27ª Parábola - O filho pródigo (Lc 15.11-32)

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Texto

Lucas 15.11–32 NVI
11 Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. 13 “Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. 14 Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. 15 Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. 16 Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. 17 “Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! 18 Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. 19 Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’. 20 A seguir, levantou-se e foi para seu pai. “Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou. 21 “O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’. 22 “Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. 23 Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. 24 Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar o seu regresso. 25 “Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando se aproximou da casa, ouviu a música e a dança. 26 Então chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo. 27 Este lhe respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’. 28 “O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele. 29 Mas ele respondeu ao seu pai: ‘Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. 30 Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!’ 31 “Disse o pai: ‘Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. 32 Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado’ ”.

Introdução e desenvolvimento

.O capítulo 15 de Lucas é um dos textos mais conhecidos e amados da Bíblia. Culmina e cristaliza o tema do arrependimento dos pecadores. No coração do capítulo, está o âmago do terceiro Evangelho, a profunda e singularmente fecunda história dos dois filhos perdidos. As três parábolas deste capítulo constituem uma obra-prima do Evangelho de Lucas.
Esta é a primeira vez que todos os publicanos e pecadores se aproximam para ouvir Jesus. Os escribas e fariseus murmuram contra Jesus, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles. A reclamação se deve ao fato de que a mesa é o potente símbolo de inclusão para os marginalizados em Lucas.
Enquanto Jesus atraía pecadores, os fariseus os repeliam. Os fariseus consideravam ultrajante essa acolhida de Jesus aos pecadores. Eles reputavam esse tipo de gente como pessoas indignas do amor de Deus. Os publicanos não eram tidos em alta estima porque não somente ajudavam os romanos odiados na sua administração do território conquistado, mas também enriqueciam às custas do povo. Já os pecadores eram os imorais ou aqueles que seguiam ocupações que os religiosos consideravam incompatíveis com a Lei.
Para corrigir mais uma vez a visão distorcida dos escribas e fariseus, Jesus conta três parábolas que expressam o amor de Deus pelos perdidos e indignos. Ele conclui citando o irmão mais velho que, simbolizando os escribas e fariseus presunçosos, ficou fora da festa, porque não aceitou a ideia de que o indigno pode ser amado e perdoado.
Essas três parábolas abordam um mesmo tema: o pródigo amor de Deus que procura incansavelmente o perdido. Elas falam sobre a ovelha perdida, a dracma/moeda perdida e os filhos perdidos. Falam, também, sobre uma progressão: a primeira trata da proporção de cem para um; a segunda, de dez para um; e a terceira, de dois para um. A ovelha se perdeu por descuido, a moeda por acidente e os filhos por rebeldia. Nas três parábolas, há uma mesma ênfase: a alegria de Deus de ver os perdidos sendo encontrados (15.6,9,23,24). Warren Wiersbe destaca que a mensagem deste capítulo pode ser resumida em três palavras: perdido, encontrado e alegria.
.Em busca dos filhos perdidos (15.11–32) A última parábola trata de três personagens: o filho mais novo, o filho mais velho e o Pai amoroso. Vamos destacar cada uma desses personagens e ver as lições que podemos aprender.

O filho mais novo, perdido longe da casa do Pai, representa os publicanos e pecadores (15.11–24)

A parábola do filho pródigo constitui-se num dos mais belos quadros pintados na tela da nossa mente pelo maior de todos os mestres, Jesus de Nazaré. Essa parábola pode ser sintetizada em cinco estágios da vida do pródigo:
a partida (15.11–13),
a miséria (15.14–16),
a contrição (15.17–19),
o retorno (15.20,21) e
a aceitação (15.22–24).
Essa parábola tem lições preciosas, e a jornada daquele jovem aventureiro pode ser resumida em quatro fases.
