Pertencer para Glorificar

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Romans 15:5–6 NVI
5 O Deus que concede perseverança e ânimo dê-lhes um espírito de unidade, segundo Cristo Jesus, 6 para que com um só coração e uma só voz vocês glorifiquem ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO

Estamos concluindo a série “Pertencer”. Vimos que membresia bíblica não é status, é vocação; não é cartão de entrada, é identidade e missão; não é apenas estar na igreja, mas ser igreja.
Romanos 15:5–6 nos mostra por que pertencemos:
“para que, unânimes e a uma só voz, glorifiquemos ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.”
O texto conjuga pertencimento com glorificação. Deus cria um povo que pertence uns aos outros para que revele Sua glória juntos. A membresia não é clubismo — é adoração.

I. O PROBLEMA DO CORAÇÃO

“Que o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo modo de pensar uns com os outros…” (v.5)

1. Nosso coração produz divisão, não unidade

Paulo escreve Romanos 14–15 porque a igreja estava dividida: fortes x fracos, judeus x gentios, tradições x liberdade, costumes x consciência.
O problema não era teológico, era do coração:
tendências ao orgulho (“meu jeito é o certo”),
julgamento precipitado (“ele não é tão espiritual”),
busca pelo próprio conforto,
resistência em sacrificar preferências pelo irmão.
A raiz? Pertencemos a nós mesmos, não a Cristo.

2. O coração natural resiste ao “pertencer”

Membresia bíblica exige:
submissão mútua,
prestação de contas,
servir e ser servido,
carregar fardos alheios,
abrir mão de direitos.
Mas nosso coração prefere independência. Quer consumir a igreja, não integrar-se a ela.

3. Falhamos em glorificar porque falhamos em pertencer

Paulo afirma que unidade gera louvor. Se a igreja perde unidade, perde voz; se perde voz, perde testemunho.
O problema do coração é este: Queremos glória própria, não a glória de Deus. Por isso a membresia bíblica parece pesada — ela confronta nosso orgulho.
Paulo escreve Romanos 15 para uma igreja real, com conflitos reais, tensões reais. A igreja de Roma estava dividida — não por heresia, mas por preferências, opiniões, tradições, estilos de vida.
O problema do coração humano é recorrente:
confundimos unidade com uniformidade;
trocamos a glória de Deus pela nossa própria agenda;
buscamos o que “nos agrada” em vez de acolher uns aos outros (Rm 15.1–2).
A crise é simples e profunda: 📌 O coração quer pertencer… mas desde que todos se pareçam comigo.
Isso destrói a comunidade e apaga a glória de Deus.
Quando a igreja vira:
um clube de afinidades,
um shopping espiritual,
ou uma bolha de confortos pessoais,
a glória de Deus é roubada e substituída pelo culto ao nosso próprio eu.
O problema final da série é o mesmo de toda a humanidade: 👉 Queremos pertencer… mas no centro da história queremos estar nós mesmos.

II. A RESPOSTA DO EVANGELHO

“… segundo Cristo Jesus…” (v.5b)
ele está nos mostrando que a única resposta verdadeira ao problema do nosso coração é o evangelho de Cristo.
O apóstolo sabe que o nosso coração natural produz divisão, orgulho, disputa e isolamento. Por isso ele não manda simplesmente “tenham unidade”, mas ora para que Deus conceda essa unidade. Ou seja, a unidade não nasce da força humana; ela nasce da graça. Não é produzida pela personalidade, nem por afinidade, nem por maturidade natural. Ela nasce do Deus que concede, do Cristo que é o modelo e do Espírito que opera em nós.
A expressão grega usada por Paulo é profunda: “τὸ αὐτὸ φρονεῖν”, literalmente: “ter a mesma disposição, a mesma mente, o mesmo modo de pensar”. Não é todo mundo ter a mesma opinião sobre tudo, mas todos terem a mesma atitude interior, a mesma postura de coração. É uma unidade de alma, não de gostos. Uma unidade de caráter, não de preferências. É a unidade que nasce quando cada crente se submete a Cristo e decide amar como Cristo amou.
Por isso Paulo acrescenta a frase decisiva: “κατὰ Χριστόν Ἰησοῦ”“segundo Cristo Jesus”. Aqui está a chave. A igreja não se molda segundo cultura, tradição, conveniência ou personalidade. A igreja é moldada segundo Cristo. Cristo é o modelo da unidade e Cristo é o fundamento da unidade.

