É POSSÍVEL, SIM, TER CERTEZA DE QUE DEUS OUVIRÁ E ATENDERÁ AS NOSSAS PETIÇÕES

DEUS É LUZ E SEUS FILHOS DEVEM VIVER NA LUZ  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão ensina que, embora muitas vezes pareça que Deus não responde às orações, o apóstolo João afirma que o cristão pode ter plena certeza de que Deus o ouve e atende, desde que ore da maneira correta. Com base em 1 João 5.14–17, João mostra duas situações em que a oração é eficaz: quando é feita segundo a vontade de Deus e quando é feita em favor de um irmão cujo pecado não é para morte. Deus responde a quem pede conforme Seus mandamentos e propósitos, mas não atende orações motivadas pela vontade humana nem aquelas feitas por alguém que cometeu pecado conduzido à disciplina com morte física. Assim, João esclarece por que algumas orações não são respondidas e reafirma que o crente pode ter certeza do atendimento divino quando ora de acordo com a vontade de Deus e em favor de irmãos cuja situação permite intercessão eficaz.

Notes
Transcript

É POSSÍVEL, SIM, TER CERTEZA DE QUE DEUS OUVIRÁ E ATENDERÁ AS NOSSAS PETIÇÕES

Introdução:
Muitas vezes oramos e não vemos resposta de Deus. Oramos com intensidade e nada acontece. Oramos o dia todo e nada. Oramos continuamente pelo mesmo pedido, e o que recebemos é um silêncio ensurdecedor. Então questionamos: Será que Deus me ouve? Por que Deus não atende minhas petições? O apóstolo João responde que sim e que há algumas razões do não atendimento.
Lição: Quem Crê em Jesus Cristo Pode Ter Certeza de Que Suas Petições a Deus Serão Atendidas.
Texto: 1João 5.14-17.
O apóstolo João iniciou uma nova seção a partir do capítulo 5, versículo 6. Nessa nova seção, ele trata da fidelidade do crente a Deus, porque Deus é fiel. Ele começa mostrando a confiabilidade da fé em Jesus como Salvador (1João 5.6–12). No versículo 13, apresenta a razão pela qual escreveu esta carta: “a fim de saberdes que tendes a vida eterna”. Com isso, ele dá início às certezas cristãs decorrentes da fé em Jesus Cristo. A primeira, no versículo 13, é: Quem crê em Jesus Cristo pode ter certeza da vida eterna.
Agora, nos versículos 14 a 17, João mostra que o crente em Jesus Cristo pode, sim, ter certeza de que Deus ouvirá e atenderá as suas petições. Ele apresenta aqui as circunstâncias em que se pode orar e ter certeza de que Deus ouve e atende. João não está dizendo que Deus ouve e atende qualquer oração, mas que as orações feitas da maneira correta Deus ouve e atende.
João apresenta duas ocasiões em que a oração é atendida.
Quando a oração é segundo a vontade de Deus (14-15).
14 E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. 15 E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.
A oração do crente é ouvida quando é feita segundo a vontade de Deus (v. 14).
João começa mostrando a confiança que temos para com Deus. O sentido de “confiança” aqui é coragem, ousadia, destemor (1João 2.28; 3.21; 4.17). Essa confiança é diante de Deus (1João 3.21), especialmente no que diz respeito à oração.
Podemos chegar com confiança diante de Deus por causa do sangue de Jesus Cristo (Hebreus 10.19–22).
Por causa de Jesus Cristo, Deus nos recebe e ouve as nossas petições. Contudo, Ele ouve as petições que são segundo a Sua vontade (“se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade”).
Para pedir segundo a vontade de Deus, é preciso guardar os Seus mandamentos e fazer o que Lhe é agradável (1João 3.21–22; João 15.7).
Tiago mostra o contrário de pedir segundo a vontade de Deus: pedir segundo a nossa própria vontade (Tiago 4.1–4).
A oração ouvida por Deus é atendida por Ele (v. 15).
E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.
