo a ética do Reino. Testemunhando com obras e comunhão — sendo sal e luz diante dos homens (Mt 5.14–16).
Assim, a igreja visível é a vitrine do Reino invisível — o instrumento pelo qual o mundo vê Cristo em ação.
🌿 7️⃣ Conclusão — A Unidade Real do Corpo de Cristo
A igreja invisível é una e indestrutível, porque une todos os verdadeiros crentes em Cristo, de todas as épocas e nações. Essa unidade espiritual é perfeita e eterna. Mas a igreja visível deve trabalhar para refletir essa unidade no mundo, buscando fidelidade doutrinária, amor fraternal e vida santa. “A principal tarefa da igreja invisível é tornar-se visível.” — João Calvino
A Igreja é, portanto: Visível na história, Invisível no coração, Uma só no plano de Deus.
E cabe a nós pertencer, servir e testemunhar, para que o mundo veja, por meio da Igreja, o Reino invisível de Cristo tornando-se realidade entre os homens.
🙏 Aplicações práticas
Valorize a unidade espiritual — nossa comunhão está em Cristo, não em rótulos.
Defenda a verdade — a unidade bíblica se baseia no evangelho, não em acordos humanos.
Evite divisões desnecessárias — não quebre comunhão por questões secundárias.
Viva reconciliado — Cristo destruiu as barreiras entre povos, raças e classes; viver em inimizade é negar o evangelho.
Ore e trabalhe pela unidade confessional — a Igreja da Palavra deve ser um modelo de fidelidade e amor.
Se você faz parte de uma igreja, por que você deve permanecer ali? Já por algum tempo, tenho percebido que as pessoas têm a tendência de trocar de denominação. A tendência é de ir para onde elas gostam do pastor, da pregação, da música ou de qualquer programa em particular. Muitas vezes, as pessoas se sentem confortáveis mudando de denominação em denominação ou de igreja local em igreja local. Infelizmente, raramente encontramos pessoas que prestam atenção no que a igreja acredita. Todavia, quando a igreja foi chamada à unidade no Novo Testamento, precisamos lembrar que o apóstolo Paulo falava de unidade nestes termos: um Senhor, uma fé e um batismo. Esta unidade não é algo meramente superficial em termos de ser uma organização unificada ou uma metodologia unificada, mas antes de tudo e mais importante, é uma confissão de fé unificada na pessoa e na obra de Cristo. Em segundo lugar, deve-se concordar com o conteúdo daquela confissão. Infelizmente, a unidade da igreja tem sido quebrada precisamente onde se esperaria encontrar unidade, a saber, unidade no evangelho apostólico.
✝️ Síntese
Capítulo D
A Igreja é una porque pertence a um só Senhor e confessa uma só fé. Sua unidade é espiritual, real e indestrutível — conquistada por Cristo e sustentada pelo Espírito. Ser Igreja é preservar essa unidade na verdade, resistindo ao sectarismo e vivendo reconciliados no amor.
Sproul, R. C. 2014. O Que é a Igreja?. Organizado por Tiago J. Santos Filho. Traduzido por Mauricio Fonseca dos Santos Jr. 1a Edição. Vol. 16. Questões Cruciais. São José dos Campos, SP: Editora FIEL.
Alguns de nós podemos estar nos enganando em termos de nossa própria conversão. Podemos afirmar sermos cristãos, mas se amamos a Cristo, como podemos desprezar sua noiva? Como podemos, consistente e persistentemente, nos afastarmos daquilo ao qual ele nos chamou para nos unirmos – sua igreja visível? Eu ofereço uma advertência solene àqueles que estão fazendo isso. Você pode, na verdade, estar se enganando sobre o estado de sua alma.
Sproul, R. C. 2014. O Que é a Igreja?. Organizado por Tiago J. Santos Filho. Traduzido por Mauricio Fonseca dos Santos Jr. 1a Edição. Vol. 16. Questões Cruciais. São José dos Campos, SP: Editora FIEL.
Você é um membro da igreja invisível? A igreja invisível é uma igreja que sempre desfruta de unidade porque verdadeiramente somos um em Cristo. O ponto de unificação da igreja invisível, aquilo que unifica e transcende as barreiras de igreja e linhas denominacionais, é o nosso enxerto em Cristo. Todos que estão em Cristo e todos em quem Cristo está são membros de sua igreja invisível. Aquela unidade já está presente, e nada pode destruí-la. Isso não significa que podemos descansar nisto. Não podemos simplesmente nos satisfazer com a unidade da igreja invisível. Ainda deveríamos estar trabalhando o máximo possível para uma verdadeira unidade da igreja visível.
Sproul, R. C. 2014. O Que é a Igreja?. Organizado por Tiago J. Santos Filho. Traduzido por Mauricio Fonseca dos Santos Jr. 1a Edição. Vol. 16. Questões Cruciais. São José dos Campos, SP: Editora FIEL.
(2) A Igreja é SANTA
📖 “No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor.” (Efésios 2.21)
🕊️Primeiro: Separada por Deus
A Igreja é santa não porque seus membros são perfeitos, mas porque pertence a Deus e foi separada por Ele. A palavra santo (do grego hagios) significa “separado”, “consagrado”. A própria palavra igreja (ekklesia) já carrega esse sentido: “os chamados para fora” — do pecado, do mundo e de si mesmos, para viverem sob o senhorio de Cristo. A santidade não é um estado, mas um chamado: Deus chamou a Igreja para refletir Seu caráter. “Sede santos, porque eu sou santo.” (Lv 11.44)
Assim como Israel foi tirado do Egito para servir a Deus, a Igreja foi chamada do mundo para manifestar Sua glória. Ser santo é viver de modo diferente — guiado pelo Espírito, conforme a Palavra e em comunhão com os santos.
🔥Segundo: Habitada pelo Espírito
A Igreja é santa porque o Espírito Santo habita nela. Não há santidade verdadeira sem a presença santificadora do Espírito. Ele é quem transforma corações, molda o caráter e torna pecadores comuns em instrumentos de Deus. A Igreja é santa porque o Espírito Santo a habita, purifica e conduz — mesmo quando ela ainda carrega manchas.
Por isso, Paulo chama os crentes de “santos” — não porque são impecáveis, mas porque estão sendo aperfeiçoados pela graça. A Igreja visível ainda é imperfeita, mas a Igreja invisível — composta pelos verdadeiros regenerados — está sendo preparada como a noiva de Cristo, que um dia será apresentada “sem mancha, nem ruga, nem defeito” (Ef 5.27).
A Igreja é santa, mas ainda luta contra o pecado. Ela é, como dizia Lutero, simul iustus et peccator — justa e pecadora ao mesmo tempo. Em si mesma, é fraca e falha; mas em Cristo, é santa e vitoriosa. Sua santidade é progressiva, não instantânea. Deus a purifica por meio da Palavra, do sofrimento e da disciplina amorosa.
Por isso, quando alguém diz “a Igreja é cheia de hipócritas”, a resposta é: “Sim, e ainda há lugar para mais um — porque aqui, Deus está transformando pecadores em santos.”
✝️ Evangelho: Cristo purificou Sua Igreja com o sangue
Cristo amou a Igreja e se entregou por ela “para a santificar, purificando-a pela lavagem da água pela Palavra” (Ef 5.25–27). A santidade da Igreja não vem de seus méritos, mas do sacrifício do Cordeiro. Ela é santa por posição (em Cristo) e santificada por processo (pelo Espírito).
💬 Aplicação pastoral
A Igreja da Palavra é chamada a ser um povo separado, mas presente — diferente do mundo, mas no meio do mundo. Nossa santidade não é isolamento, mas testemunho: viver de forma que o mundo veja Cristo em nós.
➡️ Aplique pessoalmente e comunitariamente:
Busque santidade como resposta à graça, não para merecê-la.
Valorize a comunhão — é no corpo que o Espírito molda o caráter de Cristo.
Seja paciente com a Igreja — ela ainda é imperfeita, mas está sendo purificada.
➡️ Evangelho: Cristo purificou a Igreja com Seu sangue (Ef 5.25–27). ➡️ Aplicação: A santidade é a marca visível do povo que pertence ao Senhor. A Igreja da Palavra deve ser uma comunidade onde pecadores são transformados pela graça.
Lembre-se: cada prova e cada correção são ferramentas de Deus para formar um povo santo.
“Santidade não é o que já somos, mas o que Deus está nos tornando.”
Faça a si mesmo a seguinte pergunta, “Minha igreja é um lugar santo?” Você tavez ria quando eu faço essa pergunta porque pode ser capaz de apontar todas as falhas, erros e pecados que invadem a igreja. Lembre-se, a igreja ainda está poluída, mas ela também é a noiva de Cristo. Santidade não é tanto sobre como a igreja está em um determinado momento, mas sim sobre o que ela ainda será. Nosso propósito no presente é ser um santo que está sendo santificado. Além disso, nós devemos ser aqueles que dependem dos dons e da graça do Espírito Santo para sermos fiéis à vocação que Deus deu à igreja.
