O perfume da generosidade - Filipenses 4.10-23

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Leitura bíblica

10 Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade.
11 Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.
12 Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez;
13 tudo posso naquele que me fortalece.
14 Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação.
15 E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros;
16 porque até para Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para as minhas necessidades.
17 Não que eu procure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumente o vosso crédito.
18 Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus.
19 E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.
20 Ora, a nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!
21 Saudai cada um dos santos em Cristo Jesus. Os irmãos que se acham comigo vos saúdam.
22 Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César.
23 A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito.

INTRODUÇÃO

Quando alguém passa por nós, sempre deixa algo para trás que as pessoas vão notar.
Às vezes é um perfume tão bom, tão agradável, tão marcante, que parece iluminar o ambiente.
Mas outras vezes… não é bem assim. É um cheiro pesado, incômodo, um cheiro ruim que denuncia descuido, desatenção — aquele tipo de presença que faz todo mundo torcer o nariz.
Perfume é presença.
Perfume é marca.
Perfume é evidência de quem esteve ali.
E isso é tão real que, mesmo sem ver a pessoa, basta sentir o aroma que a gente percebe que tem alguém passando pela gente.
E o apóstolo Paulo usa essa ideia do perfume, a ideia do “cheiro suave”, no versículo 18, para firmar que nós vamos sempre deixar uma marca por onde passamos, seja boa ou seja má, todos nós deixaremos marcas.
Então a pergunta inevitável é: Que cheiro a nossa vida deixa quando passamos?
Porque espiritualmente também é assim.
Cada um de nós exala algo: ou o aroma suave de um coração satisfeito em Cristo, ou o odor amargo de uma alma inquieta, carente, murmuradora, agarrada às circunstâncias.
O perfume revela onde repousa o nosso coração.
E hoje, chegando ao final da carta aos Filipenses, descobrimos que a vida cristã, a vida real, a vida transformada pelo evangelho, tem cheiro.
Tem o perfume do contentamento, que nasce de confiar em Cristo em qualquer situação o que transborda em alegria e contentamento e influencia todas as pessoas ao nosso redor.
Tem o aroma do sacrifício, que sobe a Deus como oferta agradável.
E tem a fragrância da graça, que segue conosco até a última palavra da carta.
Aqui está o ponto central desta passagem e o ponto central desta mensagem:
A generosidade cristã é fruto de um coração satisfeito em Cristo e sustentado pela promessa de que Deus suprirá abundantemente toda verdadeira necessidade para a glória do seu nome.
O que Paulo diz aos filipenses é que onde há contentamento, há perfume.
Onde há sacrifício, há perfume.
Onde há graça, há perfume.
E esse aroma não nasce do nada nasce das atitudes do coração que é generoso.
A questão que precisamos enfrentar hoje é simples e profunda:
Qual é o perfume que nossa vida espiritual tem espalhado?
O cheiro do evangelho… ou o cheiro das circunstâncias?
É com essa pergunta que vamos mergulhar no texto de hoje.

