(Ec 2:12-17) Sabedoria e Loucura
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Eclesiastes 2.12 “Então, passei a considerar a sabedoria, e a loucura, e a estultícia. Que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram.”
Salomão é a representação do homem errante, que anda a procura de sentido e passa por vários lugar experimento tudo o que encontra a fim de preencher seu vazio. É muito interessante cada um dos seus experimentos representa alguma corrente filosófica, alguma visão presente no mundo hoje e desde dos anos mais antigos. Hoje e sempre nós tentamos nos encaixar em algum movimento, alguma religião, e nos definimos como alguma coisa, como fazendo parte de algum grupo ou adeptos de alguma prática, tudo isso tentando achar o sentido da vida.
Salomão entendi que a sabedoria era a resposta, lembrando que a sabedoria aqui não é a sabedoria santa, não é sabedoria que traz a vida, é apenas a inteligência mundana, o conhecimento das ciências humanas e a tentativa de vier melhor. Ele viu que nem mesmo essa sabedoria o ajudava na sua busca. Ele tentou a moralidade, tentou compreender a diferença entre o certo e o errado, mas essa busca também terminou em fracasso.
A informação não trouxe transformação, então ele buscou a ética, mas tudo só lhe aumentava o sofrimento e não o contrário.
Então Salomão buscou o hedonismo, o prazer - ele construiu jardins, prédios magníficos, saboreou o vinho, e abusou da sexualidade. Não impôs limites aos prazeres da vida debaixo do sol. Mas isso também não lhe satisfez. Sua conclusão era sempre a mesma: tudo é vaidade, tudo é correr atrás do vento.
O verso 12 diz que Salomão experimento a sabedoria (o conhecimento humano no seu auge), e a loucura, a depravação, a busca desenfreada pelo prazer. Então ele pergunta: “Que fará o homem que seguir ao rei?” Ele quer dizer, olhando para o futuro, quem mais terá as mesmas perguntas que ele trouxe sobre a existência humana? Como o rei mais sábio e o mais rico, ele está na posição única de fazer isso, de fazer essas perguntas e buscar as respostas. Quem poderia acrescentar alguma coisa à experiencia de alguém como Salomão? Ele é o perfeito estudo de caso. Se ele não conseguiu encontrar o sentido da vida, quem poderá?
Eclesiastes 2.13–15 “Então, vi que a sabedoria é mais proveitosa do que a estultícia, quanto a luz traz mais proveito do que as trevas. Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o estulto anda em trevas; contudo, entendi que o mesmo lhes sucede a ambos. Pelo que disse eu comigo: como acontece ao estulto, assim me sucede a mim; por que, pois, busquei eu mais a sabedoria? Então, disse a mim mesmo que também isso era vaidade.”
Então ele tem uma conclusão parcial da sua busca. Ele coloca na balança que é melhor seguir as regras, é melhor a sabedoria do que a estultícia. É melhor ser sábio do que tolo, do que insensato. A sabedoria nos capacita a enxergar melhor nesse mundo. Ela traz luz. O tolo não possui olhos e anda na escuridão. Isso é o que acontece por exemplo na política. Entre o conservadorismo e a loucura da esquerda, do progressismo moral, o conservadorismo é muito melhor. Nós vemos podemos como o capitalismo gera riqueza e o socialismo pobreza e destruição. Como o que lê e estuda cresce mais na vida do que o que vive na ignorância. Nós vemos como que pôr limites aos nossos prazer nos traz mais conforto do que viver desenfreadamente na busca pelo prazer. Mas ainda assim, não são esses princípios, essas regras de vida, não é o conservadorismo nem a direita que vai nos salvar. no final das contas Salomão conclui que tudo isso também era vaidade.
Qualquer que seja a sua sabedoria terrena, um anjo diria de tal homem: «Ali vai uma pobre criatura, tateando o seu caminho para o hades».
Charles Bridges: Por mais ampla que seja a diferença entre o sábio e o tolo, em alguns pontos eles são iguais. O próprio Salomão estava no mesmo nível que o seu mais pobre mendigo. Ambos estavam sujeitos às mesmas vicissitudes da Providência. O mesmo último acontecimento os derrubou juntos. «Por que fui então mais sábio? De que serve a minha sabedoria, se no final ela não me leva a um nível mais elevado do que o tolo?» Aqui, certamente, o sábio torna-se tolo — contestando os caminhos de Deus — procurando alguma elevação acima de seus semelhantes.
Salomão entendeu, que apesar de encontrarmos mais benefícios em um modo de vida do que em outro, no final, o mesmo fim sucede para todos, para o sábio e para o louco: a morte.
Eclesiastes 2.16–17 “Pois, tanto do sábio como do estulto, a memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto! Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento.”
É verdade, é melhor ser sábio do que insensato. É melhor ter recursos, é melhor ser rico, é melhor ser inteligente, é melhor ser conservador, é melhor ter uma família, é melhor ser moral etc… mas no final, nossos ossos estarão misturados na terra e não vamos saber diferenciar qual é o osso de quem. Todos temos o mesmo fim. Então qual é a vantagem de ser sábio? A sabedoria não nos livrou da morte. Um estilo de vida mais saudável não nos livra da morte. Evitar o açúcar e gordura trans não nos livra da morte. A morte não é parcial.