Síntese:
Sproul, R. C. 2014. O Que é a Igreja?. Organizado por Tiago J. Santos Filho. Traduzido por Mauricio Fonseca dos Santos Jr. 1a Edição. Vol. 16. Questões Cruciais. São José dos Campos, SP: Editora FIEL.
A Igreja é santa porque pertence a Deus, é habitada pelo Espírito e está sendo purificada por Cristo. Ela é a noiva imperfeita, mas amada — e um dia será gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem pecado.
🌍 (3) A Igreja é CATÓLICA
📖 “Concidadãos dos santos e membros da família de Deus.” (Efésios 2.19)
🌎 Uma Igreja, um só povo em todos os lugares
Quando confessamos no Credo Niceno que cremos na “Igreja una, santa, católica e apostólica”, a palavra católica não se refere à Igreja Romana, mas ao seu verdadeiro significado: universal. A Igreja é católica porque é um só corpo espalhado por todas as nações, tribos e línguas, e porque todos os crentes, de todos os tempos e lugares, pertencem a Cristo.
A Igreja é uma só — visível e invisível — reunindo o povo de Deus em toda a terra e em toda a história.
Essa universalidade mostra que a Igreja não é limitada por paredes, fronteiras ou culturas. Em cada congregação local, há uma expressão visível da Igreja global. Quando a comunidade da fé se reúne em adoração, une-se espiritualmente à comunhão dos santos — aqueles que vieram antes de nós, os que estão espalhados pelo mundo e os que ainda virão.
⛪ A comunhão dos santos: uma família sem fronteiras
O autor de Hebreus descreve a Igreja reunida como uma assembleia celestial, onde o povo de Deus, os anjos e os santos de todas as eras adoram juntos (Hb 12.22–24). Quando nos reunimos para cultuar, não estamos sozinhos. A Igreja na Terra participa misticamente da adoração no Céu, onde Cristo está presente como o Noivo que vem ao encontro de Sua noiva.
Onde Cristo está, ali está Sua Igreja — unida no tempo e na eternidade.
Essa é a communio sanctorum, a comunhão dos santos: uma realidade espiritual que une o corpo de Cristo através dos séculos e das nações. A Igreja militante (na Terra) e a Igreja triunfante (no Céu) são uma só família, um só povo, uma só fé.
🌐 A missão universal: o Evangelho até os confins da terra
A catolicidade da Igreja também é missional. Desde o princípio, Deus prometeu reunir um povo “de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Cristo não morreu por uma etnia específica, mas por um povo global. A verdadeira Igreja é marcada por uma visão global do Reino, comprometida com a proclamação do Evangelho em todo o mundo.
A Igreja é católica porque o Evangelho é para todos. Por isso, a Igreja local deve refletir o coração missionário de Deus: orar, contribuir, enviar e se alegrar com a obra do Senhor entre as nações.
✝️ Evangelho
Cristo é o Cabeça de uma Igreja que transcende línguas, culturas e fronteiras. Ele está reunindo para si um povo redimido em todo o mundo, e nos chama a participar dessa comunhão e dessa missão.
💬 Aplicação pastoral
A Igreja da Palavra faz parte dessa realidade maior — um corpo que se estende da Terra ao Céu, de Maringá às nações. Ser católico (no sentido bíblico) é viver com olhos no mundo e coração no Reino.
➡️ Aplique pessoalmente e comunitariamente:
Lembre-se: sua fé local é parte de uma história global.
Ore por igrejas e missionários em outros lugares.
Valorize a comunhão — cada culto local é reflexo da adoração eterna.
Ame a Igreja global, mesmo quando ela é diversa e imperfeita.
A Igreja é católica porque Cristo é universal — e onde quer que Ele esteja, ali estão Seus santos.
Síntese:
A Igreja é católica porque é o povo de Deus espalhado entre as nações, unido em Cristo e sustentado por um mesmo Espírito. Cada congregação local é uma janela pela qual o mundo pode ver a beleza da comunhão dos santos.
📖 (4) A Igreja é APOSTÓLICA
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” (Efésios 2.20)
🪨 O Fundamento Apostólico
Ser apostólica significa que a Igreja está firmada sobre o ensino dos apóstolos, cujo centro é Cristo, a Pedra Angular. Os apóstolos foram enviados por Cristo com autoridade delegada do Pai, e sua mensagem, registrada nas Escrituras, é o alicerce sobre o qual a Igreja verdadeira é edificada.
