O Rei e os Lavradores Maus (Marcos 11.27-12.12)

O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O Rei e os Lavradores Maus (Marcos 11.27-12.12)

Introdução

Meus irmãos, novamente inicio este sermão lembrando a amada igreja de nossa série de pregações no evangelho de Marcos, intitulada "O Rei que Se Tornou Servo".
Nosso texto de hoje, Marcos 11.27-12.12, é um texto paralelo aos que lemos anteriormente e se inicia com uma disputa acirrada que define o contexto: a autoridade de Jesus. A pergunta dos líderes religiosos no verso 28 (“Com que autoridade fazes estas coisas?”) revela a sua incredulidade diante de tudo o que Jesus havia feito.
Jesus responde a eles com uma pergunta sobre a autoridade de João Batista. Se o batismo de João Batista procede do céu, quanto mais a autoridade de Cristo procede do Pai. Assim, a incredulidade dos líderes religiosos era injustificável, sendo eles precedidos por publicanos e meretrizes no reino de Deus (o contexto de autoridade, não a parábola anterior, é o elo nos sinóticos Marcos e Lucas).
É nessa disputa, ainda com estes líderes, que Jesus conta uma parábola que remete a uma figura comumente parabólica entre os judeus: sobre uma vinha (como Isaías 5.1-7 [juízo]; Salmo 80.7-19 [restauração]) que geralmente representa a casa de Israel, o povo de Deus.
Vamos, então, à leitura de Marcos 11.27-12.12.

Exposição: O Abuso do Privilégio e a Rejeição do Herdeiro

O Privilégio e a Ausência do Dono (Mc 12.1)

Jesus conta na parábola a história de um homem, proprietário de terras, que plantou uma vinha, a qual ele desenvolveu todo o espaço para torná-lo produtivo e seguro.
Marcos 12.1 descreve o investimento: ele fez um muro, cavou um lagar e edificou uma torre. Lagares eram espécies de poços escavados na terra e revestidos com pedras. Sua parte superior recebia as uvas, onde eram pisadas e seu suco fluía para um reservatório. A torre, além de local para um possível depósito, ajudava a avistar perigos como ladrões ou animais (ex.: raposas).
Então, o proprietário arrendou a vinha a uns lavradores. A ausência para um país distante (ἀπεδήμησεν) é um elemento retórico que leva a atenção dos ouvintes aos elementos que culminarão naquilo que ele quer expor.
[Revisão do Ponto Teológico:] A ausência do país não é elemento alegórico como se Deus houvesse se ausentado. Jesus apenas está, dentro de sua habilidade retórica, levando a atenção dos ouvintes aos elementos que culminarão naquilo que ele quer expor e ensinar.

A Violência Contra os Servos (Mc 12.2-5)

Logo esses elementos vão brotando, como é o caso agora exposto: aqueles lavradores maus agrediram e mataram os servos coletores.
O texto de Marcos 12.2-5 é direto: eles agrediram e mataram os servos (profetas) que vinham na autoridade de seu patrão para receber os frutos.
Jesus não está preocupado em dizer quais profetas são estes Seus servos, mas em apresentar o ápice da maldade: o proprietário enviou muitos servos, e os lavradores os trataram da mesma forma: com violência e morte. Mesmo enviando mais servos (uma segunda chance?), aqueles lavradores os trataram com desrespeito e violência. Mataram aqueles que vinham na autoridade de seu patrão.

O Clímax: A Rejeição do Filho (Mc 12.6-8)

A maldade atinge seu ponto máximo.
O dono da vinha, por último, enviou seu próprio filho [note "próprio" e "amado" em Mc 12.6 e Lc 20.13], pois era como se ele mesmo estivesse indo ali apanhar os seus rendimentos: "ao meu filho respeitarão".
Mas os lavradores viram a chegada do herdeiro — mui provavelmente viram da torre, observatório de proteção — e premeditaram agir contra o filho do proprietário. Na presença dele viram a possibilidade de se apoderar da sua herança. Não havia preceito legal para isso, claro, mas o que eles queriam era tomar pela morte do herdeiro de direito.
Assim, levaram-no para fora da vinha e o mataram. Maldade e burrice misturados.

O Veredito de Cristo (Mc 12.9-12)

A pergunta de Cristo em Marcos é mais incisiva e retórica, dado o contexto da disputa de autoridade:
Marcos 12.9 não registra o público respondendo, mas afirma o veredito direto de Jesus: "Que fará, pois, o senhor da vinha? Virá, e destruirá os lavradores, e entregará a vinha a outros."
[Revisão do Ponto:] É exatamente essa a resposta de Jesus, que reflete a justiça que o público esperaria a nível humano. O senhor da vinha irá requerer justiça: eles perderão a posição de arrendatários e serão punidos.
Jesus, então, traz a aplicação (Mc 12.10-11).
A mudança do contexto agrícola para o da construção não é despropositada: citando o Salmo 118.22,23, o Filho rejeitado fora posto como a principal pedra angular. Os contextos são unidos pelo tema da rejeição.
A recepção de Jesus em Jerusalém com o Salmo 118.25 [Hosana, Mc 11.9] não fora equivocada; Ele é também Aquele que seria rejeitado. O Filho, morto fora de Jerusalém em vergonha e dor, seria posto como o centro do Reino em Sua ressurreição. Reino este que não mais seria deixado aos auspícios dos líderes religiosos, vazios de piedade, mas seria entregue ao povo em que Deus manifestará os seus frutos.
Assim, a pedra angular é divisora: (a) sobre ela se constrói e se anela toda a construção! E somente sobre ela é possível construir edifício agradável ao Senhor (v. 10). (b) Por causa dela seremos julgados — da forma como a tratamos. (c) E por ela seremos julgados (v. 11). É uma clarificação do Salmo 2.12 e aplicado em Atos 4.11-12.
Por fim, no verso 12, diante da clareza da parábola, os principais sacerdotes e fariseus tentaram agarrá-lo. Ficaram chateados por perceberem que eram os personagens identificados na parábola e, ironicamente, acabaram agindo exatamente como eles de imediato - pelo menos no coração ["conquanto buscassem prendê-lo"].