1. Cristo é o padrão da comunidade

“Segundo Cristo Jesus” (κατὰ Χριστόν Ἰησοῦ) significa:
pensar como Ele,
relacionar-se como Ele,
servir como Ele,
renunciar como Ele,
amar como Ele.
Filipenses 2 ecoa isso: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”
A membresia bíblica é cristocêntrica — não tem moldes humanos, mas o molde do Crucificado.

2. Cristo é o fundamento da comunidade

Ele quebrou o maior muro: judeus e gentios foram feitos “um só corpo” (Ef 2:14–18).
Se Ele uniu o que era humanamente impossível, Ele pode unir pessoas diferentes dentro de uma igreja local.

3. Cristo é o poder da comunidade

Paulo usa o optativo “que Deus vos conceda” (δῷ) — a unidade vem de Deus, não apenas de esforço humano.
O evangelho não apenas exige unidade, Ele cria unidade — pelo Espírito que nos incorpora no corpo de Cristo.
Portanto: Se pertencemos a Cristo, pertencemos uns aos outros. Esta é a resposta do evangelho ao problema do coração.
É importante perceber que Paulo não está simplesmente apresentando Jesus como um exemplo moral. Ele está mostrando Jesus como o ambiente espiritual no qual a igreja vive. É “em Cristo” que encontramos a mente de Cristo. É “em Cristo” que somos unidos. É “em Cristo” que aprendemos a pertencer uns aos outros. A unidade não é apenas algo que imitamos; é algo no qual somos inseridos.
Mas Paulo faz mais. Ele não apenas diz qual é o modelo — ele mostra quem torna isso possível. É por isso que ele ora: “Que o Deus da paciência e da consolação vos conceda…”
Unidade é dom. Compreensão é dom. Coração quebrantado é dom. Renúncia de si mesmo é dom. Capacidade de amar quem pensa diferente é dom. E esse dom é concedido pelo Deus que dá paciência para suportar e que derrama consolo para fortalecer.
Unidade não é fruto da carne — é fruto do Espírito.
É assim que o evangelho responde ao nosso coração dividido: Ele nos dá um novo modelo: Cristo. Ele nos dá um novo poder: a graça que concede. Ele nos dá uma nova forma de pensar: a mente de Cristo formada em nós. Ele nos dá um novo modo de pertencer: pertencemos “segundo Cristo”.
Por isso a membresia bíblica não é apenas uma estrutura organizacional; ela é um caminho espiritual de conformação ao Cristo. Pertencer à igreja é assumir a responsabilidade de deixar Cristo moldar meu coração para que eu possa contribuir com a unidade, e não destruí-la; com o amor, e não com o julgamento; com o acolhimento, e não com a exclusão.
Em outras palavras: A resposta do evangelho ao nosso coração dividido não é uma técnica, é uma pessoa: Jesus Cristo. E a resposta do evangelho não é um esforço isolado, é uma graça concedida por Deus.
Se a nossa unidade dependesse apenas de nós, fracassaríamos. Mas, porque ela depende de Cristo, ela pode ser real, profunda e duradoura.
Assim, o evangelho nos chama a olhar para Cristo, depender de Cristo, e permitir que a mente de Cristo se manifeste em nossos relacionamentos — para que, como Paulo diz no versículo seguinte, possamos glorificar a Deus com uma só voz.