1. Contentamento: O Coração que Descansa (vv10-13)

Vamos ler novamente os versos 10 a 13:
“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham oportunidade para demonstrá-lo. Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece”.
Esse parágrafo termina com uma das frases mais mal aplicadas que nós vemos no meio evangélico. Aliás, apenas no meio evangélico não. Até para-choque de caminhão, outdoor de propaganda, todo mundo quer usar o famoso: “Tudo posso naquele que me fortalece!”
Será que dá para usar essa frase isolada? Claro que não. Fora do contexto, ela vira um amuleto de empoderamento humano; dentro do contexto, ela revela a dependência humilde de um homem que aprendeu a descansar o coração em Deus.
Paulo está abrindo esse trecho para demonstrar o contentamento de quem sabe viver com muito ou com pouco, de quem entrega o controle ao Senhor, de quem entende que a providência de Deus é maior que a oscilação das circunstâncias da vida.
E é exatamente essa confiança madura, humilde e profundamente cristocêntrica que ele expõe nos versículos seguintes e que precisamos aprender hoje.
Há momentos em que Deus nos coloca em circunstâncias que expõem quem realmente governa o nosso coração. Paulo sabia disso. Preso, sem garantias, recebeu cuidado dos filipenses e, ainda assim, regozijou-se.
Sua alegria é no Senhor, não nas coisas materiais que recebeu. Ele mesmo diz (v.10): “Alegrei-me sobremaneira no Senhor”, alegria que vê a providência por trás do gesto humano.
A obra missionária precisa de parceria. E Paulo testemunha essa parceria sem fazer da oferta o centro: ele a celebra como sinal do cuidado divino que operou por meio daqueles irmãos. Ele é grato porque a oferta revela a presença de Deus, mas o contentamento vai além, ele revela o coração de quem sabe que é o Senhor que sustenta.
Paulo evita qualquer sombra de ironia ou constrangimento; sua alegria não está no dinheiro, mas no amor renovado dos filipenses. Ele demonstra que vive acima das circunstâncias, não por autossuficiência, mas por depender em Cristo que é o sustentador de todas as coisas.
O contentamento do apóstolo é fruto da confiança em Deus. Olha para a declaração dele: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer circunstância.” Note a palavra aprendi, não é um estado automático; é fruto de treinamento espiritual, forjado nas provas, experimentado, resultado de quem lutou para conseguir fazer isso.
Paulo entendeu o segredo do contentamento, um mistério revelado aos que temem a Deus. Mas qual é esse segredo? O versículo-chave responde: “Tudo posso naquele que (literalmente) me infunde força.” isto é, gera essa força no meu coração para passar por todas as circunstâncias, tanto boas quanto ruins, com contentamento não nelas, mas no Senhor.
Atentem irmãos, que “tudo” não é autonomia egoísta. Paulo quer dizer: posso enfrentar tudo o que pertence à vocação que Deus me deu, por meio de Cristo. Não é onipotência pessoal; é dependência poderosa de Deus.
O caminho prático desse contentamento é a cooperação da igreja, o sustento sistemático, o consolo nas tribulações; tudo isso formou o ambiente no qual Paulo aprendeu a viver satisfeito.
Ele observa que os filipenses deram “não das sobras que tinham, mas apesar das necessidades deles, eles foram generosos” — gesto que revela um coração conformado com a graça e com a provisão de Deus.
Essa generosidade não criou o contentamento de Paulo; antes, foi expressão visível de uma suficiência espiritual que ele já possuía, mas serviu para reafirmá-la e para demonstrar como o povo de Deus vive quando Cristo é o seu tesouro.
Veja o que outros servos de Deus já disseram nessas circunstâncias:
Davi, no Salmo 23, declara que: “O Senhor é meu pastor; nada me faltará”, isso é confiança que sustém o servo de Deus na escassez.
O profeta Habacuque 3.17–18 diz que: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” Isso é alegria de quem não depende do cenário.
Jesus ensina em Mateus 6.25–34: Jesus ensina que não devemos preocupar-nos com nada, porque o Pai conhece nossas necessidades. Veja o que Jesus nos disse nesse texto: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”
A diferença entre o contentamento cristão e o contentamento do mundo é decisiva: o mundo espera circunstâncias melhores; a fé descansa porque Cristo é suficiente, mesmo quando tudo ao redor estiver desmoronando.
Meus irmãos, examine onde você está descansando o seu coração.
Quando as contas apertam, em quem você confia primeiro no Banco, no emprego, ou em Cristo? O teste do contentamento aparece é justamente na adversidade.
Aprenda pelo exercício. Paulo “aprendeu”. Não espere que amadurecimento chegue na sua vida caindo do céu como se fosse chuva. Busque disciplina de oração, leitura bíblica, pratique a gratidão e a experiência da dependência no Senhor.
Valorize a parceria da igreja, invista no discipulado.
A obra missionária precisa de parceria. Ser igreja implica sustentar e ser sustentado de todas as formas: financeiramente, espiritualmente e em oração. O contentamento pessoal se expressa em compromisso comunitário. Em um corpo, quando um membro sofre, todos os outros sofrem juntos e se mobilizam para amenizar o sofrimento do outro.
Rejeite o cristianismo de consumidor.
Se sua fé é medida pela sensação de conforto, você ainda não aprendeu o segredo. O discípulo aprende a dizer: “Seja feita a vontade do Pai”, mesmo no aperto.
Pratique o dar como disciplina espiritual.
Dar é escola de desapego. Quando ofertamos “não das sobras, mas apesar das necessidades”, o coração é treinado a confiar que o recurso não é nosso, Ele vem de Deus!
Paulo não promete ausência de prova; promete fortaleza em Cristo. O convite é simples e exigente: aprenda o segredo do contentamento. Que nós sejamos, que nossa igreja seja conhecida por corações que descansam e que, por isso, deixam um perfume de graça por onde passam.

