Levítico 8.31-10.1-20

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Leviticus 8:31–36 ARA
31 Disse Moisés a Arão e a seus filhos: Cozei a carne diante da porta da tenda da congregação e ali a comereis com o pão que está no cesto da consagração, como tenho ordenado, dizendo: Arão e seus filhos a comerão. 32 Mas o que restar da carne e do pão queimareis. 33 Também da porta da tenda da congregação não saireis por sete dias, até ao dia em que se cumprirem os dias da vossa consagração; porquanto por sete dias o Senhor vos consagrará. 34 Como se fez neste dia, assim o Senhor ordenou se fizesse, em expiação por vós. 35 Ficareis, pois, à porta da tenda da congregação dia e noite, por sete dias, e observareis as prescrições do Senhor, para que não morrais; porque assim me foi ordenado. 36 E Arão e seus filhos fizeram todas as coisas que o Senhor ordenara por intermédio de Moisés.

A Consagração de Arão e Seus Filhos: Obediência, Espera e a Natureza do Pecado

A ordenação de Arão e seus filhos ao sacerdócio, conforme detalhado em Levítico 8.31-36 e em resumo de Êxodo 29.31, foi um processo rigorosamente prescrito por Deus, exigindo total obediência e um período essencial de preparação.

A Oferta e o Lugar Santo

Como parte final do culto de ordenação, Arão e seus filhos receberam a ordem de comer a carne cozida e os itens assados da oferta de consagração (Lv 8.31-32). Embora adorassem como leigos neste sacrifício, eles foram instruídos a consumir a oferta dentro dos limites do pátio do Tabernáculo, no lugar santo, dado que estavam sendo ordenados para o sacerdócio. A refeição era cozida à porta da tenda da congregação para que o povo pudesse testemunhar o ato. Esta participação no consumo das ofertas sagradas simbolizava sua comunhão com o Senhor devido à sua participação nos sacrifícios. O que não fosse consumido deveria ser queimado no mesmo dia, demonstrando que ninguém mais estava qualificado para comer do alimento da consagração.

O Período de Espera de Sete Dias: Preparação e Purificação

Após o primeiro dia de ordenação, foi imposto um período de espera de sete dias antes que Arão e seus filhos pudessem iniciar suas responsabilidades como sacerdotes (Lv 8.33, 35). Este período, que marcava o ritual da consagração como completo (simbolismo numérico de "sete"), não era uma simples formalidade de rito de passagem, mas tinha um profundo significado espiritual.
Necessidade de Preparação: A espera enfatizava a necessidade de não se apressar de forma imprudente e despreparada para o serviço de Deus. Durante aqueles sete dias, Moisés oferecia diariamente a oferta de purificação por eles (Êx 29.35–36), enquanto os sacerdotes permaneciam no recinto para serem consagrados), a aprofundar a comunhão com Deus e a se prepararem, crescendo em santidade.
Exodus 29:35–36 ARA
35 Assim, pois, farás a Arão e a seus filhos, conforme tudo o que te hei ordenado; por sete dias, os consagrarás. 36 Também cada dia prepararás um novilho como oferta pelo pecado para as expiações; e purificarás o altar, fazendo expiação por ele mediante oferta pelo pecado; e o ungirás para consagrá-lo.
Caráter Gradual da Santificação: A demora testemunha o caráter profundamente enraizado do pecado e a natureza gradual da transformação pela graça. Enquanto a contaminação pode ocorrer em um momento, a santificação e a remoção da impureza são processos mais lentos (cf. períodos de transição de sete dias para cura de doenças de pele ou fluxos corporais, Lv 14.8; 15.13,14,28,29). Ou seja, No sistema levítico, a impureza ocorria de imediato, enquanto a purificação ritual levava tempo. Isso também ilustra uma verdade espiritual: embora na Nova Aliança sejamos santificados de uma vez por todas em Cristo (Hb 10.10), ainda somos chamados a um processo contínuo de santificação prática (1Ts 4.3).
1 Thessalonians 4:3 ARA
3 Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição;
Risco e Obediência: Durante toda a semana, os sacerdotes eram obrigados a permanecer nos recintos sagrados, mantendo a guarda do Senhor para evitar o juízo letal de Deus, pois deixar o solo sagrado os tornaria cerimonialmente impuros.

