Exposição do Sexto Mandamento
Os 10 Mandamentos • Sermon • Submitted • Presented
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Texto Base
Texto Base
13 Não matarás.
Introdução
Introdução
Vimos anteriormente todo o contexto de aliança em que os 10 mandamentos foram dados a nação de Israel.
Vimos, como o Senhor os chamou para ser povo seu e distingui-los de todos os outros povos da terra.
Porém, para que Israel se tornasse sua propriedade particular, eles deveriam entrar em aliança com Deus por meio da observância pela fé de 10 mandamentos dados pelo Senhor.
Esses 10 mandamentos deveriam reger toda a vida do povo de Deus e estavam divididos em dois grandes blocos:
Bloco 01: Mandamentos relacionados a relação do povo com Deus (1-4)
Bloco 02: Mandamentos relacionados a relação do povo para o povo (5-10)
De modo que Deus estava chamando aquele povo para Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos como Jesus disse ao resumir esses 10 mandamentos.
Trabalhamos já com todo o primeiro bloco que envolve os quatro primeiros mandamentos. Segundo o resumo de Jesus esses quatro primeiros mandamentos nos ensinam a amar a Deus e eles regulam o culto ao Deus verdadeiro, de modo que para que amassem ao Senhor lhes prestassem o culto adequado era necessário:
1 - Não ter outros deuses diante dEle.
2 - Não fabricar imagens de Javé afim de distorcer sua identidade.
3 - Não tomar o nome de Deus em vão afim de lhe preservar a santidade.
4 - Separassem um dia entre 7 para descanso em adoração a Javé.
Temos aqui nesses quatro primeiros mandamentos:
O objeto da adoração
A forma da adoração
A linguagem da adoração
O tempo da adoração
Estamos entrando agora no segundo bloco dos mandamentos dados por Deus, de modo que iremos agora falar das ordens de Deus em relação ao amor ao próximo.
Iremos abordar hoje o sexto mandamento, visto que o quinto mandamento já foi trabalhado na Exposição de Ef 6:1-4 e está disponível tanto no Youtube quanto no Spotify.
Explicação
Explicação
O sexto mandamento contém uma ordem direta:
13 Não matarás.
A palavra hebraica para matar aqui é: רצח ratsach
E significa literalmente: Não assassinaras, não cometerás homicídio.
E para que possamos compreender melhor o sexto mandamento, nós precisamos entender:
O que o mandamento proíbe.
O que o mandamento não proíbe.
O que o mandamento promove (preceito positivo que deriva do negativo).
1- O que o mandamento proíbe.
1- O que o mandamento proíbe.
1 - Todo assassinato.
1 - Todo assassinato.
O assassinato, ou seja, o homicídio de outros a sangue frio, a exemplo do que fez Caim contra o seu irmão Abel (Gênesis 4: 8).
Ou seja, derramar sangue inocente.
Esse crime é tão grave que a bíblia estabelece a pena capital como sendo necessária no cumprimento da punição desse crime.
Essa proibição abrange todo assassinato por motivos egoístas: Inveja, ódio, ciúmes, ira, vingança, cobiça, ganância, enfim, todo homicídio doloso.
2 - Suicídio
2 - Suicídio
O suicídio, tanto assistido (eutanásia) quanto o auto homicídio é uma quebra do sexto mandamento.
Aplicação:
Aplicação:
Caso você esteja pensando em cometer suicídio, saiba que você está pensando em cometer um pecado grave contra o Deus que te deu a vida e você não tem direito de tira-la.
Se assim você tem pensado, se arrependa e se submeta a Deus como doador e autor da vida.
3 - Homicídio por negligência.
3 - Homicídio por negligência.
Quando olhamos para o A.T percebemos que Deus havia dado a Israel leis que abrem para nós jurisprudência para condenar homicídios por negligência como quebra do sexto mandamento.
Exemplos:
O boi chifrador (Ex 21:28-29)
O parapeito no terraço (Dt 22:8)
Aplicação:
Aplicação:
Podemos aplicar isso de várias maneiras. As confissões de fé ao trabalharem com a ideia da lei civil de Israel vão dizer que ela passou juntamente com a teocracia Israelita do A.T mas que a equidade geral da lei permanece, ou seja, o principio moral por detrás dela é eterno e deve ser aplicado em nossos dias.