2. Sacrifício: A Oferta que Sobe ao Céu (vv 14-19)

Vamos ler novamente os versos 14 a 19? Acompanhe na sua Bíblia:
“14 Apesar disso, vocês fizeram bem em participar de minhas tribulações. 15 Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês; 16 pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. 17 Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês. 18 Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus. 19 O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus.
Paulo abre o coração aos filipenses para mostrar que o contentamento é a base do verdadeiro sacrifício cristão.
Veja bem que não é uma barganha com Deus. A generosidade na doação, nas ofertas, não é para receber algo em troca. Não é para trocar com Deus. É resultado do contentamento no coração de alguém que sabe que tudo o que tem é graça, é dado por Deus por isso não faz questão de compartilhar. Mas o sacrifício verdadeiro vem do contentamento de um coração grato, por isso é generoso.
Precisamos lembrar que Paulo não estava preso ao ter, mas ao Ser, preso em Cristo, por causa do seu amor ao Evangelho, ele aprendeu a viver contente “em toda e qualquer situação”. Tanto nos momentos ruins, quanto nos momentos bons. Tanto no momento em que tinha de tudo, quanto nos momentos em que não tinha nada.
O apóstolo não escreve como mendigo pedindo esmola, mas como homem satisfeito em Deus. E é justamente essa satisfação que transforma cada oferta em culto, em aroma suave ao Senhor.
Paulo não se alegra primariamente pelo dinheiro recebido, mas pelo “fruto que aumenta para a conta” deles. É como se dissesse: “O maior beneficiado não sou eu; são vocês, porque Deus está vendo.” A generosidade dos filipenses se torna “crédito espiritual” diante de Deus, uma linguagem contábil que Paulo usa pastoralmente, não para manipular, mas para mostrar que dar é investir na eternidade.
Quando os filipenses sustentam Paulo, não estão apenas ajudando um missionário; estão oferecendo um sacrifício ao próprio Deus. Ele afirma que a oferta torna-se “um aroma suave” diante do Senhor, ecoando a linguagem sacrificial do AT, de Lv 1.9; 2.2, quando o sacerdote queimava a oferta sobre o altar e Deus recebia como cheiro suave, como oferta agradável. Dar deixa de ser uma ação humana para querer algo de volta e torna-se uma adoração para Deus.
Por isso Paulo afirma: “Recebi tudo, e tenho abundância”, no (v.18). A soma era modesta, mas a abundância era espiritual. A oferta simples, enviada pelas mãos de Epafrodito, tornou-se oferta suave ao Senhor, como a fumaça da oferta queimada no altar, no AT. E Deus recebeu a oferta antes de Paulo.
E aqui está o ponto que nos confronta: que tipo de oferta temos levado ao altar de Deus? Porque generosidade que barganha não sobe como aroma, mas cai aos pés do ofertante.
Deus não recebe esmola travestida de devoção, nem dádiva calculada como investimento de retorno rápido. O Senhor se agrada da entrega que nasce do contentamento em Cristo, da mão que dá porque o coração já foi entregue e não está preso aqui na terra, não é materialista, mas é generoso.
Antes de olhar para a promessa do v.19, que também é um texto muito distorcido pelas pessoas por aí, “o meu Deus suprirá todas as suas necessidades”, precisamos perguntar: Deus está tendo prazer no aroma daquilo que estamos oferecendo? Ou os meus donativos não estão chegando até ele porque estão caindo de volta a nossos pés?
Então, depois de ser generosos, depois que as ofertas foram recebidas como aroma suave ao Senhor, só para quem fez isso primeiro que vai receber a benção do apóstolo, derramada no verso 19: “O meu Deus suprirá cada uma das vossas necessidades em glória por Cristo Jesus”.
Observe: “meu Deus”, é como se Paulo dissesse: “Aquele que nunca me deixou faltar nada também não deixará faltar nada a vocês.” Veja bem, Deus não promete luxo, mas suprimento; não promete tudo o que queremos, mas tudo o que precisamos.
Quem semeia no campo de Deus nunca colhe prejuízo, sempre colherá a medida certa para ter as necessidades fundamentais da vida, supridas pelo Senhor.
Esse é o padrão bíblico desde sempre: • Oferta que sobe a Deus, é a oferta de Provérbios 3.9, que diz: “Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda”. • Generosidade como culto que Deus recebe, é a generosidade de Hebreus 13.16, que diz: “Não negligenciem a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se agrada!” • Deus não ignora isso, mas ele se lembra de cada ato, é o que aconteceu a Cornélio em Atos dos Apóstolos 10.4, ouça o que o texto diz: “Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus.” • É Cristo recebendo cada gesto de generosidade. Jesus disse isso em Mateus 25.40: “O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” A generosidade da oferta dada a um irmão é recebida como se fosse dada diretamente a Jesus!
Os irmãos estão compreendendo? Então pense nisso: que tipo de aroma está subindo da sua vida, da sua oferta? Porque a verdade é simples: onde há amor, há entrega. Onde há gratidão, há sacrifício. Onde há Cristo, há generosidade. Mas onde há egoísmo… há fumaça que nunca chega ao céu. Porque ou nunca dá porque é avarento ou simplesmente dá porque quer fazer com motivos errados e isso não vale nada diante de Deus!
O texto nos chama a examinar o coração: – Damos com alegria ou estamos sendo calculistas? – Servimos com gratidão ou com desculpas? – Nosso contentamento está em Cristo ou no conforto?
Paulo nos lembra: “Eu aprendi a viver contente… Eu posso todas as coisas em Cristo, aquele que me fortalece.” E os filipenses respondem: “Aqui está a nossa oferta.”
E Deus responde: “Eu suprirei tudo.”
Assim, o verdadeiro sacrifício cristão não é pesado, forçado, ou interesseiro. Ele é fruto de um coração satisfeito em Cristo, que transforma recursos terrenos em adoração eterna. É a oferta que sobe ao céu. É isso que devemos fazer na prática, na generosidade de nossas ofertas!

