Exposição Ef 6:1-4 (Filhos e Pais)
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Texto Base
Texto Base
1 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
2 Honra a teu pai e a tua mãe
(que é o primeiro mandamento com promessa),
3 para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.
4 E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.
Introdução
Introdução
O texto que temos diante de nós está inserido na segunda grande divisão da carta aos Efésios (capítulos 4 a 6), onde Paulo trata da vida prática da nova humanidade criada em Cristo.
Após apresentar a doutrina da salvação (caps. 1–3), Paulo agora mostra como essa salvação se manifesta em uma vida piedosa e coerente com o evangelho.
Até aqui, já vimos que devemos:
andar de modo digno (4.1–6);
preservar a unidade na diversidade (4.7–16);
não andar como os gentios (4.17–24);
revestir-nos do novo homem (4.25–32);
andar como filhos da luz (5.3–14);
viver como sábios e não como tolos (5.15–21);
e que maridos e esposas devem viver de acordo com seus papéis (5.22–33).
Na exposição retrasada vimos que uma das características dos homens sábios é o enchimento do Espírito, que começa com o bom aproveitamento do tempo e a compreensão da vontade de Deus. Paulo encerra seu argumento descrevendo algumas manifestações desse enchimento, e no verso 21 ele declara que uma dessas características é a sujeição de uns aos outros:
Efésios 5.19–21 (ARA)
19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,
20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Como a sujeição voluntária é algo completamente antinatural ao homem caído, Paulo afirma que ela deve ser praticada no temor de Cristo.
Logo em seguida, ele apresenta três exemplos práticos de sujeição mútua que devem caracterizar os crentes:
Maridos e esposas (5.22–33) – tratado no culto passado.
Pais e filhos (6.1–4) – texto que trataremos hoje.
Patrões e empregados (6.5–9) – texto que será exposto na próxima mensagem.
Explicação
Explicação
Nosso texto se divide em dois blocos bem definidos:
Os deveres dos filhos (v.1–3)
Os deveres dos pais (v.4)
Aplicação Inicial:
Aplicação Inicial:
Antes de entrarmos nos detalhes do texto, note que Paulo não trabalha com a ideia de direitos, mas com deveres. Isso foi assim com esposas e maridos, será assim com servos e senhores, e é assim com filhos e pais.
A Bíblia sempre enfatiza deveres, enquanto a sociedade moderna enfatiza direitos.
É verdade que cada preceito negativo da Lei moral implica um direito:
ao proibir o homicídio, garante o direito à vida;
ao proibir o furto, garante o direito à propriedade;
ao ordenar a honra aos pais, garante o direito à autoridade familiar.
Mas esses direitos são consequência dos deveres devidamente aplicados.
V1-3 - Os deveres dos filhos
V1-3 - Os deveres dos filhos
1 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
2 Honra a teu pai e a tua mãe
(que é o primeiro mandamento com promessa),
3 para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.
A divisão do texto fica assim:
Um mandamento (v.1)
Um motivo (v.1)
Uma citação veterotestamentária (v.2)
Uma promessa (v.3)
1 - O mandamento
1 - O mandamento
1 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
A ordem é clara: filhos devem obedecer aos pais, e isso deve ser feito no Senhor.
Paulo entrelaça a obediência dos filhos para com os pais com a obediência dos filhos para com Deus, exatamente como fez ao falar da submissão das esposas aos maridos. Assim como a esposa não pode obedecer a Deus sendo rebelde ao seu marido, os filhos não podem obedecer a Deus sendo rebeldes contra seus pais.
Existe em cada um de nós uma tendência natural à rebelião. A sujeição é antinatural ao homem caído, por isso ela precisa ser vivida no Senhor.
É no Senhor que recebemos capacitação para nos sujeitar:
esposas a maridos,
filhos a pais,
servos a senhores.
Essa sequência aparece após a ordem de nos enchermos do Espírito e funciona como uma evidência desse enchimento.
Submissão voluntária de filhos aos pais é marca do enchimento do Espírito.
Obs.: Sempre existe uma cláusula de exceção. Obediência cessa quando uma ordem viola mandamentos de Deus — assim como no caso das esposas.
2 - O motivo
2 - O motivo
1 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.
Paulo afirma que deve ser assim porque é justo.
Ele não tenta convencer emocionalmente. Ele simplesmente estabelece um padrão moral: obedecer os pais é justo.
E por que é justo?
Ele responde no verso seguinte.
3 - A citação veterotestamentária.
3 - A citação veterotestamentária.
2 Honra a teu pai e a tua mãe
(que é o primeiro mandamento com promessa),
É justo porque Deus ordenou.
Paulo cita o quinto mandamento para mostrar que obedecer aos pais faz parte da Lei moral de Deus.
Os Dez Mandamentos são o núcleo duro da vontade de Deus, e Paulo faz questão de mostrar que não há descontinuidade abrupta entre Antigo e Novo Testamento.
Além disso, ele mostra que obediência é uma das expressões da honra.
Honra é maior que obediência, mas a inclui.
Muitos não têm noção da gravidade de desonrar os pais. Para demonstrar isso, basta lembrar uma legislação de Israel:
18 Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos, 19 seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta, 20 e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. 21 Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá.
Isso nos mostra quão sério é esse pecado diante de Deus.
Aplicação 01
Aplicação 01
Temos noção de quão grave é quebrar os mandamentos de Deus?
Aplicação 02
Aplicação 02
Temos noção de quão justos são os mandamentos de Deus?
Aplicação 03
Aplicação 03
Temos noção da grandeza da graça e misericórdia de Deus que perdoa pecadores?
