Vivendo a Unidade em Meio às Diferenças: A Lei do Amor

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Um estudo expositivo sobre como manter a unidade da igreja em meio a diferenças de opinião. Paulo ensina que o Reino de Deus é justiça, paz e alegria, e que o amor deve prevalecer sobre debates acerca de rituais e costumes.

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Muitas vezes, as maiores brigas na igreja não são sobre doutrinas fundamentais (como a divindade de Cristo ou a Salvação pela Graça), mas sobre opiniões, costumes e preferências. Paulo escreve aos Romanos para resolver um conflito entre dois grupos: os "débeis na fé" e os "fortes".
Definição do "Débil na Fé": Não é alguém fisicamente doente ou que não crê em Deus. Segundo o texto, é aquele com compreensão limitada da liberdade cristã. Ele é ansioso, escrupuloso e tenta garantir sua salvação através de regras e regulamentos (como comer apenas vegetais ou guardar dias cerimoniais judaicos).
Definição do "Forte": É o cristão maduro que entende que a salvação vem unicamente de Cristo e que rituais cerimoniais ou tipos de comida não alteram sua posição diante de Deus.
Esclarecimento Importante: Paulo não está falando aqui sobre pecados morais (como adultério ou roubo) nem abolindo a Lei Moral (como os Dez Mandamentos e o Sábado do Sétimo Dia). Ele trata de opiniões sobre rituais cerimoniais e costumes culturais (carnes sacrificadas a ídolos e festas judaicas anuais).
Por que não se trata de Carne de Porco (Leis de Saúde)?
O texto de Romanos 14:2 diz: "Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes."
A chave para entender que isso não é sobre carne de porco está na palavra "legumes" (vegetais).
A Lógica: Se a discussão fosse sobre as leis de Levítico 11 (animais limpos vs. imundos), o judeu "fraco" comeria carne de ovelha, de boi ou de frango (que são limpos). Ele não precisaria comer apenas vegetais.
O Contexto Histórico (Sacrifício a Ídolos): Em Roma e Corinto, a carne vendida no mercado público muitas vezes vinha de animais que tinham sido oferecidos a ídolos pagãos antes do abate.
O judeu cristão ("débil"), com medo de cometer idolatria indireta ao comer uma carne consagrada a Júpiter ou Apolo, preferia não comer carne nenhuma e ficar só nos vegetais para garantir.
O cristão maduro ("forte") sabia que "o ídolo nada é" (como Paulo explica em 1 Coríntios 8) e comia a carne, pois sabia que ela não estava contaminada espiritualmente.
O que dizem os comentaristas de outras denominações:
Conybeare e Howson (Anglicanos): Explicam que a abstinência de carne não era por causa da lei Mosaica de animais imundos, mas pelo medo de contaminação com a idolatria, já que as carnes do mercado eram frequentemente sacrificadas. Por segurança, os "fracos" abstinham-se de toda carne.
1Coríntios: Como Resolver Conflitos na Igreja O Problema: Carne Sacrificada aos Ídolos (8.1,2)

Algumas pessoas, que Paulo identifica como os de consciência mais fraca, diziam: “Nós não podemos comer carne em hipótese nenhuma, pois corremos o grave risco de comer carne sacrificada a ídolos”. Para não correr riscos, eles decidiram cortar a carne do cardápio. Tornaram-se vegetarianos para não caírem no perigo de comer carne sacrificada aos ídolos.

Comentário Bíblico Latino-Americano A Resolução de um Conflito Particular da Igreja em Roma (14.1–15.13)

uma refeição oferecida a um ídolo é comida sacramental, semelhante à que é partilhada na Ceia do Senhor; é um símbolo de aliança com um deus pagão e, portanto, um cristão não deve participar dela, pois sua prática não é adiafórica. Em

Por que não se trata do Sábado (Lei Moral)?
O texto de Romanos 14:5 diz: "Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias."
Paulo está falando aqui de dias cerimoniais (feriados anuais judaicos), e não do Sábado do Sétimo Dia (parte dos Dez Mandamentos).
A Lógica Moral vs. Cerimonial: Paulo nunca chamaria um dos Dez Mandamentos de "opinião" ou "contenda duvidosa". Ele sempre defendeu a Lei Moral (Rm 3:31, Rm 7:12). O Sábado foi estabelecido na Criação (Gênesis 2), antes de existir judeu.
O Contexto Histórico (Festas Judaicas): A igreja de Roma tinha judeus convertidos e gentios. Os judeus ainda queriam guardar a Páscoa judaica, o Pentecostes, a Festa das Trombetas e os "sábados anuais" (cerimoniais) que apontavam para Cristo. Como Cristo já tinha vindo, guardar esses feriados anuais não era mais obrigatório, mas também não era pecado se alguém quisesse fazer por devoção. Paulo diz: "Se alguém quer guardar a Páscoa como memória, guarde para o Senhor. Se outro não quer, não guarde."
O que dizem os comentaristas de outras denominações:
Albert Barnes (Presbiteriano - Barnes’ Notes on the Bible):Comentando sobre Romanos 14:5: "A referência aqui não é ao Sábado semanal, que é uma instituição moral e perpétua, mas aos dias de festividades judaicas, luas novas e sábados cerimoniais que eram sombras das coisas futuras."Ele afirma categoricamente que Paulo não está abolindo a lei moral do Decálogo.
Adam Clarke (Metodista - Adam Clarke Commentary):"Refere-se aqui às festas judaicas... Não há nenhuma indicação de que o Sábado semanal, santificado por Deus na criação, esteja incluído aqui. O Sábado é um memorial da criação e não uma sombra judaica."
Jamieson, Fausset e Brown (Reformados/Anglicanos):Eles argumentam que é um erro grave usar este texto para dizer que o Sábado acabou. Eles dizem que o Sábado é anterior ao Judaísmo (Criação) e foi citado pelo próprio Cristo. Paulo fala aqui de dias festivos que "desapareceram" com a lei cerimonial.
Lendo Romanos com John Stott, Vol. 2 Pertencemos ao Senhor (Romanos 14.5–9)