Quando pedimos segundo a vontade de Deus, Deus nos ouve; e, sabendo que Ele nos ouve, “estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito”. A expressão “estamos certos” significa “sabemos”. Saber que Deus nos ouve nos dá a certeza de que Ele nos concederá — lembrando sempre: se pedirmos segundo a Sua vontade.
Reflexão:
Os nossos pedidos são segundo a vontade de Deus ou segundo a nossa vontade?
Lição:
Muitas orações não são atendidas porque pedimos segundo nossa vontade, não a de Deus.
Podemos ter certeza de que as nossas petições serão atendidas quando forem feitas segundo a vontade de Deus.
Porém, há uma segunda ocasião em que Deus concede a petição.
Quando a oração é para um irmão que não pecou para a morte (16-17).
16 Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue. 17 Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte. 
João ilustra o que ensinou nos versículos anteriores (vv. 14–15). Ele dá o exemplo de um irmão que está cometendo pecado. Esse trecho é difícil de interpretar, por isso há várias interpretações. As principais questões são: – Esse “irmão” é um crente genuíno? – Vida e morte são físicas ou espirituais? – O que é o “pecado para morte”?
Esse irmão é um crente genuíno?
Provavelmente sim. Na carta, João fala tanto do crente genuíno quanto do falso (e.g., 1João 2.9–10), mas o contexto sugere que ele fala aqui de um crente verdadeiro.
O fato de o crente genuíno ainda pecar não é estranho, pois João já afirmou que o crente ainda peca (1João 1.8–9).
Vida e morte são físicas ou espirituais?
Provavelmente físicas. Se “vida” se referisse à vida eterna, isso implicaria que a vida eterna poderia ser adquirida pela oração de outro — e não apenas pela fé — o que não condiz com o ensino bíblico.
Assim, “vida” se refere ao prolongamento da vida física, e “morte”, à abreviação da vida física.
A morte física por causa do pecado era ensinada no AT e aceita no judaísmo. A Lei mosaica determina que certos pecados resultam na morte (Números 18.22; Levítico 24.15–16; Deuteronômio 22.26). Veja Provérbios 10.27.
No NT, há casos de crentes que morreram por causa do pecado (Atos 5.1–11; 1Coríntios 5.1–5; 11.29–30).
O que é o pecado para morte?
São pecados que levam o crente à disciplina de Deus com morte física.
Há várias interpretações:
– Qualquer pecado suficientemente grave para que Deus puna com morte física (e.g. Deuteronômio 22.26). – Pecados graves em contraste com pecados “menores”. – A blasfêmia contra o Espírito Santo (Mateus 12.32; Marcos 3.29). – A apostasia. – A negação da humanidade e divindade de Jesus. – Pecado não confessado. – Uma vida de pecado habitual.
Todo pecado leva à morte (Romanos 5.12), mas a expressão “pecado não para morte” pode se referir a pecado que não resulta em punição imediata com morte. Essa distinção aparece em 1Coríntios 11.30.
O que João quer deixar claro é que nem toda oração pelo pecado de um irmão será atendida por Deus, porque, se o pecado for para morte, Deus aplicará a punição. Isso explica por que muitas de nossas orações não são atendidas.
A grande pergunta: Quais são os pecados para morte? Provavelmente os leitores originais sabiam, mas nós não temos como saber. O que João quer ensinar é: Nem toda oração pelo pecado de um irmão será atendida, pois isso depende de o pecado ser para morte ou não.
Se virmos um irmão cometer um pecado (literalmente, “pecando um pecado”), podemos pedir e Deus prolongará sua vida — desde que o pecado não seja para morte. Mas João lembra: “Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue.” Ele não está proibindo nem incentivando a oração, apenas dizendo que, nesses casos, ela não será atendida.
Nem todo pecado é para morte, mas: “Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte.” “Injustiça” refere-se a atos injustos, contrários à natureza justa de Deus (1João 2.29; 3.7, 10). A injustiça está ligada à desobediência, maldade, transgressão, rebeldia e erro. Assim, todo ato injusto é pecado; porém, nem todo pecado é para morte.
