Sobre o Sofrimento
Nuno R. Fernandes
2ª Tessalonicenses • Sermon • Submitted • Presented
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Leitura da Escrituras
Leitura da Escrituras
5 Isso é prova clara do justo julgamento de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual sofreis. 6 De fato, é justo diante de Deus que ele pague com tribulação os que vos atribulam, 7 e para vós, que sois atribulados, vos dê alívio, bem como a nós, quando o Senhor Jesus se revelar do céu com seus anjos poderosos em chama de fogo, 8 punindo os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. 9 Estes sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da presença do Senhor e da glória do seu poder, 10 quando, naquele dia, ele vier para ser glorificado nos seus santos e admirado em todos os que houverem crido (pois crestes em nosso testemunho).
Introdução
Introdução
Na primeira parte desta secção Paulo elogia a igreja em Tessalónica porque apesar do sofrimento causado pela perseguição, eles cresciam em fé, em amor de uns para com os outros e demonstravam paciência nos momentos de maior dificuldade. É possível apresentarmos o melhor de nós, nas piores circunstâncias.
Hoje, gostava de falar um pouco acerca de Sofrimento.
O sofrimento é das coisas mais desestruturantes que pode existir, principalmente quando não entendemos o porquê daquilo que estamos a passar. Felizmente que a bíblia dá-nos informação essencial para fazermos sentido da vida que vivemos.
Assim, na segunda parte deste primeiro capítulo Paulo vai procurar contextualizar a perseguição e sofrimento que os tessalonicenses estavam a passar. É muito importante referir que Paulo não está a tratar de outro sofrimento senão daquele que vem como consequência direta da nossa fé em Cristo. Trata-se do sofrimento e perseguição existentes na oposição entre aqueles que creem no evangelho e aqueles que rejeitam.
Se é verdade que ao nos convertermos a Deus há em nós a capacidade de evitarmos todo o tipo de sofrimento relacionado com pecado pessoal, também é verdade que é expectável sofrermos pela oposição daqueles que rejeitam o evangelho que nós aceitámos. Alguns desses são família e amigos.
Para nos consolar e ajudar e entender este tipo de sofrimento, Paulo deixa-nos 3 verdades sobre o mesmo.
1. O sofrimento tem um propósito
1. O sofrimento tem um propósito
Em 2Tessalonicenses 1.5 lemos que: “Isso [as perseguições e aflições] é prova clara do justo julgamento de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual sofreis.”
Paulo diz que alguma coisa é “prova clara”, mas que coisa é essa? Em 2Ts 1:4 lemos que Paulo está a referir-se a “perseguições e aflições”. Vemos aqui em destaque a atitude de paciência dos tessalonicenses diante dos sofrimentos.
A ideia aqui é que o sofrimento age como filtro para que na nossa atitude de perseverança sejamos achados dignos. Este tipo de sofrimento, que corresponde ao “levar a cruz”, é parte intrínseca do processo de edificação de cada individuo e, por conseguinte, do reino.
Esta não é uma ideia estranha nas escrituras. Quando Paulo foi apedrejado em Listra alertou os discípulos para não se desviarem na fé:
19 Chegaram, porém, judeus de Antioquia e de Icônio e, tendo convencido as multidões, apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, dando-o por morto. 20 Mas quando os discípulos o rodearam, ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu com Barnabé para Derbe. 21 E, depois de anunciar o evangelho naquela cidade e de fazer muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, 22 renovando o ânimo dos discípulos, exortando-os a perseverar na fé, dizendo que em meio a muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus.
Pedro chega mesmo a escrever que:
12 Amados, não estranheis a provação que como fogo vos sobrevém, como se vos estivesse acontecendo alguma coisa estranha. 13 Mas alegrai-vos por serdes participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também vos alegreis e exulteis na revelação da sua glória.
E ainda o escritor da carta aos Hebreus:
10 (…) mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para sermos participantes da sua santidade.
Não somos salvos por sofrer, mas o sofrimento que advém por causa da fé genuína em Cristo é expectável pois é o exemplo que Cristo nos deixou, e é também prova que expõe ou confirma a nossa fé.
