As Marcas do Chamado de Deus

O Evangelho do Rei  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Matthew 3:1–12 NVI
Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ ”. As roupas de João eram feitas de pêlos de camelo, e ele usava um cinto de couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão. Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes: “Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. “Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga”.

Deus precisa de nós?

Faz um tempo que em uma certa semana, meu filho Felipe colocou na cabeça que queria trabalhar comigo. Foi então que eu combinei: no sábado, assim que eu acordasse, ele iria junto e, se trabalhasse direito, no final do dia receberia R$ 10. Ele passou a semana toda ansioso e praticamente todo dia perguntava e confirmava se o que tínhamos combinado ainda estava valendo.
No sábado, antes mesmo de eu acordar e estar pronto, ele já tinha se levantado e se trocado. Chegando no serviço, obviamente pensei em algo que ele pudesse fazer, que estivesse de acordo com a capacidade dele, que não fosse perigoso e que não precisasse da minha supervisão. Afinal, eu também precisava trabalhar.
Foi então que combinei com ele que ficaria no escritório e eu na oficina. No escritório, ele iria precisar picotar uma pilha considerável de papéis. Depois de explicar o serviço, deixei ele “trabalhando” e parti para as minhas obrigações. Surpreendentemente, ele terminou muito rápido a função dele e logo foi me procurar para saber o que mais poderia fazer.
Naquele sábado, passamos o dia todo trabalhando: eu com aquilo a que já estava acostumado, e ele descobrindo um mundo novo. No final do dia, assim como combinado, parabenizei ele e enfim, entreguei os tão esperados R$ 10,00. Assim que chegamos em casa, ambos cansados, ele se virou para mim — enquanto estávamos no elevador — e disse:
“—Pai, no sábado que vem eu também vou com você, não é?”
São essas histórias, esses acontecimentos, que Deus usa para me ensinar muito, não só sobre paternidade, mas principalmente sobre a nossa relação com Ele.
Olhemos para o mundo. Deus está fazendo algo. Deus está trabalhando em algo muito importante no decorrer das eras. Alguns diriam: “Deus está em missão!” E eu concordaria plenamente com isso.
Agora, diante dessa verdade, existe uma realidade que alguns de nós acabam esquecendo. A realidade de que nesse “fazer algo”, Deus não precisa de nós. Diferente do que algumas pessoas pensam, nós não somos peças fundamentais, como se, em algum momento, Deus fosse entrar em desespero porque não estamos à sua disposição.
Porém, diante dessa realidade existe também uma daquelas coisas loucas do Evangelho, que para nós, às vezes não fazem sentido: Deus pode não precisar de nós, porém, ainda assim, Ele nos chama e conta conosco para aquilo que Ele está realizando.
À nossa frente, temos alguém que tinha certeza disso e que vivia com essa certeza: João Batista. E, embora no nosso texto pudéssemos olhar para diversos pontos que chamam a nossa atenção, eu quero que, nesta noite, possamos visualizar as marcas que acompanham o chamado de Deus para nossas vidas.

1ª marca: Fidelidade

A primeira marca que deve acompanhar — e deve ser notada — na vida daquele que recebe um chamado de Deus é a fidelidade.
Embora Mateus não gaste tempo, assim como Lucas, contando a história de João Batista, precisamos ter em mente que, desde o nascimento, João possui uma história profundamente ligada àquilo que Deus havia confiado a ele.
João era parente de Jesus, e antes mesmo de Maria receber do anjo a notícia de que conceberia em seu ventre o Filho de Deus, foi Isabel — parente de Maria — quem viveu um milagre e gerou em seu ventre João, que mais tarde seria conhecido como “o Batista”.
É Lucas quem relata a visita do anjo a Zacarias — pai de João — avisando que o filho que estava por vir iria adiante do Senhor e seria responsável por fazer voltar o coração dos pais aos filhos, deixando o povo preparado para a vinda do Messias.
No nascimento de João, Zacarias — que havia passado nove meses mudo por não ter acreditado na mensagem do anjo — tem sua voz restaurada e, em um cântico, anuncia diante de todos que seu filho seria chamado profeta do Altíssimo, que seu filho iria adiante do Senhor e prepararia o caminho do Senhor.
O capítulo 3 de Mateus inicia dizendo que, naqueles dias, surgiu João, pregando no deserto da Judeia. E novamente vemos Mateus fazendo uma ligação direta com o Antigo Testamento, lembrando aos seus leitores que esse acontecimento é mais um cumprimento das antigas profecias. Na pessoa de João Batista, Mateus enxerga o cumprimento da palavra de Isaías 40.03:
Isaiah 40:3 NVI
Uma voz clama: “No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus.
Certamente, não era segredo para João que, desde o seu nascimento, sua vida neste mundo cumpria um propósito muito bem definido por Deus. Certamente João sabia quem era e sabia o que Deus esperava que ele fizesse.
Enquanto muitos desejariam cumprir o chamado nas ruas de Jerusalém, ou em alguma grande cidade do Império Romano, João era aquele que pregava em meio ao deserto. Enquanto muitos planejariam se mudar para um local cheio de gente e movimentado pela loucura do dia a dia, João anunciava sua mensagem em um lugar de escassez e sem vida.
A fidelidade de João se manifesta aqui: em ser cumprimento de promessas do passado, em saber quem ele era, e, em saber quem ele não era.
Mesmo não possuindo o melhor palco, o v. 05 diz que multidões iam até o deserto para ouvir o que João tinha a dizer. Algumas pessoas diante de tamanha tentação poderiam sucumbir e tomar a glória que não pertence a elas para si mesmas, mas João sabe que sua missão é apenas preparar o caminho. João sabe quem era, assim como sabia que não era poderoso como aquele que viria.
Devemos aprender com esse relato que fidelidade não se mede de acordo com números grandes ou pelo tamanho do público, mas sim, pela constância no propósito. João permaneceu fiel no cenário improvável que Deus escolheu para agir.
A fidelidade de João no deserto é um lembrete para nós de que Deus não precisa de lugares perfeitosEle está à procura de corações obedientes. Deus não busca quem se promove, Ele busca quem permanece.

