Exposição Ef 6:5-9 (Servos e senhores)

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Texto Base

Efésios 6.5–9 ARA
Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre. E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.

Introdução

O texto que temos diante de nós está inserido na segunda grande divisão da carta aos Efésios (capítulos 4 a 6), onde Paulo trata da vida prática da nova humanidade criada em Cristo.
Após apresentar a doutrina da salvação (caps. 1–3), Paulo agora mostra como essa salvação se manifesta em uma vida piedosa e coerente com o evangelho.
Até aqui, já vimos que devemos:
andar de modo digno (4.1–6);
preservar a unidade na diversidade (4.7–16);
não andar como os gentios (4.17–24);
revestir-nos do novo homem (4.25–32);
andar como filhos da luz (5.3–14);
viver como sábios e não como tolos (5.15–21);
e que maridos e esposas devem viver de acordo com seus papéis (5.22–33).
Como pais e filhos devem se relacionar (6.1-4)
Na exposição retrasada vimos que uma das características dos homens sábios é o enchimento do Espírito, que começa com o bom aproveitamento do tempo e a compreensão da vontade de Deus. Paulo encerra seu argumento descrevendo algumas manifestações desse enchimento, e no verso 21 ele declara que uma dessas características é a sujeição de uns aos outros:
Efésios 5.19–21 (ARA) 19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, 20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, 21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.
Como a sujeição voluntária é algo completamente antinatural ao homem caído, Paulo afirma que ela deve ser praticada no temor de Cristo.
Logo em seguida, ele apresenta três exemplos práticos de sujeição mútua que devem caracterizar os crentes:
Maridos e esposas (5.22–33) – tratado no culto retrasado.
Pais e filhos (6.1–4) – tratado no culto passado
Escravos e Senhores (6.5–9) – texto que será tratado hoje

Explicação

O texto que temos diante de nós regula a relação de servos e senhores dentro do lar cristão.
O contexto em que Paulo escreve esse texto era um contexto romano, onde havia leis permitindo a escravidão.
O contexto da escravidão romana:
A escravidão romana era diferente da escravidão negreira que o mundo experimentou dos séculos XV ao século XIX.
As suas diferenças estavam nos seguintes pontos:
Não era baseada em raça
A pessoa não entrava na escravidão por rapto
guerra/cativos (mais comum)
crianças abandonadas
condenação judicial
dívidas
auto-venda voluntária (por sobrevivência)
Mobilidade social
Escravos podiam comprar sua liberdade.
Senhores podiam conceder manumissão.
Ex-escravos (libertos) podiam ficar ricos, entrar em profissões importantes e até ter escravos.
Tipo de trabalho
educação (muitos eram professores)
administração
comércio
medicina
agricultura
trabalho doméstico
No Império Romano, a escravidão era uma instituição econômica estruturada, porém flexível. Havia escravos extremamente qualificados e até valorizados. Alguns se tornavam parte da família ampliada.
O escravo romano não recebia salário (a não ser pequenas quantias ocasionais), mas tinha garantido:
alimento
moradia
vestimenta
proteção legal mínima
pertencimento a uma família (família do senhor)
Isso era chamado de sustento (alimenta).
Muitos escravos preferiam essa estabilidade à vida pobre e insegura como homem livre.
Qual era a diferença do servo e do livre naqueles dias?
O homem livre escolhia para quem trabalhar e negociava seu valor. Já o escravo não tinha essa liberdade: ele estava permanentemente ligado a um único senhor.
Porque é importante entender isso?
Porque muitas pessoas acusam a bíblia de ser escravagista de maneira anacronica. Elas pegam o conceito de escravidão que existiu nos períodos coloniais e transportam esse contexto para os tempos da bíblia e acusam Paulo de não ser contra a escravidão e acusam o próprio Deus de permitir escravidão no A.T.
Porém isso não é verdade. Não podemos pegar um conceito do século XV e transporta-lo para a época das escrituras como se os conceitos fossem análogos.
Quando olhamos para a pena estabelecida no A.T para rapto e venda do raptado como escravo que é o que acontecia na escravidão negreira, percebemos que a bíblia previa pena de morte (Ex 21:16) para quem assim procedesse.
A escravidão dos tempos de Paulo e do Antigo Testamento não tinham nada a ver com o tráfico negreiro. No A.T tratava-se principalmente de trabalho por dívidas, com tempo limitado, proteção legal e libertação obrigatória no sétimo ano (Êx 21; Dt 15).
Se o trabalhador escolhesse permanecer, fazia isso voluntariamente, porque via benefícios na casa de seu senhor (Dt 15:16–17).

