Natal nos Evangelhos

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Mateus 1.20-21

Introdução:
Após caminhar pelo início da história da salvação registrada em Gênesis e observar o desenvolvimento da promessa pós-queda, percebemos que o Senhor continuou garantindo o descendente prometido também no livro de Isaías.
Entre os profetas, temos nesse livro um belo vislumbre do papel do Servo. Contudo, à luz do Novo Testamento, sabemos que esse Servo não se refere a Israel étnico, mas encontra seu cumprimento na comunidade do Messias: tanto Cristo quanto seus discípulos cumprem o papel de serem luz para as nações.
Quando chegamos ao Evangelho de Mateus, vemos que o Menino prometido em Isaías 9 e o Servo descrito no mesmo livro não se tratam de duas pessoas distintas, mas da mesma pessoa, que cumpre as promessas mais antigas do Antigo Testamento e traz Deus até nós de forma encarnada na pessoa de Jesus.
Mas, apesar de ser uma bela história sobrenatural, como ficaram os participantes secundários desse evento? Tudo ocorreu de forma tranquila? Veremos que Deus interveio diretamente para esclarecer o seu plano. É isso que observaremos em Mateus 1.20–21.
Desenvolvimento:
Verso 20
Quando observamos essa passagem, somos tomados por muitas recordações de fim de ano. Este é, talvez, o trecho que mais remete às tradicionais peças de Natal; em quase todos os anos, esse resumo de Mateus marca o início dessas encenações.
Mas quantas vezes paramos, de fato, para refletir sobre o que estava acontecendo aqui?
É necessário lembrar que, nesse momento, os quatrocentos anos de silêncio após a escrita do livro de Malaquias estavam chegando ao fim.
O povo poderia facilmente ter perdido a esperança quanto ao agir de Deus. Esse pano de fundo ajuda a compreender as palavras e as atitudes de José; para ele, ouvir aquela mensagem deveria soar profundamente estranho.
O longo silêncio divino pode ter tornado sua desconfiança ainda mais marcante.
No entanto, e quanto a nós? Ainda estamos sensíveis para ouvir a voz de Deus? Conseguimos perceber quando a sua vontade está sendo revelada?
Somos rápidos em apontar o erro na atitude de José, mas será que essa falta de sensibilidade não reflete, em muitos momentos, a postura de todos nós?
Nessa situação, José decide deixar Maria. O que ele havia ouvido era inconcebível aos seus olhos; ainda assim, tratava-se de um homem justo e compassivo, que não desejava que o pior recaísse sobre ela, apesar de desconfiar de suas ações.
Por isso, decide deixá-la de modo secreto, para que não fosse exposta publicamente como adúltera.
Note que a intervenção de Deus acontece de maneira bem específica: por meio de um sonho.
O Senhor já havia utilizado esse meio diversas vezes para revelar o seu plano, como no sonho de Nabucodonosor ou no sonho de Salomão, quando este pede sabedoria a Deus.
Esse momento de sono — assim como ocorreu com Adão — é usado para suprir o que faltava à mente e ao coração de José: não uma pessoa, como no caso anterior, mas a paz necessária para receber Maria.
A figura do anjo enviado por Deus entra em cena novamente, agora dirigindo-se a José, para autenticar aquilo que Maria já lhe havia dito.
Ao falar, o anjo esclarece como se deu aquela concepção: foi obra direta e sobrenatural de Deus.
O Senhor desejou que a concepção do seu Filho ocorresse dessa forma; por isso, no verso 23, Mateus cita Isaías 7 — texto que abre o argumento desenvolvido em Isaías 9, como vimos na última mensagem.
O uso dessa profecia aqui responde diretamente à dúvida de José. Sua participação no plano de Deus era clara: confiar, ouvir e permanecer ao lado de Maria — cuidando da criança que, em breve, estaria entre eles.
Para muitos, é confuso tentar compreender os planos do Senhor. Embora Ele utilize a concepção — um meio natural da vida humana —, o faz sem a participação de um homem, justamente para corroborar a verdade expressa no verso 23.
A jovem que não havia conhecido homem algum foi o meio escolhido por Deus para entregar o seu Filho à humanidade.
Deus frustrou as expectativas iniciais que poderiam ter passado pela mente de José; mas, assim como acontece conosco, mais do que atender às nossas expectativas, Deus está comprometido em cumprir o seu plano, revelado profeticamente por meio de seus servos.