A Advertência e a Fidelidade na Obediência

Uma advertência específica foi dada sobre a necessidade de obediência exata às prescrições divinas para a adoração:
Leviticus 8:35 ARA
35 Ficareis, pois, à porta da tenda da congregação dia e noite, por sete dias, e observareis as prescrições do Senhor, para que não morrais; porque assim me foi ordenado.
Esta advertência prenuncia e explica o trágico desastre que sobreviria a Nadabe e Abiú por oferecerem fogo "que ele não havia ordenado" (Lv 10.1-3).
A nota final da ordenação passa o bastão da obediência de Moisés para Arão, afirmando que Arão e seus filhos fizeram tudo o que o Senhor ordenou por meio de Moisés (Lv 8.36).
Leviticus 8:36 ARA
36 E Arão e seus filhos fizeram todas as coisas que o Senhor ordenara por intermédio de Moisés.
O sacerdócio era uma ordem divinamente instituída e não uma invenção humana, o que exigia que aqueles que ministravam entre Deus e o povo obedecessem cuidadosamente a tudo o que Deus ordenara.

A Universalidade do Pecado e o Cumprimento em Cristo

Os rituais de consagração e purificação realçavam uma doutrina fundamental: a universalidade e abrangência do pecado. Os homens escolhidos para ministrar a Deus, incluindo Arão e seus filhos, estavam manchados pelo pecado, necessitando de ofertas de purificação e da aplicação de sangue em suas vestes e corpos.
A Ineficácia dos Sacrifícios Diários: Os sacrifícios precisavam ser repetidos continuamente, demonstrando que não havia uma purificação de uma vez por todas no Antigo Testamento, dada a natureza incorrigível do coração humano. O salmista declara:
Psalm 14:3 ARA
3 Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
Cristo, o Cumprimento: A pecaminosidade dos sacerdotes e a ineficácia de seus sacrifícios para remover o pecado é um tema principal da Epístola aos Hebreus (Hb 5—10). A vinda de Cristo cumpriu tudo o que os antigos sacerdotes tentavam fazer. Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios a cada dia, primeiramente por seus próprios pecados e depois pelos do povo; ele fez isso de uma vez por todas quando ofereceu a si mesmo (Hb 7.27).
Hebrews 7:27 ARA
27 que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu.

O Papel Mediador de Moisés e Cristo

O papel de Moisés no processo era único: ele agiu como o sacerdote que ordenou Arão e como o profeta que declarou a vontade de Deus. Em Deuteronômio 18.15, Moisés prenunciou a vinda de um profeta semelhante a ele, que o Novo Testamento identifica como Cristo (At 3.22).
Acts 3:22 ARA
22 Disse, na verdade, Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser.
Assim como Moisés, Jesus declarou a vontade de Deus aos homens (Jo 1.17-18; 5.30).
John 1:17–18 ARA
17 Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. 18 Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.
John 5:30 ARA
30 Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou.
E assim como Moisés designou Arão para "instruir os israelitas" (Lv 10.11), Jesus escolheu primeiramente Seus apóstolos para "pregar" e ir "às ovelhas perdidas de Israel" (Mt 10.6-7).
Matthew 10:6–7 ARA
6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; 7 e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus.
Embora os cristãos ainda precisem do perdão diário de seus pecados (1Jo 1.8-9), eles não necessitam de sacrifícios animais, pois o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7). O princípio de preparação e a necessidade de não se apressar no serviço de Deus, como exemplificado pelos sete dias de espera, ainda se aplica à vida e ao ministério cristão, buscando a santidade e o poder do alto antes de começar.

O Dia da Glória: A Inauguração do Culto e a Resposta de Deus Levítico 9

A narrativa de Levítico 9 representa o clímax da adoração no Antigo Testamento. Tudo o que a precedeu — a construção do Tabernáculo e a consagração do sacerdócio — foi preparatório para este momento único: o aparecimento de Deus no meio do Seu povo.