No caso do boi chifrador, podemos aplicar tranquilamente para alguém que tem um cachorro que pode colocar em risco a vida de uma pessoa, incluindo crianças e não faz as proteções adequadas em sua casa em relação a esse cachorro.
No caso do parapeito, podemos aplicar tranquilamente para um empresário que tenha maquinários que possam colocar em risco a vida de funcionários e não fazem a devida proteção.
Podemos ainda aplicar tranquilamente esse princípio ao trânsito, onde alguém negligência a manutenção de um carro e sabendo do risco mata uma pessoa no trânsito, ou ainda, um motorista bêbado que mata alguém no trânsito.
Tudo isso é quebra do sexto mandamento.
Obviamente que isso difere de acidentes propriamente ditos, a bíblia usa o exemplo de um homem no campo em que o machado escapa e mata o outro, para esse seria dado cidades de refúgio para se proteger do vingador do sangue (Dt 19:5-10), porém se houvesse maldade e fosse armada uma cilada para parecer que a morte foi acidente, então deveria ser punido (Dt 19:11-13).
4 - O aborto
4 - O aborto
A bíblia é muito clara em nos mostrar que a vida existe desde a concepção.
13 Pois tu formaste o meu interior,
tu me teceste no seio de minha mãe.
14 Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste;
as tuas obras são admiráveis,
e a minha alma o sabe muito bem;
15 os meus ossos não te foram encobertos,
quando no oculto
fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
16 Os teus olhos me viram a substância ainda informe,
e no teu livro foram escritos todos os meus dias,
cada um deles escrito e determinado,
quando nem um deles havia ainda.
E temos no Antigo Testamento a jurisprudência aplicando o sexto mandamento a aborto.
22 Se homens brigarem, e ferirem mulher grávida, e forem causa de que aborte, porém sem maior dano, aquele que feriu será obrigado a indenizar segundo o que lhe exigir o marido da mulher; e pagará como os juízes lhe determinarem. 23 Mas, se houver dano grave, então, darás vida por vida,
Ou seja, a morte de uma criança dentro do ventre de sua mãe deveria ser punida com a morte do agressor.
Aplicação:
Aplicação:
Devemos lutar contra o aborto. Pílula do dia seguinte, métodos contraceptivos hormonais que impedem a nidação, FIV, são todos quebra do sexto mandamento.
5 - Homicídio no coração
5 - Homicídio no coração
Como vimos anteriormente, todo assassinato praticado por causas egoístas é proibido pelo sexto mandamento. Porém no A.T tínhamos textos que proibiam não apenas o assassinato mas também a ira contra o próximo e isso foi clarificado a nós pelo nosso Senhor Jesus Cristo que no sermão do monte disse que ainda que você não mate uma pessoa literalmente, você pode cometer homicídio contra ela em seu coração (Mt 5:21-22).
Por isso, toda a maldade contra um inocente cogitada no coração e desperta por ganância, inveja, ódio e todo insulto proferido contra eles é quebra do sexto mandamento.
Aplicação:
Aplicação:
Somos chamados a internalizar a Lei, ama-la e é por isso que o 10 mandamento é não cobiçaras, porque não basta não matar, não adulterar, não se pode cobiçar.
João declara o seguinte;
15 Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.
2 - O que o mandamento não proíbe:
2 - O que o mandamento não proíbe:
1 - Não proíbe legitima defesa.
1 - Não proíbe legitima defesa.
A legítima defesa faz parte da lei natural e encontramos jurisprudência para a mesma nas leis mosaicas do A.T.
2 Se um ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue. 3 Se, porém, já havia sol quando tal se deu, quem o feriu será culpado do sangue; neste caso, o ladrão fará restituição total. Se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto.
2 - A pena capital
2 - A pena capital
O sexto mandamento também não proíbe a pena capital aplicada por um magistrado civil.
Na verdade, a bíblia estabelece a pena capital para vários crimes, incluindo o assassinato.
Isso foi estabelecido antes da lei em Noé (Gn 9:6), na lei com Moisés e é ratificado no N.T por Paulo (Rm 13:4).