João apresenta duas ocasiões em que nossas petições não são atendidas: – quando não são feitas segundo a vontade de Deus; – quando são feitas em favor de um irmão que está cometendo pecado para morte.
Aplicações:
O fato de existirem pecados para morte não nos autoriza a viver praticando esses pecados.
Se cremos em Jesus Cristo, podemos ter certeza de que Deus nos ouve quando fazemos as petições corretas. A oração é eficaz, mas precisa ser feita corretamente: segundo a vontade de Deus e em favor do irmão que não pecou para morte.
Conclusão:
É possível ter certeza de que as petições a Deus serão atendidas? Sim! Quem crê em Jesus Cristo pode ter certeza de que suas petições a Deus serão atendidas quando forem segundo a vontade de Deus e em favor dos irmãos que não pecaram para morte. A oração é eficaz quando feita corretamente.
“14 E esta é a confiança que temos diante dele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. 15 E, se sabemos que nos ouve quanto ao que pedimos, sabemos que temos [recebido] dele os pedidos que temos [feito]. 16 Se alguém vir o seu irmão cometendo um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe concederá vida aos que não estão pecando para morte. Há pecado que é para morte; não digo que se peça com respeito a esse. 17 Toda injustiça é pecado, e há pecado que não é para morte.”
14 E esta é a confiança que temos diante dele: que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. 15 E, se sabemos que nos ouve quanto ao que pedimos, sabemos que temos [recebido] dele os pedidos que temos [feito]. 16 Se alguém ver o seu irmão cometendo um pecado que não é para morte, pedirá, e então Deus lhe concederá vida, aos que não estão pecando para morte. Há pecado que é para morte; não digo que peça com respeito a esse. 17 Toda injustiça é pecado, e há pecado que não é para morte.
“Se alguém vir seu irmão cometendo um pecado que não é para morte…” João começa com a questão da intercessão de um crente por outros crentes. Esta oração condicional de terceira classe indica que alguém pode não estar ciente do pecado de outro. Entretanto, caso venha a estar, às vezes é possível agir em favor do crente que está pecando. O que João diz é que os crentes devem interceder por crentes que estejam pecando. Contudo, para que ninguém pense que toda oração feita por um santo em pecado será igualmente eficaz, João nos lembra que há condições para que essa oração seja atendida.
Primeiro, ele deve ver seu irmão pecando. Esta não é uma oração baseada em suspeita, mas em conhecimento de primeira mão (Plummer, p.121). Segundo, não pode ser um pecado mortal. Se for um pecado que “leva à morte”, não há nada que o crente possa fazer por aquele que peca, como João esclarecerá em breve. Nota-se o uso da palavra “irmão” por João, indicando que isso ocorre dentro da família de Deus. Essa afirmação é semelhante a Tiago 5:20, onde um crente pode ajudar outro desviando-o do pecado e “salvando sua alma da morte”.
João descreve o pecado observado como um processo em andamento. Burdick (p.389) entende o uso do tempo presente de ἁμαρτάνοντα como indicando ação contínua. Não se trata de um evento isolado, mas de algo no qual o crente persiste. Assim, o cristão que ora vê um irmão envolvido na prática do pecado. Entretanto, como em 3:6 e 9, não se deve fazer deduções excessivas do tempo presente. Neste caso, é melhor entendê-lo como particípio adverbial relacionado ao verbo principal, e assim: ele vê seu irmão “enquanto” está cometendo o pecado. O aoristo ἴδῃ, modificado por ἁμαρτάνοντα, apenas indica que o pecado estava acontecendo quando foi visto. Nenhum dos dois tempos verbais exige que o pecado seja repetido mais do que uma vez.
(2) João poderia estar se referindo à morte física. João usa essa mesma construção para se referir à morte física no caso de Lázaro (João 11:4). Seu único outro uso de “morte” na epístola ocorre em 1João 3:14, onde de fato se refere à morte espiritual (Moody, p.111). Contudo, nesse versículo João deixa claro que os crentes já passaram da morte para a vida permanentemente, com uma vida que continua desde esse momento até o presente.