1. O Oitavo Dia: Um Novo Começo

Leviticus 9:1–14 ARA
1 Ao oitavo dia, chamou Moisés a Arão, e a seus filhos, e aos anciãos de Israel 2 e disse a Arão: Toma um bezerro, para oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto, ambos sem defeito, e traze-os perante o Senhor. 3 Depois, dirás aos filhos de Israel: Tomai um bode, para oferta pelo pecado, um bezerro e um cordeiro, ambos de um ano e sem defeito, como holocausto; 4 e um boi e um carneiro, por oferta pacífica, para sacrificar perante o Senhor, e oferta de manjares amassada com azeite; porquanto, hoje, o Senhor vos aparecerá. 5 Então, trouxeram o que ordenara Moisés, diante da tenda da congregação, e chegou-se toda a congregação e se pôs perante o Senhor. 6 Disse Moisés: Esta coisa que o Senhor ordenou fareis; e a glória do Senhor vos aparecerá. 7 Depois, disse Moisés a Arão: Chega-te ao altar, faze a tua oferta pelo pecado e o teu holocausto; e faze expiação por ti e pelo povo; depois, faze a oferta do povo e a expiação por ele, como ordenou o Senhor. 8 Chegou-se, pois, Arão ao altar e imolou o bezerro da oferta pelo pecado que era por si mesmo. 9 Os filhos de Arão trouxeram-lhe o sangue; ele molhou o dedo no sangue e o pôs sobre os chifres do altar; e o resto do sangue derramou à base do altar. 10 Mas a gordura, e os rins, e o redenho do fígado da oferta pelo pecado queimou sobre o altar, como o Senhor ordenara a Moisés. 11 Porém a carne e o couro queimou fora do arraial. 12 Depois, imolou o holocausto, e os filhos de Arão lhe entregaram o sangue, e ele o aspergiu sobre o altar, em redor. 13 Também lhe entregaram o holocausto nos seus pedaços, com a cabeça; e queimou-o sobre o altar. 14 E lavou as entranhas e as pernas e as queimou sobre o holocausto, no altar.
Ao "oitavo dia" (Lv 9.1), exatamente uma semana após o início da ordenação, a consagração estava completa e Arão pronto para assumir seu ministério. O número oito carrega um profundo simbolismo de "novo começo" e ressurreição, ecoando o dia da circuncisão (Lv 12.3), a purificação de leprosos e, profeticamente, o domingo da ressurreição de Cristo, superando a antiga criação de sete dias.
Neste dia, Deus, que havia feito Sua morada no meio de Israel, estava prestes a restaurar, aparentemente em algum grau, a comunhão desfrutada no Éden. Embora Arão fosse o sumo sacerdote, ele permanecia sujeito a Moisés, o mediador profético. O texto enfatiza que a adoração não nasce da criatividade humana, mas da instrução divina: por cinco vezes é dito que Moisés ordenou o que deveria ser feito (Lv 9.6). O propósito central é declarado explicitamente: "hoje o Senhor aparecerá a vós" (Lv 9.4).
A "Glória do Senhor" — ou Kābôd (hebraico para "peso", indicando valor supremo e majestade) — deixaria de ser apenas uma manifestação distante no topo do Sinai (Êx 24.16) para se tornar uma presença central no meio do acampamento. O Deus transcendente agora habitava entre eles.

A Preparação de Arão: Memória e Expiação

Antes de ministrar ao povo, Arão precisava lidar com sua própria pecaminosidade e inadequação (Lv 9.7). A ordem para que ele trouxesse um bezerro para oferta pelo pecado (Lv 9.2) aparentemente carrega uma ironia mordaz e corretiva: o animal trazia à memória o pecado de Arão com o bezerro de ouro (Êx 32), removendo as "últimas manchas" daquele erro grave. Já o carneiro para o holocausto evocava o substituto providenciado para Abraão no lugar de Isaque (Gn 22).
O ritual seguiu procedimentos específicos, distintos do futuro Dia da Expiação, pois o sistema ainda não operava plenamente:
O Sangue: Arão imolou o bezerro e aplicou o sangue apenas nos chifres do altar externo e na base, sem levá-lo para dentro do santuário, pois ele ainda não havia entrado na Tenda do Encontro (Lv 9.8-9).
O Fogo e o Descarte: A gordura foi queimada no altar, mas a carne e o couro foram queimados fora do arraial (Lv 9.11). Isso demonstrava que o sacerdote não podia tirar proveito de sua própria oferta pelo pecado; ele dependia inteiramente de um substituto.
A Consagração: O holocausto foi totalmente incinerado, simbolizando a dedicação completa de Arão a Deus.

