Laodicéia - Sem Cristo a igreja se torna inútil
Sete Igrejas do Apocalipse • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução
Introdução
Estamos hoje encerrando a série de ministrações sobre as igrejas do Apocalipse. Fizemos um longo caminho passando por Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e por fim Laodicéia. Nesta carta não existe nenhum elogio, somente críticas a igreja. Um tom pesado, onde Cristo traz severas advertências a igreja.
O nome da cidade provavelmente, vem de uma homenagem a Laodice, esposa de Antíoco II, rei no império Selêucida.
Estava situada numa região de aguas termais, no vale do rio Lico, juntamente com Hierápolis e Colossos.
Era uma cidade, que diferente das outras na região, não se revoltou contra Roma, a lealdade dela á Roma fazia que ela prosperasse muito.
Durante seu crescimento, tornou-se um centro bancário, com isso tornou-se muito rica. Era conhecida por sua produção de lã, superando as outras cidades produtoras. Na parte da medicina desenvolveram um composto para cura de doenças nos olhos, chamado “pó frígio”, o que trouxe a cidade ainda mais fama e dinheiro.
Laodicéia possuia apenas duas desvantagens, assim como Filadélfia ficava em uma região de muitos terremotos, sendo praticamente destruída em 60 d.C., mas diferente de Filadélfia não quis a ajuda de Roma na sua reconstrução. Os próprios cidadãos da cidade foram os responsáveis pela sua reconstrução.
A segunda desvantagem, é que a cidade não possuía abastecimento de agua, para chegar até Laodicéia a agua era encanada de Denizli, o que deixava a cidade vulnerável as mudanças climáticas e aos inimigos.
Assim como em todas as outras cartas que estudamos, na cidade de Laodicéia existia adoração aos deuses romanos, e também haviam muitos judeus morando na cidade.
A igreja em Laodicéia havia crescido assim como a cidade, satisfeita com sua riqueza, mas sem nenhuma riqueza espiritual, tornando-se pior que Sardes, Apocalipse 3.4 “Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.” , Ao contrário de Sardes, onde Cristo menciona alguns fiéis, em Laodiceia não há qualquer registro de fiéis, o que sugere um quadro ainda mais grave.
Desenvolvimento:
Desenvolvimento:
Apocalipse 3.14–22 “Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
Carta destinada ao anjo da igreja, como ja vimos em todas as outras, o anjo é o menssageiro responsavél por entregar a igreja a mensagem enviada por Cristo.
Cristo inicia a carta dando suas descrições. Primeiro, o Amém, refere-se a sua soberania, aquele que tem a palavra final, devemos confiar nessas palavras. Segundo, a testemunha fiel e verdadeira, refere-se a revelação fiel do pai. João 14.9 “Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?”, Cristo veio para revelar o reino de Deus. Em terceiro, o princípio da criação de Deus, refere-se a origem e o destino de todas as coisas. Colossenses 1.16–17 “pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.”
Em Apocalipse 3.15 “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!” . Cristo mostra que conhece a igreja, Ele conhece cada um de nós, tanto individuais, como enquanto igreja. E após dizer que conhece a igreja Cristo descreve a sua real situação.
Existem duas explicações para este versículo, Cristo diz que preferia que fossem frios ou quentes se referindo a sua espiritualidade. Que quente seria o ideal, alguém com a espiritualidade forte, e frio por que seria mais fácil alguém se dar conta da sua situação estando longe de Cristo, do que alguém que se considera cristão, mas é apenas um frequentador de culto. Esta explicação tem lógica, mas vemos que Cristo em todas as cartas, escreve levando em consideração as características da cidade. A Sardes diz Apocalipse 3.1 “Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.” e a Filadélfia Apocalipse 3.8 “Conheço as tuas obras —eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar —que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.”
O mais provável é que Cristo usa esta metáfora para revelar a condição de apatia da igreja, se referinto a utilidade da igreja. As aguas de Hierápolis eram quentes, era uma cidade famosa por suas aguas termais. Colossos era conhecida pela água fresca e pura. Laodicéia por não ter agua canalizava a agua, que chegava até ela morna e cheia de minerais que tornavam ela imprópria para o consumo.
A igreja não deveria ser como a sua agua, ela deveria ser conhecida por seu poder de cura espiritual (como Hierápolis) ou por seu ministério revigorante (como Colossos). Como igreja devemos trazer as pessoas a cura através da pregação do Evangelho, e também consolando e revigorando uns aos outros. Quando estamos cansado, um copo de agua gelada, nos anima, nos revigora as forças novamente. E o Evangelho nos da forças para enfrentarmos nossos desafios. Por ser morna igual sua agua, a igreja se tornou inútil, não possuiam obras que testificam seu amor por Cristo. Tiago 2.14 “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?”
As águas de Laodicéia eram cheias de carbonato de cálcio e a reação ao tentar tomar era náuseas. Devido a isso, Cristo diz no versículo 16 que está prestes a vomitar. Cristo não vomitou, mas se a igreja continuasse daquela maneira seria vomitada.
No versículo 17 Cristo relata o porque deste estado de inutilidade da igreja.
Apocalipse 3.17 “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.”
A igreja tinha se tornado como a cidade, eram ricos e achavam que não precisavam de mais nada. Eles olhavam pra sua riqueza material e presumiam que eram ricos espiritualmente. O problema não era a riqueza em sim mas a auto satisfação deles quanto a esta condição. Comentamos no início que eles reconstruíram a cidade sem a ajuda de Roma, mas além de reconstruir eles construíram prédios ainda maiores.
Assim como a cidade não precisou de Roma, a igreja achava que não precisava de Cristo. E isso deixou eles longe de perceber sua real condição. Eles não sofreram com perseguições externas como Sardes, Esmirna e Filadélfia, nem ameaça interna com falsos ensinos como em Éfeso, Pérgamo e Tiatira.