Em primeiro lugar, ele era feliz inconscientemente na casa do Pai. O filho vivia na casa do Pai, tinha comunhão e conforto. Nada lhe faltava: ele tinha abrigo, pão, roupa, calçado e anel no dedo. Tudo o que pai possuía também lhe pertencia. Ele vivia cercado de bênçãos. Porém, um dia aquele jovem cavou um poço de insatisfação dentro do seu próprio coração e começou a sentir-se infeliz dentro da casa do Pai. Esticou o pescoço, olhou pela janela da cobiça e viu, além do muro, um mundo colorido, atraente, cheio de emoções. Desejou ardentemente conhecer o outro lado. Então, pediu ao pai a sua herança e partiu para grandes e intensas aventuras.
Em segundo lugar, ele era infeliz inconscientemente no país distante. O país distante é um símbolo do mundo atraente. Seus prazeres parecem borbulhar por todos os lados. No começo, o jovem, fascinado com as festas, os amigos e os prazeres, mergulhou de cabeça em todas as aventuras. Bebeu todas as taças dos prazeres e bebeu cada gota das alegrias que o mundo podia lhe oferecer. Obcecadamente bateu em todas as portas e conheceu cada proposta sedutora daquele carrossel de aventuras. Enquanto tinha dinheiro, sua mesa estava rodeada de amigos. Enquanto estava sendo explorado, era o centro das atenções. Nessa corrida desenfreada, porém, dissipou todo o seu dinheiro. E logo percebeu que a amizade da taberna se desfaz com a mesma rapidez com que é formada. Sua mesa ficou vazia, seu bolso ficou vazio, seu estômago ficou vazio, e ele mesmo ficou cheio de medo e dor.
Em terceiro lugar, ele era infelizmente conscientemente cuidando dos porcos. A terceira fase desse jovem foi muito amarga. A crise chegou. Duas desgraças o feriram simultaneamente – esgotaram-se seus recursos e sobreveio àquele país uma grande fome. A fome bateu à sua porta. Ele perdeu tudo. Os amigos fugiram. Não tinha mais prazer era só sofrimento. O jovem começou a passar necessidades. Foi parar num chiqueiro lamacento, coberto de trapos, com o estômago fuzilado por uma fome estonteante. O diabo é um enganador, o pecado é uma fraude, e o mundo é ilusório. O colorido do mundo não passa de uma ilusão ótica. Ele é cinzento como um deserto sem vida. O pecado não compensa. O seu salário é a morte.
Em quarto lugar, ele era feliz conscientemente de volta à casa do Pai. A última fase do pródigo foi sua volta para a casa do Pai. Quando ele chegou ao fundo do poço, caiu em si, arrependeu-se e tomou a decisão de voltar para o Pai. Reconheceu que não tinha merecimento, mas dependia da misericórdia. Para sua surpresa, descobriu que seu Pai o esperava com mais intensidade do que ele desejava voltar. Seu pai correu, abraçou-o, beijou-o, celebrou sua volta e o restaurou. Hoje, Deus está dizendo a você: Volte, meu filho, volte! A casa já foi preparada. A mesa já está posta. E uma festa que nunca vai acabar marcará sua volta para os braços do Pai.
O que levou o filho pródigo a sair da casa do Pai rumo ao país distante? O que aconteceu com ele para que reconhecesse sua necessidade? Que passos ele tomou para voltar à casa do Pai? O que aconteceu em sua volta?
Vamos destacar alguns aspectos da vida do filho mais novo, conhecido como “o filho pródigo”.
Insatisfação (Lucas 15.12 “12 O mais moço deles disse ao pai: “Pai, quero que o senhor me dê a parte dos bens que me cabe.” E o pai repartiu os bens entre eles.” ). Tudo começou na vida do filho mais novo quando ele se sentiu infeliz na casa do Pai. A companhia do pai e do irmão já não preenchia mais sua vida. Ele queria conhecer e experimentar algo mais. Foi a insatisfação que derrubou Eva no Éden. Foi a insatisfação que levou Lúcifer a tornar-se demônio. A insatisfação é a tola ideia de que do lado de lá do muro existe a felicidade, de que Deus está nos privando de alguma coisa que nós merecemos.