2. A Oferta da Comunidade: A Ordem da Adoração

Leviticus 9:15–21 ARA
15 Depois, fez chegar a oferta do povo, e, tomando o bode da oferta pelo pecado, que era pelo povo, o imolou, e o preparou por oferta pelo pecado, como fizera com o primeiro. 16 Também fez chegar o holocausto e o ofereceu segundo o rito. 17 Fez chegar a oferta de manjares, e dela tomou um punhado, e queimou sobre o altar, além do holocausto da manhã. 18 Depois, imolou o boi e o carneiro em sacrifício pacífico, que era pelo povo; e os filhos de Arão entregaram-lhe o sangue, que aspergiu sobre o altar, em redor, 19 como também a gordura do boi e do carneiro, e a cauda, e o que cobre as entranhas, e os rins, e o redenho do fígado. 20 E puseram a gordura sobre o peito, e ele a queimou sobre o altar; 21 mas o peito e a coxa direita Arão moveu por oferta movida perante o Senhor, como Moisés tinha ordenado.
Estando purificado, Arão voltou-se para as ofertas do povo (Lv 9.15-21). A congregação trouxe uma variedade de sacrifícios que revelam a lógica da verdadeira adoração: primeiro confessa-se o pecado, depois renova-se a consagração e, por fim, desfruta-se da comunhão.
Oferta pelo Pecado: Um bode. Notavelmente, o bode era geralmente exigido para líderes (Lv 4.22), o bode aqui representa toda a nação (Lv 9.15), embora em outros textos seja usado para líderes. Isso evidencia a responsabilidade sacerdotal de Israel diante de Deus (Êx 19.6).
Holocausto e Oferta de Manjares: Simbolizavam a dedicação total e os dons trazidos a Deus.
Ofertas Pacíficas (Comunhão): Arão realizou a oferta movida com os peitos e as coxas direitas (Lv 9.21). Diferente da oferta pelo pecado, estas permitiam que os sacerdotes comessem a carne, simbolizando a comunhão restaurada: Deus aceitava a adoração e sustentava seus servos através dela.

3. A Ponte entre Céu e Terra

Leviticus 9:22–24 ARA
22 Depois, Arão levantou as mãos para o povo e o abençoou; e desceu, havendo feito a oferta pelo pecado, e o holocausto, e a oferta pacífica. 23 Então, entraram Moisés e Arão na tenda da congregação; e, saindo, abençoaram o povo; e a glória do Senhor apareceu a todo o povo. 24 E eis que, saindo fogo de diante do Senhor, consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar; o que vendo o povo, jubilou e prostrou-se sobre o rosto.
Com os sacrifícios posicionados no altar, Arão usou a plataforma elevada para estender as mãos e abençoar o povo (Lv 9.22), liberando as promessas da aliança — Não sabemos qual bênção Arão pronunciou aqui; mais tarde Deus lhe dará a bênção de Nm 6.24–26. Este ato não encerrava o culto, mas ativava o favor divino.
Numbers 6:24–26 ARA
24 O Senhor te abençoe e te guarde; 25 o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; 26 o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz.
Em seguida, ocorreu um movimento crucial: Moisés e Arão entraram juntos na Tenda do Encontro (Lv 9.23). Este momento de privacidade selou a transferência de autoridade: até então, apenas Moisés tinha acesso direto, mas agora Arão também o teria. O movimento de "entrar e sair" simbolizava a ponte entre o céu e a terra. Eles entraram para orar e saíram para abençoar o povo novamente, agora juntos.

A Glória que Responde: O Fogo do Senhor

Foi neste momento de dupla bênção que a promessa se cumpriu: "a glória do SENHOR apareceu a todo o povo" (Lv 9.23).
Um fogo sobrenatural saiu "de diante do Senhor" (emergindo do Santo dos Santos) e consumiu instantaneamente as gorduras e as ofertas que queimavam lentamente no altar (Lv 9.24).
Diferente das divindades tribais das nações vizinhas, que vinham de fora para tomar posse de um templo, o Deus de Israel já estava lá; Ele emergiu de Sua casa para abençoar. O fogo serviu como um sinal duplo:
Validação e Graça: Validou o sacerdócio de Arão e demonstrou a aceitação do sacrifício, assim como faria posteriormente no Templo de Salomão (2Cr 7.1) e no Carmelo com Elias (1Rs 18.38).
Santidade e Limite: O fogo é a santidade ativa de Deus. Ele consome o que é santo, mas seria um juízo destruidor se o povo não estivesse consagrado. Aqui, houve reciprocidade: a glória respondeu à obediência humana.