Paulo agora desenvolve sua segunda ilustração das relações entre os fortes e os fracos. Trata-se da observância ou não observância de dias especiais, presumivelmente festivais judaicos, quer festas ou jejuns, e se eram semanais, mensais ou anuais. Partindo do princípio de que tanto os fracos como os fortes refletiram na questão e chegaram a uma firme decisão, eles considerarão sua prática como parte de seu discipulado cristão, com a intenção de agradar e honrar ao Senhor.

Portanto, o que Paulo objeta aqui não é o descanso semanal de um dia por semana; o que ele procura resolver é o problema da imposição de rituais e cultos judaicos sobre outros crentes, especialmente os gentios.

I. O Mestre é o Juiz: O Perigo de Julgar e Desprezar (vv. 1-12)

A primeira instrução de Paulo ataca a atitude do coração de ambos os grupos.
A. A Atitude Errada (vv. 1-3)
O que come tudo (o forte) tende a desprezar (olhar de cima para baixo) o que não come.
O que não come (o débil) tende a julgar (condenar) o que come.
A correção divina: Deus acolheu a ambos! Se Deus aceitou seu irmão, quem é você para rejeitá-lo?
B. O Senhorio de Cristo (vv. 4-9)Paulo usa a ilustração de um servo doméstico.
Ninguém entra na casa de um vizinho para dar ordens aos criados dele. Da mesma forma, cada cristão é servo de Deus.
Seja na vida ou na morte, pertencemos ao Senhor. Cristo morreu e ressuscitou para ser Senhor de todos. Nossa conduta deve ser "para o Senhor", não para nós mesmos (v. 7).
C. O Tribunal de Deus (vv. 10-12)
Paulo lembra que todos compareceremos ao Tribunal de Deus.
Aplicação: Pare de olhar para o prato ou para o calendário do seu irmão. Prepare-se para dar contas de si mesmo a Deus.

II. A Lei do Amor: Não Seja uma Pedra de Tropeço (vv. 13-18)

Agora, Paulo muda o foco. Não basta apenas "não julgar"; é preciso agir com amor sacrificial.
A. O Princípio do Tropeço (v. 13)
Mesmo que o "forte" saiba que a carne não é impura em si mesma (v. 14), ele não deve usar essa liberdade se isso destruir a fé do irmão mais fraco.
Se sua liberdade faz seu irmão pecar contra a consciência dele, você não está andando em amor (v. 15).
B. O Verdadeiro Reino de Deus (v. 17)Este é o coração do capítulo. O Reino de Deus não é sobre o que entra na boca (comida ou bebida), mas sobre o que sai do coração transformado:
Justiça: Retidão de vida.
Paz: Harmonia com Deus e com os irmãos.
Alegria no Espírito Santo: A satisfação plena em Deus.
Aplicação: Vale a pena brigar por comida e perder a paz? Vale a pena exercer um "direito" e perder a alegria da comunidade?

III. A Consciência e a Edificação (vv. 19-23)

O objetivo final da vida cristã comunitária não é ter razão, é edificar (construir) o outro.
A. Edificação em vez de Destruição (vv. 19-20)
Não destrua a "obra de Deus" (a fé do irmão) por causa de comida.
É melhor o "forte" se abster voluntariamente (não comer carne ou beber vinho) se isso ajudar o irmão a permanecer firme (v. 21).
B. O Perigo da Dúvida (vv. 22-23)
Para o Forte: Tenha sua fé para si mesmo diante de Deus. Não exiba sua liberdade se isso ofende.
Para o Débil: Se você tem dúvida se algo é errado e faz mesmo assim, você peca. "Tudo o que não provém de fé é pecado".
Lição: Nunca viole sua consciência, mesmo que ela precise ser educada. E nunca force alguém a violar a consciência dele.
Conclusão e Apelo
Aprendemos que em questões de opinião e costumes (não em mandamentos morais claros), a unidade deve prevalecer. O "Forte" deve proteger o "Débil", e o "Débil" não deve julgar o "Forte".
O Apelo à Decisão:
Hoje, Deus está chamando você para três decisões fundamentais:
Decisão de Humildade: Se você tem se sentido espiritualmente superior (Forte) ou tem sido crítico e condenatório (Débil), arrependa-se hoje. Reconheça que seu irmão também foi acolhido por Deus.
Decisão de Prioridade: Você está disposto a abrir mão de um "direito" ou preferência pessoal para salvar a consciência de alguém? Decida hoje que as pessoas são mais importantes que as coisas ou debates.
Decisão de Senhorio: O texto diz: "Se vivemos, para o Senhor vivemos". Você tem vivido para si mesmo ou para Cristo?
Oração Final: Convide as pessoas a entregarem seus "julgamentos" e suas "liberdades egoístas" no altar, pedindo que o Reino de Deus (Justiça, Paz e Alegria) reine na igreja.
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