A maravilha da fidelidade divina
A fidelidade de Deus na redenção • Sermon • Submitted • Presented
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Recapitulação
Recapitulação
Até o presente momento, na história do livro, nos deparamos com um drama familiar que foi usado soberanamente por Deus, para abrir as portas da Aliança a uma mulher gentia. Em síntese, até Rute 2. 8 temos delineada a soberania e a bondade do Deus do Pacto, que é poderoso o suficiente para transformar uma grande tragédia individual em um manancial de bênçãos que se expandirá para além dos limites familiares, se estendendo para toda a nação de Israel e posteriormente para todo o mundo. Todo esse desenrolar da história, que transcende os limites do próprio livro de Rute, evidencia que a soberania e a fidelidade de Deus são operadas muitas vezes de maneiras misteriosas por meio, inclusive, de instrumentos humanos.
Doutrina
Já vimos, na semana passada, que os eventos narrados aqui em Rt.2 revelam questões importantes sobre a soberania e a providência de Deus. Hoje veremos que esses mesmos eventos, nos dão a conhecer questões igualmente importantes sobre um dos atributos de Deus, a sua veracidade, que é manifesta aqui na fidelidade.
O que temos em mente quando falamos sobre verdade ou veracidade? Quando esses conceitos estão relacionados à Deus, eles se referem ao fato de que o Senhor, o Deus de Israel, o Deus do Pacto
é o Deus real, verdadeiro, em contraste com os deuses falsos, os ídolos, que são futilidades (
Na aliança, Deus assumiu o compromisso de ser o Deus de seu povo, o que contempla o fato de que Ele mesmo assume a responsabilidade de ser o Deus provedor, abençoador, cuidador e redentor de todos aqueles que estão compromissados com Ele mediante a fé. E é exatamente a manifestação dessa fidelidade que encontramos aqui no livro de Rute.
Transição
Dessa forma, hoje, a partir do texto lido, convido você para que possamos refletir sobre o tema: A maravilha da fidelidade divina. Veremos aqui, como Deus manifesta sua fidelidade no desenrolar das histórias de Rute, Boaz e Noemi, e como essa fidelidade manifesta no passado se relaciona com nossas vidas hoje.
1. Deus é fiel em prover e preservar aqueles que o buscam com fé - v. 8-9
1. Deus é fiel em prover e preservar aqueles que o buscam com fé - v. 8-9
Como já vimos anteriormente, Deus emprega e utiliza diversos meios para administrar e dirigir a história, tanto na perspectiva global, quanto na perspectiva particular. E esses meios contemplam claramente as ações de agentes livres como Rute, Boaz, eu e você.
Nos v. 8-9, Boaz instruiu Rute para que ela permanecesse com suas servas. Se consideramos o contexto geral em que a história se desenrola - o dos juízes - em que cada um agia conforme o que parecia mais reto; a ação de Boaz, como um claro reflexo da fidelidade de Deus, garantiu a Rute tanto provisão, quanto proteção. Você pode se perguntar porque as ações de Boaz revelam a fidelidade de Deus. E a explicação é clara:
A provisão de Rute é expressão da fidelidade do Senhor, pois, embora Boaz esteja em destaque aqui, Deus é o agente principal. Boaz era obediente à lei de Deus que estabelecia aque os senhores de terras deveriam permitir o trabalho de pessoas como Rute (Lv. 19. 9-10). Essa lei era uma forma de provisão instituída por Deus para aqueles que se encontravam vulneráveis e humanamente desamparados. Rute encontrou, mediante as ações de Boaz, exatamente o que a Lei de Deus estabelecia, evidenciando que Deus é fiel, digno de confiança e que não desfaz aquilo que fala;
A proteção é de igual forma um sinal da fidelidade de Deus sobre Rute. No v.9 Boaz faz uma pergunta à Rute que parece fora de contexto. E mais uma vez precisamos retornar ao momento histórico em que esse drama ocorreu, o período dos juízes. Se você voltar à Jz. 17 você terá uma boa perspectiva de quão cruéis as pessoas podem ser. Boaz, segundo afirma o texto, deu ordens para que Rute não fosse importunada, violentada ou desrespeitada. Ele garantiu assim que ela estivesse segura e protegida.
A provisão e a proteção encontradas por Rute não são mera coincidência, mas um sinal da fidelidade de Deus. O Deus que prometeu cuidar daqueles que são seus, daqueles que o buscam pela fé. Quando Rute encontra esse cuidado, Deus está provando mais uma vez que não esquece de suas palavras, que é fiel e confiável.
2. Deus é fiel em receber e abençoar aqueles que o buscam com confiança - v. 10-12
2. Deus é fiel em receber e abençoar aqueles que o buscam com confiança - v. 10-12
Devemos nos lembrar que Rute é um conversa recente à religião de Israel e, muito provavelmente, uma pessoa pouco habituada aos costumes, às leis e às manifestações religiosas do país em que se encontrava. Sua fé no Senhor logicamente era verdadeira. Quando no v.2 ela diz a Noemi que apanharia espigas atrás daquele que a favorecesse, há indícios dessa fé, no sentido de que a esperança era que o Deus a quem ela havia se submetido moveria o coração de alguém em benevolência.
