A Coroação do Grande Rei

O Evangelho do Rei  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Matthew 3:13–17 NVI
Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” Respondeu Jesus: “Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça”. E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”.

Igual, mas diferente

Dizem que, ao ler um livro por diversas vezes, em momentos diferentes da vida, é possível ter uma compreensão cada vez melhor da história ou do que é abordado em determinada obra. Eu acredito que, com a Bíblia, acontece algo parecido.
Não que existam diversos significados no texto bíblico, mas, à medida que meditamos, investimos o nosso tempo e procuramos conhecer mais, essas palavras começam a fazer cada vez mais sentido em nossas vidas. E, de certa forma, enxergamos aspectos que antes passavam despercebidos, e compreendemos com mais clareza o que o autor estava realmente comunicando.
Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo esta semana, enquanto meditava e orava nesse texto. Ao olhar novamente para o batismo de Jesus, percebi algo que, embora sempre estivesse ali, talvez a gente nem sempre enxergue com a profundidade que Mateus quis transmitir.
O que eu percebi, e quero que você perceba, é que o batismo de Jesus não pode ser equiparado ao nosso batismo. Não estamos falando de duas coisas que estão na mesma prateleira, mas sim, duas coisas que são diferentes.
É claro que, em certo sentido, o batismo de Jesus é um forte argumento para a necessidade que nós temos de ser batizados. No entanto, o que acontece aqui, em nosso texto, é algo completamente diferente do que aconteceu conosco quando descemos às águas do batismo. Por esse motivo, voltemos a nossa completa atenção para esse texto.

Um propósito bem definido

Mateus inicia esse relato nos informando que Jesus parte em uma longa jornada da Galileia até o Jordão. Uma viagem que poderia ter de 50 a 120 quilômetros de distância, e assim como nos nossos dias, ninguém inicia uma viagem como essa sem nenhum propósito. Nesse caso, a vontade de Jesus era muito bem definida. O seu propósito era claro: ser batizado.
Ele então, se dirige ao deserto da Judeia. É ali que multidões se reúnem para ouvir um homem de aparência um tanto peculiar. Alguém vestido com roupas feitas de pelos de camelo. Um homem que se alimentava de gafanhotos e mel silvestre. Mas cuja pregação, com palavras duras, fazia com que muitos não apenas quisessem estar ali, mas desejassem a mudança que ele pregava. Era possível se aproximar do Jordão e ouvir esse homem de estranha aparência gritando a plenos pulmões: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo.”
É quando João, o Batista, percebe que, em meio à multidão, aquele que ele anunciava e para quem veio preparar o caminho se apresenta. E não apenas se apresenta, mas manifesta o seu desejo de ser batizado.
Enfim, entramos na história
Quando isso acontece, a reação de João é algo instantânea. E diante dessa reação do v.14, eu confesso que ela me fez olhar para o nosso texto, parar o que eu estava fazendo e começar uma conversa com o João. Sim, a minha conversa com João foi mais ou menos a seguinte: “—João, eu te entendo”. Eu entendo o João, e talvez você também entenda, porque, afinal, ele foi posto em uma situação que não fazia o menor sentido em sua cabeça.
Na semana passada, vimos que, em meio à sua pregação, João Batista tinha total consciência de quem ele era, João sabia para quem ele estava preparando o caminho e a diferença entre ele e aquele que viria. No v.11, João Batista diz que logo depois viria alguém muito mais poderoso do que ele, alguém de quem não era nem digno de levar as sandálias. Naqueles tempos, o servo mais inferior da casa, ou o mais novo, era a pessoa responsável por desatar as sandálias de quem chegava da rua e lavar os seus pés. Para João Batista, ele não era nem digno disso. A sua indignidade não permitia nem que levasse as sandálias daquele que viria.
Eu entendo o João, porque muitas vezes vivemos momentos assim. Momentos que não fazem sentido nenhum na nossa cabeça. Momentos em que somos surpreendidos por situações que parecem estar muito além da nossa capacidade.
Quantas vezes eu e você não nos sentimos, assim como João, indignos, incapazes, e, como ele, começamos uma luta contra Deus? Por ser algo que não faz sentido para nós, apresentamos a nossa lógica, as nossas razões, e travamos uma batalha com o Criador.
Sim, acreditamos que podemos persuadir Deus e demonstrar que temos razão. Tentamos, de todas as maneiras, impedir o que Deus deseja fazer, seja por dureza de coração, seja pela cegueira que o pecado causa em nossas vidas ou seja pelo nosso senso de indignidade diante da grandeza do Senhor.
João tenta impedir Jesus. Ele até leva o seu argumento para o Senhor. No entanto, a resposta de Jesus é, talvez, aquilo que nós também precisamos ouvir hoje. No v.15, respondendo à tentativa de João e ao seu argumento, Jesus diz:
“Deixe assim por enquanto...”
Ah meus irmãos! Essas são palavras do nosso Senhor. Enquanto tentamos mudar seus planos, enquanto tentamos seguir por um caminho diferente daquele que Ele nos colocou, enquanto queremos fugir das situações que Ele permitiu, Ele nos diz nessa noite: “Deixe assim por enquanto”.
A resposta de Jesus não é um simples “não” à objeção de João.Também não é uma repreensão por ele ter tentado impedir o batismo. A resposta de Jesus revela que aquele momento estava muito além da compreensão natural. A resposta de Jesus nos mostra que o seu batismo é diferente de qualquer outro batismo, pois ao descer as águas do Jordão e ser batizado por João, Jesus está “cumprindo toda justiça”.