À medida que a vida avança isso é comprovado. Temos mais conforto, mais facilidade pra subir na vida, temos mais informações, mais tecnologia, mais remédios, mais recursos médicos… mas continuamos tristes, talvez mais tristes do que nunca, e Salomão coloca a morte no centro disso. Nós ainda não a vencemos. Parece que a tentativa de encontrar o sentido da vida é correr atrás do vento. Será que vale mesmo à pena ser sábio?!
Jean Paul Sartre, um ateu inveterado, abusador imoral, idolatrado pela esquerda disse: “A vida deixa de ter sentido no momento em que você perde a ilusão de ser eterno”. Ele está dizendo que se deixamos de acreditar na eternidade, então não vale à pena viver, ou não vale à pena seguir qualquer regra. Foi o que ele fez.
A sabedoria humana não consegue superar a morte, portanto, ela não pode resolver o problema do sentido da vida. A morte interrompe tudo. “Se todos têm um destino”, escreve Derek Kidner, “e se esse destino é a extinção, ele rouba ao homem a sua dignidade e a cada projeto o seu sentido”.
Bridges: «Eu odeio a vida», escreveu Voltaire ao seu amigo, «e, no entanto, tenho medo de morrer». Podemos nos surpreender? O peito do infiel, tão cheio de ambições frustradas, consciência atormentada, uma eternidade sombria! O inferno parecia ter começado na terra. Assim é com a maioria do mundo — sobrecarregada com os males presentes — sem nenhum raio de sol à vista — ou não acreditando na vida além — ou sem esperança de alcançá-la.
Somerset Maugham: Se alguém descarta a existência de Deus e a sobrevivência após a morte como altamente incertas, terá de descobrir o sentido da vida. Se a morte põe fim a tudo, se não me cabe esperar o melhor nem temer o mal, preciso perguntar a mim mesmo para que estou aqui e como, nessas circunstâncias, devo me conduzir. Ora, a resposta é clara, mas tão desagradável que a maioria de nós prefere não encará-la. Não há sentido para a vida e por isso a vida não tem sentido.
Essas conclusão são fatais, porque Salomão não apenas se sentia vazio, ele também passou a aborrecer a vida, como ele diz no versos 17. Aborrecer a vida é um sentimento suicida. Vocês veem como ele chegou aqui? Uma coisa é se decepcionar com a vida, outra é passar a odiá-la. Parece que Salomão estava caindo no desespero absoluto. E ele não estava simplesmente odiando a vida dele, mas a vida em geral, todos os seus empreendimentos, nada o salvava. Alguém disse que esse era o ponto mais baixo de raiva e desespero. Mas foi chegando o fundo do poço que Salomão conseguiu entender algo que a sabedoria dessa vida debaixo do sol não pôde lhe ensinar. Você aqui que ele se lembrou dos ensinamentos de seu pai, Davi. Foi então que ele despertou para se voltar para o Deus que um dia ele amou. Como o filho pródigo ele precisava voltar para a casa do pai. Como C. S. Lewis, o grande ateu do século 20 que se converteu e se tornou um dos maiores cristãos. Antes de se converter Lewis dizia:
“Venham, amaldiçoemos o Mestre antes de morrermos. / Pois todas as nossas esperanças estão em ruínas. / O bom está morto. Amaldiçoemos o Deus Altíssimo”.
Lewis passou por um processo de conversão em que ele buscava o sentido da vida, até chegar a crise da ausência de respostas. Até que ele rendeu ao transcendente e passou a buscar a Deus. Ele concluiu:
“Eu sei agora, Meu Senhor, por que não profere nenhuma resposta. Você é a resposta. Diante de seu rosto as perguntas desaparecem. Que outra resposta seria suficiente?”
Santo Agostinho passou por isso, viveu uma vida desregrada, e no final se rendeu à única coisa que poderia salvá-lo. Ele fala dos desejos que ele possuía e como nada nessa vida poderia satisfazê-los. Ele diz que esses desejos impossíveis de serem satisfeitos são pistas da realidade de Deus.
Isso é o que a Escritura nos ensina, a parar de olhar para esse mundo e olhar acima do sol. Foi o que Salomão fez e é isso que ele está tentando nos dizer. Precisamos olhara para Cristo. Ele é a verdadeira Sabedoria, a sabedoria que salva.
Colossenses 2.3 “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.”
Paulo nos orienta:
Colossenses 3.1 “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.”
Jesus venceu a morte, ele fez o que tanto buscamos fazer, ele conquistou a eternidade para nós. Ele pode nos fazer amar a vida outra vez. Ele coloca cor em nossas vidas. Ele traz sentido às nossas fatigas.
John Piper: Se Deus ama você, o que ele deve te dar? Ele deve te dar o que é melhor para você, e a melhor coisa em todo o universo é Deus. Se ele te desse toda a saúde, o melhor emprego, o melhor cônjuge, o melhor computador, as melhores férias e o maior sucesso em qualquer área, mas não te desse ele mesmo, então isso significaria que ele odeia você. Porém, se ele te dá ele mesmo, mesmo que não dê mais nada, ele te ama infinitamente.
Ele deu… Ele deu o Seu Filho, Deus de Deus, Luz de Luz, a Sabedoria Eterna se encarnou, veio até aqui para nos salvar de nossas mazelas, nos tirar do desespero absoluto, preencher nosso vazio, derramar luz sobre nossas trevas. Ele não só veio, ele levou nossa morte, nossa falta de sentido, para o túmulo. Ele pode curar você, ele pode preencher você, ele pode dar sentido aos seus sofrimentos e propósito à sua vida. E só ele pode fazer isso, então se lance nele, corra para ele, e viva!