Quando chegamos finalmente aos v.10-12 vemos a resposta admirada de Rute, frete à resposta da graça dada à fé depositada no Senhor, bem como uma oração, que direciona a atenção para o fato de que a fé daqueles que estão verdadeiramente no Senhor, os leva a confiar que Deus atende a todos quantos o buscam.
À primeira vista Rute não entendeu a benevolência de Boaz. Isso fica claro no v. 10. Então os v. 11-12 delineiam o fato de que Deus abençoa aqueles que o buscam com confiança. E aqui temos duas perspectivas disso:
Deus abençoa a fé genuína, ainda que de pessoas improváveis. Rute era estrangeira, viúva e pobre. Todas essas características, na época, faziam dela uma pessoa que não seria notada socialmente. Apesar disso, ela foi fiel tanto à sua sogra, quanto a Deus. Ela deixou sua terra, sua família, sua religião e seus costumes, para se integrar como vemos no v.11 a um povo que antes ela não conhecia. Essa atitude, como vimos no cap.1, foi a expressão de sua conversão, quando ela depositou sua vida e sua confiança no Deus de Israel. E agora, esse mesmo Deus, começa a claramente abençoar essa mulher, coroando assim sua fé, mostrando que Ele é como dizem as Escrituras, o “galardoador dos que o buscam” (Hb. 11. 6).
Deus recebe aqueles que se aproximam dele em fé. No v.12 vemos uma pequena oração feita por Boaz, na qual percebemos uma clara linguagem pactual que encontra belíssimos paralelos na literatura poética dos salmos, como vemos por exemplo: Salmo 36.7 “7Como é preciosa, ó Deus, a tua benignidade! Por isso, os filhos dos homens se acolhem à sombra das tuas asas. ”; Salmo 57.1 “1Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas e me abrigo, até que passem as calamidades.” Salmo 91.4 “4Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, c estarás seguro”. A oração de Boaz revela a confiança de que Deus recebe aqueles que se aproximam dele em fé, assim como fez Rute. Todos aqueles que assim procedem experimentam na prática o que a aliança com Deus garante: cuidado, proteção e fidelidade. O Deus que promete tais coisas é fiel para as conceder, exatamente como vemos suceder com Rute.
Segundo as palavras de Boaz, Rute buscou abrigo no Senhor. E ela certamente o encontrou. A fidelidade do Senhor fica expressa nesses termos, pois, no Pacto, aqueles que são do Senhor receberam a promessa de que jamais serão confundidos. Todos aqueles que estão aliançados com o Senhor, independentemente de sua colocação social ou condição financeira encontram exatamente aquilo que Deus prometeu dar a todos quantos se refugiam nEle. Uma das expressões da fidelidade divina consiste exatamente no fato de que Ele, o Senhor, não rejeita a fé sincera dos que o buscam, antes, os recebe e recompensa, de acordo com seu caráter que é Justo, Santo e Bom.
3. Deus é fiel na execução de seus atos redentores - v.17-20
3. Deus é fiel na execução de seus atos redentores - v.17-20
Quando olhamos, ainda que de maneira superficial, para os cap. 1 e 2 e os colocamos em perspectiva percebemos um claro contraste. Na primeira cena somos confrontados com a dureza da vida, expressa de maneira crua e direta em um cenário de fome, autoexílio, tragédia, luto e amargura. Na segunda cena, a dureza da vida debaixo do sol começa a ser suavizada pela provisão daquilo que é necessário para a subsistência e pelo renovo da esperança que começa a brotar a partir de um encontro entre uma gentia e um israelita fiel à lei, que do ponto de vista humano foi casual, mas que em uma perspectiva mais ampla se mostra, na verdade, como o ponto alto de uma série de atos soberanos e providentes de Deus. Os atos soberanos e providentes de Deus, possuem também um claro carater redentor em seus desdobramentos. E aqui, no capítulo 2 essa perspectiva redentora e restauradora pode ser vista de algumas maneiras:
Deus é fiel em redimir seu povo e tranformar sua sorte. O cenário apresentado no cap. 1 é dramático. A mulher que partira de Judá rica e com sua família completa, agora retorna pobre e acompanhada apenas de sua nora estrangeira. Essa era uma situação que facilmente definiríamos como “o fundo do poço”. Certamente em um passado não muito distante Noemi e Rute haviam experimentado as benesses de uma vida abastada, no retorno para Belém esse não era o caso. Elas estavam na dependência de pessoas que fossem piedosas e obedientes à lei, que as deixassem colher espigas em seus campos. Em um dia bom, um respigador ajuntaria cerca de um e dois quilos de cevada. Segundo o relato do v. 17, Rute colheu ao fim de um dia, um efa, que equivale a 22 litros ou cerca de 13,2kg, pelo menos 6 vezes mais do que seria esperado. Essa quantidade extraordinaria foi devida a benevolência de Boaz, que revela a fidelidade de Deus manifestando o seu hesed - o amor pactual. Em toda a história Deus trabalha ora claramente, ora por trás das cortinas, redimindo Rute e Noemi, restaurando completamente sua sorte, tirando-as da aflição e as colocado em uma posição abençoada, ilustrando a obra que Ele mesmo realiza por intermédio de Cristo na vida dos seus eleitos.
