175 - Os filhos de Lameque e a música

O Evangelho em Gênesis  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Reflexão bíblica textual / temática sobre como o homem caído cria coisas para tornar o mundo um lugar que faça sentido sem que este reconheça seu pecado e sua distância de Deus

Notes
Transcript

— Lameque será vingado setenta vezes sete [Genesis 4.23-24]

I. Introdução

— Música, louvor e adoração - uma viagem no tempo

O Livro de Gênesis fala do princípio de todas as coisas em geral:
A primeira palavra de Deus,
o primeiro raio de luz,
os primeiros luminares,
a primeira terra seca,
as primeiras formas de vida,
o primeiro casal,
a primeira prova,
a primeira desobediência,
o primeiro pecado,
a primeira oferta,
o primeiro conflito familiar,
a primeira morte,
o primeiro exílio,
a primeira cidade, e daí se segue ...
E no curso das primeiras coisas, surge um homem chamado Lameque?
Lembram-se dele?
Tataraneto direto da linhagem de Caim (filho de Adão, assassino de Abel), ]
foi um homem estranho, orgulhoso e arrogante, precursor da poligamia,
tomou para si um ato da misericórdia de Deus para com seu tataravô (Caim) e o distorceu para uma postura de poder, violência e tirania, e com orgulho (diga-se de passagem)...
Vamos falar um pouco sobre este personagem curioso... ###
Vamos ao Texto Áureo da mensagem: [Genesis 4.23-24]

II. Texto Áureo:

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Genesis 4:23–24 (ARA) — 23 E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. 24 Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.
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Vamos à Contextualização da mensagem:

III. Contextualização

— Matei um homem porque ele me feriu

Genesis 4:23–24 “E disse Lameque às suas esposas: Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete.”
— Ou seja, Lameque é infinitamente mais perigoso e mais poderoso que seu ancestral, Caim...
Nesta poesia, a mesma declaração é feita de duas maneiras diferentes, em linhas paralelas, com propósito de destacar a força de suas ideias.
O curto poema ilustra bem o legado de violência deixado por Caim e a arrogância de Lameque em achar que seu ato de matar um homem é justificado (pelo próprio Deus).
Ele dirige este poema para suas duas esposas, provavelmente com o propósito de intimidá-las, reforçando a sua violência psicológica e emocional em sua própria casa.
Lameque alude à promessa de Deus quanto à severidade do que aconteceria a quem matasse Caim (vingar Abel),
Assume a promessa de Deus a Caim como um sinal de aprovação à sua própria brutalidade, ao invés de ser um ato da misericórdia de Deus para com Caim.
Ele vindica para si vingança divina ainda maior.
Ele crê que tem a proteção divina para fazer qualquer coisa, independente de seus atos,
no seu orgulho arrogante ele parte da ideia de que sua própria grandeza e poder tornam qualquer proteção divina até mesmo desnecessária.
Mas, afinal porque estamos falando de Lameque??? Que ligação há com o tema de hoje?
Lameque, bem como todos os seus antepassados e descendentes compunham a linhagem de Caim, o homem que decidiu “retirar-se da presença do Senhor” por considerar sua reprimenda injusta, até mesmo insuportável...
afinal a punição divina era pesada demais para ser aceita (Deus estava sendo vingativo e injusto com Caim por causa de Abel)
Retirou-se Caim da presença do SENHOR;
habitou na terra de Node, ao oriente do Éden (buscou um lugar para si)
coabitou Caim com sua mulher (constituiu família);
ela concebeu e deu à luz a Enoque
edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho
Caim saiu da presença de Deus (oficialmente), se afastou do Éden,
formou família e construiu uma cidade que a nomeou com o nome do primogênito... “eu sou o cara Deus”!!!!
Basicamente, Caim constrói um “novo mundo” para si longe da presença do Senhor