Rebelião (Lucas 15.13 “13 — Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada.” ). O filho mais novo pediu sua herança antecipada. Ele tinha direito de um terço da herança, mas essa parte só seria tomada depois da morte do pai. O filho busca mais os seus prazeres do que o Pai. Está mais interessado em curtir a vida do que em agradar ao pai. Prefere o pai morto a adiar seu desejo de experimentar os prazeres do mundo. Ele mata seu pai no coração e sai de casa levando toda sua parte. Para onde esse filho vai? Para uma terra distante! Essa terra distante pode ser o seu coração, o seu computador, o seu bairro, a sua cidade, a sua televisão, o mundo onde você tenta se esconder de Deus para curtir os prazeres do pecado. A terra distante é todo lugar onde você pensa que a felicidade estará disponível para você à parte de Deus. A terra distante no início é cheia de encantos. Há amigos e festas. Há alegrias e celebrações. Há encontros e reencontros. Mas, no fim, sobra um gosto amargo na boca, um vazio na alma e uma terrível solidão assolando seu peito.
Dissolução (Lc15.13,Lucas 15.14 “14 — Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.” ). O filho mais novo deu a si mesmo tudo o que seus olhos desejaram. Ele não se privou de nenhum prazer. Ele bebeu todas as taças do prazer. Ele dissipou seu dinheiro, sua vida, sua saúde e sua honra com amigos e meretrizes. Ele foi fundo na busca do prazer. O mundo tem luzes muito atraentes e convidativas. Porém, o pecado é uma fraude: promete vida e paga com a morte; promete liberdade e escraviza; promete felicidade e deixa um imenso vazio na alma. O diabo é um estelionatário. Ele promete a você uma vida cheia de encantos e joga você no chiqueiro.
Degradação (Lc15.15,Lucas 15.16 “16 Ali, ele desejava alimentar-se das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.” ). O passo seguinte da dissolução é a degradação. O jovem ficou só, com fome, andrajoso, na lama, cuidando de porcos no chiqueiro e sendo tratado pior do que os animais, porque nem das alfarrobas podia comer. O mundo degrada. O pecado degrada. Hoje é apenas uma olhadela cheia de sensualidade. Amanhã é uma vida rendida à impureza. Hoje é apenas um cigarro, um trago, uma dose, uma cheirada. Amanhã é uma escravidão cruel. Hoje é apenas uma festa, um show, uma madrugada. Amanhã é uma alma vazia, um coração seco, uma vida totalmente longe de Deus.
Decisão (Lucas 15.17–19 “17 Então, caindo em si, disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui estou morrendo de fome! 18 Vou me arrumar, voltar para o meu pai e lhe dizer: ‘Pai, pequei contra Deus e diante do senhor; 19 já não sou digno de ser chamado de seu filho; trate-me como um dos seus trabalhadores.’ ”” ). Quando esse jovem estava no fundo do poço. ele caiu em si. Isso significa que ele estava até então fora de si. O pecado embrutece. O pecado anestesia. O pecado tira o bom senso. Esse jovem se lembra da casa do pai e reconhece seu estado de degradação. Ele se arrepende e admite seu fracasso. Ele põe um ponto final na escalada da sua queda e toma a decisão de voltar para a casa do pai. Em seu arrependimento, não existe exigência, e sim penitência. Ele não se apresenta requerendo nada, mas suplicando misericórdia. Não pensa mais em direitos, mas apenas em servir.