III. A VIDA TRANSFORMADA

“…para que, unânimes e a uma só voz, glorifiqueis a Deus…” (Romanos 15:6)
Paulo não termina a sua petição com um ideal abstrato. Ele descreve o fruto visível — uma vida comunitária transformada — e nos dá três aspectos inseparáveis dessa vida: unidade de mente, unidade de afeto, unidade de adoração. Cada um desses aspectos é parte de uma só metamorfose espiritual: o evangelho forma um povo que age, sente e canta como Cristo. Vou desenvolver cada aspecto e mostrar o que isso significa na prática para a membresia bíblica.

1) Unidade de mente — tò autó phroneîn

Paulo usa uma expressão que é curta e poderosa: “ter a mesma mente”. Não se trata de forçar unanimidade intelectual sobre tudo; trata-se de que a disposição que orienta nossas escolhas seja a mesma — uma disposição conformada à mente de Cristo (cf. Filipenses 2:5). Em termos práticos, isso produz atitudes concretas:
Discordar sem romper comunhão. Uma igreja madura aprende a conviver com tensões teológicas e preferências litúrgicas sem permitir que diferenças se transformem em facções. Paulo quer que nossas discussões sejam manejadas de modo que ninguém seja “colocado fora do jogo” por causa de opiniões secundárias. Essa é uma habilidade espiritual — fruto do Espírito — que diz respeito à humildade e ao autocontrole.
Acolher o fraco como irmão, não como objeto de correção. A mente cristã vê o irmão antes de ver o problema; vê o bem a preservar antes da diferença a corrigir. Em Romanos 14–15 Paulo repetidamente faz esse apelo: os “fortes” devem renunciar a privilégios pelo bem do fraco, e os fracos devem ser fortalecidos. Essa reciprocidade é a evidência de que a mente de Cristo está presente.
Evitar escândalos e exercer prudência nas liberdades. A mente que pensa segundo Cristo não se gloria na sua liberdade se ela leva outros à queda. Assim, escolher o que é libertador para si pode não ser amor para o outro — e o amor orienta a escolha. Isso é formação ética, não mera diplomacia.
Renunciar preferências por amor. Membros cristãos não tratam suas opiniões como bens inalienáveis; tratam-nas como instrumentos a serviço da comunhão. Tal renúncia não é perda de identidade, mas exercício da identidade maior: eu pertenço a Cristo e, por isso, pertenço ao povo dele.
Esses comportamentos não são apenas “boas práticas”; são sinais de que a mente de Cristo está moldando a vontade do indivíduo e, por consequência, o corpo da igreja. Quando isso acontece, vemos menos litigância e mais cuidado; menos autopromoção e mais humildade sacrificial.

2) Unidade de afeto — ὁμοφώνως (“uma só voz” no sentido de um só som interior)

Paulo usa uma imagem sonora: ὁμοφώνως — com um só som. O apelo dele não é apenas para pensar parecido, mas para sentir junto. Afeto é a gramática das relações humanas; se a mente regula as escolhas, o afeto regula a comunhão.
Empatia como disciplina espiritual. A empatia cristã não nasce automaticamente; é cultivada por práticas: ouvir relatos, visitar na doença, chorar com os que choram, celebrar com os que se alegram. Essas práticas formam um repertório afetivo cristão em que a dor e a alegria do outro tocam o meu coração como se fossem minhas. Essa é a família em ação — e não um clube transacional.
Cuidado pastoral mútuo. Membros assumem responsabilidade uns pelos outros: orar juntos, aconselhar-se, responsabilizar-se piedosamente. A pastoral não é função apenas do pastor; é um tecido que os membros entrelaçam na vida diária. Quando a igreja caminha assim, ninguém passa por provações isolado — a presença do corpo é presença sacramental do cuidado de Cristo.
Celebração e lamento compartilhados. Uma comunidade cristã autêntica chora junto nas perdas e canta junto nas vitórias. O culto é apenas o ponto culminante de uma rede de emoções partilhadas ao longo da semana: batismos, funerais, visitas hospitalares, refeições partilhadas, votos e confissões. Esses pequenos atos forjam afetos comuns que depois emergem na adoração pública.
Somos família, não consumidores. A mentalidade do consumidor — “a igreja existe para me servir” — destrói a empatia e transforma irmãos em clientes. Pertencer biblicamente implica deslocar o “eu” para o “nós”: cada membro reconhece que sua presença, seu tempo e sua generosidade são bens para a família. Este é amor prático, encarnado e contínuo.
A unidade de afeto é, portanto, treinamento democrático e espiritual do coração: ensinamos nossos afetos a se sincronizarem pelo evangelho. Quando isto acontece, a igreja ressoa não só intelectualmente, mas emocionalmente, e essa semelhança de ritmo dá estabilidade à comunhão.

