Natal no Principio

O Natal na Escritura!  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O natal não é algo propriamente neotestamentário, já havia rastros indicados desde o inicio dos tempos e história.

Notes
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Gn 1.1-2

Introdução:
É comum imaginarmos que o Natal começa no Novo Testamento, quando o anjo anuncia a Maria que o tão aguardado Messias viria ao mundo por meio de seu ventre. Porém, pensar assim é pular uma parte extensa e essencial da história que Deus está contando — é ignorar intervenções divinas que atravessam séculos.
Como disse certo autor, “o Natal, de certa forma, começa nas primeiras páginas das Escrituras”. Deus vem preparando o terreno para a revelação máxima de sua pessoa, cumprida naquele momento descrito por João: “E o Verbo se fez carne.” Aquele que já existia antes de todas as coisas, eterno e pleno em sua glória, tornou-se homem e habitou entre nós — exatamente como havia prometido aos que o aguardavam.
Esse Deus eterno — o Deus Filho — estava, desde o princípio, com Deus. E, por graça, decidiu criar seres que antes não existiam. Dentro de sua vontade, o “Natal” já era uma realidade; desde o princípio vemos a estrada sendo pavimentada para esse evento histórico. Por isso, não é errado enxergar sinais do Natal no Gênesis: ali já se revela o grande plano do Senhor para a vinda do Redentor.
Desenvolvimento:
1 - O evangelho na Criação ( Gn 1.1)
Quando observamos as primeiras páginas da Escritura, notamos o ato criacional de Deus trazendo todas as coisas à existência.
Outros textos confirmam essa verdade, como Colossenses 1.16, que revela claramente que tudo foi criado por meio do Filho e para Ele. Assim, do nada, Deus formou tudo o que compõe a terra e tudo o que está ao redor dela.
O texto afirma que isso aconteceu “no princípio”, indicando que o primeiro dia da história — como a conhecemos — se inicia exatamente na primeira linha do texto sagrado.
Muitos tentam conjecturar o que veio antes do que está revelado, mas a única certeza é que Deus já era, existindo eternamente em amor na comunhão trinitária entre o Pai, o Filho e o Espírito.
O primeiro dia, portanto, é marcado por Sua atitude amorosa de trazer à vida tudo o que existe. Mas por que Ele fez isso? Deus precisava de algo? Faltava-Lhe alguma coisa? Não.
A criação foi um ato de pura graça: o Senhor decidiu dar aos futuros seres vivos a oportunidade de existir. Nada do que Ele fez foi motivado por necessidade — Deus não carecia de seres que o ajudassem em seu reinado. Ele simplesmente quis criar.
O texto bíblico, porém, é direto e não nos oferece todos os detalhes do “como” a criação se deu. Vemos apenas que “Deus criou”. Aqui está o nosso cuidado: não devemos inserir no texto explicações que ele não nos dá; isso pode gerar confusão onde a Escritura preferiu o silêncio.
Mas onde está o evangelho aqui? Ele aparece no próprio ato de amor de Deus. A criação é o início da história do Seu amor por seu povo. E onde está o Filho nesse momento? O verbo “criou Deus” não exclui sua participação — pelo contrário, a revelação posterior deixa claro que o Deus Filho foi parte essencial da criação. Ele não estava ausente, mas ativamente presente, criando todas as coisas em perfeita comunhão divina.
A criação, portanto, não é apenas o começo da história do mundo: é o começo da história da graça — o primeiro passo no caminho que culminaria no Natal, quando o próprio Criador entraria na criação.
O texto já citado de Colossenses nos afirma a presença de Jesus — o Deus Filho — em sua existência pré-encarnada. Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Ele é não criado, autoexistente, eterno; aquele que participa ativamente da criação é o mesmo que, em determinado momento da história, se encarnará. A presença criacional do Filho aponta para a sua futura presença redentora.
Mas, como dizem: nem tudo são flores. A criação tomou uma atitude de rebeldia que podemos observar no capítulo três de Gênesis. O ser humano, criado para refletir a glória de Deus, decidiu ouvir outra voz e caminhar em direção contrária à vontade do Criador.
Contudo, mesmo ali — no cenário mais trágico das primeiras páginas da Escritura — podemos observar algo surpreendente: Deus não abandona a sua obra. Temos o…
2 - O Evangelho na promessa (Gn 3.15)
Irmãos, nesta passagem encontramos aquilo que a tradição cristã chama de “protoevangelho” — a primeira boa notícia, a primeira semente do evangelho lançada no coração da história.
No pecado de nossos pais, vemos algo terrível acontecendo: a morte entrando em nossa experiência. Ela não fazia parte do plano original para a vida humana; torna-se, porém, a consequência inevitável do pecado. Sem o pecado, a morte seria desconhecida.
Mas, com o pecado, essa inimiga ingrata passa a marcar nossa realidade e, até hoje, causa temor em muitos que precisam enfrentá-la.
No entanto, mesmo nesse cenário sombrio, o texto nos apresenta algo surpreendente. Deus declara: “Porei inimizade entre ti e a mulher.” Irmãos, o que isso significa?