Ação (Lc15.20,Lucas 15.21 “21 E o filho lhe disse: “Pai, pequei contra Deus e diante do senhor; já não sou digno de ser chamado de seu filho.”” ). Há muitas pessoas que apenas decidem, mas não agem. Desejam, mas não se levantam. Você não é o que você sente, mas o que você faz. 4. Houve entrega total e abandono do orgulho
Ao voltar, o filho pródigo renuncia completamente à:
Autossuficiência
Independência orgulhosa
Autojustificação
Direitos e méritos pessoais
Sua confissão — “Pequei contra o céu e diante de ti” — é total, sem desculpas ou atenuantes. Ele reconhece:
Sua culpa
A justiça de Deus
Sua indignidade de ser chamado filho
Spurgeon ensina que ninguém encontra perdão enquanto tenta se justificar. A alma que se curva ao veredicto divino está próxima da paz. A conversão exige que o pecador se apresente como realmente é: culpado, falido e dependente da graça.!
Perdão (Lucas 15.22–24 “22 O pai, porém, disse aos servos: “Tragam depressa a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos pés. 23 Tragam e matem o bezerro gordo. Vamos comer e festejar, 24 porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.” E começaram a festejar.” ). O filho mais novo é surpreendido ao retornar. Ele descobre que, antes de buscar o pai, o pai já o procurava. Antes de encontrar o pai, foi o pai quem o encontrou. Antes de confessar ao pai seu pecado, o pai já o havia abraçado e beijado. O texto grego traz a ideia de que o pai o beijou muito, repetidas vezes. Antes de terminar sua confissão, o pai já havia ordenado que ele seria honrado com roupas novas, recebido com a autoridade de filho, presenteado com um anel no dedo e declarado um homem livre, com sandálias nos pés. O novilho cevado cuidadosamente tratado e preparado para uma ocasião especial de celebração foi imolado. e eles começaram a festejar a volta do filho que estava perdido e morto. “na festa em que começaram a regozijar-se o filho mais jovem achou algo do prazer sólido que procurara em vão no país distante”.
Deus tem pressa em nos perdoar. Ele se deleita na misericórdia. O filho encontrou os braços do pai abertos, a casa do pai preparada, e uma festa na terra e no céu começou a acontecer por causa da sua volta. Não importa quão longe você tenha ido. Haverá uma festa na sua volta. É tempo de voltar para a casa do pai! quando é que você será sábio o bastante para fazer o mesmo? Quando o seu pesar e lamentar irá dar lugar à obediência prática ao evangelho?

O filho mais velho perdido dentro da casa do Pai representa os escribas e fariseus (15.25–32)

O filho mais velho não gastou sua herança dissolutamente. Não vivia em orgias e farras. Nunca havia envergonhado o pai. Sempre estivera na casa paterna, trabalhando para o pai, mas também estava perdido. Há pessoas perdidas dentro da igreja que nunca foram para uma boate, nunca se drogaram, nunca se prostituíram, mas estão perdidas na casa do pai. Vejamos um pouco sobre esse filho mais velho perdido dentro da casa do pai.
Em primeiro lugar, ele vivia na casa do Pai, mas desobedecia aos dois principais mandamentos da Lei de Deus.
Jesus ensinou que os dois principais mandamentos da Lei são amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Esse filho quebrou esses dois mandamentos: ele nem amou a Deus, representado pelo Pai, nem amou ao seu irmão. Ele não perdoou o Pai por ter recebido o filho pródigo, nem perdoou o irmão pelos seus erros. Há pessoas que podem estar na igreja, mas não têm amor por Deus nem pelos perdidos. Estão na igreja, mas não amam os irmãos.
Em segundo lugar, ele vivia na casa do Pai, mas confiava na sua própria justiça. Ele era veloz para ver o pecado do irmão, mas não enxergava os próprios pecados. Era cáustico para condenar o irmão, enquanto via a si mesmo como o padrão da obediência. Os fariseus definiam pecado em termos de ações exteriores, e não de atitudes íntimas. Eles eram orgulhosos de si mesmos.