A Igreja não inventa doutrinas — ela preserva e proclama a fé que recebeu dos apóstolos.
Assim como na visão de Apocalipse 21.14, a Nova Jerusalém tem “doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”. A Igreja, portanto, só permanece firme quando permanece fiel à autoridade apostólica — isto é, à autoridade da Palavra de Deus.
🕊️ O Cristo que envia
Jesus é o Apóstolo supremo — o Enviado do Pai (Jo 12.49). Depois, Ele enviou o Espírito Santo e, por meio dEle, comissionou Seus discípulos: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.” (Jo 20.21)
A sucessão da autoridade é clara: Pai → Filho → Apóstolos → Igreja. Rejeitar o ensino apostólico é rejeitar o próprio Cristo e, consequentemente, o Pai que O enviou. A “tradição apostólica” não é uma tradição humana paralela à Escritura — ela é a própria Escritura, a Palavra inspirada que a Igreja recebeu e deve guardar com fidelidade.
⚔️ O Ataque ao Fundamento
Desde o século II, a fé apostólica foi ameaçada por falsos mestres — como os gnósticos, que alegavam um conhecimento superior. Irineu de Lião (Contra as Heresias) defendeu que rejeitar os apóstolos era rejeitar o próprio Deus, pois quem nega os enviados nega o Enviador. Hoje, o mesmo espírito de rebelião se manifesta na negação da autoridade bíblica. Igrejas que abandonam a Escritura podem parecer vivas por fora, mas estão com o fundamento abalado.
“Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Sl 11.3)
“O liberalismo teologico do sec. XIX é um monumento à incredulidade”. Quando a Igreja substitui o Evangelho por moralismo, ideologia ou mero ativismo social, ela perde sua alma. A apostolicidade é o que preserva a Igreja da corrupção espiritual e da ruína doutrinária.
✝️ Evangelho
O Cristo ressuscitado enviou Sua Igreja ao mundo com a mesma autoridade que recebeu do Pai. A fé apostólica é, portanto, a fé centrada em Cristo, fundamentada na Escritura e impulsionada pela missão de proclamar o Evangelho até os confins da terra.
💬 Aplicação Pastoral
Ser apostólico é viver sob a autoridade da Palavra e continuar a missão dos apóstolos. A Igreja da Palavra existe para guardar o depósito da fé, proclamar a verdade de Cristo e formar discípulos enraizados na Escritura.
➡️ Aplique pessoalmente e como comunidade:
Reafirme sua confiança na Bíblia como autoridade final.
Rejeite qualquer “evangelho melhorado” que não tenha base nos apóstolos.
Viva e proclame a verdade com fidelidade e coragem, mesmo quando o mundo a rejeita.
Mantenha o Evangelho como o alicerce de toda a vida e ministério da Igreja.
Síntese:
A Igreja é apostólica porque foi edificada sobre o ensino dos apóstolos e porque continua sendo enviada por Cristo ao mundo com a mesma autoridade da Palavra. Permanecer fiel à Escritura é permanecer firme em Cristo, o fundamento inabalável.
Mas essas não são apenas verdades doutrinárias para serem repetidas no credo — são marcas vivas que devem ser vistas na prática da Igreja. Uma Igreja que é verdadeiramente una, santa, católica e apostólica mostra isso em sua vida, em sua comunhão e em sua fidelidade à Palavra. Por isso, precisamos perguntar: como reconhecer uma Igreja verdadeira? Quais são os sinais de uma comunidade que realmente pertence a Cristo?

AS MARCAS DE UMA IGREJA VERDADEIRA

🕊️ A Pergunta Central
Desde a Reforma Protestante, uma questão crucial tem acompanhado os cristãos:
“Quando uma igreja deixa de ser uma igreja?”
No século XVI, após o rompimento com Roma, surgiram várias denominações reformadas — luteranos, reformados, anglicanos, huguenotes — cada uma com liturgias e governos diferentes. Roma afirmava ser a única igreja verdadeira, mas os reformadores responderam que existem igrejas verdadeiras onde as marcas bíblicas estão presentes, mesmo com imperfeições humanas.
Assim, eles definiram três marcas essenciais que distinguem uma igreja verdadeira de uma falsa ou apóstata.
1️⃣ A Fiel Pregação do Evangelho
A primeira e principal marca é a proclamação fiel do evangelho bíblico. A igreja é verdadeira quando anuncia integralmente as verdades centrais da fé cristã — a deidade de Cristo, Sua obra expiatória e a justificação pela fé somente (sola fide).