A Resposta Humana e o Cumprimento Eterno

A reação de Israel foi simultânea e paradoxal:
Júbilo: Eles "gritaram de júbilo" (Lv 9.24), uma expressão alta de louvor pela presença graciosa de Deus.
Temor: Eles "caíram com o rosto em terra", reconhecendo com reverência que a santidade de Deus é fogo consumidor.
Esta narrativa projeta sombras que se cumprem perfeitamente no Novo Testamento. O que Israel viu parcialmente, nós vemos plenamente em Cristo.
A Verdadeira Glória: Como ensina João, "o Verbo se fez carne e habitou [tabernaculou] entre nós" (Jo 1.14). A glória de Deus, paradoxalmente, manifestou-se de forma suprema na "fraqueza" da cruz, onde o poder e a sabedoria divina venceram o pecado.
O Sacrifício Perfeito: Enquanto Arão precisava de sacrifícios repetidos por si mesmo (Hb 5.3), Cristo ofereceu-se uma única vez, sem pecado.
O Fogo do Espírito: Assim como o fogo desceu sobre o altar, o Espírito Santo desceu como línguas de fogo no Pentecostes (At 2.3).
Acesso Universal: O acesso íntimo, antes restrito a Moisés e Arão, agora é aberto a todos os crentes, que podem se aproximar com confiança do trono da graça.
A verdadeira adoração hoje não depende de pompa cerimonial, mas é feita "em Espírito e em Verdade" (Jo 4.24), mantendo a mesma base: acesso pelo sangue de Cristo e uma resposta de alegria e temor reverente (Hb 12.28), aguardando o dia em que a própria glória de Deus iluminará a cidade eterna (Ap 21.23).