3) Unidade de adoração — “com uma só boca glorificar ao Pai”

Paulo culmina: tudo isso tem uma finalidade litúrgica. A vida transformada da qual ele fala não se esgota em ética; ela desabrocha em adoração pública. A unidade que Deus deseja produzir em nós encontra seu ápice no culto — a igreja, reunida, dirige a Deus louvor uno e corporativo.
Relações que se tornam liturgia. Quando irmãos se perdoam, quando repartem, quando cuidam, estão já praticando uma forma de culto — uma liturgia encarnada. A mesa do alimento, a cama de visita ao doente, a carta de encorajamento: em todas essas ações, a igreja manifesta adoração prática. O culto formal é a cristalização ritual dessa vida.
Comunhão que vira testemunho. Uma igreja que ama e cuida junta comunica ao mundo que seu Senhor é poderoso para reconciliar e unir. Em um mundo fragmentado, a “uma só voz” da igreja ressoa como antítese do caos e aponta para o Deus que faz todas as coisas novas. A finalidade missionária da unidade é explícita em Romanos 15: os atos de reconciliação e adoração atraem as nações ao louvor de Deus.
Dimensão sacramental. O batismo e a ceia são marcos essenciais desta vida transformada: no batismo, somos incorporados a Cristo e ao corpo; na Ceia, reconhecemos o sacrifício que nos constituiu como família. Celebrações sacramentais são, portanto, ocasiões privilegiadas em que a “uma só voz” deve emergir com clareza e poder — não como unanimidade forçada, mas como fruto da graça que já nos moldou.
A adoração como critério de pastoralidade. Se nossas celebrações não produzem transformação relacional — se o louvor não leva à reconciliação e à caridade — então algo está errado. O culto deve formar a comunhão, e a comunhão deve transbordar em culto.
O PONTO ALTO - GLORIFICAR
A palavra que Paulo usa em Romanos 15:6 para “glorificar” é o verbo grego δοξάζω (doxázō). No Novo Testamento ele significa atribuir glória, reconhecer o valor, honrar, exaltar publicamente, dar peso, declarar e tornar visível a grandeza de Deus. A ideia vem do hebraico kavôd, “peso”, indicando atribuir a Deus o valor real que Ele possui.
No texto, o verbo aparece no subjuntivo presente (δοξάζητε), introduzido por ἵνα — o que indica finalidade contínua: Deus une a igreja para que ela viva em constante adoração. E, como Paulo acrescenta “com uma só voz”, vemos que glorificar aqui é um ato público, vocal e comunitário — não apenas individual ou interno. É o ato coletivo de proclamar a glória de Deus como um só corpo.
Portanto, glorificar não é apenas cantar; é:
uma resposta à obra de Cristo,
a expressão visível da unidade do corpo,
o testemunho que o mundo enxerga,
e o fruto da reconciliação entre irmãos.
Glorificar é o fruto visível da obra do evangelho na comunidade.
Glorificar não é apenas cantar sobre Deus; é tornar Deus visível através de uma igreja unida, reconciliada e moldada pela mente de Cristo.

IV. CHAMADO À FÉ E OBEDIÊNCIA

A membresia bíblica sempre exige uma resposta. Romanos 15:5–6 não é apenas teologia; é convocação. Não é apenas explicação; é decisão. A unidade que Paulo descreve não é uma ideia para admirarmos, mas um caminho para trilharmos. E esse caminho começa no coração.
Neste ponto final da série, o Espírito Santo nos chama a quatro movimentos inseparáveis de resposta: fé, arrependimento, obediência e missão.