2ª marca: Verdade/Integridade

A segunda marca que deve acompanhar — e ser visível — na vida de quem recebe um chamado de Deus é a integridade.
A integridade no chamado de João se manifestava de duas formas:
1) Sua vida condizia com aquilo que ele cria e pregava.
Desde o anúncio do seu nascimento, João já era predito como alguém separado por Deus, alguém chamado para viver de forma diferente das demais pessoas, porque tinha uma missão diferente. Ele não apenas pregava arrependimento, justiça e santidade; ele vivia esses princípios. O deserto, suas roupas e sua alimentação era prova de que ele não era alguém que pregava algo que não estava disposto a viver.
(2) sua mensagem não mudava dependendo quem era o ouvinte.
Seja em um deserto inóspito, diante das multidões ou perante os líderes religiosos da época, João não adaptava sua pregação ao gosto do ouvinte. Sua atitude e pregação não mudava e não dependia de aprovação humana.
Ao confrontar os fariseus e saduceus (que aparecem a primeira vez aqui no evangelho de Mateus e que seguirão por todo o Evangelho), João não suaviza a mensagem para agradar ou ser aceito e não se deixa levar pelo que os outros pensavam ou esperavam ouvir.
Integridade é viver a mesma fé no culto, no trabalho, em casa e quando ninguém está olhando. Quantas vezes nós mudamos a maneira de falar ou o que falamos ou até a maneira de agir só para sermos aceitos?
Integridade é uma marca essencial de quem cumpre o que Deus chama para fazer, pois é ela que confirma a fidelidade do coração e dá força à missão que Deus confiou.

3ª marca: Urgência

A terceira marca que deve acompanhar — e ser visível — na vida de quem recebe um chamado de Deus deveria ser a primeira, mas eu a coloquei por último de maneira proposital, pois constantemente esquecemos. A terceira marca é a urgência.
João demonstra urgência em sua pregação.
Matthew 3:2 NVI
Ele dizia: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”.
Note em primeiro lugar que por Mateus escrever para um público judeu que se converteu ao cristianismo, ele respeita a sensibilidade do judeu daquele tempo em usar o nome de Deus em vão e por isso diz “Reino dos céus”, diferente de Marcos que diz “Reino de Deus” (Mc 01.15). No entanto, o ponto é o mesmo: o tempo é curto, a oportunidade é limitada, a ação deve ser imediata.
Nas palavras de João existe uma necessidade de mudança radical de conduta e pensamento pois falta pouco tempo. Esse era um alerta que não poderia ser ignorado.
João demonstra urgência em seu modo de viver. Embora suas roupas fossem semelhantes à de Elias (um profeta que João Batista é comparado e cuja profecia aponta), é interessante a maneira como o pastor Luiz Sayão compreende o v.04. Pois, da mesma maneira que Steve Jobs (fundador da Apple) optava por usar apenas camiseta preta e calça jeans para polpar seu tempo em ter que escolher um guarda-roupa cheio, o Pastor Sayão diz que tanto as roupas como a dieta de João demonstram essa urgência. Ele era alguém que não podia perder tempo com roupas finas e nem com refeições bem-preparadas.
Por último, João demonstra urgência pois “o machado está posto à raiz das árvores...”(v.10). Nesse versículo João usa a essa imagem para falar sobre um acontecimento que acontecerá em um futuro muito breve. João fala do dia irá do Senhor. O dia que Deus cortará a árvore que não der bom fruto e lançara ela no fogo, juntamente com a palha.
Estamos ocupados demais com as nossas coisas. Gastamos nosso tempo com tudo que é passageiro e novamente adiamos, postergamos e negligenciamos o chamado de Deus e suas consequências sobre os outros.
Muitos usam a desculpa de “não estarem prontos”, mas também nunca fazem nada para mudar. Muitos dizem resolver amanhã, mas esse amanhã nunca chega. A realidade é que muitos não entenderam a urgência em cumprir o que Deus nos pede para fazer.
Nos tornamos apreciadores de Jesus. Olhamos os outros se doarem e se esgotarem enquanto nos enchemos de desculpas e vivemos um cristianismo contemplativo. Somos rápidos para apontar os erros de tantos, enquanto não percebemos que o fato de Deus ainda usar algumas “mulas de Balaão”se dá por não existir pessoas disponíveis para aquilo que é necessário para nosso tempo.
Muitos vivem de desculpas e justificativas, como se o chamado de Deus tivesse validade apenas para quem se sente seguro ou preparado. O machado posto a raiz não espera a nossa segurança, a nossa comodidade, o cenário perfeito ou qualquer coisa que usemos como desculpa.
Enquanto protelamos o futuro, esquecemos que a árvore que não dá fruto será cortada e lançada no fogo.