Além disso, visto que a promessa que se segue é que Deus “lhe dará vida” em resposta à oração do crente, a morte física também é a melhor interpretação aqui. A concessão de vida espiritual já aconteceu para o “irmão” antes de seu pecado.
Ademais, se a oração de um crente por outra pessoa a livrasse da morte espiritual, então João estaria afirmando que alguém poderia ser “salvo”, no sentido de justificado, sem fé da própria pessoa. As Escrituras tornam isso inquestionavelmente impossível.
Também é um “irmão” que está no processo de cometer o pecado, não um ex-irmão ou um potencial irmão. O uso de “irmão” por João indica um companheiro crente, não alguém que deixou de sê-lo (Westcott, p.191). Assim, o dar vida não pode se referir à regeneração, mas deve se referir a ser poupado da consequência final do pecado para um crente: a morte física.
A morte física como consequência do pecado é ensinada em toda a Escritura e era aceita no judaísmo. A Lei mosaica determina que certos pecados resultam na morte do pecador (Nm 18:22; Lv 24:15–16; Dt 22:26). Isso também aparece no judaísmo extrabíblico (Jubileus 33:12–18).
Vemos o mesmo no Novo Testamento na morte de Ananias e Safira (At 5:1–11) e dos crentes de Corinto que abusavam da Ceia do Senhor por seu modo de tratar os irmãos (1Co 11:29–30). Em 1Co 5:5, Paulo ameaça um crente com a morte (“destruição da carne”), enquanto indica que ele não perderia a salvação (“para que o espírito seja salvo no dia do Senhor”).
Que pecado está em vista?
Intérpretes têm atribuído vários significados a esse “pecado para morte”.
(1) É qualquer pecado suficientemente grave para que Deus aja punindo a pessoa com morte física.
No Antigo Testamento havia pecados que levavam à morte (Nm 19:22; Dt 22:26; Test. de Gade 6:6; Is 22:14). A literatura judaica extrabíblica também fala de pecados para morte (Jub. 21:22; 26:34; 33:13, 18; Test. de Issacar 7:1; 1QS 8). Todos esses envolvem morte física.
No Novo Testamento temos exemplos de pessoas que pecam e morrem como consequência (At 5:1–11; 1Co 5:5; 11:29–30). Outros possíveis exemplos são 1Tm 1:20; Tg 5:15; e Ap 2:23.
(2) É uma designação para pecados graves em contraste com pecados menores.
Assim, os crentes só podem orar pelos pecados uns dos outros se não forem pecados graves. Esse pecado grave é o “pecado imperdoável” de Mateus 10:33 (Brooke, pp.146–47; Smalley, p.298).
(3) Alguns veem isso como blasfêmia contra o Espírito Santo (Stott, p.191). Este é o pecado contra o qual Jesus advertiu em Mateus 12:32 e Marcos 3:29. À objeção de que esse “pecado para morte” é cometido por um “irmão” e, portanto, não pode se referir à blasfêmia contra o Espírito Santo, Stott (p.191) responde que “aquele que pecou não é nomeado nem descrito”. Assim, a ambiguidade do texto permite que ele seja um descrente. Para responder à objeção de que João chama esse pecador de “irmão”, Stott (p.192) afirma que, neste caso, João está usando o termo em um sentido mais amplo do que “companheiro cristão”.
Schnackenburg (p.277) rejeita tanto a ideia de um pecado imperdoável como a de blasfêmia contra o Espírito Santo, baseando-se no conceito de pecados “mortais” punidos com morte física no Antigo Testamento. Ele argumenta: “A expressão ‘pecado para morte’ nada diz sobre a possibilidade ou impossibilidade de arrependimento do pecador.”
