Serié Livro de marcos (26)

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Parte - 42

A Grandeza a Paixão e o  Serviço Servo

(Marcos 9:30–37)
INTRODUÇÃO
Marcos 9:30–37 nos conduz da estrada silenciosa da Galileia até uma casa em Cafarnaum, revelando um contraste profundo entre os pensamentos de Jesus e os pensamentos dos discípulos. Enquanto Jesus se dedica à instrução privada sobre a cruz, anunciando com certeza divina a entrega do Filho do Homem, os discípulos se perdem em debates de grandeza, movidos pela cultura de status de seu tempo. Nesse contexto, Jesus redefine o verdadeiro significado de liderança, grandeza e serviço, colocando uma criança — símbolo dos menores e dos últimos — no centro da comunidade do Reino. O sermão revela como a cruz molda uma nova ética: a primazia do serviço, a valorização dos pequenos e a abolição da hierarquia humana.
Contexto Geográfico
O texto situa Jesus e os discípulos saindo da região de Cesareia de Filipe e cruzando novamente a Galileia (Mc 9:30). Essa rota marca o início da viagem rumo a Cafarnaum (Mc 9:33) e posteriormente a Jerusalém.
A Galileia do século I era região populosa, com intensa circulação de pessoas e forte presença da cultura greco-romana.
Segundo Gould e Hendriksen, Jesus percorre Galileia evitando publicidade para dedicar-se à instrução privada dos discípulos.
Referência:
GOULD, Ezra Palmer. A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to St. Mark.
HENDRIKSEN, William. Marcos.
Contexto Histórico
Esta fase marca o encerramento do ministério público na Galileia. O foco desloca-se das multidões para os Doze. O texto é parte do ciclo das predições da paixão, anunciando que o caminho messiânico passa pelo sofrimento.
Contexto Cultural
A cultura judaica e mediterrânea era marcada pela honra e status. A disputa dos discípulos por grandeza (Mc 9:34) reflete essa lógica social.
A figura da criança simbolizava alguém sem status, sem poder, sem prestígio, sendo exemplo de pequenez e humildade.
Segundo Keener, o Messias sofredor não era esperado culturalmente, o que explica a incompreensão dos discípulos quanto ao anúncio da paixão.
Referência:
KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento.
A NECESSIDADE DA INSTRUÇÃO (Marcos 9:30)
Subdivisão 1 — O Retiro Deliberado de Jesus
Jesus “não queria que ninguém o soubesse” enquanto atravessava a Galileia. Essa decisão revela a intenção de proporcionar aos discípulos treinamento profundo e privado.
Gould e Hendriksen afirmam que era um período de ensino “esotérico”, afastado da pressão das multidões.
Referência:
GOULD, Ezra Palmer.
HENDRIKSEN, William.
Subdivisão 2 — O Discipulado que Nasce do Silêncio
A privacidade não era isolamento, mas ambiente de formação. A jornada discreta destaca que a construção de líderes espirituais ocorre em espaços de intencionalidade, silêncio e profundidade.
A SEGUNDA PREDIÇÃO DA PAIXÃO E O PASSIVO DIVINO (Marcos 9:31–32)
Subdivisão 1 — A Certeza da Entrega
O verbo grego παραδίδοται (“é entregue”) está no presente, revelando a certeza do acontecimento.
Pohl e Edwards identificam aqui o passivo divino, indicando que Deus é o agente último da entrega do Filho.
Essa linguagem ecoa Isaías 53:6,12 e Romanos 8:32.
Referência:
POHL, Adolf. Comentário Esperança – Marcos.
EDWARDS, James R. The Gospel According to Mark.
Subdivisão 2 — A Resistência Cultural dos Discípulos
A incapacidade dos discípulos de compreender e o medo de perguntar refletem a expectativa cultural de um Messias poderoso, não sofredor.
Keener observa que o sofrimento messiânico era incompatível com o imaginário judaico do século I.
Referência:
KEENER, Craig S.
III. A CONTRADIÇÃO ENTRE A PAIXÃO DE CRISTO E A AMBIÇÃO HUMANA (Marcos 9:33–34)
Subdivisão 1 — A Disputa em Cafarnaum
Ao chegar “em casa”, Jesus confronta os discípulos sobre quem seria o maior.
Edwards chama esta cena de “contraste chocante”: Jesus falava de morte; os discípulos, de grandeza.
Referência:
EDWARDS, James R.
Subdivisão 2 — A Cultura de Honra e Status
Keener explica que o primeiro século era marcado pela busca incessante de honra.
Os discípulos, presos a esse sistema, enxergavam o Reino de forma terrena, como oportunidade de cargos e posições.
Referência:
KEENER, Craig S.
O PARADOXO DO REINO: GRANDEZA COMO SERVIÇO (Marcos 9:35–37)
Subdivisão 1 — O Princípio da Primazia Invertida
“Se alguém quiser ser o primeiro, será o último de todos e servo de todos.”
Jesus redefine grandeza: não é domínio, mas serviço.
Hendriksen observa que grandeza é “mergulhar-se nas necessidades dos outros”.
Referência:
HENDRIKSEN, William.
Subdivisão 2 — A Criança como Sinal do Reino
Jesus coloca uma criança no centro e a abraça.
Edwards observa que ela representava “o muito último”.
Pohl destaca que o termo aramaico para “criança” pode também significar “servo”.
A cadeia espiritual é clara:
receber o pequeno → receber Cristo → receber o Pai.
Referência:
EDWARDS, James R.
POHL, Adolf.
CONCLUSÃO
O caminho de Jesus é o caminho da cruz, e o caminho da cruz é o caminho do serviço. A ambição humana cede lugar ao chamado da humildade. O discípulo é formado no silêncio, moldado pela verdade da entrega divina e transformado pela prática de acolher os pequenos. A grandeza no Reino não está em subir degraus, mas em descer para servir.
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