Para quem serve isso?

Talvez você tenha ouvido tudo isso até agora e, sem perceber, esteja arrumando desculpas. Sim! Pois a grande verdade deste sermão é que as marcas que vemos em um chamado não dizem respeito apenas àqueles que fazem algo na igreja, que cumprem uma escala ou que participam de algum tipo de ministério.
Essas marcas devem ser aparentes na vida de todo cristão, pois, ainda que não tenhamos o nosso nome em algum grupo de pessoas que trabalham dentro da igreja, todos nós devemos cumprir o mesmo chamado que João Batista teve: o de preparar o caminho para o Senhor.
Não podemos fugir da verdade de que Cristo em breve retornará. Ele separará o trigo da palha, o machado cortará a árvore que não produz bom fruto, e todas as coisas serão postas no seu devido lugar.
Não é necessário que eu crie uma lista de funções para que você saiba se possui ou não um chamado. O que é necessário é despertar para a verdade que o Evangelho nos convoca: sermos uma voz que clama e prepara o caminho.
E antes que você pense que o chamado só vai te cobrar e exigir certas coisas, eu tenho aprendido — e experimentado — que existem benefícios que nos alcançam enquanto cumprimos aquilo que Deus espera de nós.

Existe muitos caminhos para prepararmos!

Voltando rapidamente à história que contei no início deste sermão:quando o Felipe se voluntariou para trabalhar comigo, alguém poderia pensar que o único benefício seria a recompensa pelo seu trabalho.
Certamente, a recompensa é algo que recebemos quando nos dispomos e nos voluntariamos para ser parte daquilo que Deus está fazendo.
No entanto, o Felipe não sabia, mas, por trás de aceitar a sua ajuda, eu também tinha os meus planos. Eu, como pai, quis que, nessa oportunidade, o Felipe tivesse uma percepção melhor sobre o dinheiro. Eu me lembro de responder a ele, quando pediu um determinado brinquedo, que ele mesmo conseguiria comprar — se trabalhasse por mais quatro sábados.
Com Deus também é assim! Quando cumprimos aquilo que Ele espera de nós, algo também acontece conosco. Muitas vezes, até mesmo naquilo para o que nos dispomos, Deus usa a oportunidade para moldar em nós o que ainda não está pronto. Por vezes, no meio do processo, Deus nos molda e nos transforma.
Mas o maior benefício em dizer “sim” para Deus foi o que eu pude ouvir da minha esposa, depois de um sábado de trabalho com o Felipe.Ela me perguntou:
“—Você sabe por que o Felipe gosta tanto de ir todo sábado com você trabalhar?”
A minha resposta foi o silêncio e um olhar de quem queria entender. Então ela respondeu:
“—Porque ele gosta de ficar perto de você.”
Essas coisas, às vezes, passam despercebidas de nós — mas ninguém precisa lembrar a Deus de algo assim. Ele sabe, e mais, isso está dentro dos seus planos.
Nunca fomos chamados por Deus, para apenas trabalhar para Deus. A nossa missão só pode ser eficaz no que fazemos para Deus, quando estamos perto de Deus.
A recompensa que Ele promete é maravilhosa, o Seu trabalho em nossas vidas é primordial, no entanto, saber que o que fazemos, fazemos porque estamos perto dEle e Ele está perto de nós é o que torna tudo mais suportável e prazeroso.
Pergunte-se: O que levou João a pregar em um deserto? O que levou ele a viver de maneira tão simples? O que ele tinha na cabeça por abandonar a agitada Jerusalém e optar por um lugar tão sem sentido aos nossos olhos? O que encorajava João a ser Fiel, Integro e a nutrir um senso de urgência? Se a sua resposta não for Deus, então você precisa ter seus olhos abertos nessa noite para a realidade que o Senhor aguarda para sua vida.
Existe muito trabalho pela frente! Existem muitos caminhos para prepararmos! Existem desertos para que sejamos vozes proclamando em meio a eles! Os campos estão prontos! E Deus está chamando seus trabalhadores. Que possamos dizer nessa noite: “Eis-me aqui Senhor!”
Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 02 de novembro de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Carvalho
Soli Deo Gloria
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