A Igreja Modelo
Nuno R. Fernandes
2ª Tessalonicenses • Sermon • Submitted • Presented
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Leitura da Escrituras
Leitura da Escrituras
1 Paulo, Silvano e Timóteo à igreja dos tessalonicenses, que está em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo: 2 Graça e paz a vós da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. 3 Irmãos, temos sempre de agradecer a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé tem crescido muito, e o amor de cada um de vós transborda de uns para com os outros. 4 Em razão disso, nós mesmos nos orgulhamos de vós diante das igrejas de Deus por causa da vossa perseverança e fé em todas as perseguições e aflições que suportais.
Introdução
Introdução
A segunda carta aos tessalonicenses foi escrita pouco tempo depois da primeira, reforçando alguns dos temas desta como a perseguição aos crentes, o fim dos tempos e o problema da inércia face ao retorno de Jesus Cristo. Como fizemos anteriormente, iremos passar por todo o texto procurando organizar o ensino desta epístola Paulina de forma eficaz.
Quando pensamos em igrejas modelo, principalmente com a nossa mentalidade ocidental, pensamos num sem número de coisas:
Grande número de membros ou de assistência nos cultos, conta bancária recheada, qualidade tanto musical quanto ao nível da produção multimédia, redes sociais, etc... Muitas vezes olhamos também para o status social de alguns dos seus membros, o quão conhecido é o Pastor ou quanta influência tem a igreja junto do poder político. Outros há que entendem que a igreja modelo é aquela que privilegia a criatividade e liberdade. Vêm como modelo aquela igreja que mais “rompe” com o passado, com o tradicional e estabelecido. Até há aqueles que vêm a igreja modelo como aquela que menos parece igreja, para que os descrentes lá possam entrar, sem se sentirem ameaçados.
Ora, a igreja em Tessalónica certamente não tinha nenhum dos atributos referidos:
Não tinha edifícios (o edifício de igreja mais antigo conhecido data do terceiro século d.C.), programas especiais, oradores convidados famosos ou publicações literárias. Não era uma igreja grande ou rica (a maioria dos primeiros cristãos era das classes sociais mais baixas; cf. 1Cor 1:26) ; a congregação carecia de influência social e política (os cristãos eram párias desprezados na sociedade romana); nem tinham um pastor famoso (os nomes dos presbiteros nem sequer são mencionados). Não podiam oferecer aos potenciais convertidos o ambiente confortável, divertido e “não ameaçador” de uma igreja moderna “amiga do utilizador”.
Ainda que algumas das coisas atrás descritas poderão ser úteis na igreja atual, nenhuma delas faz parte do essencial.
Assim sendo, que igreja era esta? Era uma igreja sofredora. Quando pensamos em igrejas modelo atualmente, não é isto que nos vem à mente., mas a igreja em Tessalónica era modelo para aqueles dias, e também o deve ser para nós.
A igreja em Tessalónica era uma igreja perseguida. Essa perseguição, conforme estudámos na 1ª Carta, levantou algumas dúvidas quanto à chegada do dia do Senhor. Muitos associavam tamanha tribulação à vingança vindoura de Deus. Paulo, na 1ª Carta, procura corrigir essa ideia, mas a influência de falsos mestres [2Ts 2:2-3] tornou a causar confusão na mente dos cristãos em sofrimento.
Sofrimento… O sofrimento é das coisas mais destruturantes da vida humana, principalmente quando não lhe conseguimos dar razão de ser. Felizmente para nós a bíblia fala bastante acerca do sofrimento, os tipos de sofrimento e os propósitos do sofrimento na nossa vida.
Os crentes em Tessalónica corriam risco de se enfraquecerem na fé por falta de entendimento sobre as tribulações que passavam.
Quantas vezes o sofrimento não nos faz pensar que somos menos do que outros? Quantas vezes o sofrimento não nos faz duvidar do caminho que estamos a seguir, quem sabe até da nossa fé?
Paulo apresenta aos crentes em Tessalónica que o seu sofrimento não é evidencia de que são “menos crentes”. Antes pelo contrário, ele louva aquela comunidade e afirma que são exemplo para todos - 2Tessalonicenses 1.4 “4 Em razão disso, nós mesmos nos orgulhamos de vós diante das igrejas de Deus (…)”
Paulo estava orgulhoso e agradecido pelo exemlo que
Uma igreja modelo é aquela que consegue ser exemplo, mesmo diante das piores circunstâncias.
Paulo vai referir 3 características que os colocavam como modelo seguir, apesar do sofrimento.
1. Uma fé que cresce
1. Uma fé que cresce
3 Irmãos, temos sempre de agradecer a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé tem crescido muito, (…)
Como já vimos, Paulo estava orgulhoso dos crentes em Tessalónica, e estava grato também:
É sempre bom quando podemos estar gratos por aquilo que Deus está a fazer na vida dos outros!
