Sem título Sermão
Descrenças da propria familia.
Jesus repreende seus irmãos (7:1–9)
7:1 Há um intervalo de alguns meses entre os capítulos 6 e 7. Jesus permaneceu na Galileia. Ele não queria permanecer na Judeia (CF), que era a sede para os judeus, pois eles procuravam matá-lo. De modo geral todos concordam que os judeus mencionados nesse versículo eram líderes ou governantes. Eram eles que cruelmente odiavam o Senhor Jesus e procuravam oportunidades para matá-lo.
7:2 A Festa dos Tabernáculos era um dos eventos mais importantes no calendário judaico. Era na época da colheita e celebrava o fato de que os judeus viveram em tendas ou abrigos temporários depois de saírem do Egito. Era um feriado festivo, alegre, que antecipava o dia em que o Messias reinaria e a nação judaica habitaria na terra em paz e prosperidade.
7:3 Os irmãos do Senhor mencionados no versículo 3 provavelmente eram filhos nascidos a Maria após o nascimento de Jesus (alguns dizem que eram primos ou parentes distantes). Mas não importa o grau de parentesco com o Senhor Jesus, nem por isso eram salvos. Eles não creram verdadeiramente no Senhor Jesus. Eles lhe disseram para ir à Festa dos Tabernáculos em Jerusalém e realizar alguns dos seus milagres lá para que seus discípulos pudessem ver o que ele estava fazendo. Os discípulos aos quais eles se referem não eram os doze, mas antes aqueles que professavam ser seguidores do Senhor Jesus na Judeia.
Embora não acreditassem nele, queriam vê-lo manifestar-se abertamente. Talvez quisessem um pouco da atenção que viria a eles por serem parentes de uma pessoa famosa. Ou talvez invejassem sua fama e insistissem em que ele fosse à Judeia na esperança de que pudesse ser morto.
7:4 Talvez essas palavras tenham sido ditas com sarcasmo. Seus parentes pareciam sugerir que o Senhor estava à procura de publicidade. Por que outro motivo ele estaria realizando todos esses milagres na Galileia se não quisesse ficar famoso? “Agora é sua grande oportunidade”, é o que estão dizendo. “Você estava procurando a fama. Deveria ir a Jerusalém para a festa. Centenas de pessoas estarão lá, e você terá a oportunidade de realizar milagres para eles. A Galileia é um lugar quieto, e você está realizando seus milagres em um lugar praticamente isolado. Por que faz isso quando sabemos que quer ficar bem conhecido?” E com isso acrescentaram: Já que você faz essas coisas, deixe que todos o conheçam (NTLH). Parece que o pensamento deles era: “Se você realmente for o Messias, e se está fazendo esses milagres para prová-lo, então por que não oferece essas provas onde realmente terão valor, isto é, na Judeia?”.
7:5 Os seus irmãos não tinham o desejo sincero de que ele fosse glorificado. Eles realmente não criam que ele era o Messias. Nem estavam dispostos a entregarse a ele. O que disseram foi dito com sarcasmo. O coração deles não era reto perante o Senhor. Deve ter sido muito decepcionante para o Senhor Jesus o fato de que seus próprios irmãos duvidavam de suas palavras e obras. Entretanto, com frequência, os que são fiéis a Deus encontram a maior oposição entre aqueles que lhes são as pessoas mais íntimas e queridas.
7:6 A vida do Senhor estava determinada do princípio até o fim. Cada dia e cada movimento estavam de acordo com o cronograma preestabelecido. O tempo oportuno para se manifestar abertamente ao mundo ainda não havia chegado. Ele sabia exatamente o que estava adiante dele, e não era a vontade de Deus que ele fosse a Jerusalém nesse momento para fazer uma apresentação pública de si mesmo. Mas ele fez seus irmãos lembrarem que o tempo deles era sempre presente ou oportuno. A vida deles era vivida de acordo com seus desejos e não em obediência à vontade de Deus. Poderiam traçar seus planos e viajar como bem queriam, pois só estavam concentrados em fazer a própria vontade.
7:7 O mundo não poderia odiar os irmãos do Senhor porque eles pertenciam ao mundo. Eles tomavam partido com o mundo contra Jesus. Toda a sua vida estava em harmonia com o mundo. O mundo aqui se refere ao sistema que o homem construiu e no qual não há lugar para Deus ou para seu Cristo: o mundo da cultura, da arte, da educação ou da religião. Na verdade, na Judeia era especialmente o mundo religioso, visto que eram os líderes dos judeus que mais odiavam a Cristo.
O mundo odiou a Cristo porque ele testificou que suas obras eram más. É um comentário triste a respeito do ser humano depravado que, quando um homem sem pecado e sem mancha veio ao mundo, este tenha procurado matá-lo. A perfeição da vida de Cristo mostrou quão imperfeita era a vida de todo mundo. Do mesmo modo que uma linha reta revela a curva de uma linha em ziguezague quando colocadas ambas lado a lado, assim a vinda do Senhor ao mundo serviu para revelar o homem em toda a sua pecaminosidade. O homem ofendeu-se com essa exposição. Em vez de arrepender-se e implorar a Deus por misericórdia, procurou destruir aquele que revelou seu pecado.
F. B. Meyer explica:
Ah, é uma das repreensões mais terríveis que o Amor Encarnado pode administrar, quando agora diz a alguém, como fez a alguns nos dias de sua carne: “Não pode o mundo odiar-vos”. Não ser odiado pelo mundo; ser amado e bajulado e acariciado pelo mundo — é uma das posições mais terríveis em que um cristão pode se encontrar. “Que coisa ruim tenho feito”, perguntou um antigo sábio, “para que ele fale bem de mim?”. A ausência do ódio do mundo prova que não testificamos contra o mundo que suas obras são más. O calor do amor do mundo prova que pertencemos a ele. A amizade do mundo é inimiga de Deus. Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (
