Bem aventurados os mansos

A Doutrina da Vida Cristã (Sermão do Monte)  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Transcript
Ilustração
Introdução
Frase de transição
1. O que é ser manso
As bem-aventuranças, como já vimos, estão relacionadas às marcas do caráter de todo cristão, que devem ser pensadas conjuntamente, visto que possuem uma íntima relação. Após afirmar que são bem-aventurados aqueles que reconhecem sua miséria espiritual e se entristecem em decorrencia do pecado; agora Jesus afirma que são bem aventurados os mansos.
Um recurso muito útil no processo de interpretação do texto é fazer perguntas ao texto. E a primeira pergunta importante aqui é: por que os bem-aventurados choram? Primeiro tentemos entender qual a natureza, qual o motivo do choro.
O que temos sintetizado no conceito do “choro” aqui nesse texto é o sentido de lamento, aflição, sofrimento. E se considerarmos esses sentidos, então percebemos que a idéia em si pode ser muito ampla, pois, pessoas sofrem pelos mais diversos tipos de circunstâncias. Mas será que todo sofrimento é bem-aventurado? Será que todo sofrimento, redundará em alegria final? Não temos nenhuma indicação na Escritura que nos leve a essa conclusão. Dessa forma, precisamos encontrar um paradigma que os ajude a compreender de que tipo de sofrimento Jesus está falando. O melhor paradigma que temos para isso é a própria Escritura, considerando o texto bíblico em seu contexto.
Se lembre que na primeira bem-aventurança Jesus falou de um tipo especial de pobreza, a pobreza espiritual que leva o homem à humildade. Considerando isso, podemos concluir então, que o choro e a tristeza do v.4, não tem nenhum outro motivo, se não o susto abissal causado pela consciência a respeito da
Evangelho de Mateus 2. As bem-aventuranças, 5:3–12

natureza pecadora cabalmente decaída e condenável (...) e do abismo cheio de veneno do pecado, no qual se encontra.

E a realidade de que o pecado gera profunda tristeza é apresentado claramente nas Escrituras:
Salmo 32.3–4 “3 Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. 4 (...) o meu vigor se tornou em sequidão de estio.”
Salmo 38.3–4 “3 Não há parte sã na minha carne, por causa da tua indignação; não há saúde nos meus ossos, por causa do meu pecado. 4 Pois já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças.”
Romanos 6.23 “23 porque o salário do pecado é a morte (...)
Então, fica claro que o lamento citado por Jesus na segunda bem-aventurança não tem nenhum outro motivo, se não a consciência da odiosidade do pecado.
2. Quem são os bem-aventurados que choram
Uma vez que já respondemos à questão associada à natureza e à motivação do lamento aqui nesse texto, podemos direcionar nossa atenção para uma outra questão que é igualmente importante: quem são essas pessoas consideradas felizes e que choram?
E para responder essa questão consideremos, primeiro uma outra questão: Todas as pessoas se entristecem por causa do pecado? Não. O homem natural, aquele que não foi regenerado pelo Espírito Santo, não se entristece em decorrência do pecado, pelo menos não nos termos que o lamento desse texto compreende. A Escritura fala a esse respeito:
Provérbios 14.9 “9 Os loucos zombam do pecado (...)”
Isaías 5.20 “20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!”
Jeremias 6.15 “15 Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o Senhor.”
Então se os ímpios não reconhecem o pecado e tão pouco se entristecem por ele, a segunda bem-aventurança só pode estar relacionada àqueles que tem consciência do pecado, de sua natureza odiosa e de suas duras consequências. Logo aqueles que, segundo o texto, choram e são bem-aventurados, só podem ser os que regenerados pelo Espírito Santo e iluminados por ele em sua mente deploram
Mateus, Volumes 1 e 2 A Segunda Beatitude

seu estado pecaminoso, e também lamenta as consequências do mesmo.

