A Maior Prova da Ressurreição

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Textos da Paixão, Textos da Ressurreição

Redenção: a morte redentora de Jesus é descrita com muitos detalhes nos evangelhos.
-Ex.: artimanhas dos judeus, Jesus no Getsêmani, traição de Judas, o julgamento, as referências de horas enquanto Jesus estava na cruz.
Relatos do Jesus ressurreto: textos breves.
-São basicamente 6 textos, sendo um em cada evangelho, um em Atos e um em 1Co.
Por que essa diferença? Os textos da morte são extensos para responder duas grandes questões:
Judeus: como pode Jesus ser o Messias se ele morreu pendurado no madeiro?
Gentios: se Jesus era o Messias, o Rei dos Judeus, por que Ele foi rejeitado pelo seu próprio povo?
Já os textos sobre a ressurreição são mais breves porque basicamente se restringem a dar provas da sua ocorrência.
-É natural esse tipo de explicação.

Vida Após a Morte no AT

Além disso, os judeus viam a Lei de Deus muito apegada à vida: para o povo de Deus no AT, o importante é viver muitos anos e ter filhos e filhas.
Deuteronômio 30.19–20 “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão , Isaque e Jacó.”
No AT, os mortos eram levados ao Sheol (representação de um lugar debaixo da terra, escuro e empoeirado)
-Ali, os mortos estão:
1- Esquecidos: é basicamente o que acontece conosco; daqui 3 gerações, não passaremos de memórias.
Eclesiastes 9.5 “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento.”
2- Sem comunicação com os vivos ou com Deus.
Salmo 6.5 “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?”
-Assim, as imagens do Sheol são o oposto total da vida (uma espécie de não-vida).
É o destino de todos os homens, invariavelmente.
-E quem foi ressuscitado? Tornou a morrer. Não era uma vitória total sobre a morte.
-No máximo, havia o arrebatamento.
Para o povo de Israel, havia apenas lampejos de esperança de que Deus não abandonaria os mortos.
Salmo 16.10 “Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.”
Isaías 25.8 “Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor falou.”
O tema da ressurreição começou a ser tratado com mais força pelo povo de Deus por ocasião dos eventos trágicos do exílio: somente um milagre como a ressurreição poderia reajuntar e reconstruir o povo de Deus.
-Ex.: profecia do vale dos ossos secos de Ezequiel 37.
-No entanto, era uma imagem profética, não uma ressurreição em que alguém vence a morte definitivamente.
O que se conclui? Quando o homem pecou, a morte invadiu a boa criação de Deus, contaminou o mundo todo e se tornou absolutamente invencível.
-É o sentimento das pessoas quando vão a um funeral: “acabou”.

Jesus e a Nova Criação

Jesus veio e morreu: nesse cenário, Jesus veio à terra, viveu uma vida perfeita, sem pecado, e morreu na cruz.
-Mais uma vez os judeus tinham que olhar a morte nos olhos.
O que fazer diante da morte? Mesmo tendo realizado tantos milagres e prodígios, o ensino de Jesus foi colocado em cheque quando Ele morreu na cruz. O que fazer?
-O que você faz quando fica com medo? Quando encontra um adversário que nunca foi derrotado?
-Os discípulos ficaram com medo e se trancaram dentro de uma casa.
Eles não haviam entendido a mensagem de Jesus em que predisse sua morte e ressurreição.
-Mais do que isso, eles não entenderam a mensagem dos seus milagres.
Reino de Deus. O que Jesus estava fazendo ao curar, expulsar demônios, alimentar multidões e ressuscitar mortos? Jesus estava abrindo uma janela: a janela da nova criação.
-Ele não quer apenas atenuar o sofrimento das pessoas, mas anunciar: “o reino de Deus chegou”.
-Ex.: quando cura, Ele mostra que na nova criação não há doença; quando expulsa demônios, Ele mostra que na nova criação o império das trevas não tem qualquer poder; quando ressuscita a Lázaro, mostra que na nova criação não existe morte.
Mas essa janela abria e se fechava: o curado voltava a ficar doente; o alimentado voltava a ficar com fome; e o ressuscitado voltava a morrer.
-Eram apenas vislumbres da nova criação.
Quando Jesus ressuscitou dos mortos ao 3º dia, ele abriu as portas para a realidade da nova criação para todos os que Nele creem.
2Coríntios 5.17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
Por isso, a ressurreição é um tema crucial no evangelho: é necessário crer que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos.
Romanos 10.9 “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”
1Coríntios 15.17 “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.”

Provas da Ressurreição no Evangelho

Por isso, considerando que o cristianismo primitivo era:
1- Composto de judeus que conheciam a realidade intransponível da morte no AT.
2- Pregado para pessoas que não presenciaram a morte de Jesus e nem viram Jesus ressurreto...
Os apóstolos entenderam indispensável apresentar provas desse evento maravilhoso.
-Provas apresentadas:
1- Túmulo vazio: a morte de Jesus foi certificada por um centurião romano, Seu corpo foi entregue a José de Arimatéia para sepultá-lo e Jesus foi colocado numa tumba, sob a vigilância de guardas; horas depois não estava mais lá.
-Criaram narrativas de que o corpo foi roubado ou que foi colocado em outro lugar.
2- Testemunhas: diversas pessoas viram Jesus após a ressurreição.
2.1- Mulheres: a prova mais interessante é que o testemunho da ressurreição foi primeiro dado por mulheres, tidas como ingênuas e facilmente influenciadas pelas emoções (logo, de frágil aceitação).
Lucas 24.9–11 “E, voltando do túmulo, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os mais que com eles estavam. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; também as demais que estavam com elas confirmaram estas coisas aos apóstolos. Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas.”
2.2- Pessoas vivas: as testemunhas estavam vivas na época que os evangelhos e as epístolas foram escritas, sendo pessoas conhecidas das comunidades cristãs e que poderiam ser diretamente consultadas.
1Coríntios 15.3–8 “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo.”
Além dessas provas, uma outra aparece. Uma muito importante.
-Paulo a mostra na sua carta aos romanos.

