A IDENTIDADE DO CRISTÃO
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EFÉSIOS 1.1-2
EFÉSIOS 1.1-2
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Para que serve a igreja? Qual a razão da igreja existir? A igreja existe meramente para alcançar outras pessoas com o evangelho? Existe apenas para nos fazer felizes? Ou há algum plano maior envolvido? O que você pensa sobre isto?
James Boice nos chama a atenção sobre estas questões quando diz: “Pensamos na igreja como sendo criada e gerida por nós e para as nossas necessidades, e não por Deus e para a glória de Deus. É precisamente neste ponto que Efésios é tão valioso. Efésios é sobre a igreja. Mas o lugar onde começa é com a obra da Trindade divina – Pai, Filho e Espírito Santo – trazendo-o à existência. É disso que trata o primeiro capítulo. Fala da obra do Pai ao escolher e predestinar certos indivíduos para se tornarem seus filhos e filhas através da obra de Cristo, e isto antes da fundação do mundo. Fala da obra do Filho de redimir esse povo eleito por meio de sua morte na cruz, pela qual eles recebem o perdão dos pecados. E fala da obra do Espírito ao atrair essas pessoas eleitas a Cristo e selá-las como garantia da sua libertação final do poder do pecado. Tudo para louvor da glória de Deus! Em seguida, o capítulo termina com uma oração pela igreja, especialmente pela igreja de Éfeso, e a oração é para que ela alcance todo o seu potencial na glorificação de Cristo, sob cujos pés Deus colocou todas as coisas, designando "ele para ser cabeça sobre todas as coisas". pela igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que em todas as coisas preenche todas as coisas” (Efésios 1:22-23). Esta é uma boa eclesiologia bíblica, uma doutrina da igreja que começa com Deus e a sua obra e termina, como todas as coisas acabarão, com a glória de Deus.”
A Carta aos Efésios, muitas vezes é chamada de “A rainha das epístolas” ou “a mais divina composição humana”. Para Barclay ela “se localiza no plano mais elevado dentro da literatura devocional e teológica da Igreja primitiva... nela alcança sua mais alta expressão do pensamento neotestamentário”. A carta aos Efésios é um resumo, muito bem elaborado, das boas novas do cristianismo e de suas implicações. É o evangelho da igreja. O seu tema central é o propósito eterno de Deus em criar, através de Jesus Cristo, uma nova sociedade. Ninguém pode lê-la sem ser compelido a adorar a Deus e a ser desafiado a melhorar a sua vida cristã” (Stott).
I. OS PONTOS CRUCIAIS DOS VERSÍCULOS 1 E 2
Os dois versículos iniciais contêm três pontos cruciais: o autor, os destinatários e a mensagem introdutória.
A. O Autor (Paulo)
Paulo começa declarando sua identidade e autoridade. Um apóstolo era alguém designado pelo Senhor para ser o recebedor e o autenticador da revelação do Novo Testamento. Sua função é de embaixador de Cristo e ministro da reconciliação. Ele não foi constituído apóstolo por sua própria vontade, mas pela vontade de Deus. A ênfase não recai tanto no fato de ele ser apóstolo, mas em como ele se tornou um: pela vontade soberana e eficaz de Deus
B. Os Destinatários
A cata se dirige aos que vivem em Éfeso e são fiéis em Cristo. O cristão sempre vive uma vida dupla: em seu local geográfico (em Éfeso, ou em qualquer outro lugar) e em Cristo. Os efésios eram conclamados a viver para Cristo em meio ao paganismo total de sua cidade.Efésios foi escrita como uma carta circular destinada a todas as igrejas da Ásia, circulando entre elas. Isto indica que ela é a palavra de Deus para todos os crentes e comunidades.arta é dirigida aos que vivem em Éfeso e são .fiéis em Cristo
C. A Mensagem Introdutória (Saudação)
O versículo 2 contém a saudação comum de Paulo, que ele utiliza em todas as suas cartas: “Graça a vós outros e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Esta saudação inicial antecipa a estrutura trinitariana do Capítulo 1, onde a salvação é vista como originada em Deus Pai, realizada em Jesus Cristo, e aplicada pelo Espírito Santo (mencionado no restante do capítulo). O resumo sucinto das boas novas que a carta anuncia é: “paz pela graça”. Portanto, Paulo se identifica como o canal divino, saúda os crentes como o povo escolhido de Deus (que está no mundo, mas em Cristo), e lhes deseja a força da Graça e o resultado da Paz que só podem vir do Pai e do Filho.