Charles Hodge chega a dizer que não é apenas lícito a pena capital, mas uma obrigação do magistrado a aplicação da pena capital em relação a alguns crimes:
“Visto que o sexto mandamento proíbe o homicídio malicioso, é evidente que na proibição não se inclui a aplicação da pena capital. Este castigo não é aplicado com o fim de gratificar o sentimento de vingança, mas para satisfazer a justiça e preservar a sociedade. Como estes são fins legítimos e da maior importância, segue-se que o castigo capital do homicídio é também legítimo. Esse castigo, no caso de homicídio, não é apenas legítimo, mas também obrigatório.”
Charles Hodge, Teologia Sistemática, trad. Valter Martins, 1a edição (São Paulo: Hagnos, 2001), 1291.
Onde o assassinato não é punido com uma pena adequada se abre margem para se levantem vingadores de sangue e o estado vira um estado de selvageria.
3 - Guerras justas
3 - Guerras justas
Vemos em todo o A.T Deus permitindo guerras a nação de Israel. Guerras justas em legítima defesa não são proibidas pelo sexto mandamento.
Ryken diz: “Os cristãos há muito acreditam que a guerra é justa somente se for travada por um governo legítimo, por uma causa nobre, com força proporcional ao ataque, contra homens que sejam soldados, não civis, e quando todos os outros meios de resoluções tenham falhado.”
“Seu objetivo não é a destruição, mas a preservação da vida. Isso se aplica em maior escala. O propósito de ter um exército não é matar pessoas, mas manter a segurança dos cidadãos de um país”.
3 - O que o sexto mandamento promove?
3 - O que o sexto mandamento promove?
Temos visto que todo preceito negativo promove um preceito preceito positivo.
Se o sexto mandamento proíbe o assassinato ele promove a vida, de modo que não basta nós não assassinarmos, mas é necessário promovermos a vida.
Isso está em plena consonância com o restante da escritura:
25 Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. 26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27 nem deis lugar ao diabo. 28 Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. 29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.
Quando olhamos para a ordem dada a Noé a respeito da proibição do assassinato vemos que ela vem na sequência acompanhada da ordem para gerar vida.
6 Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem. 7 Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela.
Desse modo, os cristãos não devem ser apenas contra o assassinato, mas devem ser a favor da vida.
Aplicação:
1 - Lutando contra a cultura antinatalista de nossos dias. Não gerar filhos tendo a capacidade de faze-lo é quebra do sexto mandamento.
2 - Socorrendo os que estão em risco de morte.
Muitas pessoas em nossos dias ao verem uma agressão ou uma pessoa em apuros no trânsito não fazem nada, apenas filmam. Isso é quebra do sexto mandamento.
Quando olhamos para a parábola do bom samaritano, percebemos que o salteador quebrou o sexto mandamento ao espancar o homem que vinha pelo caminho e o levita e o sacerdote quebraram o sexto mandamento ao não ajuda-lo.
“esse é o lado positivo de guardar o Sexto Mandamento. Ao mesmo tempo em que Deus nos proíbe de tirar a vida injustamente, ordena-nos a guardá-la cuidadosamente”. (Ryken)
Conclusão
Conclusão
Não basta não assassinar, você tem que ser um doador de vida. Isso se aplica também a pregação do evangelho e a advertência de homens no erro como disse Ezequiel.
Todas essas aplicações são muito sérias.
Precisamos realmente parar para pensar e nos voltar para nós mesmos afim de sondarmos nosso coração.
Todos nós somos assassinos em um certo grau, mas precisamos nos posicionar para não continuar quebrando obstinadamente o sexto mandamento, seja de maneira ativa, odiando nosso irmão ou a nossa vida e cometendo homicídio em nosso coração ou de maneira passiva, por meio da não promoção da vida.
Aplicação Final:
Aplicação Final:
1 - Receba a vida
Temos em Cristo perdão para os pecados cometidos e uma nova vida dada pelo Espírito e pela palavra para andarmos em novidade de vida.
“Contudo, nosso Senhor foi assassinado por nós porque somos assassinos. Nós cometemos homicídio no coração. Nós cometemos homicídio contra ele, mas é deste homicídio que vem nossa salvação.”
R. C. Sproul, Estudos Bíblicos Expositivos em Mateus, trad. Giuliana Niedhardt Santos, 1a edição (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2017), 92.
Pela graça de Deus ao assassinarmos o nosso Senhor Jesus Cristo por causa de nossos pecados o nosso Senhor Jesus Cristo nos deu vida.
2 - Promova a vida
O cristão não apenas evita a morte — ele espalha vida onde pisa, porque Cristo é a Vida que habita nele.