Assim, o propósito do sofrimento por amor a Cristo é duplo. Se por um lado expõe a falsa fé daqueles que são apenas simpatizantes, por outro confirma a fé genuína. É a nossa resiliência diante do sofrimento que confirma a nossa participação no Reino de Deus.
A nossa verdadeira natureza surge quando nos sentimos apertados. Num ambiente controlado podemos fingir muita coisa, mas quando colocados sobre pressão, muitas vezes auto-infligida (seja ela emocional, psicológica, física), tudo se revela. São nesses momentos que o que verdadeiramente somos vem ao de cima, como agimos e reagimos às contrariedades vai “provar” a nossa indole, a nossa fé. Os Tessalonicenses foram provados e passaram… e nós?
Mas há mais verdades sobre o sofrimento…
2. Ele (o sofrimento) não determina o fim
2. Ele (o sofrimento) não determina o fim
6 De fato, é justo diante de Deus que ele pague com tribulação os que vos atribulam, 7 e para vós, que sois atribulados, vos dê alívio, bem como a nós, quando o Senhor Jesus se revelar do céu com seus anjos poderosos em chama de fogo, 8 punindo os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. 9 Estes sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da presença do Senhor e da glória do seu poder,
Uma das coisas que temos de aprender enquanto cristãos é a observar os acontecimentos da nossa vida, não como coisas que simplesmente acontecem, mas como algo que está relacionado com o nosso futuro. Aquilo que vivemos ou passamos, de bom ou mau, não determina o resultado final da nossa existência.
Paulo escreve que Deus vai dar “(...) em paga”. Deus que é justo vai recompensar, a seu tempo, a fé daqueles cuja fé está no evangelho genuíno de Jesus Cristo ou a falta dela naqueles que o rejeitarem. (2Ts1:8).
A esses que rejeitam o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, a condenação terá efeitos eternos.
Agora àqueles que aceitarem o evangelho de Cristo, ainda que atribulados nesta vida, herdarão o descanso eterno!
Podemos viver muito bem, humanamente falando e segundo critérios sociais deste mundo pós-moderno em que vivemos, e ter à nossa espera uma eternidade em condenação! O contrário também é verdade. Podemos viver uma vida de sofrimento, mas se a nossa fé estiver em Jesus Cristo, nós sabemos que haverá para nós descanso eterno!
Não só o sofrimento (em Cristo) tem um propósito, com também não é ele que determina a eternidade. Mas há mais uma verdade…
3. O sofrimento Valoriza a vinda de Jesus
3. O sofrimento Valoriza a vinda de Jesus
10 quando, naquele dia, ele vier para ser glorificado nos seus santos e admirado em todos os que houverem crido (pois crestes em nosso testemunho).
A terceira verdade a respeito do sofrimento por amor a Cristo, é que as circunstâncias difíceis devem servir para aumentar a expectativa sobre a segunda vinda de Jesus.
No seguimento de que Deus, sendo justo, recompensará aquele que por amor a Ele sofre, Paulo é claro que isso acontecerá na vinda de Jesus em glória (2Ts 1:7; 10). Paulo está a apontar aqui para a vinda visível de Jesus para implantar o reino milenal.
Nós vivemos um cristianismo focado no aqui e agora e desvalorizamos muito a herança celestial que temos:
18 Considero que os sofrimentos do presente não se podem comparar com a glória que será revelada em nós.
Os sofrimentos não devem ser encarados como algo estranho ao cristianismo genuíno. Devem sim ser brasas que aumentam o nosso desejo de ver Jesus voltar! Maranata, ora vem Senhor Jesus!
Conclusão
Conclusão
O sofrimento por amor a Cristo tem o propósito de confirmar a nossa fé.
Também não define a nossa herança eterna: Aqui atribulados, mas eternamente descansados!
Devem ser catalisadores do nosso desejo de ver Jesus voltar.
[Nota Pessoal: MacArthur explora a “vingança de Deus” nos versiculos 6-10.]