A condição de Laodicéia foi descrita por Cristo com cindo adjetivos, divididos em dois grupos: situação geral (infeliz e miserável) e descrição específica (pobre, cego e nu). Infeliz pois a felicidade que eles achavam sentir, não era a felicidade verdadeira que só encontramos em Cristo. Miserável, num sentido de deplorável, achavam que tinham tudo, mas não tinham nada. Os três adjetivos específicos são citados por Cristo com referência as áreas de orgulho da cidade, e estão ligados com o versículo 18.
Apocalipse 3.18 “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.”
Cristo aconselha a igreja, tem um tom brando, frente a situação da cidade. Ele aconselha a cidade a comprar ouro apurado pelo fogo para enriquecer. Os que se consideravam ricos, precisavam comprar de Cristo, única fonte de bens duráveis, para enriquecer de algo que vale realmente a pena. Ouro apurado pelo fogo talvez traga uma referência a 1Pedro 1.6–8 “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória,” .
Vestes brancas para te vestires. Mesmo produzindo uma famosa lã que os deixou ricos, Cristo diz que estão nus. Não importa a roupa que viermos a usar, a única que realmente importa vai ser as vestes brancas que receberemos de Cristo quando estivermos com ele.
Apesar de produzirem um remédio famoso para os olhos, são descritos como cegos por Cristo. Seus feitos terrenos revelavam uma cegueira espiritual. Quando Cristo toca em nossos olhos, nos vemos como realmente somos, temos noção da nossa condição, percebemos que sem Cristo não somos nada.
Apocalipse 3.19 “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.”
Cristo fala que disciplina quem Ele ama, e isso está sendo dito para uma igreja que não tinha nada de bom, nada a ser elogiado, isso mostra que o amor de Cristo, independe da nossa condição, mas Ele deseja que venhamos a mudar nossa condição para termos uma comunhão com Ele.
Por nos amar Cristo nos repreende e disciplina. O amor verdadeiro diz “não”. o amor verdadeiro corrige. Não é nada fácil pros pais ter que disciplinar os filhos, só quando nos tornamos pais entendemos aquela frase. “Isso vai doer mais em mim, do que em você”. Quando corrigimos queremos que nossos filhos sigam nossos ensinamentos, mas quando Cristo nos corrige, pensamos muitas vezes que Ele nos abandonou. Tiago 1.12 “Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” Como ja vimos, a prova é para sermos aprovados, para nos aproximarmos de Deus. O sofrimento faz com que tenhamos um relacionamento mais próximo com Deus.
Apocalipse 3.20 “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.”
Este versículo vem sendo usado erroneamente, num sentido evangelístico. Existe um famoso quadro chamado “A luz do mundo”, que retrata Cristo parado em frente a uma porta, como se estivesse batendo, esperando o pecador abrir a porta para Ele entrar em seu coração. Ja ouvi muitas vezes pessoas dizendo, que Cristo espera nós o convidarmos para entrar, faz parecer que Cristo é um coitadinho que precisa de nós. Os mesmos dizem que quem entra na vida das pessoas sem pedir é Satanás, que entra quebrando tudo. Eu fico me perguntando. Então Satanás tem poder de entrar na vida de alguém, mas Cristo não? Todos nós sabemos que cristão não pode ser possuído pois nele habita o Espírito Santo, mas duvido que alguém que não seja cristão deseje ou convide Satanás para entrar e destruir suas vidas. E muitas pessoas dizem que podemos dizer não para Cristo, quando Ele nos chama, mas Satanás ninguém consegue ou tem poder de dizer não.
Cristo não é um coitadinho, que necessita de nós para fazer alguma coisa. Quando Cristo quer salvar, Ele salva.
Quando Cristo chama, Seu chamado é eficaz e irresistível para Seus eleitos.
O contexto do versículo 20 é que Cristo está fazendo um convite as pessoas que estão numa igreja apática e inútil, miserável, mas nem todos vão ouvir Cristo batendo a porta. A salvação é para aqueles que comprarem de Cristo os itens que já falamos anteriormente. Ao abrir a porta, os crentes devem abrir não de tudo que lhes afastam de ter uma comunhão com Cristo. A porta aberta é a conversão, quando colocamos Cristo acima de tudo em nossas vidas.
Conclusão:
Conclusão:
Como em todas as cartas, Cristo lança um desafio ao vencedor, seguido de uma promessa. Compartilharemos da glória de Cristo, e Ele garante esta benção a todos que perseverarem.
O vencedor celebrará a vitória da verdadeira fé, contra o pecado e a morte. Assim como Cristo venceu, se continuarmos no caminho correto, também venceremos.
Ouçam o que o Espírito diz a igreja, estes versículos que lemos hoje é mais um chamado de Cristo para abrirmos nosso coração para Ele. Que vivamos pela Palavra de Deus.
Aplicações:
Aplicações:
Aplicação 1 — Contra autossuficiência espiritual
Aplicação 1 — Contra autossuficiência espiritual
Quando as coisas vão bem, deixamos de perceber nossa pobreza diante de Cristo.
Riqueza, conforto, saúde e estabilidade podem mascarar miséria espiritual.
Aplicação 2 — A utilidade da igreja
Aplicação 2 — A utilidade da igreja
Estamos sendo água quente (cura)?
Estamos sendo água fria (revigoramento)?
Ou somos água morna — irrelevante para a missão?
Aplicação 3 — O amor disciplinador
Aplicação 3 — O amor disciplinador
Cristo corrige quem ama.
O crente deve interpretar provações como:
instrumentos da graça, não sinais de abandono.