O primeiro aspeto pelo qual estava grato era a fé crescente dos tessalonicenses apesar da perseguição.
Na verdade, a fé dos tessalonicenses não crescia apesar da perseguição, mas essencialmente por causa dela!
A perseguição tem a capacidade de deitar por terra qualquer fé falsa, interesseira, superficial. Na parabola do semeador, que bem poderia ser chamada da parábola dos solos, Jesus explicou que a Palavra de Deus semeada pode, por causa das dificuldades, nao dar fruto que permanece. Porquê? Porque o solo (a pessoa que recebeu a semente) é pedregoso…
20 E o que foi semeado no solo pedregoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe imediatamente com alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo e dura pouco. Quando vem a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo tropeça.
Por outro lado, a fé verdadeira é indestrutível pela perseguição.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos regenerou para uma viva esperança, segundo a sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança que não perece, não se contamina nem se altera, reservada nos céus para vós, 5 que sois protegidos pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para se revelar no último tempo. 6 Nisso exultais, ainda que agora sejais necessariamente afligidos por várias provações por um pouco de tempo, 7 para que a comprovação da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
A perseguição fortalece a fé genuína em Jesus Cristo, enquanto expõe e ridiculariza a fé falsa e superficial. Quando somos perseguidos, somos “obrigados” a depender completamente de Deus, a conhecê-lo mais, não só em teoria, mas na nossa própria vivência também.
A crescente fé dos tessalonicenses em tempos de perseguição, é o exemplo que qualquer igreja deveria seguir
2. Um amor que aumenta
2. Um amor que aumenta
3 (…) e o amor de cada um de vós transborda de uns para com os outros.
Conforme já o tinha referido na primeira carta [1Ts 1:3] Paulo volta a enaltecer o amor entre os irmãos, apesar da perseguição.
O amor é mais que um sentimento, é uma valorização do outro que deve ser pro-activa e não deve depender das circunstâncias.
Mais uma vez é importante sublinhar que a nossa chamada enquanto igreja não é para sermos amados, mas para amarmos. Não é um mandamento passivo, mas ativo.
34 Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. 35 Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
É possivel que todos já tenhamos estado na situação de não nos sentirmos amados como era nossa expectativa. Seja na vida em geral, ou no contexto da igreja em particular, esse sentimento de “mal-amado” pode surgir e até ter um fundo de verdade, pois a igreja é composta por pessoas imperfeitas, com limitações que, por essa razão, falham demonstar corretamente e atempadamente esse amor que é devido.
Mas é importante termos a noção que a grande pergunta que necessitamos de fazer a nós mesmos não é: “sou amado?” mas “estou a amar?”
Por vezes conhecemos pessoas que acham que porque passam por dificuldades, isso lhes isenta de amar? “Eu sofro tanto que só mereço ser amado” - Dizem. Mesmo na perseguição, os tessalonicenses amavam.
Assim como a fé crescente, o amor demonstrado entre os irmãos, ainda que na perseguição, é o exemplo que qualquer igreja deveria seguir.
3. Uma perseverança firme
3. Uma perseverança firme
4 Em razão disso, nós mesmos nos orgulhamos de vós diante das igrejas de Deus por causa da vossa perseverança e fé em todas as perseguições e aflições que suportais.
O terceiro aspeto que Paulo destaca na igreja em Tessalónica, é a sua perseverança na perseguição.
A ideia da palavra não é de resignação às circunstâncias, nem de negação das circunstâncias, mas de paciência, de resiliência corajosa nas circunstâncias adversas.
O evangelho que anuncia uma vida ausente de problemas é um evangelho falso. Agora, o evangelho verdadeiro é aquele que uma vez plantado nos nossos corações gera em nós a capacidade de suportar as adversidades, mantendo-nos fiéis ao Senhor.
Por vezes há irmãos que acham que as suas dificuldades são evidência de fraca saúde espiritual. Excetuando dificuldades criadas pelo pecado, isso é mentira. A nossa saúde espiritual não é medida pelo número de adversidades que temos, mas pelo facto de as conseguirmos suportar em fidelidade a Deus, ou não.
Conclusão
Conclusão
Qual deve ser o nosso modelo de igreja? Será que estamos presos a modelos formais, a coisas que existem para dar uma aparência daquilo que na verdade, não é? Será que não estamos a valorizar em demasia o que vemos com o olhar natural, em vez de valorizar o bem espiritual?
A igreja que queremos ser e imitar, deve ser aquela que tem uma fé crescente apesar da perseguição, que tem um amor evidente apesar da perseguição e que é resistente em fé, apesar da perseguição.
Eles eram tudo isto, apesar da perseguição.
O que somos nós (individualmente), mesmo sem perseguição? Precisamos de buscar mais de Deus.