Deus é fiel em guiar a história rumo à redenção final. Quando chegamos ao fim do capítulo, no v. 20, Noemi fala a respeito de Boaz como o גאל (gō’ēl), resgatador. Na lei judaica, se uma família tivesse de vender uma propriedade devido a dificuldades financeiras, o parente mais próximo teria o direito e a responsabilidade de adquirir essa propriedade, em resgate, para que ela fosse restituída à família que a possuía originalmente, em vez de permitir sua venda permanente para outras pessoas (Lv. 25. 23-24). O fato é que na história de Rute, há um elemento diferente. Em nenhum outro lugar, as ações do גאל (gō’ēl) ocorrem associadas a um casamento. Quando Boaz é apresentado como resgatador, o texto introduz o tema da redenção da família que terá influência na redenção da humanidade como um todo. Em sua fidelidade Deus guia a história tanto de uma perspectiva particular, quanto de uma perspectiva cósmica, restaurando Noemi e Rute, ao mesmo tempo em que desenvolve e sedimenta o caminho para o estabelecimento da linhagem de Davi, e finalmente do próprio Messias.
Dessa forma, vemos que Deus manifesta sua fidelidade executando atos que são o cumprimento de suas promessas redentoras. Aqui Deus está silenciosamente orquestrando a história para cumprir essas promessas, mesmo quando opera por meio de coisas aparentemente comuns, tais como, a escolha de um campo, o dia da colheita e o favor de um proprietário. A fidelidade de Deus na redenção não depende sempre de milagres espetaculares, muito embora eles sejam importantes. O fato é que Deus revela sua fidelidade em atos redentores na constância, por vezes ordinária, de seu agir providencial.
Conclusão
Conclusão
Ao final do segundo capítulo de Rute, somos conduzidos a um refúgio seguro na fidelidade do Deus da aliança. A história que começou com fome, luto, desamparo e incerteza agora se desdobra sob a luz suave da graça divina que opera, silenciosa e soberanamente, em favor daqueles que se refugiam sob Suas asas. Somos mais uma vez apresentados ao Deus verdadeiro e fiel, que não apenas vê, mas age; que não apenas promete, mas cumpre o que diz; o Deus que não apenas inicia obras e histórias, mas as conduz para um fim bom e glorioso.
A cena desenvolvida nesse capítulo, nos recorda que a fidelidade de Deus não é um conceito abstrato, ou uma doutrina fria. Pelo contrário, a fidelidade é um atributo vivo, que manifesta ao longo da história e pulsa de modo concreto na vida do Seu povo. Deus é, de fato, fiel para prover, proteger, receber, restaurar e redimir. Ele é fiel hoje como foi em Judá, restaurando a sorte da nação; como foi fiel no campo de Boaz, como foi fiel na condução da linhagem davídica, e principalmente, como foi fiel em Cristo, o cumprimento encarnado, da eterna redenção de seu povo, ilustrada na redenção familiar que nos é apresentada aqui no livro de Rute.
Para corações abatidos, a fidelidade divina é a âncora segura. Para os pecadores arrependidos, é porta aberta para o perdão e para a restauração. Para famílias esgotadas pelas provações da vida, a certeza da fidelidade de Deus é o renovo. Para os peregrinos, como nós, que vivemos pela fé, a fidelidade do Senhor é certeza de que nenhum detalhe escapa de seu cuidado. Deus não abandona os seus; Ele os sustém. E mesmo quando não vemos Sua mão, podemos descansar na certeza de que todas as coisas estão sob o seu atento e perfeito controle.
A história de Rute é também um lembrete de que a fidelidade de Deus se mostra nos fios ordinários da vida cotidiana. Nada é acidental na história, pois, o Deus da aliança é aquele que a guia. Aquele que restaurou a sorte de Noemi, aquele que incluiu Rute — uma gentia improvável — no fluxo da redenção, é o mesmo que dirige nossas vidas para Sua glória e para o nosso bem eterno.
Aplicação
Aplicação
Você deve aprender a confiar que Deus, de maneira soberana, governa todas as coisas com sabedoria impecável e fidelidade inviolável. Essa certeza deve conduzí-lo à gratidão e à rendição confiante ao seu senhorio. Isso é necessário para que você possa descansar na certeza de que a fidelidade do Senhor não é apenas uma luz para interpretar o passado, mas a rocha sobre a qual você vive no presente e a base da esperança da concretização da redenção final, na eternidade.