A IDENTIDADE DO CRISTÃO
A IDENTIDADE DO CRISTÃO
Para Calvino, Efésios 1:1-2 é uma declaração de autoridade divina (o apostolado de Paulo é pela vontade de Deus) e uma afirmação da identidade dos destinatários (santos fiéis em Cristo) cuja existência e perseverança dependem inteiramente da graça soberana de Deus decretada antes da fundação do mundo.
1. O CRISTÃO É DESCRITO COMO SANTO
Bavinck nos informa que “a palavra “santo” é usada, antes de tudo, com referência a um grupo de pessoas e coisas que foram separadas do uso geral e colocadas em uma relação especial com Deus e seu serviço ... Essa santificação de pessoas e coisas pelo Senhor ocorre de duas maneiras: negativamente, pela escolha de um povo, pessoa, lugar, dia ou objeto e sua separação de todos os outros; e positivamente, consagrando essas pessoas ou coisas e fazendo-as viver de acordo com normas específicas." Assim, no Antigo Testamento, a nação de Israel como um todo é chamada por Deus de "reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:6). Paulo, ao aplicar o evangelho de Jesus Cristo aos gentios (pagãos), argumenta que, por meio da fé em Cristo, todos os crentes — independentemente de sua origem étnica (judeu ou gentio) — são feitos parte do corpo de Cristo e recebem a plena filiação e acesso a Deus.
John Stott afirma que a palavra "santos" não se refere a uma elite espiritual, mas sim à totalidade do povo de Deus.• Todo Crente é Santo: Todo cristão é um santo, e todo santo é um cristão. O cristão, sendo santo, está afastado do mundo no sentido de não pertencer mais a ele, possuindo uma nova natureza e um novo conjunto de lealdades, ou nas palavras de Boice, “todo verdadeiro cristão está, em certo sentido, separado do mundo. Isso não significa que fomos tirados do mundo. Não é assim que Deus opera. Mas significa que estamos afastados dele, no sentido de não pertencermos mais ao mundo. Se somos verdadeiramente de Cristo, temos uma nova natureza, um novo conjunto de lealdades e uma nova agenda. Pertencemos a um reino diferente.”
Mas devemos lembrfar ainda que a palavra "santo" não significa apenas que fomos separados ou escolhidos por Deus (algo externo). O sentido real é que fomos separados porque fomos limpos por dentro. Ser Santo é Ser Purificado: Um santo é alguém que foi limpo. Ele foi limpo da culpa do seu pecado, que é o que nos impedia de ficar na presença de Deus. Se "ser santo" significa ser retirado do mundo e levado para a presença de Deus, então é óbvio que algo precisou acontecer para nos dar essa permissão. O pecado é o que nos afasta de Deus. Portanto, para sermos separados para Deus, primeiro precisamos ser purificados da culpa do pecado. Essa purificação é a primeira marca do cristão. O apóstolo nos lembra que isso aconteceu através do sangue de Cristo, que nos deu a: “Redenção e o perdão dos nossos erros, graças à riqueza da sua bondade." (Efésios 1:7).
A santidade é o princípio e o fim da salvação. A doutrina que separa justificação de santificação é falsa, pois "você não pode tentar dividir Cristo" (Justiça, Santificação e Redenção são inseparáveis Nele). A essência da santidade é o amor. O cristão se deleita na lei de Deus e não obedece como um dever mecânico.• A santidade deve ser a primeira impressão que o cristão causa no mundo: deve ser evidente e óbvio que ele é um povo separado.