Os três atos que ocorrem no batismo de Jesus

O que você vê quando folheia ou lê as páginas do Antigo Testamento?Alguns se encantam com as histórias incríveis que encontramos. Outros ficam impressionados com a maneira como Deus agiu ao longo da história. E ainda existem aqueles que não compreendem muitas coisas e preferem ler apenas os Salmos.
No entanto, uma das maneiras de observar o Antigo Testamento é perceber que, durante muito tempo, o homem, por muitas vezes, tentou — e, em outras vezes, nem tanto — ser fiel a Deus e cumprir todas as suas exigências. De maneira bem simples (e até grosseira), se pudéssemos resumir o Antigo Testamento, veríamos uma história que se repete: a de pessoas que ouviram de Deus aquilo que deveria ser feito e que falharam.
Por isso que em seu plano de redenção, Deus envia seu filho para o mundo, pois naquilo que tantos outros falharam, Cristo cumpre plenamente com êxito todas as exigências do passado. Nas palavras do apóstolo Paulo: “Cristo é o fim da lei”Rm 10.04. Ao “cumprir toda a justiça” Jesus se submete por completo a toda vontade do Pai que foi anunciada a tanto tempo ao seu povo. No entanto, ao ser batizado por João, Jesus não só aponta para o cumprimento de todas as exigências do passado contidas na lei, como também para as novas exigências do seu povo, a sua igreja.
No batismo de Jesus vemos: (1) sua humilhação, pois aquele que era o maior se fez o menor; (2) sua submissão, pois Cristo estava pronto para fazer a vontade de Deus independente da vontade dos homens; (3) sua identificação com seu povo, pois mesmo sem pecados e sem necessidade de conversão, Jesus se humilha e se submete ao batismo pois é o cabeça de sua igreja.
Por certas todas essas coisas já deixam claro que não estamos falando do mesmo batismo, entretanto, o que torna o batismo de Jesus algo extremamente único e importante na história é o que acontece nos v.16-17.

O Filho Amado do Pai

O texto bíblico nos diz que, quando Jesus sai das águas do batismo, os céus se abrem, e, de maneira extraordinária, é possível ver e ouvir a ação trinitária de Deus. Esse é um dos textos mais explícitos que nos revela a trindade. Nesta cena, vemos o Filho sendo batizado, o Espírito Santo descendo e repousando sobre Jesus, e podemos ouvir a voz do Pai.
O batismo de Jesus deve ser compreendido de maneira diferente, porque não é apenas um simples ritual de identificação com o seu povo. Quando Cristo desce às águas do batismo e logo após sai delas, não estamos falando de um símbolo de alguém que estava morto e agora vive espiritualmente. O que acontece aqui — e a maneira como Mateus, possivelmente, gostaria que enxergássemos — é a coroação de um Rei.
Sim, alguém poderá lembrar que, no momento da crucificação, os soldados romanos colocaram uma coroa de espinhos na cabeça de Jesus. No entanto, ali, o que eles fizeram era uma chacota. Uma zombaria. Tudo ali fazia parte da grande humilhação que Cristo Jesus estava sofrendo.
Aqui, em seu batismo, o que vemos é uma grande exaltação. Algo que não vem das mãos de homens indignos e caídos, mas algo que provém do próprio Pai, algo que vem diretamente dos céus. O batismo de Jesus não é apenas um ato simbólico — é a manifestação pública de que o Reino de Deus estava sendo inaugurado, e o Rei já estava entre nós.
O Rei está sendo coroado aqui, e para esse ponto eu chamo a sua atenção! O que podemos perceber é que Deus não se dirige particularmente a Jesus. Não é algo que acontece de maneira individual e pessoal, como se tudo isso se passasse apenas na mente de Jesus e somente Ele pudesse ouvir essa voz. O Pai não diz a Jesus: “Você é o meu Filho amado.” Não!
O que vemos aqui é Deus apontando para Jesus e declarando, para todos que estavam vendo aquela cena — assim como também para nós, hoje —: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.”
Eu sei que muitas pessoas esperam ouvir isso da boca de Deus, e isso é louvável. No entanto, essa afirmação só pode ser dita sobre uma única pessoa: Cristo Jesus.
A fé cristã não gira em torno de nós, gira em torno dEle. A vida cristã não é um esforço para nos tornarmos agradáveis a Deus por nós mesmos, mas um convite para nos prostrarmos e nos rendermos diante do Grande Rei.
Quando o Pai diz: “Este é o meu Filho amado”, Ele está revelando que todo o amor, toda a aceitação e todo o favor divino repousam sobre uma pessoa: Jesus.
A fidelidade, a integridade e a intensidade com que João Batista vivia o seu chamado não eram capazes disso. Os rituais da antiga aliança e os atos da nova também não podiam fazer nada. É em Jesus, e somente em Jesus, que o céu se abre. É em Jesus, sobre Jesus e por causa de Jesus que vemos o Espírito descer. É por meio de Jesus, que podemos ouvir a voz do Pai.

