O Rei e os Frutos do Seu Povo (Marcos 11.20-26)
O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos • Sermon • Submitted • Presented
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O Rei e os Frutos do Seu Povo (Marcos 11.20-26)
O Rei e os Frutos do Seu Povo (Marcos 11.20-26)
Introdução
Introdução
Meus irmãos, novamente inicio este sermão lembrando a amada igreja de nossa série de pregações no evangelho de Marcos, intitulada “O Rei que Se Tornou Servo”. Hoje, daremos continuidade a passagem em que paramos no último domingo, retomando a narrativa a partir do verso 20.
Com isso, quero, sem delongas, fazer a leitura de nosso texto: Marcos 11.20-26.
Exposição
Exposição
O símbolo do juízo consumado (vs. 20-21)
O símbolo do juízo consumado (vs. 20-21)
Versículo 20. O texto nos leva para o dia seguinte ao que Jesus purifica o Templo. Vale lembrar que lá Jesus impediu o comércio relacionado aos sacrifícios, apontando para uma realização profética: o juízo de Deus pela corrupção do serviço religioso no Templo.
Jesus traz os textos de Isaías 56.7 e de Jeremias 7.11, para revelar que o sistema religioso de sua época, alimentado pelo comércio no Templo, não cumpria sua função de ser bênção para as nações. Ou seja, aquela imagem de Jesus afirmar “nunca jamais coma alguém fruto de ti!” a uma “figueira hipócrita”, deveria comunicar o nível de juízo trazido pelo Messias, Jesus Cristo.
Naquela manhã, então, Jesus e os discípulos viram que a figueira secara desde a raiz.
Versículo 21. Pedro conecta esse acontecimento à “maldição” que Jesus atribuiu a ela. Para nós, está claro que esse ressecamento até a raiz está conectado a Nova Aliança, em que o juízo de Deus também inaugura um novo momento em relação ao culto a Ele, transitando do Templo físico ao próprio Cristo e sua união com a Igreja, na amplitude da bênção a todos os povos. Para Pedro, essa seria uma compreensão futura (cf. 1Pedro 2.5; 2.9).
Mas aqui, a resposta de Jesus é onde devemos nos debruçar nesta manhã. Queridos irmãos, essa é uma daquelas passagens que precisamos cavar fundo para compreender com fidelidade o significado do texto, ou seja, aquilo que Marcos, guiado pelo Espírito Santo, quis ensinar ao seu povo.
O Elo Central: Tende Fé em Deus (vs. 22-23)
O Elo Central: Tende Fé em Deus (vs. 22-23)
Versículo 22. Jesus responde a Pedro e aos seus discípulos: “Tende fé em Deus”. A pergunta que se impõe é: o que fé tem a ver com a questão do juízo sobre a figueira infrutífera e sobre o Templo? Como fé se conecta com aquilo que está sendo introduzido acerca do Templo e do Senhor Jesus?
Encontramos algumas pistas:
Jesus está ensinando sobre fé. Ele, Jesus, pronunciou suas palavras àquela figueira e ao Templo, com confiança em Deus. Ele cumpria aquilo que Deus falara d’Ele e sobre Israel. Da mesma forma, os seus discípulos deveriam der fé. Fé é a maneira pela qual Deus realiza a Sua vontade.
Ou que, ao verem os sinais de juízo sobre o Templo, comunicados pelo juízo sobre a figueira infrutífera, os discípulos deveriam ter fé. Ao verem as raízes da figueira secas, e assombrados acerca do possível significado [ainda enigmático] acerca do Templo, eles deveriam ter fé.
Ou ainda que, esse tipo de fé era o que estava ausente em meio àquele comércio religioso. As “folhas” do Templo não comunicavam fé.
Versículo 23. Temos aqui a dimensão da fé que os discípulos deveriam ter. Do tipo que desloca montes ao mares, que não duvida no coração, mas que crê que se fará o que se diz. Seria um tipo de confissão positiva? Sabemos que não. Estamos no capítulo 11 de Marcos e conhecemos sobre o ensino de Jesus.