10.1-3 Fogo do Senhor

Nadabe e Abiú (v. 1) eram os mais velhos dos quatro filhos de Arão (Êx 6.23). Eles haviam acompanhado seu pai e Moisés na subida do monte Sinai (Êx 24.1). Junto com Arão e seus irmãos, Eleazar e Itamar, eles haviam acabado de ser ordenados como sacerdotes (Lv 8.30). Pode-se pressupor, portanto, que tinham o direito de oferecer incenso. Certamente, o versículo 1 está repleto de palavras que nos capítulos 8 e 9 descrevem o trabalho sacerdotal, como, por exemplo: pegaram (lāqaḥ) (8.15,16,23,25; 9.2,15); puseram (nāṯan) (8.15,24; 9.9); colocaram (śîm) (9.20; cf. 8.8,9,26); ofereceram (hiqrîḇ) (8.18,22; 9.2,9,15,16,17). Até mesmo a palavra traduzida por incenso1 (qeṭōreṯ) é parecida com a palavra que se traduz por “queimar” sacrifícios no altar (hiqṭîr) (8.16,20,21,28; 9.10,13,14,17,20). Esses ecos verbais dos capítulos anteriores remetem a lembranças de importantes ocasiões comoventes em que o plano de Deus para criar um povo santo fez um avanço significativo. Então subitamente a nossa euforia é destruída pelas últimas cinco palavras (hebraicas) da frase: “um fogo estranho que ele não tinha ordenado”. Fogo estranho. O leitor gostaria muito de saber a natureza exata do pecado deles.2 O que tornou esse fogo “estranho”? Incenso era produzido por meio da mistura de especiarias aromáticas, que então eram vaporizadas quando colocadas em um incensário que continha brasas de carvão, isto é, “fogo”. De acordo com Levítico 16.12, esses pedaços de carvão precisavam ser tirados do altar. Será que dessa vez eles vieram de algum outro lugar? Ofertas de incenso diárias foram prescritas em Êxodo 30.7,8. Nadabe e Abiú ofereceram isso na hora errada do dia? Isso poderia ser deduzido de Êxodo 30.9, que proíbe “incenso estranho”.3 Em outros trechos da Lei, “estranho” (zār) se refere a pessoas que não são sacerdotes (Êx 30.33; Lv 22.12; Nm 17.5 [VP 16.40]) ou a estrangeiros (Dt 25.5). Talvez “não autorizado” pudesse ser uma tradução alternativa. De todo modo, o termo parece relativamente vago. O que realmente importava é afirmado em seguida: era fogo que ele não tinha ordenado. Toda a narrativa a partir de 8.1 nos levou a ter a expectativa de que os ministros de Deus obedeceriam à Lei prontamente e com exatidão. De repente, vemos os filhos de Arão fazendo algo que não havia sido ordenado. Saiu fogo de diante do Senhor (v. 2). Exatamente a mesma expressão ocorre em 9.24. Na primeira ocasião, fogo divino veio somente após todos os sacrifícios terem sido oferecidos. Dessa vez, ele veio instantaneamente e os consumiu (cf. 9.24: “consumiu” os sacrifícios). Isso era um fogo de juízo: eles morreram diante do Senhor. Na primeira vez, o fogo foi uma prova da bênção de Deus. Então os israelitas gritaram de júbilo. Agora Arão ficou em silêncio (v. 3). Moisés, o porta-voz de Deus, tem uma palavra para a ocasião. Ele explica a ação de Deus em uma parelha de versos poéticos. “Eu tenho de ser santificado por aqueles que estão próximos de mim. E tenho de ser honrado na presença de todo o povo!” (v. 3)
Eu tenho de ser santificado4 (´eqqādēsh). A santidade (qdsh) é um dos grandes temas de Levítico.5 Toda a nação foi chamada para ser santa, mas quão maior não era a responsabilidade dos sacerdotes cujo dever era executar os rituais santificadores e ensinar ao povo o caminho da santidade. Eles estavam próximos (qārōḇ) de Deus de modo preeminente, pois eles mesmos se aproximavam dele (qārēḇ) (p. ex., 9.7,8) e aproximavam os sacrifícios (hiqrîḇ) (p. ex., 7.9,33; 9.9 etc.). Honrado ou “glorificado” é a forma verbal (kābēḏ, nifal) da palavra traduzida por glória (kāḇôḏ) (cf. 9.23). A santidade e a glória de Deus também são mencionadas juntas em Isaias 6.3: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória (A21). De forma muito acertada, alguém já disse que “a santidade de Deus é a sua glória oculta e encoberta […] Mas a sua glória é a sua santidade revelada”.6 As palavras de Moisés podem ser parafraseadas de modo livre assim: “Quanto mais perto um homem está de Deus, mais atenção ele precisa dar à santidade e à glória de Deus”. A implicação não mencionada é que os filhos do sumo sacerdote deveriam ter tido uma atitude melhor do que essa ação tão presunçosa. A mesma observação teológica é feita de muitas maneiras diferentes no AT. Por Israel ser o povo da aliança de Deus, a nação estava sujeita às maldições da aliança listadas em Levítico 26 e Deuteronômio 28. Amós diz que enquanto outras nações merecem a punição de Deus por seus pecados graves contra a humanidade, Judá e Israel serão punidos simplesmente por não terem guardado a Lei (Am 2 e 3). Os homens santos em Israel são julgados de acordo com um critério ainda mais elevado: eles devem seguir as determinações de Deus nos mínimos detalhes. No caso deles, a transgressão mais leve tende a atrair a punição mais assustadora. O maior dos