Como foi nos Dias de Noé

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Mateus 24:37-39; Gênesis 6:5-13

Introdução

Quando Jesus estava ensinando seus discípulos sobre os sinais de sua vinda e do fim dos tempos, Ele fez uma comparação profunda e solene:
"Assim como foi nos dias de Noé, também será na vinda do Filho do Homem" (Mateus 24:37). Esta não foi uma referência casual, mas um alerta urgente para que prestássemos atenção às condições espirituais e morais que prevaleciam antes do dilúvio.
A geração de Noé viveu em uma época única na história da humanidade. O livro de Gênesis nos apresenta um panorama devastador daquela sociedade, marcada pela corrupção generalizada e pela indiferença espiritual. Ao estudarmos aqueles dias, descobrimos verdades essenciais sobre nosso próprio tempo e sobre como devemos viver enquanto aguardamos a volta de Cristo.

1. A CORRUPÇÃO GENERALIZADA DA SOCIEDADE

O relato bíblico é claro e direto: "Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração" (Gênesis 6:5).
A palavra "multiplicado" indica um crescimento exponencial do pecado. Não era apenas a presença do mal, mas sua proliferação desenfreada.
Gênesis 6:11-12 acrescenta: "A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra." A corrupção não era localizada ou restrita a alguns indivíduos - era sistêmica e abrangente.
Hoje, vivemos em tempos semelhantes. Paulo advertiu Timóteo:
"Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes" (2Timóteo 3:1-2). A descrição dos dias de Noé encontra eco em nossa geração, onde a relativização moral e a rejeição dos padrões divinos tornaram-se a norma.

2. A INDIFERENÇA ESPIRITUAL E A VIDA SECULAR

Jesus descreve o cotidiano daquela geração: "Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos" (Mateus 24:38-39).
Note que Jesus não condena as atividades em si - comer, beber e casar são parte legítima da vida humana. O problema estava na absorção completa com o temporal, ignorando completamente o eterno. Eles viviam como se Deus não existisse, como se não houvesse prestação de contas, como se a vida fosse apenas o aqui e agora.
Pedro complementa este quadro: "Deus não poupou o mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios" (2Pedro 2:5). Noé era um pregador da justiça! Por 120 anos, enquanto construía a arca, ele advertiu sua geração. Mas ninguém deu ouvidos. A mensagem de arrependimento foi ignorada, ridicularizada ou simplesmente considerada irrelevante.
Esta indiferença espiritual caracteriza nossos dias. Vivemos em uma época de materialismo desenfreado, onde as preocupações terrenas sufocam a vida espiritual. Jesus alertou: "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir" (Mateus 6:25), mas muitos vivem exclusivamente para estas coisas.

3. A GRAÇA DE DEUS E O CHAMADO AO ARREPENDIMENTO

Em meio ao juízo iminente, a graça de Deus brilha intensamente:
"Porém Noé achou graça diante do SENHOR" (Gênesis 6:8).
Esta pequena frase é monumental. Em um mundo completamente corrompido, havia um homem que encontrou favor aos olhos de Deus.
A Bíblia descreve Noé como "homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus" (Gênesis 6:9). Sua vida era radicalmente diferente de sua geração. Em Hebreus 11:7 lemos:
"Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé."
A arca que Noé construiu era um símbolo poderoso da graça salvadora de Deus. Por 120 anos, aquela estrutura massiva serviu como pregação silenciosa e como oportunidade de salvação. A porta da arca permaneceu aberta até o último momento, mas apenas oito pessoas entraram.
Hoje, Cristo é nossa arca de salvação. Pedro declara: "Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4:12). A porta da graça ainda está aberta, mas não permanecerá assim indefinidamente.

4. O JUÍZO CERTO E A URGÊNCIA DO TEMPO PRESENTE

O dilúvio não foi um mito ou uma lenda - foi um evento histórico de juízo divino. Pedro afirma categoricamente: "Deliberadamente esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água" (2Pedro 3:5-6).
Jesus conecta os dias de Noé com Sua segunda vinda: "Assim como foi nos dias de Noé, também será na vinda do Filho do Homem" (Mateus 24:37). O paralelismo é inconfundível: haverá juízo novamente, não por água, mas por fogo. "Os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios" (2Pedro 3:7).
A advertência é clara em Lucas 17:26-27:
"Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos."
Paulo nos exorta:
"Agora, pois, já é tempo de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia" (Romanos 13:11-12).

Conclusão

Os dias de Noé não são apenas história antiga - são um espelho de nosso tempo e uma profecia de nosso futuro. Vivemos em uma geração que, como aquela, está marcada pela corrupção moral, pela indiferença espiritual e pela absorção completa com as coisas temporais.
Mas assim como Deus providenciou salvação através da arca, Ele nos oferece salvação através de Cristo. A pergunta que cada um de nós precisa responder é: Entraremos pela porta da graça enquanto ela ainda está aberta?
Noé foi um pregador que sua geração ignorou. Hoje, Deus continua falando através de Sua Palavra e de Seu povo. "Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação" (2 Coríntios 6:2).
Que não sejamos como a geração de Noé, que continuou indiferente até que o dilúvio veio e os levou a todos. Antes, sejamos como Noé: vivendo em santidade, andando com Deus, e preparados para o dia da vinda do Senhor.
Jesus concluiu Seu ensino com uma advertência solene:
"Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor" (Mateus 24:42). Que possamos viver cada dia com esta vigilância espiritual, prontos para o encontro com nosso Salvador.
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