(4) Seria a apostasia que leva à morte espiritual (Bruce, p.125; Dodd, p.136; Grayston, p.60; Johnson, p.136; Painter, pp.318–19; Perkins, p.65; Smith, pp.134–35). Isso envolve uma renúncia total de Cristo (Moody, p.112). Stott (p.190) rejeita essa visão, afirmando que um verdadeiro cristão, de acordo com sua interpretação de 1João 3:9, não pode permanecer no pecado e, portanto, nunca poderia apostatar.
(5) Seria um pecado que crentes não podem cometer, e por isso João estaria se referindo a descrentes que persistem no pecado até a morte (Akin, p.210; Brooke, p.147; Plummer, p.123; Smalley, p.299; Yarbrough, pp.310–13). Assim, seria a rejeição contínua do evangelho por um incrédulo, incluindo a rejeição da divindade de Jesus e a recusa em amar os outros (Marshall, pp.248–49).
(6) Seria um pecado que “nega o Filho” (Lenski, p.536) e pode significar a rejeição da humanidade ou da divindade de Jesus (Kistemaker, p.363). Rensberger (p.140) descreve isso como uma “falta de fé cristológica”. Kruse (p.194) o descreve como o pecado dos secessionistas.
(7) Poderia ser um pecado que levaria à excomunhão da comunidade cristã (Westcott, p.210).
(8) Poderia se referir a qualquer pecado não confessado (Pentecost, p.140).
(9) Seria o resultado de uma vida de pecado habitual.
(10) João estaria dizendo que não se deve orar por pecadores que já morreram.
Nenhuma ajuda é encontrada na literatura extrabíblica, embora o “pecado para morte” seja mencionado. Parece melhor entender que João intencionalmente deixou o termo ambíguo. Em vez de ser um pecado específico, é melhor ver “pecado para morte” como um tipo de pecado.
Quando examinamos o Novo Testamento em busca de pistas sobre sua natureza, notamos crentes que morreram por seus pecados. Em Atos 5:1–11, Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo, e isso lhes custou a vida. Em 1Coríntios 5:1–5, Paulo promete entregar o membro incestuoso da igreja a Satanás “para destruição da carne”, provavelmente uma referência à doença física ou à morte. Em 1Coríntios 11:27–30, crentes morreram por abusar da Ceia do Senhor.
Quer se use ou não os termos venial e mortal para descrever pecados, João deixa claro que existem dois tipos de pecado. Assim, vemos que nem todos os pecados são iguais.
O particípio presente ἁμαρτάνοντα indica um pecado em andamento. Alguns veem nisso a indicação de “um curso pecaminoso, e não a prática de um ato isolado de pecado” (Bruce, p.124; também Williamson, p.168). Bruce (p.125) sugere a possibilidade de que o pecado para morte seja apostasia e a adesão aos anticristos, de modo que “a renúncia ao testemunho apostólico acerca de Cristo e de Seu poder salvador seria, de fato, um ‘pecado para morte’.” Para ele, é possível que um crente renuncie à fé em Cristo e perca sua salvação.
Akin (p.210), que defende a segurança eterna, rejeita a ideia de um crente apostatar porque, em sua visão, verdadeiros crentes “não podem continuar no pecado”. Para ele, então, apenas um descrente pode cometer esse pecado. Os falsos mestres “nunca foram realmente verdadeiros crentes” e, portanto, não eram crentes continuando no pecado.
Isso ignora o fato de que João fala de um “irmão” que é visto no processo de pecar, conforme indicado pelo particípio adverbial presente ativo ἁμαρτάνοντα sem artigo. Além disso, não é claro, pelo substantivo singular ἁμαρτίαν, se se trata de um ato específico de pecado em andamento ou de um padrão de pecado. O substantivo pode indicar um pecado concreto ou um padrão de pecado, mas não um conjunto de pecados. Mais uma vez, João escolheu ser propositadamente ambíguo. Ele gosta de fazer seus leitores refletirem.
Tendo dito isso, ele passa agora ao papel do crente na vida da família da igreja.
αἰτήσει καὶ δώσει αὐτῷ ζωήν, τοῖς ἁμαρτάνουσιν μὴ πρὸς θάνατον, “que ele peça, e Ele lhe dará vida, aos que não estão pecando para morte.”