Embora seja uma das palavras de Jesus mais difíceis de entender em específico — por exemplo, que monte é esse? Seria uma referência o Monte das Oliveiras, conforme juízo profetizado por Zacarias (Zc 14) contra a cidade antes de sua gloriosa restauração? Ou seria o monte do Templo, em que os discípulos deveriam guardar com fé as palavras de Jesus? Ou seria um monte qualquer? — a indicação é clara: os discípulos deveriam aguardar o desenrolar da história com fé e, mais do que isso, participar dela com fé.
Aplicação 1: A fé que precede a oração.
Aplicação 1: A fé que precede a oração.
A fé que precede a oração é aquela orientada pela Palavra de Deus. Devemos falar, por fé, aquilo que está condizente com a Palavra de Cristo, e, sem duvidar no coração, crer que Deus realizará tudo o que prometera. A revelação de Deus é o guia central de toda nossa esperança, de toda nossa visão de futuro, de toda a nossa leitura do agora e de todas as nossas petições. Ela nos ensinará o que pedir e como pedir — e a termos fé, inclusive, diante dos “nãos” de Deus. Por isso, Jesus nos mostra que a fé é um fruto esperado e essencial em seu povo.
A Conexão com a Oração (v. 24)
A Conexão com a Oração (v. 24)
Versículo 24. Jesus conecta a fé à oração. A oração também deve ser recheada de fé. Reforçamos: o caminho apontado por Cristo não é o da confissão positiva. Jesus não está ensinando os discípulos a “decretar” ou a “determinar”. Ele está ensinando que as orações de seus discípulos estarão tão conectadas a vontade de Deus, que suas orações serão atendidas. Esse chamado à oração contrasta com o Templo: Deus o constituiu como casa de oração a todas as nações. Agora, oração é o que se espera em Seus discípulos.
Aplicação 2: Os frutos esperados da Igreja
Aplicação 2: Os frutos esperados da Igreja
O Templo e a figueira serviram como figuras de expectativa. Esperava-se frutos incipientes na figueira. Esperava-se, portanto, fé e oração no Templo.
Porém, as autoridades religiosas transformaram a casa de Deus em comércio e sacrifícios etéreos, sem devoção. A vinha plantada estava sem frutos quando o Seu Senhor veio procurá-los. E estes frutos, revelados aqui em fé e oração, são aguardados em seu povo Igreja.
Queridos irmãos, o texto nos vem como uma demonstração de beleza: a Igreja é o povo onde se esperam a fé e a oração que abençoará as nações.
Mas também traz um desafio: será que também não somos, muitas vezes, uma carcaça (ou uma muvuca) religiosa? Que por detrás da superfície religiosa nos faltam fé e orações. Como filhos de Deus, precisamos confiar que Deus realizará todas as coisas conforme a Sua Palavra. E devemos transpirar essa confiança em nossas orações. Você tem confiado? Você tem orado?
Aplicação 3: O antídoto contra nossa hipocrisia
Aplicação 3: O antídoto contra nossa hipocrisia
Esse é um antídoto contra nossa hipocrisia. É um olhar para nós mesmos.
Temos muitas críticas aos outros, irmãos, guardadas em nosso casulo de religiosidade. Muitas vezes esperamos do outro algo a se extrair ou a receber. E onde estão a nossa fé e as nossas orações? Se você está num meio em que você apenas extrai ou espera receber, há algo errado no seu cristianismo. Se você só cobra dos outros um sinal de alerta está ligado contra você.
E talvez você pense que não está numa “estação de frutificar” - e não é que não passemos dificuldades na vida. Mas cristianismo não é sobre não passar por tempestades, mas como continuar fiel e crente mesmo ao passar por elas. E nosso termômetro estará ali na fé, nas orações, na comunhão.