líderes de Israel, Moisés, não obteve a realização da ambição que o havia acompanhado a vida inteira por se desviar um pouco dos mandamentos de Deus (Nm 20): “porque não acreditastes em mim, não santificando-me diante dos israelitas” (Nm 20.12, A21). Alguns dos homens de Bete-Semes, uma cidade sacerdotal (Js 21.16), morreram por não tratarem a arca com a devida reverência (1Sm 6.19). O capítulo 13 de 1Reis fala de um profeta que, tendo cumprido fielmente a sua missão de pregar contra o altar de Betel, não se apressou para casa como lhe havia sido ordenado e então foi morto por um leão. Tanto Geazi, servo de Elias, quanto o rei Uzias foram atacados com lepra por causa de seus pecados (2Rs 5.20ss.; 2Cr 26.16ss.). Ao comentar sobre essa passagem, Calvino escreveu: “se refletirmos quão santa é a adoração de Deus, a enormidade da punição de modo algum nos ofenderá. Além disso, era necessário que a religião deles fosse sancionada já em seu princípio; pois se Deus tivesse tolerado que os filhos de Arão transgredissem impunemente, depois disso, eles teriam negligenciado de forma despreocupada toda a Lei. Portanto, essa foi a razão para uma severidade tão grande: que os sacerdotes vigiassem de forma zelosa contra toda profanação”.7
10.4 A ordem de Moisés a Misael e Elzafã
10.5 A obediência deles
10.6,7a A ordem de Moisés a Arão e seus filhos sobreviventes
10.7b A obediência deles
Após a morte de Nadabe e Abiú, a narrativa volta ao padrão comum de ordem-cumprimento, ao que tudo indica para enfatizar o efeito da sua morte nos espectadores: as ordens de Deus não devem ser desprezadas. Os sacerdotes não podiam se aproximar dos mortos, pois defuntos traziam contaminação que os impediria de exercer a sua função no santuário (Lv 21). Essa proibição era absoluta no caso do sumo sacerdote (21.10ss.), mas outros sacerdotes podiam sepultar os seus parentes mais próximos. O normal seria que os irmãos de Nadabe e Abiú tivessem realizado o seu funeral; em vez disso, os primos de Arão chamados Misael e Elzafã8 são incumbidos dessa tarefa (v. 4). Arão e seus filhos também são proibidos de participar nos rituais de luto costumeiros. Não desarrumeis o vosso cabelo nem rasgueis as vossas roupas (v. 6; cf. 13.45; Gn 37.29 etc.). Essa regra normalmente se aplicava somente ao sumo sacerdote (Lv 21.10); aqui ela é estendida também a seus filhos. Não se explica por que Eleazar e Itamar não podiam participar do lamento pela morte de seus irmãos. O texto simplesmente declara que se eles fizessem isso morreriam e a ira de Deus viria sobre toda a comunidade (v. 6). Talvez a razão disso tenha sido que Nadabe e Abiú não haviam sofrido uma morte natural, mas um juízo direto de Deus. Os sacerdotes sobreviventes, ainda que fossem irmãos, precisavam se identificar inteiramente com a perspectiva de Deus e não provocar nenhuma suspeita de que aceitavam os pecados de seus irmãos. Se tivessem participado dos costumes tradicionais de rasgar as suas roupas poderiam ter ficado tentados em seu luto a culpar Deus pela morte dos irmãos. São raros os homens como Jó, capazes de lamentar a perda de parentes e louvar a Deus ao mesmo tempo (Jó 1.20,21). A dedicação total ao serviço de Deus é exigida dos sacerdotes: eles não devem deixar a área cercada da Tenda do Encontro (v. 7)9 nem mesmo para um funeral (cf. Mt 8.21,22; Lc 9.59,60; 14.26,27). Do santuário para fora do acampamento (v. 4, cf. v. 5). Seus corpos mortos são impuros e precisam ser removidos da área santa para o setor dos impuros fora do acampamento (cf. 4.12,21 etc.). Eles são tratados como as partes descartadas dos animais dos sacrifícios. Em suas túnicas (v. 5). As vestes que simbolizavam o seu chamado elevado (8.13) foram agora usadas como mortalhas para o seu sepultamento infame. Mas deixai que todos os vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem o fogo que o Senhor enviou (v. 6). Os sacerdotes não deveriam lamentar as mortes, mas “Deus permitiu que os homens mortos fossem lamentados pelo povo, a fim de que a memória do seu castigo não se perdesse depressa demais”.10
10.8-11 As ordens do Senhor a Arão
O Senhor falou a Arão. Somente aqui em Levítico Deus fala a sós e diretamente com Arão; em outras passagens, isso sempre ocorre na companhia de Moisés ou por meio dele. Isso mostra a importância do que ocorre em seguida e que Arão, apesar das más ações de seus filhos, ainda era o sumo sacerdote, capaz de fazer a mediação entre Deus e o homem. As ordens transmitidas a Arão, no entanto, são estranhas. Por que era necessário introduzir uma proibição de beber álcool aqui e então combiná-la com instruções sobre o ensino aos israelitas? Hoffmann11 sugere que era o costume suprir pessoas em luto e outras pessoas aflitas com muita bebida para alegrá-las (cf. Pv 31.6,7). As observações sobre bebida então estariam em harmonia com determinações anteriores