A Escritura nos apresenta alguns paradigmas desse entristecimento do homem regenerado frente à miséria causada pelo pecado:
Neemias 1.4–6 “4 Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. 5 E disse: ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível, (...) faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado.”
Lucas 18.13 “13 O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”
Romanos 7.24 “24 Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”
Esse choro, essa tristeza em decorrência dos pecados, não está limitado aos pecados individuais, ou seja, aqueles que o homem praticou pessoalmente em ofensa contra Deus. O que se tem é que:
Mateus, Volumes 1 e 2 A Segunda Beatitude

O regenerado aprende a amar a Deus de tal forma que começará a chorar diante de “todas as obras ímpias que os ímpios têm cometido (...)

É o que vemos, por exemplo, no texto de Neemias, que vimos agora a pouco em que ele se entristece pelos pecados da nação. É o mesmo caso da tristeza expressa pelo salmista ao afirmar no Salmo 119.136 “Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei.”
Portanto, aqueles que choram aqui no texto, são os homens que uma vez regenerados pelo Espírito Santo, vivificados espiritualmente, passam a reconhecer e a odiar as consequências desastrosas do pecado, tanto o pecado pessoal, quanto o pecado cometido por outras pessoas, e se entristecem diante do fato de que Deus é desonrado com a iniquidade dos homens. Portanto, eles sofrem nessa vida, vendo o mundo como ele de fato é, um mundo que “jaz no maligno” (1Jo. 5. 19).
3. A razão da felicidade dos que choram
Ao final de cada bem-aventurança, encontramos uma promessa associada. Os pobres em Espírito, já vimos, recebem a promessa do Reino do Céu. Por seu turno, aos que choram a promessa está associada ao consolo. E que promessa poderia ser mais desejada para aqueles que sofrem, além do consolo? Qual é o desejo mais pungente de uma alma que chora? Qual é o anseio mais presente daqueles que são contristados com as inúmeras dificuldades dessa vida? Qual é a maior vontade daqueles que se vêem submergindo nos oceanos das dores? O consolo.
O motivo da felicidade dessas pessoas que sofrem por conhecer o que é o pecado e por perceber quão desastrosas são as suas consequências, consiste no fato de que o favor de Deus é manifesto a eles em consolo. É lógico que os filhos e Deus recebem algum tipo de consolo já no tempo presente, pois, quando a alma piedosamente entristecida olha para Deus, ela encontra:
o Pastor supremo que lhe guarda - Salmo 23.4 “4 Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.”
o refúgio na tribulação - Salmo 46.1 “1 Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.”
o livramento no dia da angústia - Salmo 50.15 “15 invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.”
o Senhor compassivo que eprdoa as iniquidades - Miquéias 7.19 “19 Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”
No entanto, o consolo prometido tem uma clara perspectiva escatológica, apontando para o final da história. É bem verdade que a vida debaixo do sol é marcada por dores, tristezas, circunstâncias difíceis que se acumulam e parecem não ter fim. A perspectiva final que temos em vista, e é esse o lugar onde começamos a ser consolados, é que ainda que tenhamos muitos motivos para nos entristecer, ainda que passemos por muitos momentos em que acreditamos não haver saída, todas essas coisas tem um prazo determinado, porque toda dor e todo sofrimento são apenas por enquanto.
A promessa do consolo apresentada por Jesus nessa bem-aventurança, se encontra belamente sumariada em Apocalipse:
Apocalipse 21.3–4 “3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. 4 E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.”
Aplicação
Algumas perguntas se fazem necessárias: como você lida com pecado? Quais são os sentimentos que o seu pecado pessoal e o pecado de outras pessoas suscitam ao seu coração? Uma vez que entendemos quão perigoso e quão prejudicial o pecado é, nosso coração deve se encher de horror e aversão pelo pecado. Devemos aprender a odiar e evitar o pecado. Sua prática e suas consequências devem ser motivo de piedosa tristeza que te leve aos pés de Jesus, buscando não apenas o perdão mas a capacitação e o fortalecimento para lutar contra o pecado.
Se é necessário que por um tempo sejamos contristados por toda sorte de problemas e dificuldades, devemos passar por tudo isso, com nossos olhos em Cristo, o autor e consumador da nossa fé, certos de que Ele está conosco todos os dias, assim como prometeu, e que na sua vinda, toda dor, todo problema, toda dificuldade haverão de ficar para trás, e então, estaremos plenamente consolados e felizes em sua presença para a eternidade.
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