Descendentes talentosos de uma raiz amaldiçoada

Fato curioso é que, neste ambiente patriarcal onde o principal legado é um assassinato premeditado de um irmão e um conflito aberto com uma divindade (impensável para o mundo antigo), surgem alguns personagens muito criativos e habilidosos...
Mais uma vez: _porque estamos falando de Caim e Lameque mesmo???
Em Gen 4 lemos que... Genesis 4:19–22 “19 Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. ...seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zilá, … deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro...”
Frutos de sua poligamia, Lameque teve alguns filhos extremamente talentosos, que deixaram suas marcas em seu tempo ao ponto de serem considerados como seus “padroeiros”:
yāḇāl – gerado / produzido — Jabal habitava em tendas e possuía gado (pecuária);
yûḇāl – ribeiro — Jubal tocava harpa (lira - cordas) e flauta (pífano - sopro);
qayin tûḇal – trazido (gerado) de Caim –- Tubalcaim era artífice em bronze e ferro (fundição, arte em metais, metalurgia);
Grandes avanços tecnológicos aconteceram a partir do domínio destas artes... com estes homens!!!
Como foi dito, é curioso que tais habilidades tenham se desenvolvido de tal forma naquele ambiente naturalmente impiedoso;
Poderíamos destacar 4 possibilidades teológicas:
Homens indiferentes ou em rebelião contra Deus buscariam formas alternativas de tornar o mundo mais habitável, seguro, confortável e produtivo
— Neste sentido, isso na verdade apontaria para o aprofundamento ainda maior da distância de Deus;
Mas, independentemente do CPF do gênio ou do inventor, a ciência e o conhecimento sempre foram dádivas de Deus ao homem como uma forma de abençoá-lo.
— Afinal, o homem feito à imagem e semelhança de Deus teria a capacidade de criar...
O fato de tal gênio criativo ser encontrado no mundo ímpio somente prova que as misericórdias de Deus nunca deixaram de ser derramadas sobre os homens… mesmo em coisas que tais homens, orgulhosamente assumiriam como seus..
Jubal era um músico talentoso, que inventava instrumentos musicais e provavelmente sua música fazia a diferença onde fosse utilizada.
Mas, afinal como seria sua música???
O mundo de Jubal é aquele que antecede ao tempo conturbado de Gênesis 6 quando Deus declara que:
Genesis 6:5–6 (ARA) — 5 Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; 6 então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração.
Fato: Não adiantaria ter uma visão romântica ou piedosa da música de seu tempo,
afinal, se a cultura humana é a manifestação material da essência e dos valores abstratos da alma humana, então os produtos da cultura de um mundo caído, também seriam caídos.
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Fato: Mas a semente da poesia e da música foi lançada e ao longo das Escrituras, inúmeras vezes composições musicais foram produzidas para louvar e engrandecer o Deus de Israel.
Observem que o livro mais amado do AT é um hinário de 5 livros com cânticos de todas os gêneros – pois a música tem o poder de chegar à mente através do coração...
No cap 6, a impiedade se enraíza e se avoluma tanto que Deus opta pelo extermínio...
Entre o cap 4 (o mundo de Lameque) e o cap 6 (a iniquidade globalizada), o que temos?
O homem construindo um mundo onde Deus não é necessário em lugar nenhum...
Será que o nosso mundo contemporâneo está diferente?
E sobre nossa arte? E sobre a nossa cultura?
No fim do cap 4 temos o nascimento do filho de Seth chamado Enosh – homem (mortal), delicado, frágil, e este homem, antítese de Lameque e sua geração invoca ao Senhor...
O que dizer do nosso louvor e da nossa adoração? Somos de Lameque ou de Enosh???
Não há como negar, a presença das artes em todos os segmentos da sociedade, seja no mundo antigo como no contemporâneo demonstra a presença de Deus na natureza humana, pois:
[James 1:17] “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”
Vamos ao Desenvolvimento da mensagem:

IV. Desenvolvimento

E viu Deus que tudo era muito bom

Genesis 1:31 (ARA) — 31 Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.
O texto hebraico usa novamente הִנֵּה (hinneh) para dar vivacidade à imagem. É uma partícula que acompanha o gesto de apontar, chamando a atenção para algo.
Viu Deus que era tudo muito bom - estudiosos tentam entender a abrangência desta declaração:
muito bom - no sentido de uma criação plena e funcional - Deus criou tudo perfeito e funcional
muito bom - no sentido moral e ético - Deus criou tudo justo, bom e harmonioso
muito bom - no sentido estético -Deus criou tudo com um senso de beleza, agradabilidade, senso de prazer
Certamente a criação reflete a beleza infindável da glória de Deus:
Os Psalm 19:1–4 (ARA), antes de declarar a grandeza e perfeição da Sua Palavra, a Torah, a criação é apresentada como testemunha:
1 Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.
2 Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.
3 Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; 4 no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol,