O tema do cumprimento é recorrente no Evangelho de Mateus: o evangelista deseja deixar claro o que Jesus estava realizando em seu tempo na terra.
Mais do que um mero homem, o antigo publicano mostra que, em Jesus, estava a realização das expectativas judaicas — não da forma como elas imaginavam, mas de maneira muito mais extraordinária, a ponto de quebrar expectativas desde o início de sua vida.
Foi o Espírito Santo quem agiu para que o Deus-Menino estivesse no ventre de Maria. José, portanto, não precisava temer; a falta de compreensão deveria cessar ali. Era Deus quem estava agindo, mais uma vez, em favor do seu povo.
Verso 21
José recebe, então, mais luz sobre quem seria Jesus. A mensagem cristalina do Natal nos é apresentada no verso 21: Maria daria à luz um menino que seria chamado Jesus. Essa história nos é familiar, mas e quanto a esse nome? Já o ouvimos antes?
Jesus é a forma grega de um nome bem conhecido na história de Israel: Josué, aquele que liderou o povo na conquista da terra prometida.
O significado desse nome é explicado na continuidade do texto e, de forma simples, pode ser resumido como “Salvador”.
Particularmente, esse era o significado mais necessário para o povo naquele momento. Eles precisavam de um salvador.
Mais uma vez, Israel estava sob o domínio de outro povo. Não possuíam autonomia; os romanos governavam aqueles dias, detinham o poder militar e subjugavam as nações.
À primeira vista, parecia necessário alguém que os libertasse do domínio de reis pagãos. Contudo, o texto revela algo ainda mais profundo: eles precisavam ser salvos do pior cativeiro — o pecado.
O povo carecia de uma nova conquista, não da terra de seus inimigos, mas do novo coração prometido nas Escrituras, já anunciado em Deuteronômio. Ser apenas povo da aliança não era suficiente.
Eles precisavam tornar-se nova criação, agora ligados ao Deus encarnado, o Menino que veio para salvar o seu povo dos seus pecados.
Veja que Jesus veio, como afirma o texto, para salvar o seu povo — não um Israel meramente étnico, mas um grande povo formado por todas as raças, conforme já anunciado nas páginas proféticas, dos profetas maiores aos menores.
Algo muito importante a ser observado é que o texto não apresenta uma possibilidade, mas uma garantia.
A mensagem do Natal, aqui, não fala de uma chance de salvação, mas da certeza que temos ao fazer parte desse povo. Jesus veio garantir a salvação dos seus, daqueles que não podem ser perdidos.
O texto é categórico ao afirmar: “ele salvará”. Trata-se de um futuro real e assegurado. Jesus veio salvar os seus — isso é certo.
Por estarmos nele, podemos ter plena confiança. Não precisamos viver em receio por causa de nossas obras, mas descansar na obra dele.
O Natal é esse lembrete divino e eterno: temos a vida eterna por causa de um bebê que cresceu e tomou o nosso lugar naquela cruz. Ele veio nos redimir da tragédia dos nossos pecados — e o texto deixa isso explícito.
O Natal, nos Evangelhos, é essa mensagem bela e viva: Jesus, o Salvador, veio realmente salvar o seu povo — dos seus erros, pecados e transgressões. Ele tomou sobre si o nosso castigo e, por isso, somos sarados eternamente.
Contudo, a salvação não nos livra apenas da condenação; ela também nos retira da inércia espiritual e do desejo de justificar o pecado. A salvação em Jesus é um chamado à mudança, a boa notícia de que agora somos outra pessoa.
Somos de Deus, pertencemos à sua família. Fomos salvos para viver com Ele desde agora e por toda a eternidade em seu Reino.
A lembrança de Jesus na simplicidade do seu nascimento deve nos conduzir a essa verdade: essa é a maior conquista que possuímos, mais valiosa do que qualquer outra coisa que possa ser alcançada neste mundo.
Conclusão:
Ele não viveu em carruagens quando esteve entre nós; foi cuspido, humilhado e, mesmo sendo justo, não abriu a boca. Algo era mais necessário naquele momento — a nossa salvação.
Lembre-se dele como aquele que conquistou o que há de mais precioso para você: a vida eterna, em comunhão com Ele. Mais do que conquistas passageiras, temos uma conquista eterna ao lado do nosso Salvador, Jesus.
Esse é o nosso Natal. Amém.
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