A justiça de Deus

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Evangelho de Deus

Introdução: A Carta aos Romanos é uma epístola fundamental de Paulo, com uma estrutura teológica profunda e sistemática. O apóstolo Paulo escreveu esta carta com o objetivo de anunciar a boa notícia da salvação no Império Romano, planejando visitar Roma, onde já existia uma igreja cristã, e esperava que os cristãos locais o auxiliassem em sua futura viagem para a Espanha.
A epístola apresenta uma exposição completa da mensagem do evangelho, anunciando a doutrina básica de que “o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todos os que o aceitam”, com a conclusão central de que “o justo viverá por fé”. A carta pode ser dividida em três partes principais: os capítulos 1–8 explicam doutrinarmente a redenção humana; os capítulos 9–11 ilustram esses princípios na história de Israel; e os capítulos 12–16 aplicam essas verdades às situações cotidianas, cobrindo assim toda a experiência da vida cristã. No coração da epístola está a afirmação central: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.”

1. Chamados para ser servo — Romanos 1.1a

“Paulo, servo de Cristo Jesus”
As cartas geralmente começam com uma saudação. Por que em todas as cartas paulinas, como também nas cartas de Pedro, Tiago… iniciam com uma saudação? Essas saudações têm valor confiável, trazendo mais credibilidade ao remetente (ou seja, aquele que enviou a carta).
Em quase todas as cartas paulinas, o apóstolo Paulo sempre defende seu apostolado: 1Co 1.1, 2Co 1.1, Gl 1.1, Ef 1.1, 1Tm 1.1 e 2Tm 1.1. Porém, na carta aos Romanos, Paulo inicia dizendo que ele é servo de Cristo Jesus.
A palavra “servo” no grego é doulos, que significa escravo. Essa é a melhor tradução para esta palavra. Paulo conhecia muito bem esse termo. O escravo não era bem visto pela sociedade grega antiga. Eles davam muito valor à liberdade pessoal, ou seja, alguém que é livre de qualquer influência de outra pessoa e de algum poder. Eles desprezavam a pessoa que trocava sua liberdade para se submeter a alguém. Ser um escravo é estar sujeito à vontade de outra pessoa.
No contexto do Antigo Testamento, ser um servo ou escravo de Deus é um título de honra e de pertencimento ao Senhor:
Levítico 25.55: “porque os israelitas são meus servos, os quais tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.”
Josué 14.7: “Eu tinha quarenta anos quando Moisés, servo do Senhor...”
Josué 24.29: “Josué, filho de Num, servo do Senhor...”
2 Reis 10.10: “O Senhor fez o que prometeu por meio de seu servo Elias.”
Paulo está dizendo que ele pertence a Cristo. Está dizendo que, uma vez que fomos comprados por Cristo, já não somos escravos do pecado, mas de Cristo.
Romanos 6.18: “Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça.”
Todo cristão deveria ser escravo de Jesus. O escravo de Jesus vive agora para agradar o seu Senhor e não suas próprias vontades. Todo aquele que foi comprado por Cristo não pertence mais ao mundo e seus prazeres passageiros, mas a Cristo, que nos comprou.
Transição: Paulo demonstra total humildade e honra por ser escravo de Cristo. Agora ele fala da sua vocação — o seu chamado ministerial — quando diz:

2. Chamado apostólico de Paulo — Romanos 1.1

“chamado para ser apóstolo”
A parte “b” desse verso faz referência ao chamado ministerial de Paulo, apóstolo dos gentios. O adjetivo klētos quer dizer “chamado”, “convidado”. Paulo foi chamado por Deus para ser apóstolo. Esse adjetivo tira qualquer autonomeação ao cargo ou ofício de apóstolo.
Em outras cartas Paulo diz muito bem que ele foi escolhido antes mesmo de estar no ventre da sua mãe:
Gálatas 1.15: “Mas Deus me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça. Quando lhe agradou...”
Mais claro ainda em Gálatas 1.1: “Paulo, apóstolo enviado, não da parte de homens nem por meio de pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos.”
O próprio Jesus o designou para esse serviço:
Atos 9.15: “Mas o Senhor disse a Ananias: ‘Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel.’”
O próprio Espírito Santo o chamou para essa obra específica:
Atos 13.2: “Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: ‘Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.’”
Portanto, Paulo não se autonomeou apóstolo. Ele foi chamado por Deus.
Mas o que é um apóstolo? O apóstolo é alguém enviado para uma missão, comissionado a levar uma mensagem. Paulo foi enviado por Jesus para levar a mensagem do evangelho aos gentios.
Não existem mais apóstolos, esse termo é específico apenas para os Doze. Porém, o termo servo é para todos os cristãos em geral. Não somos chamados para ser apóstolos, mas somos chamados para sermos escravos de Cristo.
Transição: uma vez que Paulo é escravo de Jesus e chamado para ser apóstolo, agora ele diz que foi separado para o evangelho de Deus.

3. Separados para o evangelho — Romanos 1.1b

“separado para o evangelho de Deus”
Finalmente, ele foi “separado para o evangelho de Deus”, expandindo a declaração do seu chamado. Ser chamado é ser separado por Deus, receber uma missão para cumprir.
No primeiro capítulo de Gálatas (v. 15), ele declara que “foi separado desde o ventre de sua mãe e chamado por sua graça”.
Paulo foi chamado, separado e tornou-se escravo para o serviço de Cristo e do seu evangelho.
Todo cristão é escravo, chamado e separado para anunciar o evangelho.
Transição: após Paulo falar particularmente sobre quem ele é, agora no v.3 o apóstolo fala do evangelho que acabou de citar no v.2b. E a grande pergunta é: O que é o evangelho de Deus?

4. O evangelho antes prometido — Romanos 1.2

“o qual foi prometido por ele de antemão por meio dos seus profetas nas Escrituras Sagradas”
O evangelho não é uma mensagem nova ou atualizada de Deus, mas é a boa notícia de Deus para salvação da humanidade.
Essa mensagem foi anunciada no Antigo Testamento pelos profetas: — prefigurado nos sacrifícios; — revelado no Êxodo, no sangue do cordeiro aspergido nos umbrais das portas; — no maná do deserto; — na nuvem de dia e na coluna de fogo de noite.
Tudo isso era sombra do que haveria de ser revelado na pessoa de Jesus. Ele é a boa notícia de Deus para a salvação da humanidade.

5. Jesus é o evangelho prometido — Romanos 1.3–4

“acerca de seu Filho, que, como homem, era descendente de Davi, e que mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.”
Jesus é esse evangelho prometido. Neste evangelho está a boa notícia de que:
já não há mais condenação;
não somos mais inimigos de Deus, mas temos paz com Ele;
fomos reconciliados com Deus;
temos redenção por meio do seu sangue;
todos os nossos pecados foram perdoados;
fomos justificados.
O evangelho é o Deus encarnado: — sendo homem, segundo a descendência de Davi; — e sendo Deus, segundo o poder do Deus Pai, ressuscitando-o dentre os mortos.

Conclusão:

Todo cristão é chamado pelo santo evangelho. Por meio dessa mensagem somos feitos escravos de Cristo. Uma vez que fomos crucificados com Cristo, o escravo não faz mais as suas vontades, mas vive por meio daquele que o comprou.
Você foi comprado por Cristo? Você pertence a Ele? Até que ponto nós somos cativos de Cristo?
No mundo cheio de tecnologias e avanços tecnológicos, o que deveria nos cativar e nos aprisionar é a mensagem do evangelho. Deus encarnado morreu por mim, por você. Essa mensagem deveria nos cativar todos os dias.
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