Aplicação Inicial:

Visto fato de o contexto das relações de servos e senhores dos dias de Paulo serem tão diferentes de nossos dias, isso implica no fato de o texto não ter aplicação para nossos dias?
De modo nenhum!
Fato é que podemos aplicar tranquilamente as recomendações de Paulo dadas a servos e senhores de seus dias as relações que temos em nossos dias entre patrões e empregados. Principalmente entre CLT e contratante, visto que o autônomo seria uma espécie de homem livre de nossos dias que pode ganhar mais, mas também assume riscos maiores e não conta com as mesmas garantias.

Analise do Texto

A divisão do texto

O texto se divide basicamente em dois grande blocos:
1 - Tratar da sujeição do servo para com o seu Senhor. (V5-8)
2 - Tratar da relação do Senhor para com o seu servo. (V9)

1 - A sujeição do servo para com o Senhor:

Efésios 6.5–8 ARA
5 Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, 6 não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; 7 servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, 8 certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.
1 - Um mandamento ao servos (V5-7)
2 - Equipara a obediência dos servos aos senhores a Deus (V7)
3 - Promete uma recompensa (V8)

1 - O Mandamento (V5-6)

Obedeçam ao vosso Senhor segundo a carne. (V5)
A primeira coisa que é ordenada aqui é uma obediência do servo para com o seu senhor segundo a carne. Contextualizando para nossos dias, uma obediência do empregado para com o patrão.
Do mesmo modo que Paulo estabelece a sujeição da esposa para com o marido e a obediência do filho para com o Pai, ele estabelece uma hierarquia onde o servo deve obedecer ao seu senhor.
Aplicação:
A sociedade criada por Deus não é uma sociedade anárquica, sem hierarquias.
Com temor e tremor, na sinceridade do coração, como a Cristo. (V5)
Paulo chama os servos a combaterem o sentimento de rebelião existente no coração de cada homem desde a queda de Adão.
É completamente antinatural no sentido de que estamos avaliando o homem caído o sentimento de sujeição de um para com o outro.
Paulo então equipara a obediência do servo ao senhor na carne a obediência do servo ao Senhor do Espírito.
Do mesmo modo que Paulo evoca a submissão a Cristo para que as mulheres se submetessem aos maridos e do mesmo modo que Paulo evoca a submissão a Cristo para que os filhos se submetam aos pais, Paulo chama os servos a obedecerem a Cristo por meio da obediência a seus senhores.
Deste modo, como ocorre nos dois episódios anteriores, um servo rebelde contra seu senhor segundo a carne não pode obedecer a Deus.
Aplicação:
Não podemos ser péssimos empregados e ainda assim dizer que somos homens de Deus.

2 - Servir ao senhor segundo a carne é servir a Deus (V7)

não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; 7 servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, (V6-7)
Paulo equipara aqui a obediência do servo para com Deus por meio de duas ordens.
Para que os servos não roubem seus senhores, trabalhando apenas enquanto estão a vista.
Para que abandonem a bajulação e que façam seu trabalho não para homens mas para Deus.
Aplicação:
Quando um servo, que ganha o seu salário por horas trabalhadas deixa de trabalhar ao estar sob a vista de seus senhores ele está quebrando o oitavo mandamento (não furtaras).
Você não precisa ser um pastor, um presbítero ou diácono para servir a Deus, sempre que você está trabalhando, quer seja para um senhor segundo a carne, quer seja no caso das mulheres em pró de seu marido ou filhos, quer seja o marido em pró do sustento do lar você está servindo a Deus.

