O Deus Tremendo

Quando Deus não tem sentido  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Notes
Transcript
Meus irmãos, chegamos ao nosso último sermão da série no livro do profeta Habacuque.
E a grande verdade é que este pequeno livro nos deixou grandes lições sobre o que significa viver em meio à crise, em meio à dor e diante de circunstâncias adversas da vida.
Habacuque nos ensinou que é possível questionar a Deus sem abandonar a fé. Que podemos clamar com sinceridade diante do sofrimento, sem perder a reverência diante do Senhor.
Ele nos mostrou que, mesmo quando tudo parece fora de controle, Deus continua sendo o Dono da história — e que seus planos e propósitos jamais podem ser frustrados.
E que muito possivelmente, nós não vamos entender os seus planos, mas que no final, vale a pena esperar em nEle.
(pausa)
Mas também aprendemos, ao longo dessa série, que por mais piedosos que pareçamos, por mais que saibamos versículos de cor, ou que tenhamos lido a Bíblia várias vezes,
Ou que você tenha ajudado muitas pessoas na rua, na sua família, ou amigos,
E que você tenha sido um aluno exemplar ou um funcionário exemplar na sua empresa, isso nunca será suficiente para alcançarmos graça diante de Deus.
Porque, como disse o profeta Jeremias:
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9)
A verdade é que se algo nesse grande enredo da salvação dependesse de nós, a morte seria certa. Eu e você carecemos da graça de Cristo, o justo e justificador, que um dia morreu no nosso lugar, para que pudéssemos ter vida, e para que, no dia do juízo, a ira de Deus não recaia sobre nós.
(pausa — tom de transição)
E é com esse entendimento — de que Deus é soberano na história, misericordioso no juízo e fiel nas suas promessas — que chegamos ao capítulo 3, onde Habacuque, depois de tanto questionar, aprende a adorar, louvar e a repousar com alegria nesse Deus.
Ele nos mostra que mesmo se o resultado dos nossos questionamentos não forem aquilo que esperamos,
Ainda assim só há uma coisa a fazer: se Alegrar no Deus da nossa salvação independente das circunstancias.
Deixa eu descrever algo que talvez você já tenha vivido:
Há momentos na vida, onde passamos por uma tristeza profunda, um acontecimento inesperado ou uma dor que tomou conta do seu coração, e parecia que nada poderia descrever aquele momento. As palavras não surjem para expressar tamanha dor e sentimento.
Mas que, ao ouvir uma música, uma canção, aquela expressão que não tinha palavras começa a tomar forma, e esse sentimento rapidamente parece aliviar e por breves momentos, surge uma paz, uma calma e até alegria.
É exatamente isso que Habacuque expressa aqui, no capítulo 3.
O profeta transforma sua dor em canção,
sua angústia em adoração,
e sua crise em louvor.
Versículos 1 e 2
“Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto.”
Habacuque, que antes questionava a Deus em meio à dor, agora, depois de enxergar quem Deus é e o que Ele está fazendo, transforma a sua oração em louvor.
E isso é um ensino precioso para nós.
Porque se, no final das nossas orações de crise, das nossas orações de dor ou de angústia, ainda restarem apenas queixas, isso revela que nosso coração ainda não aprendeu a confiar na soberania de Deus.
Meus irmãos, (PAUSA) O amadurecimento da fé não acontece quando as circunstâncias mudam, mas quando o nosso coração muda diante delas.
Habacuque entendeu isso. Ele percebeu que o mesmo Deus que julgava, também sustentava.
O mesmo Deus que se calava, também estava agindo. (PAAAUSA)
E o resultado final foi adoração.
E se, no final, não houver adoração, é sinal de que ainda não enxergamos Deus como Ele é.
é sinal de que a nossa oração está centrada em nós mesmos — nas nossas vontades, nas nossas soluções, no nosso desejo de controlar o que só Deus pode governar.
Mas quando a oração é centrada em Deus, mesmo sem respostas, ela termina com paz. Paz de saber que, mesmo eu não vendo, Deus está agindo da sua maneira. Meus irmãos, a fé não é apenas suportar o silêncio de Deus,
é adorar a Ele no meio desse silêncio.