2. O CRISTÃO É DESCRITO COMO FIEL
O termo "fiéis" é analisado em dois sentidos principais: o exercício da fé salvadora e a perseverança. O Primeiro significado (Principal): Exercer a fé. Um cristão é aquele que ouviu o evangelho da graça e exerceu fé nesse evangelho. A fé tem três elementos: intelectual (compreensão do conteúdo do evangelho), emocional (o conteúdo aquece o coração e suscita uma resposta amorosa) e volitivo (um compromisso pessoal com Cristo). O Segundo significado: Continuar na fé ou manter a fé. Neste texto, “fiel” é usado no sentido secundário, isto é, “que exerce fé”. Refere-se à perseverança na vida cristã, caracterizando o crente por uma fé plena até o fim da vida. O Dr. Lloyd-Jones, ao comentar sobre este termo,afirma que ele significa que “guardamos a fé, que mantemos a fé, que somos constantes na fé, leais à fé, e que, com Paulo, estamos prontos a defender a fé e a lutar ardorosamente por ela ... Eu e vocês temos que ser fiéis, aconteça o que acontecer, não importa quanto riso, mofa e zombaria tenhamos de enfrentar. Seja qual for o preço - financeiro, profissional - temos que ser fiéis, fidedignos, confiáveis, resistindo a todo custo, venha o que vier. O cristão é assim; ele sabe no que crê; e prefere morrer a negar a Cristo”.
3. O CRISTÃO É DESCRITO COMO AQULE QUE ESTÁ EM CRISTO.
Somos santos, fiéis e estamos em Cristo Jesus (En Christo Iesou). Esta é a ideia mais importante, que sublinha a condição e a fonte de todas as bênçãos. A frase significa estar unido a Cristo em um corpo espiritual. Essa união mística é, em certo sentido, "a própria essência da salvação".• Por causa dessa união, o que é verdade para Cristo também é verdade para o crente, como estar "assentados nos reinos celestiais em Cristo Jesus" (Ef 2.6).• Boice enfatiza que todas as bênçãos espirituais (inclusive a eleição) só chegam ao crente através dessa união. “Esta é uma frase grandiosa e uma das grandes declarações características do Novo Testamento. Significa que o cristão está unido a Ele, está ligado a Ele. A figura usada par descrever essa união é a metáfora usada para a iigreja como corpo de Cristo. Ele é a Cabeça e os crentes são membros. "Se você deixar de lado o 'em Cristo', você nunca terá nenhuma bênção". Outra analogia é a da videira e dos ramos , a qual mostra que Cristo é a Vida e o crente está ligado à Vida. A nossa posição não depende de nada que fazemos, mas da ação de Deus Pai que nos escolheu e nos deu ao Filho, e tudo isso é feito "nele". É a união mística com Cristo que explica o que somos.
Sumário de Teologia Lexham União com Cristo
Tudo o que um cristão recebe de Deus é recebido “em Cristo”, consequentemente a demanda de Cristo de permanecer nele e ter vida nele em todas as coisas (
CONCLUSÃO
A introdução da Carta aos Efésios (Efésios 1:1-2) é mais que uma saudação; é um resumo teológico denso que estabelece a identidade do crente e o propósito eterno da Igreja. A partir destes versículos, desdobram-se as verdades centrais do cristianismo, focadas no objetivo supremo de dar glória a Deus.
As verdades iniciais de Efésios traduzem-se em demandas práticas para a vida do crente e da Igreja:
Nós vivemos simultaneamente em nosso local geográfico (em Éfeso) e em nossa posição espiritual (em Cristo). Devemos manifestar a nossa nova natureza, a nossa identidade. E como vimos, esta nova identidade tem três características.
Somos separados (santos) e purificado. A santidade, inseparável da justificação, deve ser a primeira impressão causada no mundo.
Como fiéis, nós os salvos, temos a exigência de ser confiável e fidedigno. Devemos resistir a todo custo à pressão social (risos, zombaria, perdas) e preferir morrer a negar a Cristo.
Estamos em Cristo Jesus. Precisamos reconhecer que a nossa posição e sustentação dependem da graça soberana e da permanência na união com Cristo. Se negligenciarmos o estar "em Cristo", nenhuma bênção poderá fluir.
A união com Cristo é tanto individual quanto corporativa. A comunidade de fé, como o corpo de Cristo, deve buscar refletir essa unidade divina, servindo como o corpo espiritual de Cristo no mundo.