3 - A promessa (V8)

certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.
Paulo mostra que servir a Deus tem recompensas.
Infelizmente, alguns pregadores com tanto medo da teologia da prosperidade tiraram um fator extremamente importante da bíblia:
Deus é benevolente e bondoso e servi-lo trás grandes recompensas.
Aplicação:
Pessoas comuns, que servem a Deus com sinceridade de coração, por meio de seu serviço na sociedade aos senhores segundo a carne serão abençoadas e retribuídas por Deus com bondade e misericórdia.
Ainda que os senhores segundo a carne possam ser tiranos ou opressores, o Senhor segundo o Espírito é bondoso e benevolente.

Conclusão:

O servo que trabalha como para Cristo nunca sai perdendo.
Ele pode não receber reconhecimento humano, pode ser explorado, pode ser injustiçado — mas Cristo vê, Cristo recompensa, Cristo honra, Cristo restaura.
O trabalho feito diante do Senhor nunca é vão.

2 - A relação do Senhor para com o servo. (V9)

Efésios 6.9 ARA
9 E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas.
Paulo se dirige aos “senhores” e ele ordena que eles se portem para com os servos de “igual modo”.
O que seria esse igual modo?
Sinceridade de coração
Temor e tremor
Respeito
Em colossenses Paulo diz:
Colossenses 4.1 ARA
1 Senhores, tratai os servos com justiça e com equidade, certos de que também vós tendes Senhor no céu.
Em Colossenses, Paulo ordena os senhores segundo a carne a tratarem os servos com justiça e equidade. E o motivo pelo qual eles devem trata-lo assim é porque os senhores segundo a carne também tem um Senhor e este está nos céus.
Podemos dizer que basicamente o que Paulo esta declarando é o seguinte:
“O modo como querem ser tratados pelo seu Senhor, é o modo como devem tratar os seus servos.”
Em nosso texto base, Paulo declara que o Senhor tanto dos senhores como dos servos é o mesmo e eles deveriam lembrar que os servos tem um Senhor no céu que não faz acepção de pessoas e sabemos pela escritura que ele é vingador de órfãos, viúvas e de trabalhadores oprimidos.
Tiago 5.4 ARA
4 Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos.
O antigo testamento tinha leis de proteção para trabalhadores:
Deuteronômio 24.14–15 ARA
14 Não oprimirás o jornaleiro pobre e necessitado, seja ele teu irmão ou estrangeiro que está na tua terra e na tua cidade. 15 No seu dia, lhe darás o seu salário, antes do pôr do sol, porquanto é pobre, e disso depende a sua vida; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado.

Aplicação:

Senhores, tratem seus empregados com justiça e equidade, não importando se ele é compatriota ou estrangeiro sabendo que o Senhor dele está nos céus. Não retenha o pagamento o seu pagamento, não o oprima por sua pobreza, de a ele aquilo que lhe é devido.

Conclusão

Para Deus não há acepção de pessoas.
Empregados e patrões estão debaixo do mesmo senhorio de Cristo.

Aplicações finais:

Neste texto o Apóstolo Paulo rejeita a mentalidade revolucionária de guerra de classes e de ódio existente entre patrões e empregados. A mentalidade marxista de nossos dias que busca dividir a sociedade entre oprimidos e opressores não é a mentalidade bíblica. Paulo busca um bom relacionamento entre as classes colocando ambas como debaixo do mesmo senhorio celeste e ordenando que cada um faça a sua parte com justiça e equidade.
Se você é um servo, sirva a Deus servindo seus senhores na carne, abandone a preguiça e o furto e obedeça a Deus de todo coração.
Se você é um senhor segundo a carne, se sujeite ao seu Senhor governando como ele governa, tratando todos com justiça e equidade.
Se você ainda não serve a Deus, saiba que existe um Senhor no céu benevolente e bondoso que é Senhor tanto de servos como de senhores e que está a disposição para perdoar pecados e abrir as portas de seu reino para você.
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