— Louvor Vs Música

Alerta importante:
Uma das distorções mais graves do paganismo, inaugurada com a queda em Genesis 3:5, sereis como “... Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”,
Os herdeiros da Queda desenvolveram a ideia de que a(s) divindade(s), sua força ou sua essência poderiam ser coletadas, manipuladas, direcionadas por meio de rituais cantados, regados a palavras mágicas, cores, cheiros, transes, sacrifícios, música e danças...
e, infelizmente, as muitas pessoas continuam achando que podem manipular Deus com estas coisas, incluindo a música...
A música sempre foi um meio claro e aberto de comunicação entre os homens e Deus, não um elemento de feitiçaria que movimenta sobrenaturalmente a vontade e o poder de Deus.
É o homem derramando sua alma perante Deus sem medo à medida que a comunhão com Deus é construída, restaurada, aprofundada, não uma forma de manipular a Deus.
Observem que estou usando a palavra música, não “louvor” de propósito. Porquê?
Uma música pode ser para o louvor, mas em essência “louvor” é diferente de música.
Hoje, utilizamos a palavra louvor como um gênero da música religiosa, como um hino evangélico, ou gospel, ou mais modernamente falando, música tipo “worship”.
Louvar é elogiar, reconhecer a grandeza, ressaltar seus grandes feitos, glorificar por quem e por que Ele é, pelo que Ele fez e faz, pela sua natureza, seu caráter, sua essência, seus atributos, e isto:
LOUVAR pode e deve ser feito de diversas formas, inclusive cantando, mas não somente —
Pv 31:30 diz: Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada (i.e. será elogiada, reconhecida publicamente)
Os céus proclamam a glória de Deus – eles louvam (como)?
Os montes louvam;
Os animais louvam;
Os elementos celestes louvam;
As crianças de peito louvam.
Infelizmente, é possível que, muitas vezes, nosso “louvor” não passe de uma boa música de Jubal???
Para pensar!!!

Música Vs Adoração

E se associamos “louvor” com música relacionada ou direcionada a Deus, e adoração?
Na cabeça de muita gente, ministério de adoração, culto de adoração, é basicamente um grupo, evento, lugar onde se apresenta e se consome música que intitulamos de “louvor”...
isso mesmo: viramos consumidores de entretenimento religioso...
Mas a palavra “adoração” tem um significado muito forte na Bíblia, tanto no AT quanto no NT,
Provavelmente o real significado da adoração bíblica pode até nos ofender...
Primeiro, a exemplo de louvor, adoração não é música:
podemos adorar com música, mas música não é adoração, necessariamente..
Então o que é adoração, de um ponto vista somente bíblico?
No AT a palavra adoração significa literalmente: se dobrar perante algo ou alguém...
Shachah שָׁחָה adorar, prostrar-se, curvar-se.
Curiosamente, essa palavra é encontrada hoje no hebraico moderno no sentido de "curvar-se ou inclinar-se fisicamente", mas não no sentido geral de "adorar".
Abraão em Gn 18 se dobra perante os 3 mensageiros que lhe falam da gravidez de Sara
Davi se dobrou perante Saul em 1 Sm 24.8 em reverência à sua posição real
Rute se dobrou perante Boaz em Ruth 2.10 devido à posição social entre eles
José viu em sonho os feixes dos seus irmãos se dobrando perante ele Gn 37.5
Em todos estes casos encontramos reverência, respeito, mas não necessariamente adoração a uma divindade,
mas no AT, mais de 170 vezes teremos pessoas se dobrando diante de Deus em adoração...
então a palavra para adoração significa, literalmente: —“abaixe a cabeça, tenha reverência, RESPEITO”
Vamos ao Encerramento da mensagem:

V. Encerramento

— Música, Louvor e Adoração
É disso que se trata a nossa MÚSICA, LOUVOR E ADORAÇÃO?
Reconhecer a grandeza, soberania, perfeição, infinitude, poder de Deus perante à nossa pequenez;
Entender que a forma mais adequada de se dirigir a este Deus é de joelhos;
Suplicar humildemente que Ele estenda em nosso favor as suas graciosas mãos?
Será que, em muitos casos, a exemplo de Jubal, que bem ou mal intencionado (não o sabemos), estamos apenas tentando construir, por meio da nossa música, um mundo mais confortável para vivermos?
Isso seria louvor? Ou entretenimento? Talvez...
Por esta razão, assim diz o apóstolo:
Ef 5:17 ...não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. 18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito [...como?] — 19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, 20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, 21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Cl 3:16-17 Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo [...como?] — instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. 17 E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Assim estaremos nos preparando para uma animada festa nos céus com muita música, celebração, louvor e adoração;
Você já está preparado para participar desta festa? Ou você ainda não está na lista de convidados?
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