Uma comunidade que nega qualquer uma dessas doutrinas essenciais abandona o cristianismo bíblico. Por isso, os reformadores afirmaram que, embora Roma mantivesse parte da verdade (como a deidade de Cristo), ao negar a justificação somente pela fé, ela deixou de ser uma igreja verdadeira.
📜 “Onde o evangelho não é pregado, ali não há igreja.” — João Calvino
2️⃣ A Correta Administração dos Sacramentos
A segunda marca é a celebração adequada das ordenanças instituídas por Cristo — o batismo e a Ceia do Senhor. Os reformadores viam os sacramentos como meios da graça, sinais visíveis da aliança de Deus com Seu povo.
Igrejas que rejeitam ou negligenciam completamente os sacramentos deixam de cumprir um mandamento essencial de Cristo. Por outro lado, ministérios paraeclesiásticos (como escolas e missões) podem ensinar a Bíblia e servir ao Reino, mas não são igrejas, justamente porque não administram os sacramentos nem exercem disciplina espiritual.
📜 “Cristo ordenou o batismo e a Ceia para edificação do Seu povo; a igreja deve, portanto, observá-los fielmente.” — R.C. Sproul
3️⃣ O Exercício da Disciplina Bíblica
A terceira marca é a prática da disciplina eclesiástica — expressão do cuidado e governo pastoral de Cristo sobre Seu rebanho.
Na história, a disciplina variou entre excessos severos (como na Idade Média) e negligência total (como em muitas igrejas modernas). Mas a Bíblia ensina que a disciplina é ato de amor, visando corrigir o pecado, preservar a pureza e proteger o evangelho (Mt 18.15–17; Hb 12.6).
Uma igreja que ignora o pecado e permite falsos ensinos torna-se espiritualmente doente e perde sua legitimidade. Os reformadores alertaram que quando uma comunidade abandona a verdade ou tolera heresia, ela se torna apóstata — ainda que mantenha aparência religiosa.
📜 “Uma igreja que nega o evangelho, ou se recusa a disciplinar o erro, deixa de ser igreja de Cristo.” — R.C. Sproul
⚖️ Apostasia Formal e Apostasia Prática
Sproul distingue entre:
Apostasia formal: quando uma igreja nega abertamente uma doutrina essencial (ex.: negar a deidade de Cristo).
Apostasia prática: quando mantém os credos, mas não crê ou não os pratica.
Em ambos os casos, a fidelidade à verdade é corrompida, e a igreja perde sua identidade espiritual.
🙏 Quando Deixar uma Igreja?
Sair de uma igreja é algo sério — envolve votos diante de Deus. Mas, segundo os reformadores, há situações em que é obrigação do crente se afastar:
Quando o evangelho não é mais pregado.
Quando os sacramentos são profanados ou abandonados.
Quando a disciplina e a pureza são negligenciadas.
Nessas condições, permanecer é cumplicidade com o erro.
Como Elias diante dos profetas de Baal, não podemos continuar “no templo de Baal” tentando reformá-lo — devemos sair e permanecer fiéis à verdade de Deus.
🌿 Conclusão — O Brilho da Verdadeira Igreja
A Igreja verdadeira é aquela onde:
O evangelho é fielmente proclamado.
Os sacramentos são corretamente administrados.
A disciplina é praticada com amor e fidelidade.
Quando essas marcas estão presentes, Cristo é exaltado, o povo é edificado e Deus é glorificado. Essa é a noiva de Cristo — santa, apostólica e reformada sempre se reformando pela Palavra (ecclesia reformata semper reformanda).
“Somente quando a Igreja compreende seu propósito — viver para a glória de Deus — é que ela brilha em toda a sua beleza.” — R.C. Sproul

🌿 3. A Vida Transformada — Como vivemos à luz dessa verdade

Quando entendemos o que é a Igreja, nossa relação com ela muda completamente:
Passamos de espectadores a participantes.
De quem “assiste” a quem serve e edifica.
Passamos de consumidores a discípulos.
A Igreja não é um serviço que consumo, é uma família a quem pertenço.
Passamos de críticos a cooperadores.
Ao invés de apontar falhas, passamos a amar, interceder e restaurar.
Passamos de isolados a enviados.
Pertencer à Igreja é viver em missão com o corpo de Cristo.
A vida transformada pela graça se manifesta numa comunhão viva, santa, enraizada na Palavra e comprometida com o Reino.