3. Graça: A Última Palavra da Missão (vv 20-23)

Que carta maravilhosa meus irmãos, essa carta aos Filipenses. Como o Espírito Santo desafiou o meu coração através dela. Não queria nem terminar mais, mas chegou ao final. Vamos ler a conclusão, a graça das últimas palavras da missão de Paulo. Olhe para os versos 20 a 23:
2”0 A nosso Deus e Pai seja a glória para todo o sempre. Amém.
21 Saúdem a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo enviam saudações. 22 Todos os santos lhes enviam saudações, especialmente os que estão no palácio de César. 23 A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês. Amém.
Paulo termina sua carta como começou: com graça. A primeira palavra aos filipenses foi graça: Filipenses 1.1–2 “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos, graça e paz a vocês, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.”
E agora a última também é graça (Filipenses 4.23) “A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito.” ). Isso não é formalidade; é teologia. É como se Paulo dissesse: “A missão começou pela graça, foi sustentada pela graça e só termina debaixo da graça.”
E antes de encerrar, ele derrama uma doxologia que explode do coração: “A nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (v.20).
A missão não termina com Paulo. Nem com os filipenses. Nem com contribuições humanas. A missão termina em Deus e termina para a glória dEle.
A glória de Deus é o destino final de toda generosidade, meus irmãos. Paulo “nos ensina que a generosidade do crente produz glória para Deus”, porque quando a igreja sustenta a obra missionária, ela não engrandece o missionário, mas o Senhor da missão. “Toda provisão de Deus, e toda resposta do homem, apontam para o Senhor como a fonte e o objetivo final. A graça não é apenas o que recebemos, mas também o que devolvemos em glória.
Essa doxologia ecoa os salmos: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” (Salmo 115.1 ). Ecoa também Romanos 11.36: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”
Paulo está dizendo: Se a oferta de vocês chegou até mim, ela subiu até Ele. E a Ele pertence a glória.
O perfume da generosidade também vem da graça de lugares mais improváveis. Veja no verso 22. Até dos romanos que foram salvos pela pregação de Paulo na prisão. Paulo envia saudações e acrescenta algo surpreendente: “principalmente os da casa de César”.
“A graça alcançou pessoas no próprio centro do poder romano.” Esse detalhe mostra “a eficácia invencível do evangelho, capaz de penetrar até os lugares mais inacessíveis”. Então não espante de ver gente sendo salva de qualquer lugar que seja. A graça do evangelho quebra qualquer barreira!
Pense:
Paulo está preso.
O império está contra ele.
Mas a graça está dentro do palácio.
Não é irônico?
Enquanto César pensa governar Roma, Cristo governa o coração dos seus servos dentro da casa de César.
Isso ecoa outro padrão bíblico:
– José servindo dentro da casa de Faraó (Gn 41).
– Daniel dentro da corte babilônica (Dn 1–6).
– Ester dentro do palácio persa (Et 2–4).