Não seja daqueles que se dizem cristãos/evangélicos mas não vivem em comunhão com o Senhor e com a igreja. E não seja daqueles que enchem os bancos da igrejas mas os irmãos constatam: há anos venho colher frutos nessa figueira, mas nada encontro.
A Conexão com o Perdão (vs. 25-26)
A Conexão com o Perdão (vs. 25-26)
Versículos 25 e 26. Jesus conectou fé a oração. Agora, ele conecta a oração ao perdão. Enquanto estivermos orando, devemos perdoar. Se Jesus estava falando da fé genuína, expressa em oração, a oração genuína encontra espaço num coração perdoador.
Novamente, Jesus está falando inequivocamente de frutos aguardados em sua figueira, em seu povo: a fé, a oração e o perdão. Oração que brota não em um coração de aparência religiosa, mas em um coração testado na sinceridade. E este é um coração que perdoa. Um coração com rancor é um coração que ainda não experimentou o significado do perdão de Deus. (Nota: o versículo 26 é provavelmente a ênfase dada por um copista, mas sua verdade é canônica).
Aplicação 4. O Termômetro da Sinceridade
Aplicação 4. O Termômetro da Sinceridade
Nossa oração não é apenas aquela que pede. É aquela que perdoa.
Nisso somos também experimentados em nossa sinceridade: se nossas orações brotam num terreno propício ao perdão. O coração religioso se confia no ato de orar. “Está vendo como eu creio? Eu oro”. O Senhor está nos revelando o contrário: “Está vendo como seu coração é hipócrita? Ora com um coração cheio de rancor”. No templo da hipocrisia há religiosidade sem fé, sem oração e sem perdão. E é isso que o Senhor espera em nós.
Um coração desalinhado com o coração do Senhor é aquele que não perdoa. Somente um coração alinhado com o de Deus, que perdoa o pecador, é aquele que perdoa como Ele perdoou. Que ora perdoando enquanto, na oração, Deus ensina a perdoar. Que ora enquanto aprende de Deus a expulsar o ódio do coração em que Ele infunde amor. Que ora aprendendo que até nossas orações estão conectadas com outras pessoas.
Conclusão
Conclusão
Queridos irmãos, eu não poderia terminar esse sermão sem olhar para Cristo.
Ele é a única figueira que deu fruto perfeito. Ele não tem orações não atendidas pelo Pai.
Primeiro, porque com Ele aprendemos que oração está muito além de petições — oração é comunhão com o Pai. O Senhor o sustentou em todo o seu ministério aqui na Terra enquanto o Filho que conversava em plena confiança nas promessas e no amor do Pai. Que cada passo, que cada atitude, poderiam ser apresentados em oração ao Pai por estarem em plena consonância com os planos dEle.
Ele orou pelos seus futuros discípulos na confiança da realização de seu sacrifício (Jo 17.20-26).
Até mesmo quando a carne foi fraca, a oração do Senhor foi para que o Pai fizesse Sua vontade. Em oração, essa era a vontade do Filho: a vontade do Pai. Oração com fé é aquela que alinha nosso coração com a vontade de Deus.
E este coração de Jesus é o coração que perdoa. O coração que não rejeitou Tiago e João em seus pedidos tolos e afrontosos. Que não rejeitou Pedro em seus pensamentos intempestivos. Que não está abandonando o seu povo no Templo, mas será o sacrifício genuíno e gratuito para perdão de pecados. Que não nos abandonou mesmo quando foi traído na noite em que servia o pão e o vinho como símbolos de sua morte cruenta. Que na cruz orou dizendo: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”.
Sabendo quem é Jesus, entendemos a razão de nossa fé ser a fé que ora. E de a nossa oração ser a oração que perdoa. Não é sem motivo que Paulo nos diz em 1Coríntios 13.2 “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.” Pois nossa vida diante de Deus está totalmente conectada com quem Ele é. E Ele é amor.
SDG
