Teologia Aplicada (12)
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IGREJA PRESBITERIANA DE APIAÍ
PLANEJAMENTO PASTORAL – AULA
DEZEMBRO/2025
Rev. Mateus Lages
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Tema: Teologia Aplicada: a doutrina na vida comum
Tema: Teologia Aplicada: a doutrina na vida comum
07/12: É preciso saber para onde vamos (João 14.2-3)
Kennedy, D. James (1974). Verdades que transformam; 15 - A vida do além: O céu, p. 185.
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Introdução
Introdução
Irmãos, a cada dia precisamos lembrar que Deus nos criou para eternidade. Contudo, quase todos vivemos como se tivéssemos sido criados meramente para esta vida terrena.
Antigamente, era fácil encontrar pessoas que eram criticadas, chamadas de bitoladas ou fanático religiosamente falando. Pessoas que se afastavam do munco porque suas mentes eram por demais celestiais. Isso certamente não é algo que possa ser afirmado acerca de muitas pessoas de nossos próprios dias, pois vivemos em uma época em que os homens são tão mundanos em sua mentalidade, que estão sendo controlados pelo mundo, bem como pela carne e pelo diabo. O resultado é uma sociedade que se está despedaçando, ao mesmo tempo que todos se precipitam para obter mais e mais daquilo que satisfaz sua carne. Tais pessoas se assemelham àquelas a respeito de quem Paulo declarou: Filipenses 3.19 “O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está naquilo de que deviam se envergonhar, visto que só pensam nas coisas terrenas.”
Diante do que temos visto na vida dos nossos familiares e amigos, colegas de trabalho e vizinhos, amigos da escola dos nossos filhos, ou até na sua própria vida distante dos olhos dos irmãos da Igreja; qual é o seu sentimento? Confesso que o meu tem sido de atenção e de espera pela má notícia. Eu tenho vivido à espera de más notícias. Talvez esteja até adoecendo por isso, mas tem sido inevitável. O adultério e o divórcio, a mentira e a falsidade; a vida egoísta e de aparência tem sido o que eu mais contemplo ao meu redor.
O meu único recurso tem sido amadurecer essa revelação bíblica no coração, coisa que, aparentemente, tinham os nossos pais. Aqueles que vieram antes de nós tinham um senso do céu diferenciado, de modo que viviam na terra expressando os velores e princípios celestes sem que se dessem conta de que estavam fazendo algo antinatural ao ser humano, pelo fato de ser natural para eles viver conforme a Escritura, pois isso também aprenderam com seus pais 9físicos ou espirituais).
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Ilustração
Ilustração
Imagine um grande terminal rodoviário. Milhares de pessoas circulam apressadas, carregando malas pesadas, preocupadas com horários, compras, selfies, confortos momentâneos. O curioso, porém, é que quase ninguém sabe para onde realmente está viajando. Muitos não querem sequer olhar o bilhete — têm medo do destino. Outros, mesmo sabendo que se trata de uma viagem longa, agem como se fossem permanecer para sempre naquela sala de espera: decoram o banco em que estão sentados, discutem por espaço na fila, investem em melhorar o brilho da tela do celular enquanto o ônibus da eternidade já está estacionado do lado de fora, motor ligado.
No meio desse tumulto, há um grupo pequeno de pessoas que carrega bagagens leves e mantém os olhos continuamente no painel de embarque. Eles lembram uns aos outros: “Nosso destino não é aqui. Não fomos criados para esta sala de espera.” Eles chamam atenção, alguns até riem deles, dizendo que vivem com a cabeça nas nuvens. Mas, na verdade, são os únicos conscientes do propósito da jornada.
Enquanto isso, a maioria segue distraída, vivendo como se o terminal fosse o destino final — disputando cadeiras, acumulando peso desnecessário, correndo atrás do que logo ficará para trás. E, quando o alto-falante anuncia mudanças importantes, atrasos, acidentes ou emergências, muitos entram em desespero — como se não soubessem que a vida inteira foi um preparo para algo maior.
Essa ilustração nos lembra o que acontece hoje: vivemos cercados de pessoas — muitas vezes em nossa família, trabalho ou dentro da própria igreja — que tratam esta vida como o único mundo existente. E isso nos adoece, nos esgota, nos assusta. Mas aqueles que aprenderam com seus pais e avós a manter os olhos na eternidade continuam caminhando leves, atentos, amadurecendo a verdade de que fomos criados para o céu. Eles não vivem alienados: vivem preparados. Porque sabem que o terminal não é o destino — é apenas o embarque.