Adorar não apenas pelos feitos que Ele realiza em nossas vidas, mas pelos feitos que Ele tem realizado ao longo de toda a história.
E no versículo 2 fala assim:
“Senhor, tenho ouvido a tua fama, e me sinto alarmado.
Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida.
Na tua ira, lembra-te da misericórdia.”
Habacuque está dizendo: “Senhor, eu tenho ouvido falar de Ti. Eu conheço a Tua história, os Teus feitos, o Teu poder. E diante disso... eu temo.
Diante do Teu poder, eu temo. Diante da Tua obra, eu temo. Diante da Tua santidade, eu temo.
Não um medo que afasta, mas um temor que reconhece a grandeza de Deus e a nossa pequenez diante dEle.
Habacuque entendeu que o mesmo Deus que age em juízo, também age em misericórdia. E que o mesmo poder que abala as nações, é o poder que sustenta o justo.
E aí, Habacuque continua dizendo: “Repete, Deus! Repete os teus feitos em nossa época! Faz conhecidos os teus atos novamente em nosso tempo!”
O profeta está clamando: “Senhor, eu sei o que o Senhor já fez no passado — agora faz de novo, no nosso tempo, na nossa geração!”
(pausa breve)
A confiança de Habacuque repousa nos atos históricos de Deus. Ele não crê numa fé cega, Ele crê numa fé fundamentada nas intervenções de Deus ao longos dos tempos.
Habacuque olha para trás e lembra que foi Deus quem libertou o Seu povo do Egito, quem abriu o mar, quem derrotou inúmeros inimigos, quem sustentou o seu povo no deserto.
E é com base nesse passado que ele clama: “Faz de novo, Senhor!”
Habacuque confiava que Deus age na história humana de formas que nenhum ser humano jamais poderia realizar. E é essa memória dos feitos de Deus que alimenta a fé dele.
Aplicação
E a nossa fé também precisa estar enraizada na história de Deus, e não nas emoções momentaneas.
Quando Deus parecer estar em silêncio, olhe para trás.
Lembre-se dos feitos de Deus,
não só os que estão registrados na Bíblia,
mas também os que Ele já fez na tua própria vida e na vida dos irmãos.
A mesma mão que agiu ontem, o mesmo Deus que agiu no passado, continua agindo hoje. E a fé verdadeira, meus irmãos, é isso:
lembrar o passado para confiar no presente.
E isso vai te ajudar quando o problema chegar,
Porque ai você vai se lembrar de tudo o que Deus fez,
e saber que ele pode fazer mais uma vez.
Mas eu não quero que você saia com a ideia errada de que, é só clamar e pedir que Ele vai fazer,
A fé verdadeira não é exigir que Deus aja, é crer que Ele pode agir e, se Ele não fizer, continuar adorando, porque Ele continua sendo Deus.
E o versículo termina dizendo:
“Na tua ira, lembra-te da misericórdia.”
Habacuque entende que o juízo de Deus virá, isso já é certo. Mas ele também sabe que a ira de Deus nunca caminha sozinha.
Deus não é impulsivo como nós, não é instável como nós somos. A ira de Deus é santa, justa e controlada. E mesmo quando Ele exerce juízo, Ele nunca deixa de ser misericordioso.
(pausa)
Habacuque não está pedindo para Deus ignorar o pecado,
mas para Deus agir com graça no meio do castigo.
É como se ele dissesse: “Senhor, se for preciso disciplinar, discipline
mas, por favor, se lembre da tua aliança, da tua compaixão e do teu povo.
Esse pedido revela uma mudança enorme em Habacuque. Antes ele pedia que Deus punisse os ímpios. Agora, ele ora para que até mesmo no castigo, Deus manifeste a Sua graça.
E isso, meus irmãos, é o coração do evangelho. Porque foi exatamente isso que aconteceu na cruz: a ira e a misericórdia se encontraram. Deus não suspendeu Sua ira, foi Cristo que levou sobre si a ira que nós mereciamos.
(pausa — tom pastoral)
Por isso, quando Habacuque ora “na tua ira, lembra-te da misericórdia”, nós hoje podemos orar ainda com mais confiança,
porque já vimos essa misericórdia plenamente revelada em Jesus.