Esses dois verbos, αἰτήσει e δώσει, não compartilham o mesmo sujeito ou função, embora estejam ligados por καὶ na cláusula. Quem pede é o companheiro crente; quem dá vida é Deus.
Embora o primeiro verbo (αἰτήσει) esteja no tempo futuro, não deve ser entendido como futuro cronológico, mas com força imperatival: “que ele peça” (Painter, p.316). Em certo sentido, ainda poderia ser visto como futuro, implicando uma reação inevitável de um crente em favor de outro (Akin, p.207). Contudo, isso pressupõe que todo aquele que vê um irmão pecando é um cristão amoroso e preocupado.
É melhor entender este verbo como um imperativo suave, dirigido aos leitores de João. Stott (p.188) rejeita a força imperatival e diz que ele expressa “a reação inevitável e espontânea” de um cristão que reconhece que é guardião de seu irmão.
O referente de δώσει tem sido entendido de três maneiras:
(1) Ele teria o mesmo sujeito dos verbos antes e depois dele; portanto, quem faz a petição é quem dá vida ao pecador
(Brooke, p.146; Bultmann, p.87, n.16; Dodd, p.135; Haas, de Jonge e Swellengrebel, p.127; Plummer, p.122; Stott, p.189; Strecker, p.202, n.23).
Stott (p.189) descreve o significado assim:
“É melhor aceitar a atribuição de eficácia real à oração (como no v.15), de modo que, sob Deus, aquele que pede vida por um irmão pode ser dito não apenas a obtê-la para ele, mas também a realmente ‘dá-la’ a ele.”
Tiago 5:20 aparentemente apoiaria essa visão.
Apesar de gramaticalmente possível, é teologicamente inconsistente com o que João diz tanto na epístola quanto no Evangelho (Brown, p.611; Harris, p.229). Para João, Deus Pai e Jesus são quem dão vida.
(2) Deus ainda é o sujeito, mas αὐτῷ se refere ao intercessor recebendo vida de Deus, e não ao pecador
Isto é improvável, porque quem necessita de vida é o pecador, não o intercessor (Harris, p.230).
(3) Deus é o sujeito implícito, e Ele dá vida ao cristão que está pecando
(Akin, p.207; Brown, pp.611–12; Bruce, p.124; Burdick, p.390; Marshall, p.246, n.17; Schnackenburg, p.276; Smalley, p.300; Westcott, p.192).
Embora os dois verbos estejam unidos por καὶ, não deve ser tomado como uma conjunção continuativa/coordenativa, mas como introduzindo o resultado (“Ele dará”) do que o precede (“que ele peça”). Assim, os dois verbos podem e realmente têm sujeitos diferentes.
O segundo verbo (δώσει) é futurista — uma promessa de que Deus agirá em resposta à oração. Ele dará vida à pessoa no sentido de preservar sua vida.
Schnackenburg (p.276) entende que João usa ζωήν sem artigo para indicar que Deus não está dando vida eterna, mas que essa vida continua, sendo reavivada e aumentada.
Pentecost (pp.135–36) afirma que a oração não é por perdão do irmão que peca, mas pela restauração da comunhão com Deus. Assim, ele entende “vida” aqui não como vida física, mas como comunhão restaurada.
Entretanto, parece melhor entender que isso se refere à vida física, assim como “morte” refere-se à morte física. Ler “comunhão” nestes termos é ler além do que o contexto permite.
João muda do singular (o pecador individual) para o plural τοῖς ἁμαρτάνουσιν para fazer disso um princípio geral aplicável a todos os crentes (Westcott, p.192). Trata-se de algo comum no corpo de Cristo.
João já afirmou que todos pecamos e devemos confessar tanto nossa natureza pecaminosa quanto nossos pecados (1:8–10). Cristo já fez provisão por estes pecados (2:1–2).
Assim, essa promessa dada por João serve como um lembrete da responsabilidade de cada crente de orar pelos outros.
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