que proibiam que os sacerdotes cedessem aos costumes de luto comuns (v. 6). Gispen,12 seguindo comentaristas judeus anteriores, acredita que a proibição foi provocada pela embriaguez de Nadabe e Abiú, que os levou ao erro. Mas não há nada explícito no texto que demonstra que eles haviam bebido demais. Os autores do AT tinham plena consciência de que álcool demais poderia produzir insensatez e falta de entendimento (Pv 20.1; Os 4.11; 7.5). É vossa tarefa.13 A essência do trabalho do sacerdote era tomar decisões quanto ao que constituía a diferença entre o santo e o comum, e entre o puro e o impuro (v. 10).14 Cometer um erro nessas questões provocava o juízo de Deus e poderia levar à morte. Assim, para reduzir o risco desses erros, os sacerdotes não podiam beber antes de exercer sua função. Os nazireus, mais um grupo de homens santos no antigo Israel, precisavam se abster durante todo o tempo do seu voto (Nm 6.3,4; Jz 13.4,5; Lc 1.15). Leigos comuns podiam desfrutar de vinho como uma dádiva de Deus (Sl 104.15), mas o ato de beber excessivamente era castigado (Pv 23.29ss.). Líderes na igreja do NT precisavam ser moderados no seu uso de bebida (1Tm 3.3,8; Tt 2.2,3). Instruir os israelitas (v. 11). Os sacerdotes não eram somente homens que ofereciam sacrifícios, mas também eram mestres. “Instruir” (lehôrôṯ) o povo envolvia ensinar a lei (tôrāh), o que incluía tanto ensinar as regras reveladas quanto tomar decisões sobre casos difíceis não tratados explicitamente na revelação do Sinai (Dt 17.9ss.).
10.12-18 As ordens de Moisés a Arão
Moisés constata que os sacerdotes concluíram os sacrifícios mencionados no capítulo 9. O ato final na maioria dos sacrifícios era o consumo das partes comestíveis pelos sacerdotes. A oferta de cereais (v. 12) é a que acompanhava a oferta queimada do povo (9.4). Com exceção da porção memorial, tudo isso era comido pelos sacerdotes15 (9.17; cf. 2.2,3,9,10 etc.) em um “lugar santo”, isto é, o pátio do Tabernáculo (6.9ss. [VP 6.16ss.]). Regulamentos semelhantes se aplicavam aos privilégios sacerdotais das ofertas pacíficas: o peito dedicado e a coxa que foi contribuída (v. 14; cf. 7.29ss.). Moisés lembra Arão e seus filhos de que, apesar do desastre da morte de Nadabe e Abiú, os privilégios sacerdotais não foram perdidos. Por ordem de Deus, essas partes do sacrifício são seu direito permanente (v. 13,15; cf. 7.34,36). No caso das ofertas de purificação, os sacerdotes não tinham um direito automático à carne. Isso dependia do que era feito com o sangue do sacrifício. Se o sangue era esfregado dentro da Tenda do Encontro, a carcaça do animal era queimada fora do acampamento (4.1-21). Se, no entanto, o sangue era esfregado no altar da oferta queimada fora da Tenda do Encontro, os sacerdotes tinham direito a comer a carne (6.18ss. [VP 6.25ss.]). O capítulo 9 menciona duas ofertas de purificação, uma por Arão16 (9.8ss.), e outra pelo povo,17 a saber, um bode (9.15). A ira de Moisés é provocada porque eles não seguiram as regras com a segunda oferta. Eles queimaram a carne em vez de eles mesmos a comerem, como era seu direito (v. 16-18). Considerando que18 o sangue não foi levado ao lugar santo, isto é, a parte externa da Tenda do Encontro, vós deveríeis tê-la comido.
10.19 Resposta de Arão
10.20 Moisés satisfeito
Ao apresentar uma oferta de purificação e uma oferta queimada por si mesmos (9.8ss.), Arão e seus filhos haviam se empenhado para evitar a ira de Deus. No entanto, eles não tiveram êxito: coisas assim têm acontecido a mim, diz Arão se referindo ao fogo de juízo divino (10.2). Considerando-se as circunstâncias, o medo de Arão de comer “coisas santíssimas” como a carne da oferta de purificação era compreensível. Quando Moisés ouviu isso, ficou satisfeito (v. 20). Talvez isso sugira que Deus demonstra maior graça para com aqueles que cometem erros porque o temem do que com aqueles que entram na sua presença de forma despreocupada e irreverente, como foi o caso de Nadabe e Abiú (cf. v. 1-3). Levítico 10 e o NT Em nenhum trecho do NT há uma referência a esse episódio específico, embora haja diversas linhas de continuidade teológica que ligam essa passagem com o ensino do NT. O discípulo precisa colocar a lealdade a Cristo antes das obrigações familiares (v. 6,7; Mt 8.21,22). Os ministros, assim como os sacerdotes araônicos, devem ser moderados (v. 9; 1Tm 3.3,8). Mas o princípio mais notável endossado pelo NT é que quanto mais próximo um homem está de Deus mais severo será o critério para julgá-lo (v. 3). Nosso Senhor disse: “A quem muito é dado, muito será exigido” (Lc 12.48, A21). E Pedro diz: “O julgamento começa com a casa de Deus” (1Pe 4.17). Ainda Tiago (3.1): “Nós que somos mestres seremos julgados de forma mais severa”. A história de Nadabe e Abiú ilustra vividamente essas afirmações do NT.
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