Em terceiro lugar, ele vivia na casa do Pai, mas não se sentia livre. Ele não vivia como livre, mas como escravo. Sua religião era rígida. Ele obedecia por medo ou para receber elogios. Fazia as coisas certas com a motivação errada. Sua obediência não provinha do coração. Ele andava como um escravo (15.29). O verbo usado aqui é douleo, que significa “servir como escravo”. Ele nunca entendeu o que é ser filho. Nunca usufruiu nem se deleitou no amor do Pai. Ser crente para ele é um peso, um fardo, uma obrigação pesada. Ele vive sufocado, gemendo como um escravo. Está na igreja, mas não tem prazer. Obedece, mas não com alegria. Está na casa do Pai, mas vive como escravo. Está na casa do Pai, mas não tem comunhão com o Pai.
Em quarto lugar, ele vivia na casa do Pai, mas não desfrutava dos bens do Pai (Lucas 15.29–31 “29 Mas ele respondeu ao seu pai: “Faz tantos anos que sirvo o senhor e nunca transgredi um mandamento seu. Mas o senhor nunca me deu um cabrito sequer para fazer uma festa com os meus amigos. 30 Mas, quando veio esse seu filho, que sumiu com os bens do senhor, gastando tudo com prostitutas, o senhor mandou matar o bezerro gordo para ele!” 31 — Então o pai respondeu: “Meu filho, você está sempre comigo; tudo o que eu tenho é seu.” ). Ele viveu a vida toda com o Pai sem festejar com seus amigos. Nunca comeu um cabrito, quando tudo era dele. Ele viveu a vida sem alegria, sem prazer, sem festa. Para muitas pessoas, a vida cristã significa uma tradição pesada, um legalismo enfadonho. Essa era a marca da religião dos fariseus.
Em quinto lugar, ele vivia na casa do Pai, mas estava com o coração cheio de amargura (Lc15.29,Lucas 15.30 “30 Mas, quando veio esse seu filho, que sumiu com os bens do senhor, gastando tudo com prostitutas, o senhor mandou matar o bezerro gordo para ele!”” ). Sua amargura decorre de cinco coisas, comentadas a seguir
Ele se sente melhor que seu irmão. Ele estava escorado orgulhosamente em sua religiosidade, arrotando uma santarronice discriminatória. Só ele presta; o pai e o irmão estão debaixo de suas acusações mais veementes. Sua mágoa começa a vazar. Para ele, quem erra não tem chance de se recuperar. No seu vocabulário, não existe a palavra perdão. Na sua religião, não existe a oportunidade de restauração.
Ele se sente injustiçado pelo Pai. O filho acusa o pai de ser injusto com ele, só porque perdoou o irmão. Na religião dele, não havia espaço para a misericórdia, o perdão e a restauração. Ele se achava mais merecedor que o outro. Sua religião estava fundamentada no mérito pessoal, e não na graça. É a religião da lei, do legalismo, e não da graça e da fé que opera pelo amor.
Ele se sente indisposto a perdoar (Lucas 15.30 “30 Mas, quando veio esse seu filho, que sumiu com os bens do senhor, gastando tudo com prostitutas, o senhor mandou matar o bezerro gordo para ele!”” ). Ele não se refere ao pródigo como irmão, mas diz ao pai: “Esse teu filho”. Quem não ama a seu irmão está nas trevas. Ele vive mergulhado no ressentimento. Vê seu irmão como um rival.
Ele não vê seu próprio pecado. O ódio que ele sente pelo irmão não é menos grave que o pecado de dissolução que o pródigo cometeu fora da casa do Pai. O apóstolo Paulo, quando trata das obras da carne, fala sobre três pecados na área da imoralidade e usa nove pecados na área de mágoa, ressentimentos e ira (Gálatas 5.19–21 “19 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: imoralidade sexual, impureza, libertinagem, 20 idolatria, feitiçarias, inimizades, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões, facções, 21 invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Declaro a vocês, como antes já os preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus.” ). A falta de amor é um pecado tão grave como o pecado da vida imoral e dissoluta.