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O Céu!
O céu! Que é o céu? Esse é um dos principais temas da Escritura. O céu é a pátria superior que os profetas almejavam. É chamado não somente de um país, mas também de cidade: Hebreus 11.10 “Porque Abraão aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e construtor.” Mas também é chamado de casa: João 14.2 “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês.”
Diante dessas informações, sempre tem aqueles que escarnecem da Palavra de Deus e dizem: “Puxa, se for uma cidade será bem apertado lá, ein?” O problema desses é que, na realidade, nunca examinaram mais detidamente o texto bíblico. Em Apocalipse 21.16 “A cidade tinha a forma de um quadrado, de comprimento e largura iguais. E mediu a cidade com a vara, e tinha doze mil estádios. O seu comprimento, largura e altura são iguais.” Conforme essa medida, o espaço terá cerca de 2.300 km cúbicos, isto é cerca de 67,5% da área do Brasil. Aproximadamente o território que abrange de Curitiba a Salvador. Do Paraná até a Bahia. Isso apenas de modo terrestre. Como diz Rev Hernandes: Essa cidade é um verdadeiro cosmos de glória e santidade. E como argumenta George Ladd: É óbvio que esses números representam a simetria, a perfeição, a vastidão e a totalidade ideais da Nova Jerusalém. Por fim, se Jesus diz que há muitas moradas, podemos confiar que terá espeço para todos os santos.
O que de fato é importante nisso está destacado pelo Rev Leandro Lima em seu comentário de Apocalipse:
“Seguindo o mesmo padrão das visões de Ezequiel e Zacarias, João vê um anjo medindo a cidade. Em Ezequiel, após ser levado até um monte muito alto e ver a cidade, o profeta relata: “Ele me levou para lá, e eis um homem cuja aparência era como a do bronze; estava de pé na porta e tinha na mão um cordel de linho e uma cana de medir” (Ez 40.3). Então, cidade e a muralha foram medidas: “Vi um muro exterior que rodeava toda a casa e, na mão do homem, uma cana de medir, de seis côvados, cada um dos quais media um côvado e quatro dedos. Ele mediu a largura do edifício, uma cana; e a altura, uma cana” (Ez 40.5). Isso mais uma vez reforça que o cumprimento dessas profecias não está em um reinado milenar literal neste mundo, ou na reconstrução de um templo físico em Israel, mas no mundo vindouro, onde a grande função que o templo possuía no passado (aproximar o povo e seu Deus) se cumprirá definitivamente.
A medida da cidade é doze mil estádios, segundo o Apocalipse, o que equivaleria a dois mil e trezentos quilômetros aproximadamente. Porém, o que mais impressiona é que ela tem essa mesma medida no comprimento, na largura e na altura. Sem dúvida, a parte mais difícil é imaginar a altura. No entanto, o objetivo não é que o leitor imagine uma cidade com prédios ou edifícios tão altos, mas que pense em um cubo imenso e perfeito. Os leitores de João provavelmente se lembrariam que o Santo dos Santos no tabernáculo e no templo também era um cubo perfeito, com a medida de nove metros de comprimento, altura e largura (vinte côvados: 1Rs 6.20). O Santo dos Santos indica a presença de Deus com seu povo, a qual é plena na nova Jerusalém, pois, como já dissemos, esse é o significado desta cidade, a plena comunhão entre Deus e seu povo, que aqui é descrita numericamente em termos absolutos, em múltiplos de 12, o número que aponta para a igreja no Apocalipse. A nova Jerusalém é, portanto, o próprio “Santo dos Santos” do mundo vindouro.”
Lima, Leandro. Apocalipse - Comentário Bíblico : O Triunfo do Testemunho (Portuguese Edition) (pp. 828-829). (Function). Kindle Edition.
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A partir da Bíblia, a Confissão de Fé de Westminster ensina que, quando uma pessoa morre, seu corpo volta ao pó, mas sua alma continua viva diante de Deus. Segundo CFW 32.1, quem está em Cristo é imediatamente recebido por Ele e experimenta alegria, paz e santidade na sua presença. Já quem rejeitou a Deus permanece em julgamento, esperando o dia final. Isso significa que existe uma vida consciente depois da morte, e ninguém “desaparece” ou “dorme” sem saber de nada.
I. Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final. Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras não reconhecem nenhum outro lugar.
Gen. 3:19; At. 13:36; Luc. 23:43; Ec. 12:7; Apoc. 7:4, 15; II Cor. 5: 1, 8; Fil. 1:23; At. 3:21; Ef. 4:10; Rom. 5:23; Luc. 16:25-24.
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Mas esse momento logo após a morte não é o final da história. É o que chamamos de “estado intermediário”, porque ainda estamos esperando algo maior: a ressurreição do corpo. Conforme CFW 32.2, um dia Cristo vai voltar e ressuscitar todos os mortos. Os crentes receberão um corpo novo, glorioso e perfeito, que será unido à sua alma já aperfeiçoada. A esperança cristã não é só “ir para o céu quando morrer”, mas viver eternamente com Deus com corpo e alma renovados.
A Confissão também lembra que há um dia marcado para o juízo final (CFW 33.1–2). Nesse dia, tanto justos quanto ímpios serão julgados, e a justiça de Deus será totalmente revelada. Para os crentes, isso significa entrar na herança eterna: novos céus e nova terra, onde nunca mais haverá pecado, dor ou morte. Por isso, o estado intermediário é maravilhoso — estamos com Cristo —, mas ainda aguardando a melhor parte: a vida eterna completa, na nova criação que Deus prometeu para o seu povo.
II. No último dia, os que estiverem vivos não morrerão, mas serão mudados; todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos e não outros, posto que com qualidades diferentes, e ficarão reunidos às suas almas para sempre.
I Tess. 4:17; I Cor. 15:51-52, e 15:42-44.
III. Os corpos dos injustos serão pelo poder de Cristo ressuscitados para a desonra, os corpos dos justos serão pelo seu Espírito ressuscitados para a honra e para serem semelhantes ao próprio corpo glorioso dele.
At. 24:l5; João5:28-29; Fil. 3:21. Gen. 3:19; At. 13:36; Luc. 23:43; Ec. 12:7; Apoc. 7:4, 15; II Cor. 5: 1, 8; Fil. 1:23; At. 3:21; Ef. 4:10; Rom. 5:23; Luc. 16:25-24.
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Considerações finais
Considerações finais
Hoje encerramos a série sobre teologia aplicada - a doutrina para a vida comum, pensando sobre como é preciso saber para onde vamos.
A Bíblia apresenta, irmãos, quatro conceitos básicos sobre este assunto: Primeiro, a morte é o fim da vida física quando a alma se separa do corpo (Gn 27; Ec 12.7). Ela foi introduzida no mundo e na humanidade por meio do pecado (Gn 2.17; Rm 5.12, 17). Segundo, a morte física não põe fim à existência da alma. Justos e ímpios continuam existindo após passarem pela morte terrena (Dn 12.2; Mt 10.28; 11.21-24; Jo 14.3; 2Co 5.1, 10). Deus é o único que é imortal (1Tm 6.15). Terceiro, o estado das pessoas entre a morte e a ressurreição já é pleno gozo na presença de Deus ou de sofrimento longe dele (Lc 23.43; 2Co 5.8; Fp 1.23; Ap 14.13). Trata-se de um estado vivo e plenamente consciente (Lc 16.19-31); 1Ts 5.10). Por último, a ressurreição dos mortos acontecerá conjuntamente (ímpios e justos) no último dia, por ocasião da segunda vinda de Cristo (Jo 5.28-29; At 24.14-15; Ap 20.11-15).
Diante disso, irmãos, para onde você está indo? Para o céu. Qual é o único caminho para lá? Jesus: João 14.6 “Jesus respondeu: — Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” Quem encontraremos lá? Todos os salvos de todos os tempos.
Deste modo, irmãos, redescobrimos hoje um pouquinho do motivo que fazia com que nossos antepassados fossem mais firmes que nós em sua vida cristã. Dentre tantos, um deles é a compreensão firme no fato de que viver rumo ao céu é avançar com esperança para a cidade prometida, onde Deus manifestará plenamente Sua presença entre nós, assim como no jardim. Essa confiança é o que torna cada passo nesta vida uma antecipação da comunhão perfeita e eterna com Ele. Que nos permita recebê-la.
Oração final