1. FÉ — Confie que Cristo pode unir o que você nunca conseguiu resolver sozinho

Antes de qualquer ação, Paulo pede fé:
“Que o Deus da perseverança e da consolação vos conceda…”
Ouça isso com atenção: não somos nós quem produzimos unidade — é Deus quem concede.
Isso significa que:
Você pode ter feridas antigas…
Você pode não saber como perdoar alguém…
Você pode sentir que certos relacionamentos estão irreparáveis…
Você pode olhar para as diferenças da igreja e pensar: “Isso nunca vai dar certo.”
Mas Deus está dizendo: “Eu sou o Deus da perseverança. Eu sou o Deus do consolo. Eu posso unir o que vocês não conseguem. Eu posso curar o que vocês não sabem curar. Eu posso fazer de vocês um só povo.”
Fé é crer nisso. É crer que Cristo não apenas salva indivíduos, mas reconcilia pessoas. É crer que Ele não apenas restaura o seu coração, mas a sua comunidade. É crer que Ele está agora mesmo operando em você e entre vocês.
Você está disposto a crer que a mente de Cristo é possível aqui, entre nós?

2. ARREPENDIMENTO — Abandone o individualismo espiritual

A primeira coisa que precisa morrer para a unidade nascer é o eu isolado. O individualismo diz:
“Eu faço do meu jeito.”
“Eu não preciso de ninguém.”
“Eu participo quando quero.”
“Eu recebo, mas não me comprometo.”
“Eu escolho o que me agrada.”
Esse modo de viver é incompatível com o evangelho. É uma negação prática de que pertencemos uns aos outros.
É por isso que Paulo está nos chamando a um arrependimento profundo, um reconhecimento de que muitas vezes nosso maior inimigo da unidade não é o outro — somos nós mesmos.
Aqui estão três perguntas espirituais para examinar o coração diante de Deus:
Eu tenho buscado meus confortos acima da edificação do corpo?
Eu tenho acolhido os diferentes ou evitado os diferentes?
Minha vida facilita ou dificulta a unidade da igreja?
Se o Espírito te incomoda ao ouvir isso, não endureça o coração. Arrependimento não é condenação — é libertação. É o Espírito quebrando aquilo que nos impede de pertencer de verdade.

3. OBEDIÊNCIA — Comprometa-se novamente com o corpo de Cristo

Se fé é confiar, e arrependimento é renunciar, obediência é entregar-se.
O evangelho sempre exige passos concretos. Não existe unidade sem prática. Não existe pertencimento sem compromisso. Não existe membresia bíblica sem ação.
Pertencer é verbo. Pertencer é movimento. Pertencer é decisão.
Obedecer significa:
Assumir responsabilidades: “Eu não sou só espectador, eu sou parte.”
Caminhar sob cuidado pastoral: “Eu permito ser guiado, corrigido e edificado.”
Servir com seus dons: “A minha vida é útil para o corpo; eu não enterro o que Deus me deu.”
Reconciliar-se com quem precisa: “Eu não fico vivendo de distâncias, eu procuro a paz.”
Ser presença constante e fiel: “Minha constância é parte da saúde do corpo.”
E aqui vai uma verdade desconfortável, mas libertadora: não existe maturidade espiritual sem constância comunitária.
A obediência não é perfeição — é perseverança. É levantar a mão diante de Deus e dizer: "Eu estou dentro. Eu pertenço. Eu assumo esse povo como meu povo, esse corpo como meu corpo, essa missão como minha missão."