O QUE É A MEMBRESIA NA IGREJA?
É o modo como nos comprometemos, nos responsabilizamos e como declamos PERTENCER a Igreja de Cristo. É uma declaração da cidadania no reino de Cristo. É um passaporte, uma proclamação feita na sala de imprensa do reino de Cristo. É a declaração de que você é um membro legítimo e licenciado do reino, um representante fiel de Jesus.
Para oferecer outra definição espantosa, podemos também dizer que a membresia na igreja é uma relação formal entre a igreja e um cristão, caracterizada pela confirmação e supervisão do discipulado do cristão por parte da igreja e pela submissão do cristão para viver seu discipulado sob os cuidados da igreja.
Observe novamente os muitos elementos que estão presentes (o processo da vida cristã na igreja local):
O corpo da igreja confirma formalmente a profissão de fé e o batismo de uma pessoa como confiáveis;
Ela promete supervisionar o discipulado dessa pessoa;
A pessoa submete formalmente seu discipulado ao serviço e autoridade desse corpo e seus líderes.
O corpo da igreja diz ao indivíduo: “Reconhecemos como válidos sua profissão de fé, batismo e discipulado a Cristo. Portanto, nós o confirmamos publicamente e o reconhecemos como pertencente a Cristo e à surpevisão de nossa comunhão”. Acima de tudo, o indivíduo diz para o corpo da igreja: “À medida que a reconheço como uma igreja fiel, que declara o evangelho, submeto minha presença e meu discipulado ao seu amor e supervisão”.
De certa forma, tudo se parece com o “sim” da cerimônia de casamento, razão pela qual alguns têm se referido à igreja local como aliança.
Membresia na igreja, em outras palavras, tem tudo que ver com a igreja assumindo uma responsabilidade específica por você, e você pela igreja.
É verdade que o cristão deve escolher fazer parte de uma igreja, mas tal escolha não faz dela uma organização voluntária. Somos, de fato, obrigados a escolher uma igreja local assim como somos obrigados a escolher Cristo. Tendo escolhido Cristo, o cristão não tem escolha a não ser escolher uma igreja onde congregar.

🙌 4. Chamado à Fé e Obediência — Pertencer à Igreja que Cristo ama

O Evangelho não é apenas uma boa notícia para ouvir, é um chamado para pertencer. Jesus não está formando um grupo de simpatizantes, mas uma família de discípulos. E esse chamado é urgente: o mundo precisa ver, na comunhão dos santos, o reflexo do próprio Cristo.
✝️ O chamado do Evangelho
Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (Ef 5.25). Quem ama a Cristo de verdade não pode viver distante daquilo que Ele ama. Pertencer à Igreja é um ato de fé e obediência: fé, porque confiamos que Deus age através dela; obediência, porque o Senhor ordenou que vivêssemos assim.
💡 Chamado pessoal
Hoje o Senhor te convida a algo mais profundo do que “ir à igreja”: Ele te chama a ser Igreja. Ele te chama a assumir responsabilidades, vínculos, compromissos. A colocar os dons em ação, a amar pessoas reais, a caminhar com irmãos imperfeitos — porque é nesse convívio que a graça se manifesta.
➡️ Na prática:
Se ainda não é membro, decida pertencer formalmente a uma igreja fiel à Palavra.
Se é membro, viva como parte viva do corpo: sirva, participe, ore, encoraje.
Se está ferido, permita que Cristo te restaure pela comunhão dos santos.
Se está distante, retorne — porque fora da Igreja não há plenitude de vida cristã.
🔥 Chamado comunitário
Cristo também chama a Igreja — não apenas o indivíduo — à fidelidade. A Igreja da Palavra é convocada a ser expressão viva da Igreja una, santa, católica e apostólica:
Una, porque vive reconciliada.
Santa, porque reflete o caráter de Deus.
Católica, porque se abre ao mundo e à missão.
Apostólica, porque permanece firme na verdade da Palavra.
🪞 Síntese final
O Evangelho nos tira do isolamento (problema), nos reconcilia em Cristo (graça), nos transforma em povo (vida), e nos envia ao mundo (missão).
Ser Igreja é viver o Evangelho em comunidade — uma fé que canta, sofre, serve e persevera junta.

🕊️ Conclusão

A Igreja não é invenção humana. É o povo eterno de Deus, a morada do Espírito Santo, a noiva de Cristo, a embaixada do Reino.
Quando a Igreja vive como una, santa, católica e apostólica, o mundo vê em nós o reflexo do próprio Cristo.
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