Aplicações

1) Deus é um Proprietário Gracioso.

Israel era a vinha de Deus. Ele chamou esse povo exclusivamente por graça, não por ser o mais numeroso e nem o mais forte. Foi amor incondicional. Libertou, guiou, sustentou, protegeu e abençoou esse povo. Deus demonstrou Sua imensa graça e Seu incondicional amor por Israel. Da mesma forma, Deus demonstra essa graça conosco, Sua Igreja: éramos indignos e imerecedores do amor e da misericórdia de Deus.
Não deixamos de perceber o amor insistente de Deus. O povo agraciado age com desdém e ingratidão (Paulo usa a figura do remanescente fiel). Deus lhes envia profetas, proclama Seu amor restaurador. Envia não só um, mas vários. Não lhes envia somente servos, mas Seu próprio e amado Filho unigênito. Também rejeitado e morto.
Mas Seu amor não fora ineficaz, pelo contrário. A morte de Seu Filho era também uma oferta pelo pecado. Deus nos amou de tal maneira que nos deu Seu próprio Filho. Pecadores têm um Salvador. Não somente um mensageiro, mas um Salvador. Alguém que nos amou até a morte e levou sobre Si as nossas culpas. O Filho de Deus que formou para Si um só povo que irá, inexoravelmente, frutificar. Sua volta não será temível para estes (v. 44).

2) Precisamos Ser Lavradores-Povo.

Os lavradores se confundem com a vinha quando também são parte do povo — enquanto são cuidadores e desfrutam as bênçãos da aliança, de seus preceitos e de suas promessas.
É interessante que o reino é tirado dos lavradores maus (os líderes religiosos de Israel) e entregue a um povo e não a outros líderes. Somos chamados a sermos povo e lavradores. Não há castas, mas um povo que é sacerdócio real.
Estes lavradores fiéis produzem e entregam os frutos da colheita ao Dono da vinha. Na verdade, Deus nos plantou para gerarmos frutos (1Pe 2.4-8).
Porém, os lavradores maus são os usurpadores e ladrões; e não terão, portanto, a vinha consigo ou farão parte dela. Eles estão na vinha somente para se beneficiar dela e não são fiéis ao Dono da vinha — não lhe dão os frutos.
Quem são hoje os que não se importam com o Dono da vinha? São aqueles que não se importam com a Sua Igreja (Sua vinha) — nem com a Bíblia, nem com as orações, nem com a comunhão dos santos, nem com o serviço. Esse desinteresse gera uma vida infrutífera [e não o contrário]. Uma vida que não desenvolve frutos para Deus. Essa vida infrutífera, ao fim, levará o lavrador à rejeição pelo Dono da vinha.

3) Precisamos Frutificar Santidade.

Por causa de seus pecados e idolatria, a nação de Israel, muitas vezes, não frutificava santidade, mas uvas bravas e estragadas. O fracasso dos lavradores infiéis é a rejeição impiedosa da autoridade de Deus (que não se restringem aos sacerdotes - e é a nossa condição natural - Rm 3.23).
São todos aqueles que, ao lhes serem enviados profetas, os recebiam com injúria, escárnio, descrença e violência (1Rs 18.4; Jr 20.1,2). Quando o próprio Cristo lhes foi enviado, foi rejeitado e assassinado (nós também o mataríamos).
Assim, precisamos sempre viver o caminho da santificação e esse caminho sempre é o de desfrutar e aceitar o fundamento do Reino: Jesus Cristo. Não é uma lista de tarefas, mas amor a Ele. O amor de Cristo nos constrange.

4) O Pecado é Burrice.

A atitude dos lavradores maus é a síntese da maldade e da burrice. Eles montam emboscadas para os servos e para o próprio Filho, esquecendo que Sua cólera se acenderia e eles perderiam tudo o que possuíam.
Matar o Filho não os torna herdeiros de nada! Eles agem movidos pela maldade, mas toda maldade, por fim, é burra, por não enxergar o fim trágico que lhe sobrevirá. Veja os líderes religiosos: movidos por temor dos homens e movidos por emboscadas retóricas (por isso, Cristo não os responde).
Os líderes religiosos são advertidos sobre serem eles os assassinos dos profetas e, logo, do próprio Filho — com isso, deflagrando a situação que O levará à morte.

6) Deus Não Perde Sem Você.

Em toda essa narrativa, somos advertidos sobre a seriedade do nosso serviço.
Veja que os lavradores maus rejeitaram o Filho, pois não tinham uma relação de lealdade com o Dono da vinha.
Lembre-se de que você não é fundamental para a Igreja (a vinha). Seu serviço embeleza a noiva, mas se você não agir, Deus lhe tirará a vinha e dará a outro. Deus não sai perdendo sem você. Uma vida infrutífera levará o lavrador à rejeição pelo Dono da vinha.
SDG
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