Aplicação 04
Aplicação 04
Temos vencido nossa tendência natural à rebelião por meio do enchimento do Espírito?
4 - A promessa
4 - A promessa
3 para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.
Depois do mandamento, Paulo apresenta uma promessa:
Para que te vás bem e sejas de longa vida sobre a terra.
Aplicação
Aplicação
Os mandamentos de Deus não são penosos.
3 Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos,
Deus deu mandamentos para promover prosperidade e paz — não apenas individual, mas familiar, social e nacional.
Quem honra seus pais recebe promessa de vida longa e próspera.
Há uma tendência antinomiana hoje que tenta separar mandamentos de bênçãos e maldições, como se isso fosse legalismo. Porém, a Escritura mostra o contrário.
Para ilustrar, a comparação clássica entre duas descendências:
1. Jonathan Edwards (O Homem de Fé)
Jonathan Edwards foi um pastor, teólogo e líder do Grande Despertamento (Primeiro Grande Avivamento), conhecido por sua profunda piedade e por ter se casado com uma mulher temente a Deus, Sarah Pierpont. A pesquisa rastreou cerca de 1.394 descendentes (até o século XX) e descobriu:
Categoria (Amostra de 1.394)
Resultado:
Formados em Universidades 295 (muitos com diplomas avançados)
Presidentes de Universidades 13
Professores Universitários 65
Membros do Congresso Americano 3
Vice-Presidentes dos EUA 1
Governadores Estaduais 3
Juízes e Advogados Mais de 100
2. Max Jukes (O Homem Ímpio)
Max Jukes (ou o patriarca da família Jukes, que não era seu nome real, mas o pseudônimo usado no estudo de Dugdale) foi um homem que, segundo os relatos, viveu uma vida ímpia e ateia, recusando a educação e desprezando o caminho de Deus. Ele se casou com uma mulher de caráter semelhante. A pesquisa rastreou centenas de seus descendentes.
Categoria (Amostra de 567)
Resultado:
Morreram como Indigentes 310
Criminosos 150 (incluindo 7 assassinos)
Alcoólatras 100
Prostitutas Mais da metade das mulheres
Podemos também analisar historicamente as bençãos que Deus derramou sobre nações que se alinharam a suas leis.
V4 - Os deveres dos pais
V4 - Os deveres dos pais
4 E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.
Paulo agora se dirige aos pais.
1 - Não provoquem a ira dos filhos.
1 - Não provoquem a ira dos filhos.
Ele estabelece um limite à autoridade paterna — algo radicalmente contra-cultural no mundo romano.
O pai romano tinha autoridade absoluta. Ele podia:
aceitar ou rejeitar um recém-nascido,
vendê-lo como escravo,
até abandoná-lo para morrer.
Mas Paulo diz: não provoquem a ira dos seus filhos.
Aplicação:
Aplicação:
Pai, não abuse de sua autoridade provocando ira e ódio de seu filho para com você. Obviamente que a bíblia defende a ideia da disciplina, porém ela deve ser feita em amor.
2 - Criem-nos
2 - Criem-nos
Paulo ordena: criai-os.
Aplicação:
Aplicação:
Não temos o direito de abandonar nossos filhos. Devemos criá-los.
3 - Na disciplina e admoestação do Senhor
3 - Na disciplina e admoestação do Senhor
E ele diz que esses filhos deveriam ser criados na disciplina e admoestação do Senhor.
A RC95 traduz: “na doutrina e admoestação do Senhor.”
A NVI: “segundo a instrução e conselho do Senhor.”
A palavra grega usada aqui para disciplina é paideia.
Paideia não significa apenas disciplina no sentido de punição.
É formação completa, treinamento cultural e moral.
A paideia grega era o processo inteiro pelo qual um menino se tornava um cidadão da pólis.
Assim, quando Paulo diz para criar os filhos na paideia do Senhor, isso é profundíssimo:
Pais cristãos devem formar seus filhos como cidadãos da pólis celestial.
Aplicação:
Aplicação:
Criar um filho na “disciplina do Senhor” não significa criar por meio de castigos, mas formá-lo completamente dentro da paideia de Deus — para que ele seja um cidadão do Reino.
Temos vários exemplos bíblicos sobre isso:
14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste 15 e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. 16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,
No Antigo Testamento
4 Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. 5 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. 6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; 7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. 8 Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. 9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.
Aplicação
Aplicação
Toda educação é religiosa.
Se não ensinarmos nossos filhos na paideia de Deus, eles serão ensinados na paideia dos ímpios.
Todas as religiões educam seus filhos:
muçulmanos educam à moda islâmica;
judeus educam à moda judaica;
Por que tantos cristãos pensam que podem ser neutros na educação?
Neutralidade não existe.
Conclusão
Conclusão
Devemos obedecer ao Senhor na maneira como lidamos com nossos filhos e com nossos pais.
Existe um chamado divino ao domínio, exercido por meio da multiplicação e enchimento da terra.
Os filhos são herança do Senhor e flechas na aljava do guerreiro.
Aplicação Final
Aplicação Final
Talvez você esteja aqui e ainda não seja cristão.
Saiba que há uma paideia de Deus para você, e esse processo começa pela conversão a Cristo.
Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio à terra, entregou-se na cruz, morreu pelos pecados do seu povo, venceu Satanás e inaugurou Seu Reino.
Arrependa-se, creia no evangelho, entre no Reino e viva segundo a paideia de Deus.
Talvez você não tenha sido criado na paideia de Deus, mas aqui estamos formando o nosso povo por meio da pregação e do ensino bíblico.
Comprometa-se a ser educado na paideia do Senhor.