Estamos Unidos a Cristo

Romanos 5.17–21 “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.”
Paulo traça uma linha da história (não desse mundo, mas de outra dimensão):
1- Em Adão, toda a raça humana caiu e está colocada num cativeiro, debaixo dos dominadores Pecado e Morte.
-Não há escolha, não há opção. É um reino. Pecado e Morte produzem mais pecar e morrer.
2- Cristo veio: assim como Pecado e Morte invadiram a boa criação de Deus, Deus invadiu esse cativeiro hostil das trevas (carne), morreu e ressuscitou e abriu as portas da nova criação.
3- Em Cristo, os crentes podem sair da velha criação, não para voltar à primeira (passível de pecado e morte), mas para atravessar a porta da nova criação.
Romanos 6.1 “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?”
Paulo traz uma reflexão para os romanos: Cristo venceu o Pecado e a Morte; como, então, viveremos? Se já vencemos, podemos viver como queremos?

Batismo

Romanos 6.2–5 “De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição”
O argumento central de Paulo é que nós estamos em/dentro de/unidos a Cristo.
-Essa é a importância da obra de Jesus: nós passamos a fazer parte da sua morte e ressurreição.
Como isso acontece? Pela fé!
1João 5.1 “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus (...)”
1Pedro 1.3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”
1Pedro 1.5 “(...) mediante a fé”
Mas nas suas cartas Paulo faz essa associação com o batismo.
O batismo costumeiramente é apresentado nos evangelhos como de arrependimento e remissão dos pecados.
-Para Paulo, o batismo vai além: é a identificação/associação/incorporação com Cristo.
1Coríntios 12.13 “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.”
Gálatas 3.27 “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.”

Mortos com Cristo

Nessa porção específica, diferentemente das outras cartas, Paulo mostra que nossa identificação com Cristo não é genérica: ela se dá também na morte e ressurreição de Cristo.
Quando cremos e somos batizados, nós recebemos os benefícios da morte de Cristo na cruz.
Romanos 6.6–7 “sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado.”
Benefícios da crucificação nosso velho homem: o corpo do pecado (dominado e desvirtuado por ele) foi destruído.
-É o corpo humano durante o domínio do pecado e da morte, um corpo sob ocupação alheia.
-Consequências:
1- Não estamos debaixo do senhorio do pecado: fomos resgatados da escravidão.
2- Estamos justificados do pecado: a morte é o evento que rompe todo compromisso do morto.
-Ex.: credor, pena.
-Quando morremos, pagamos a sentença do pecado, estamos quites com a lei. Não devemos mais nada.

Ressuscitados com Cristo

Assim como Cristo, não ficamos somente na morte, mas ressuscitamos.
Romanos 6.8–11 “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.”
A ressurreição de Jesus Cristo não foi um milagre como outro qualquer.
Romanos 6.4 “(...) como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.”
-A glória de Deus é a própria presença de Deus; mas também pode se referir à sua presença em combate, vencendo os inimigos.
Êxodo 15.6–7 “A tua destra, ó Senhor, é gloriosa em poder; a tua destra, ó Senhor, despedaça o inimigo. Na grandeza da tua excelência, derribas os que se levantam contra ti; envias o teu furor, que os consome como restolho.”
-Diferentemente de outros textos, Paulo evoca a glória de Deus para revelar que a ressurreição é a ação de Deus Pai para destruir os poderes que mantinham Cristo cativo (Pecado e Morte).
Romanos 6.10 “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.”
Essa é a realidade da encarnação: Deus não age como um poder externo e isolado, cuja decisão de derrotar o inimigo se limita a lançar um ataque à distância segura, como um bombardeio remoto.
-É dentro do mundo do Pecado e da Morte que a ação de Cristo ocorre. É se colocando em vulnerabilidade e se colocando debaixo dos dominadores.

Conclusão

Cristo se encarnou. Através da sua morte, Cristo venceu o pecado. Através da ressurreição, Cristo venceu a morte.
-Através da fé, nós morremos e ressuscitamos com Ele. A vitória dele se torna nossa vitória.
A afirmação que Paulo faz aqui é muito mais profunda do que poderia ser capturada em uma série de conselhos morais; ela envolve habitar uma nova identidade como pessoas em Cristo.
Agora precisamos andar em novidade de vida.
-Essa é a última prova que podemos dar sobre a ressurreição: a transformação.
Veja os discípulos: aqueles homens, que há pouco estavam acovardados, se tornaram pregadores destemidos e fundaram a igreja.
-Por que? Por uma razão e somente uma: eles acreditavam de todo o coração que Jesus havia ressuscitado dos mortos e estava vivo para sempre.
-A ressurreição, quando crida, não fica na esfera das ideias, mas transforma todo o nosso ser para vivermos para Deus.
-Dito de forma oposta, a nossa transformação é uma evidência de que nós cremos no evangelho, que cremos na ressurreição.
Acima da tumba vazia e do testemunho de quem viu Jesus ressuscitado, passamos a viver uma nova vida, superior, não subjugada pelo Pecado e pela Morte.
2Coríntios 5.17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
Quando o egoísta se torna generoso, quando o vingativo aprende a perdoar, quando o desesperado volta a ter esperança, aí está o eco da ressurreição.
-O que a sua vida comunica: ressurreição ou morte?
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