4. MISSÃO — Glorificar a Deus juntos

Paulo fecha esse trecho com propósito final:
“…para que, unânimes e a uma só voz, glorifiqueis a Deus…”
Aqui está o ponto: A unidade não é apenas para nossa harmonia interna. Ela é para a glória de Deus no mundo.
O mundo não escuta a igreja quando ela está dividida. Uma igreja dividida fala baixo. Uma igreja dividida fala ruído, não fala evangelho. Uma igreja dividida canta desafinada — e o mundo não reconhece Cristo no seu som.
Mas quando a igreja se ama, se perdoa, se acolhe, se compromete, se sacrifica, caminha junto, ora junto e serve junto, então:
o evangelho ganha volume,
a glória de Deus ressoa,
a unidade se torna missão,
a comunhão se torna testemunho,
a adoração se torna anúncio.
O mundo não precisa ver uma igreja perfeita. O mundo precisa ver uma igreja reconciliada. Uma igreja que canta com uma só voz. Uma igreja que se importa. Uma igreja que pertence. Uma igreja que glorifica.
Glorificar não é apenas cantar sobre Deus; é tornar Deus visível através de uma igreja unida, reconciliada e moldada pela mente de Cristo.

CONCLUSÃO

Desde o início desta série, nós afirmamos que membresia bíblica não é um registro, é uma vocação; não é um lugar que você frequenta, mas um povo ao qual você pertence; não é um benefício, é uma identidade e uma missão. E Romanos 15:5–6 coroou essa jornada ao nos mostrar o porquê de tudo isso: pertencemos para glorificar.
Paulo nos mostrou, primeiro, o problema do coração — um coração que se volta para si, que busca seus confortos, que se protege da entrega, que prefere opiniões à comunhão. Um coração que, por natureza, divide em vez de unir. Depois, ele nos levou à resposta do evangelho — Cristo, o único capaz de conceder a mente que não temos, a disposição que não possuímos, a renúncia que não sabemos viver. Cristo é o padrão, o fundamento e o poder da unidade. Ele nos une porque Ele mesmo nos tomou para Si. Então, vimos a vida transformada que essa obra produz: uma comunidade que pensa junta, sente junta e adora junta. Uma igreja onde mente, afeto e voz são afinados pelo Espírito para que o louvor seja uníssono e a comunhão seja verdadeira. Por fim, ouvimos o chamado à fé e obediência — crer que Deus pode unir o que nós não conseguimos; arrepender-se do individualismo que nos separa; obedecer assumindo compromissos concretos com o corpo; e entrar na missão de glorificar a Deus como um só povo, uma só família, uma só voz.
E agora, ao encerrar esta série, tudo se une em uma única verdade: A razão pela qual pertencemos uns aos outros é para que juntos glorifiquemos a Deus.
O evangelho cria um povo:
que pensa segundo Cristo,
que ama segundo Cristo,
que serve segundo Cristo,
que perdoa segundo Cristo,
que carrega o fardo segundo Cristo,
que abençoa segundo Cristo,
que chora, celebra e espera segundo Cristo,
que canta, vive e testemunha com uma só voz para a glória do Pai.
Quando a igreja vive assim, algo poderoso acontece: o mundo vê Cristo. O evangelho ganha volume. A glória de Deus se torna audível. A unidade se torna adoração. A comunhão se torna missão.
Por isso, a frase que sustenta toda esta série continua ecoando como nosso chamado final:

**Pertencer não é só estar.

Pertencer é viver Cristo para que Cristo seja visto.**
Que esta não seja apenas a conclusão de uma série, mas o início de uma nova forma de viver como igreja. Que cada membro, cada família, cada relacionamento, cada grupo, cada ministério, cada culto — tudo em nós — seja expressão visível da mente, do afeto e da voz de Cristo.
E assim, com Paulo, nós oramos:

Que o Deus da perseverança e da consolação

nos conceda ser essa comunidade. Uma comunidade que pertence. Uma comunidade que glorifica. Uma comunidade que canta, com uma só voz: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Amém.

Apocalipse 7.9–12 (NVI) 9 Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas. 10 E clamavam em alta voz: “A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro”. 11 Todos os anjos estavam em pé ao redor do trono, dos anciãos e dos quatro seres viventes. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus, 12 dizendo: “Amém! Louvor e glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força sejam ao nosso Deus para todo o sempre. Amém!”

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