Significa que o pecado não é — e nunca seria — um aliado da humanidade. Desde o princípio, Deus determinou um ato gracioso: não permitir que o coração humano se afeiçoasse definitivamente ao mal.
Ele mesmo estabeleceu uma oposição entre a descendência da mulher e o reino das trevas. Como afirma um autor, Deus transforma a inclinação pecaminosa da mulher — e por extensão, da humanidade — em oposição ao mal, despertando nos seres humanos um desejo justo pelo Senhor.
Em outras palavras, no ponto mais sombrio da narrativa bíblica, a graça já está agindo. Enquanto o juízo é anunciado, a esperança é levantada.
Deus não criou os homens para permanecerem entregues a um pecado desenfreado; Ele, em sua misericórdia, planta no coração da humanidade a capacidade de resistir ao mal e a disposição de buscar o Senhor.
Como Deus faria isso? Note a segunda parte do texto: “entre a tua descendência e o seu descendente.” Os descendentes da serpente são aqueles que permanecem aliados a ela e seguem em oposição ao Senhor. Mas o texto destaca um descendente, singular, aquele que virá da mulher.
Essa linha de esperança foi compreendida, ainda que de maneira inicial, por Eva. Por isso, ao dar à luz Caim, ela declarou: “Concebi um homem com o auxílio do Senhor”.
A mulher entendeu que, de sua descendência, viria alguém que traria a vitória definitiva sobre a maldade — um descendente escolhido, gerado por ela, esmagaria a cabeça do inimigo do povo de Deus.
Esse texto, irmãos, nos enche de esperança. A descendência do maligno não pode ir além de “ferir o nosso calcanhar”. A força do mal contra nós não é duradoura, e até sua aparente vitória sobre Jesus não passou disso: um ferimento temporário. Na cruz, Cristo esmagou a cabeça da serpente; ali, o princípio da nossa vitória foi inaugurado.
O evangelho toma forma aqui. No meio da tragédia, já encontramos a misericórdia de Deus revelando seu amor e preparando o caminho para o Redentor que viria.
Nessa página de trevas, já vemos o primeiro brilho do Natal: a promessa de um Descendente que esmagará a serpente e restaurará aquilo que foi perdido.
3 - O Evangelho no sacrifício (Gn 12.2-3)
Quando chegamos à história de Abrão, percebemos que ela ocorre logo após a torre de Babel. Ali, a nova rebeldia humana parece ameaçar o plano de Deus — mas apenas parece. Deus não perde o controle por um instante. Ele escolhe um homem, descendente de Eva, e a ele faz promessas eternas.
Esse homem já é idoso. Ainda assim, o Senhor promete fazer dele um grande povo. Isso foge totalmente da lógica humana. Se fosse um jovem, talvez fosse mais fácil de acreditar. Mas aqui vemos a graça do Senhor. No meio de uma humanidade rebelde, Deus escolhe — graciosamente — Abraão para formar o seu Israel, o seu povo. E declara que nele seriam benditas todas as famílias da terra. Nós mesmos sentimos hoje o efeito dessa bênção.
Avançando no texto, até o capítulo 22, chegamos ao momento mais difícil da vida de Abraão. Deus havia prometido um filho, e essa promessa levou anos para se cumprir. Quando finalmente o menino nasce, quando a esperança se materializa, Deus pede esse filho em sacrifício.
Como assim? Deus iria encerrar a promessa no exato ponto em que ela estava começando?
No entanto, Abraão já entendia a graça do Senhor. Ele sabia que, mesmo diante da morte, Deus poderia trazer vida novamente.
Por isso, em fé, ele seguiu o único caminho que todo servo de Deus deve seguir: o caminho da entrega, o caminho da confiança absoluta — o caminho da morte que leva à vida.
Andar em fé é, de fato, um ato de confiança. Mas a fé cristã não é irracional; cremos em um Deus fiel, e por isso podemos confiar em tudo o que Ele nos pede.
Mesmo que a dor fosse inevitável no coração de Abraão, essa atitude de confiança é o que o texto destaca. Ele age em fé: prepara o sacrifício, caminha em direção ao destino que todos nós merecemos, e se dispõe a entregar o filho da promessa.
Mas, no último instante, Deus o impede de matar Isaac — e aqui brilha a luz da substituição.
Alguém tomou o lugar do menino. Assim como aconteceu conosco. Embora a dor ainda seja parte da nossa história, a pior delas foi suportada pelo Descendente prometido, o Deus Filho, que resolveu nosso maior problema: o pecado.
Assim como Isaac foi poupado quando Deus providenciou um sacrifício em seu lugar, também nós fomos salvos porque o Senhor proveu Jesus para carregar nossa cruz. O evangelho é parte essencial da Escritura; em cada página vemos vislumbres da sua mensagem. E isso continuará a se revelar quando avançarmos na história do povo já estabelecido na terra prometida.
Conclusão:
Desde o princípio, o raiar do dia final já deixava aparecer seus primeiros raios. Toda a história bíblica aponta para essa luz que viria ao mundo, e nós estamos aqui aguardando a consumação, sabendo — antecipadamente — a quem pertence a vitória final. Como descendentes escolhidos pela graça, cremos que o Senhor trará esse dia com grande glória.
Então, o Evangelho será o brilho que consumirá toda dor que ainda paira em nosso coração. Essa dor será completamente erradicada pelo amor encarnado do Deus Filho, aquele que tomou o nosso lugar e venceu os poderes das trevas.
Amém!
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