Mas é justamente depois dessa oração que Deus responde Habacuque, não com explicações… mas com uma revelação.
Habacuque não encontra respostas para as suas perguntas, Ele não entende o plano,
mas vai contemplar o Deus que governa o plano.
O que vimos nos capítulos anteriores de um Habacuque angustiado agora basicamente ele contemplará a grandeza majestosa de Deus, uma visão que domina os versículos 3 a 6.
Uma visão que descreve a manifestação gloriosa, poderosa e imensurável do Senhor, o Deus tremendo.
Habacuque começa descrevendo assim:
v.3 — “Deus vem de Temã, o Santo vem do monte Parã.”
Temã e Parã ficam na região do deserto, ao sul, perto do Sinai. Ou seja, Habacuque está trazendo à memória o Deus do Êxodo,
o Deus que desceu sobre o Sinai com
fogo,
trovões e
tremor.
E repare na expressão que ele usa: “O Santo.” Ele é o Deus Santo, absolutamente separado, majestoso, glorioso. Ele não é um deus pequeno, nem manipulável, e muito menos condicionado aos nossos planos. Ele é o Deus que vem com glória irresistível.
“A sua glória cobre os céus, e a terra se enche do seu louvor.” Deus não divide a sua glória com nada e nem ninguém.
Não sobra espaço para outra glória
Porque a glória de Deus é tão vasta que transborda.
Nem mesmo Os céus não conseguem contê-la; a terra responde em louvor.
v.4 — “O seu resplendor é como a luz; e raios brilham da sua mão, o seu poder se esconde ali.”
Habacuque vê o poder de Deus como luz que explode. Raios saem da sua mão como um símbolo da sua autoridade irresistível. E note a frase final: “o seu poder se esconde ali.” O que Ele mostra já é avassalador, mas ainda assim é apenas um reflexo do que Ele realmente é.
(Pausa) Deus se revela, mas nunca se esgota na revelação. Ele se mostra, mas continua infinitamente maior do que aquilo que mostrou.
v.5 — “Adiante dele vai a peste, e a pestilência segue os seus passos.”
Isto não é Deus sendo cruel. É Deus sendo soberano.
Habacuque está trazendo a memoria que, no Êxodo, as pragas não foram uma coincidência natural
foram instrumentos nas mãos de Deus para libertar seu povo.
A ideia aqui é de que: Quando Deus se move, nada O impede. Quando Ele decide agir, até aquilo que destrói é colocado debaixo da sua autoridade.
Nada anda à frente de Deus sem a ordem dEle. Nada escapa ao seu domínio. Até aquilo que aterroriza o mundo está debaixo dos seus pés.
É isso que sustenta Habacuque: Deus não perdeu o controle da história. Ele nunca perdeu. Ele nunca perderá.
v.6 — “Ele para e faz a terra tremer; olha e sacode as nações.”
Esse é o Deus que o justo invoca. Não uma força fraca, não um poder parcial. Mas o Deus que “para” e a terra treme, que “olha” e as nações estremecem.
Ao simples olhar de Deus, impérios se abalam. Ao simples comando de Deus, montanhas se movem. Ao simples passo de Deus, a terra inteira treme.
E Habacuque conclui:
“Esmigalham-se os montes primitivos, as colinas antigas se abatem; os caminhos de Deus são eternos.”
E na Bíblia, Montes e colinas, representam aquilo que parece inabalável.
Mas até isso se dobra diante do Senhor.
E ao dizer “os caminhos dele são eternos”, Habacuque está afirmando:
Deus não está improvisando.
Ele não é pego de surpresa.
Os caminhos dEle são os mesmos desde toda a eternidade. Ele age segundo os seus planos:
planos eternos, perfeitos e sábios.
Aplicação
Quando a nossa visão sobre Deus encolhe, os nossos medos e problemas crescem. Mas quando a visão sobre Deus cresce, os nossos medos e probleas encolhem. A mudança de Habacuque não foi porque os políticos mudaram,
não foi porque ele teve uma solução mirabolante, ou
porque ele teve alguma garantia.
O que mudou foi o que ele viu: ele contemplou Deus como Ele realmente é.
A fé não nasce quando Deus explica o futuro para nós;
a fé nasce quando Deus revela quem Ele é.