Ele perdeu a comunhão com o irmão e com o Pai. Quando uma pessoa guarda ressentimento no coração pelo irmão que falhou, perde também a comunhão com o Pai. Ela se recusa a entrar, fica fora da celebração. Mergulha num caudal de amargura. E diz para o Pai: Esse teu filho. Mas o Pai o corrige e lhe diz: Esse teu irmão (15.30,31). Em sexto lugar, ele vivia na casa do Pai, mas se recusou a fazer parte da festa do Pai (15.32). Esta parábola termina com o filho perdido no mundo voltando para o pai, e o filho que estava na casa paterna deixando de entrar na festa do pai. O que estava fora entra para a festa; o que estava dentro fica fora da festa.
O filho mais moço se humilha e é recebido; o filho mais velho é confrontado e não se humilha. Um termina a trajetória na casa do pai, no meio da festa e com o coração feliz; o outro termina a caminhada fora da casa do pai, longe da festa e com o coração amargurado. Warren Wiersbe diz que, neste capítulo, todos se alegram, exceto o filho mais velho.

O Pai amoroso que nunca desiste de amar os perdidos (15.20–32)

A personagem central dessa parábola não é o filho pródigo nem o filho mais velho, mas o pai. Na verdade, essa parábola não deveria ser chamada “a parábola do filho pródigo”, mas “a parábola do pai que ama os dois filhos perdidos”. Deus está sempre buscando o perdido. Ele não desiste de amar os que caíram, não desiste de esperar os que estão longe, nem desiste de insistir com os que não querem entrar. Concordo com David Neale quando ele escreve: “O amor do pai irradia do centro da história, iluminando todos ao seu redor – o ressentido filho mais velho e o humilhado filho mais novo”. Vejamos algumas características desse pai amoroso.
Em primeiro lugar, o pai amoroso é o Deus que insiste em procurar o perdido (15.4,5,8,20). Em todas as três parábolas, há uma procura. O bom pastor procura a ovelha perdida. A mulher busca a moeda perdida. O pai espera o filho perdido. O nosso Deus não desiste de nós. Ele nos ama com amor eterno e nos atrai para si com cordas de amor. Ele nos cerca com seu cuidado e nos disciplina em seu amor. Ele não cansa de nos procurar até nos ter de volta ao lar.
Em segundo lugar, o pai amoroso é o Deus da segunda oportunidade (15.20–24,28). O pai corre ao encontro do filho mais novo e sai para conciliar o filho mais velho. Para ambos, ele oferece uma segunda oportunidade de recomeçar a vida. Oh, que recepção calorosa e maravilhosa para um rei dos pecadores! Comenta o bom Matthew Henry: “Avistou-lhe o pai com olhos de misericórdia; correu para encontrá-lo com pernas de misericórdia; abraçou-lhe o pescoço com braços de misericórdia; beijou-o com beijos misericordiosos; disse a ele — e foram usadas palavras de misericórdia — Trazei o melhor traje. Houve provas de misericórdia, milagres de misericórdia — tudo era misericórdia. Oh, que Deus misericordioso”.
Em terceiro lugar, o pai amoroso é o Deus que perdoa e restaura completamente o perdido que se volta para ele (15.22–24). O filho pródigo não conseguiu nem terminar sua confissão, quando o pai já havia dado ordens para honrá-lo, restaurá-lo e começar a festa de sua restauração. Deus perdoa e esquece. Deus perdoa e lança nossos pecados nas profundezas do mar. Deus perdoa e nunca mais lança em nosso rosto nossos fracassos. Deus perdoa e nos coloca num lugar de honra!
Em quarto lugar, o pai amoroso é o Deus que celebra e festeja a volta dos perdidos ao lar (15.23,24,32). A parábola não destaca a alegria do filho que voltou, mas a alegria do pai que o recebeu. Em todas as três parábolas, há comemoração de alegria. Há festa na terra e no céu. Você é muito importante para Deus. Ele ama você a ponto de dar uma festa por sua volta. Hoje, eu convido você! A igreja convida você! As Escrituras convidam você! O Espírito Santo o chama! O Filho de Deus de braços abertos conclama: Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. O Pai espera por você!
SDG
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