Mas pode ecoar você dentro de qualquer ambiente: na escola, na faculdade, no trabalho, na roda de amigos, da mesa com os parentes incrédulos agora no Natal ou na passagem de ano. Seja luz, derrame a graça do evangelho onde você estiver!
Sempre foi assim e vai continuar sendo. Sempre que o povo de Deus parece acuado, a graça está infiltrando. Sempre que o mundo acha que venceu, a graça está crescendo. Não se espante e nem duvide do que Deus está fazendo!
Olhe para o último verso da carta, o 23. A graça é a marca final do povo redimido. Paulo fecha com sua frase característica: “A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês. Amém.” Não é um desejo superficial. É uma declaração de dependência.
“Paulo termina onde tudo começa: na graça, que sustenta, capacita e consola o crente em todas as circunstâncias.”
“É a graça que permite ao crente viver acima das circunstâncias.”
“A graça é o resumo de todas as bênçãos espirituais.”
E o que Paulo deseja?
Não prosperidade.
Não conforto.
Não estabilidade.
Mas graça no espírito, graça onde ninguém vê, mas onde tudo começa.
A missão termina com graça porque a santidade começa com graça, a generosidade é graça porque reflete aquilo que recebemos, de graça. A perseverança é mantida pela graça, e a glória é devolvida pela graça. Tudo é graça. Graça é favor imerecido. Graça é resultado daquilo que Deus dá sem nós termos feito nada por isso. É graça, é de graça.
Meus irmãos, se a graça é a última palavra da missão, por que outras palavras governam nosso coração?
Glória própria? Reconhecimento? Recompensa? Paulo nos chama de volta: Ele grita: põe os pés no chão miserável, a Deus seja a glória. Não a você!
Se a graça alcançou a casa de César, por que você acha que sua casa, seu trabalho ou seu bairro são impossíveis de serem alcançados para Deus?
A graça não respeita grades, nem palácios, nem trevas culturais.
Se a graça é a marca final do crente, qual é a marca que você está deixando por onde você passa?
É possível fazer muito para Deus sem fazer nada com Deus. É possível servir sem graça. Mas não é possível honrar a Deus sem a graça de Deus.

CONCLUSÃO

Então, meus irmãos, o perfume da generosidade é o cheiro da graça espalhada, porque Deus nos chama a viver contentes em Cristo, oferecer nossas vidas como sacrifício agradável e terminar tudo com a marca da graça.
Essa é a grande ideia deste texto: contentamento, sacrifício e graça fluindo de um coração centrado em Cristo.
O mundo deixa cheiro de ego, competição e barganha, mas o cristão deixa o perfume da adoração.
A oferta que sobe ao céu, o contentamento que repousa na soberania de Deus e a graça que acompanha cada passo da missão formam o aroma espiritual de quem pertence a Cristo.
E que, ao sairmos daqui, o aroma da nossa vida revele o Deus da graça, para que onde quer que passemos: casa, trabalho, família, cidade as pessoas possam dizer: “Cristo esteve aqui… porque alguém que carrega a graça passou por aqui.”
Que o Senhor nos abençoe, que o Senhor nos molde pela Palavra dEle, que o Senhor use você para a glória do nome dEle! Amém.
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