A realidade é que nós sempre queremos respostas,
sempre queremos os detalhes,
sempre queremos saber o “porquê”.
Mas Deus nem sempre nos dá respostas… As vezes, Ele apenas nos dá a Si mesmo.
Ele nos mostra a Sua glória, o Seu caráter, a Sua santidade, a Sua soberania. E isso, meus irmãos, é mais do que suficiente.
Porque o antídoto contra o desespero em meio aos dilemas, é simplesmente a grandeza de Deus
Nós não vamos conseguir passar por esse desespero olhando para dentro ou repetindo frases motivacionais e bonitas.
Nós conseguimos, quando permanecemos firmes, olhando para cima e
fixando os nossos olhos neste Deus tremendo.
Não espere as respostas para ter paz, você pode desfrutar dessa paz contemplando este Deus, hoje.
transição v.7-10
E é justamente diante dessa grandeza de Deus que Habacuque passa a contemplar a maneira como esse Deus age no mundo com justiça.
Agora o foco deixa de ser apenas a manifestação da presença, e se torna a manifestação do juízo.
Habacuque começa a perceber que a grandeza de Deus não é passiva:
é uma grandeza que corrige o mal,
que responde à injustiça, e
que nunca fica indiferente ao pecado humano.
Entre os versículos 7 a 10, Habacuque vai descrever o poder do juízo de Deus e declara a sua confiança de que o Senhor não deixará nenhum mal sem resposta.
E no versículo 7, Habacuque começa dizendo:
“Vejo as tendas de Cusã em aflição, e tremem as cortinas da terra de Midiã.”
Cusã e Midiã eram povos hostis a Israel
inimigos que um dia oprimiram o povo de Deus.
E agora, esses mesmos povos, estavam em aflição e tremor diante da presença de Deus.
O que Habacuque quer nos mostrar aqui é que:
nenhum mal,
nenhuma injustiça,
nenhuma força humana ficará sem resposta.
O mal até pode parecer triunfar por um tempo, mas diante de Deus, todo mal e injustiça se curvam e toda arrogância cai.
E nos versículo 8 e 9 ele diz assim:
“Acaso é contra os rios, SENHOR, que estás irado? É contra os ribeiros a tua ira, ou contra o mar o teu furor, já que andas montado sobre os teus cavalos, nos teus carros de vitória? O teu arco se manifesta claramente, e os juramentos feitos às tribos são uma palavra segura. Tu fendes a terra com rios.”
Habacuque descreve aqui, Deus como um guerreiro que entra em cena. Ele usa uma linguagem simbólica e poética para retratar o poder do Senhor em ação. As águas, os rios e o mar representam as forças do caos, tudo aquilo que ameaça a ordem e a vida.
E ele pergunta: “Senhor, estás irado com os rios? Estás furioso com o mar?” E a resposta implícita é: não. Deus não está irado com a criação, mas está usando a própria criação como instrumento do Seu juízo.
O mesmo Deus que abriu o mar Vermelho, que fez o Jordão retroceder, e que guiou Israel em vitória sobre os inimigos, agora aparece novamente montado em carros de triunfo. Ele é o Senhor da natureza e da história. Até os mares obedecem à Sua voz, e os elementos da criação se tornam servos do Seu propósito justo.
Mas o profeta também vê o arco de Deus — símbolo do Seu poder e da Sua fidelidade. O texto diz: “O teu arco se manifesta claramente, e os juramentos feitos às tribos são uma palavra segura.”
Isso significa que o juízo de Deus não é aleatório nem impulsivo. Ele age de acordo com Sua aliança. Cada ato de juízo é também um ato de fidelidade — Deus cumpre as promessas feitas ao Seu povo.
Deus julga porque Ele é justo, mas também porque é fiel.
E nestes versículos, meus irmãos, Habacuque está nos lembrando que:
Deus não deixará nenhum mal sem resposta.
Ele pode até se calar por um tempo diante dos acontecimentos, mas o silêncio de Deus nunca é permissão para o pecado.
O juízo de Deus é certo, mas isso não deve nos causar medo, mas esperança:
esperança de que o mal não vencerá,
de que a injustiça não será eterna,
e de que Deus sempre fará o que é certo.