Cristo é tudo que precisamos

Sabe, quando o culto acabar, quando as luzes se apagarem e quando todos nós estivermos indo para as nossas casas, eu sei que esse é um tipo de sermão que me deixa triste durante todo o trajeto.
Esse é o tipo de sermão que me traz uma certa tristeza. E não é pelo seu conteúdo, nem por eu, de alguma forma, falhar em transmitir essa mensagem.
Mas é uma tristeza por você. Por você que está tão apaixonado pelas coisas deste mundo. Por você que ama tanto as coisas desta era. Por você que, sempre que vem à igreja, se propõe e deseja ouvir apenas mensagens práticas, lições para o dia a dia. Minha tristeza é por você que, quando ouve uma pregação como essa, sente sono, sente tédio. Eu fico triste por você que, ao ouvir coisas como essas, o que encontra na sua mente e no seu coração é apenas o desejo de que tudo isso acabe logo, para que você vá embora.
Eu digo isso pois, muitas vezes, estamos tão cegos e nos tornamos tão insensíveis, a ponto de não amarmos aquilo que Deus ama — ou seja, o seu Filho. Às vezes nossos corações estão tão endurecidos que não nos alegramos com aquilo que alegra o coração de Deus — Cristo Jesus.
Aquilo que nos agrada, aquilo que nos traz prazer, é ouvir sobre coisas terrenas. É saber quais rituais devemos praticar. É saber o que precisamos fazer ou deixar de fazer para que de alguma forma, venhamos conseguir o favor de Deus e termos uma boa vida nesta terra. Enquanto isso, o Pai olha do céu, aponta para o seu Filho e diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.”
Hoje até desejamos ter Jesus. No entanto, sempre acrescentando alguma coisa a mais. Planejamos ir à igreja aos domingos, ouvir a pregação, mas isso não nos contenta, não nos traz alegria ouvir apenas sobre Cristo. Precisamos saber como vamos viver amanhã, como vamos pagar os nossos boletos, como vamos trabalhar nos nossos serviços. E, por fim, não nos contentamos em saber que Jesus é tudo o que nós precisamos.
Eu não sei se você veio atrás de respostas hoje, mas a única resposta que eu posso te dar é essa: Jesus.É nEle que podemos ver o cumprimento de toda a justiça de Deus. É nEle que vemos poder e humildade coexistirem sem nenhuma tensão. É em Jesus que vemos e encontramos o amor de Deus em sua plenitude. É em Jesus que somos aceitos pelo Pai e somos adotados como filhos. E é sobre isso que Paulo nos fala em Efésios 01.03-14:
Ephesians 1:3–14 NVI
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos. Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade, a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória. Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.
Essa é a resposta que você precisa para a sua vida: Jesus! Sim, achamos que precisamos de muitas outras coisas, mas não! O que precisamos mesmo é do Filho amado, que alegra o coração do Pai. 
Volte os seus olhos para Jesus. Tire eles das distrações deste mundo. Pare de tentar encontrar em outras coisas o que só Ele pode nos oferecer. Ou Cristo é tudo em nossas vidas, ou Ele é nada. Ou Ele é o Rei que governa nossa existência ou continuaremos vivendo como súditos de nossos próprios desejos, servindo aos nossos próprios reinos, e nunca conheceremos a verdadeira liberdade que há em nos rendermos completamente a único e soberano Rei.
Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 09 de novembro de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Carvalho
Soli Deo Gloria
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