E hoje só desfrutamos dessa esperança, porque esse mesmo juízo já foi executado na cruz.
A ira santa de Deus caiu sobre o Seu Filho, para que a misericórdia fosse oferecida a nós.
O poder do juízo de Deus não nos destrói, ele nos salva,
porque Cristo suportou o juízo em nosso lugar.
Portanto,
quando o mundo parecer injusto,
quando os ímpios prosperarem,
quando o mal parecer inabalável,
lembre-se: Ele virá.
E quando Ele vier,
tudo que é torto será endireitado,
e tudo que é injusto será julgado.
(Pausa)
transição vs 12-13
E Habacuque nos versiculos 3 a 7, viu a grandeza de Deus e nos versiculos de 7 a 10 o poder do Seu juízo.
Mas agora, entre versículos 11 a 15, Habacuque contempla o Deus Guerreiro, aquele que se levanta para lutar em favor do Seu povo.
Agora, ele encontra consolo nesse mesmo poder,
Porque ele entende que a mesma mão que julga os inimigos é a mão que protege os justos.
O Deus que parecia distante, agora é visto marchando à frente do Seu povo, lutando por ele com poder irresistível.
versículos 12 e 13
Habacuque descreve a natureza parando diante do Criador:
“O sol e a lua param nas suas moradas…”
É uma linguagem épica, semelhante a Josué 10, quando o sol parou no céu
é um sinal de que toda a criação se curva diante do Deus Guerreiro.
A luz das flechas e o brilho da lança revelam um Deus que não é passivo diante do mal. O texto nos fala que Ele se levanta, Ele marcha, Ele pisa as nações em justa indignação.
Nós assistimos nos nossos dias tamanha crueldade e maldade pelo mundo,
Pois saiba, que Deus não ignora a violência humana;
O Seu juízo é soberano, não movido por impulso, mas pela Sua santidade.
e no verso 13, está exatamente essa idéia do Deus que luta por seu povo.
“Tu sais para o livramento do teu povo, para o livramento do teu ungido.”
Esse termo “ungido” aponta para o reinado davídico, mas também antecipa a Cristo, o Ungido por excelência.
E aqui, Habacuque vê que a ira de Deus e a salvação do Seu povo acontecem simultaneamente. Ele fere o inimigo e, ao mesmo tempo, liberta o justo.
A mão que pesa sobre os ímpios é a mesma que sustenta os santos. A justiça que destrói o mal é a mesma que preserva o povo da aliança.
E é exatamente o que nos fala o versículo 14:
“Traspassas a cabeça dos guerreiros dele com as suas próprias lanças…”
O poder humano se volta contra contra ele mesmo.
Deus usa as próprias armas dos inimigos contra eles.
Isso mostra que nenhum plano de mal prospera diante de Deus. A arrogância dos ímpios se torna o instrumento da sua própria ruína.
e para fechar este bloco, no versículo 15, temos uma referência direta ao Êxodo:
“Marchas com os teus cavalos pelo mar, pela massa de grandes águas.”
O mesmo mar que engoliu os egípcios se abriu como estrada para Israel. Deus é aquele que faz caminho onde não há caminho.
Habacuque nos faz compreender algo essencial: o poder de Deus não está contra nós, está por nós.
A vingança de Deus não é uma ameaça a nós, A vingança é a certeza de que o mal não ficará impune e de que Deus defenderá os Seus.
Na cruz, essa visão se cumpre plenamente. Ali, Deus marchou em definitivo contra o pecado e a morte.
E Ele venceu! não com espadas, mas com o sangue de Cristo Jesus.
Por isso, o cristão não teme o poder desse juízo, mas descansa no poder da graça. A mão que julgou o pecado em Jesus é a mesma mão que hoje nos defende e nos sustenta.
transição para 16-19
E Depois de contemplar o Deus que vem em glória, que julga com justiça, e que luta por Seu povo, Habacuque se cala.
Mas não é um silêncio de dúvida, é um silêncio de quem foi vencido pela presença de Deus.
Ele já nem quer tentar entender o que Deus faz, ele agora, apenas descansa em quem Deus é e que se curva, e diz em outras palavras:
“Ok Deus, ainda que eu não entenda, Eu confio em TI.”
Habacuque finalmente entendeu que esse poder e juízo,
é o refúgio e força que o povo de Deus precisava.
E é com esse coração rendido,
ainda trêmulo,
mas cheio de fé,
que ele encerra sua oração com uma das declarações mais lindas de toda a Escritura.
Acompanhe comigo os versículos 16 a 19:
“Ouvi isso, e o meu íntimo se comoveu; os meus lábios tremeram ao ouvir a sua voz.
A podridão entrou nos meus ossos, e os meus joelhos vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos ataca.
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na videira; ainda que a colheita da oliveira decepcione, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas desapareçam do aprisco, e nos currais não haja mais gado, mesmo assim eu me alegro no Senhor, e exulto no Deus da minha salvação.
O Senhor Deus é a minha fortaleza. Ele dá aos meus pés a ligeireza das corças, e me faz andar nas minhas alturas.
Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas.”
Habacuque termina o seu cântico completamente transformado. Ele já não está diante de um Deus que precisa explicar tudo para ele, mas diante de um Deus que basta ser quem ele é.
Ele confessa que:
está com o corpo tremendo,
o coração disparado, e
os lábios se agitados de medo.
O cenário continua o mesmo, a invasão babilónica ainda viria a acontecer,
mas algo nele mudou profundamente: o seu interior.
Ele percebeu que a esperança não nasce das respostas de Deus,
e muito menos de ver todas as coisas darem certo,
mas de descobrir quem Deus é no meio daquilo que não faz sentido.
Em vez de enxergar o sofrimento e a injustiça como obstáculos à sua fé, Habacuque descobre que é justamente através do sofrimento que a fé amadurece e se aprofunda.
E é por isso que ele pode dizer:
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, ainda que falte o alimento, e o rebanho se perca nos currais, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.”
A esperança verdadeira não está no que Deus faz, mas em quem Deus é.
Habacuque entendeu que a alegria não depende do resultado, mas da presença. Mesmo que tudo vá mal, Ele permanece fiel. Mesmo que nada floresça, Ele continua sendo o Deus da salvação.
E aqui, meus irmãs, o evangelho brilha. Esse mesmo Deus que sustentou Habacuque, se manifestou plenamente em Cristo
o próprio Deus como o presente de Deus.
Na cruz, Jesus mostrou que o amor divino não se mede pelas circunstâncias, mas pela entrega. Ali, de fato, o justo viveu pela fé até o fim,
Jesus confiou no Pai mesmo quando o céu ficou em silêncio.
E agora, quando o mundo ao nosso redor treme, lembramos que o Senhor é a nossa força, e que os nossos pés são firmes como os da corça, porque Ele mesmo nos faz andar sobre as alturas.
APLICAÇÃO FINAL
Talvez, como Habacuque, você também esteja a viver tempos em que Deus parece distante. Talvez a oração seja feita de lágrimas, em meio a um clamor profundo.
A boa notícia é que a história não termina no “até quando meu Deus?”, ela termina no “eu me alegrarei no Senhor.”
O convite de Habacuque é simples e profundo: quando não houver fruto na videira, olhe para a Videira verdadeira — Cristo. Quando não houver rebanho no curral, lembre-se do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Quando tudo parecer sem vida, confie no Deus que ressuscita os mortos.
E se ainda te faltar força, olha para Jesus, como diz a carta aos Hebreus:
“…olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pela alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.” (Hb 12:2)
Habacuque se alegrou em Deus apesar da dor, Cristo se alegrou por meio da dor, e é por isso que hoje nós também podemos nos alegrar nEle.
Porque o maior presente de Deus não é aquilo que Ele faz ou pode fazer. é Ele mesmo.
E quando Deus é o nosso bem supremo, podemos atravessar qualquer deserto, podemos enfrentar qualquer juízo, e ainda assim cantar:
“O Senhor é a minha força” (Hc 3:19)
Encerramento da série: O livro de Habacuque não é sobre um profeta que encontrou respostas, mas sobre um Deus que se revelou suficiente. Que cada um de nós saia desta série com essa mesma certeza: a fé não depende do que vemos, mas de quem Deus é — revelado em Cristo, o autor e consumador da nossa fé.
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