Os Magos e o dilema da adoração
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Mateus 2.1–12
Mateus 2.1–12
Bom dia,
Pra quem não me conhece, eu me chamo Guilherme e faço parte da liderança aqui da Igreja Biblica Urbana.
É uma alegria estar aqui mais uma vez nessa manhã e ver tantos rostos famíliares.
Mas ao longo dessa manhã a Isa e o Victor foram citando alguns versículos que basicamente apontavam para esse texto que vamos estudar hoje.
E poucas histórias bíblicas são tão conhecidas quanto a dos magos que visitaram Jesus.
E muito provavelmente você ao ouvir essa história, escutou que eram 3 Reis Magos vindos do Oriente e que eles teriam visitado Jesus ainda na manjedoura.
É o que muitos presépios, peças de teatro e programas por ai, nos mostram nesses dias.
MAS desculpe arruinar essa história pra você, porque o texto Bíblico que acabamos de ler não nos mostra isso.
A tradição cristã chegou até mesmo colocar nome a eles: Belchior, Gaspar e Baltazar.
E desmistificando essa primeira ideia de que eles eram Reis, isso surgiu por algumas interpretações de alguns textos biblicos.
Um deles foi lido entre as músicas essa manhã e que está em Isaías 60.3 ..… e o outro texto está em Salmo 72.10–11 ............
SL - “Paguem-lhe tributos os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Sebá lhe ofereçam presentes. E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam.”
IS - “As nações se encaminham para a tua luz, e os reis, para o resplendor que te nasceu.”
......… Ambos falam de reis e nações trazendo honra e presentes ao ungido do Senhor.
E, ao longo da história da igreja, esses textos foram associados à cena de Mateus 2,
o que ajudou a consolidar a tradição de chamar esses visitantes de “reis”.
Mas é importante perceber algo.
Esses textos são, sim, messiânicos —
mas apontam para um cumprimento maior.
Eles descrevem não apenas um momento pontual,
mas o grande quadro do Reino de Deus,
quando todas as nações, povos e reis se dobrarão diante do Messias.
Ou seja, o que nós vemos Em Mateus 2 é apenas o início dessa promessa.
Um dia, aquilo que começou ali se cumprirá por completo:
pessoas de todos os povos se rendendo diante de Cristo.
A segunda coisa que a tradição nos fala sobre esse texto é que eram 3 magos, mas o texto também não nos diz isso.
Essa ideia surgiu, porque o texto fala sobre 3 presentes, o ouro, o incenso e a mirra.
E por serem 3, ficaram com essa ideia de que eram 3 magos.
Mas muito provavelmente seriam até mesmo mais do que 3, isso porque esses tipos de magos não andavam em pequenas caravanas.
Mas talvez isso seja assunto para outro dia...
E já agora, muito possívelmente você já deve ter se perguntado: Porque é que magos estariam em busca do Messias?
E de fato estes magos não são magos como estamos familiarizados, estilo Harry Potter, com chapéu comprido ou com uma barba longa e uma varinha na mão.
Esses magos eram uma espécie de sacerdotes astrólogos, homens que estudavam as estrelas.
Eram pagãos, estrangeiros, gentios.
Pessoas que, à primeira vista, estariam longe da promessa.
E, ainda assim, Deus os chama e os conduz até Cristo.
É bem possível que esses magos tenham ouvido la no Oriente, uma promessa do Antigo Testamento que está em Números 24.17
“Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.”
Essa promessa nos diz que quando um vedadeiro Rei se levantasse, surgiria uma estrela.
E o mais engraçado nessa profecia de números é que feita por um advinhador que foi contratado para amaldiçoar o povo de Israel, mas ele não consegue.
Todas as vezes que ele tentava amaldiçoar, ele profetizava algo vindo da parte de Deus e uma das coisas era essa profecia sobre o Messias.
Então, tudo nos aponta que estes magos estavam em busca de encontrar um sentido da sua vida religiosa.
E com a gente não é muito diferente, nós passamos a vida buscando isso também, é uma busca desenfreada para preencher um vazio após o outro.
Isso porque Eu e você fomos criados para ADORAR, MAS
o problema é que nem sempre Adoramos o que é certo.
Nessa época de Natal é bem comum que nós idealizemos o presente ideal, ou ficarmos em busca do presente certo para outra pessoa, e passamos de vitrine em vitrine adorando, se curvando a todas aquelas coisas que nós não podemos comprar, mas tanto desejamos.
E não é só isso, a gente adora o carro, a casa, o santo, o dinheiro, a carreira… a Gente adora tudo, menos a Deus!
Até mesmo Igreja, Doutrina, tradição ou até um estilo de culto pode se tornar um Deus...
E esse sermão meus irmãos, mexeu comigo em várias áreas, e uma delas foi essa.
Praticamente todos os domingos falamos aqui que somos uma igreja de tradição reformada,
E eu confesso que, em alguns momentos, isso gerou orgulho no meu coração.
Eu pensava: “OH Plantamos uma igreja reformada no Porto.”
E, sem perceber, isso vinha acompanhado de um certo ar de superioridade,
como se fôssemos a única igreja correta aqui.
E Tim Keller, no livro Deuses Falsos, coloca isso de uma forma muito clara quando ele diz que: “pessoas com a doutrina certa podem não adorar o Deus verdadeiro. A idolatria nem sempre é trocar Deus por uma imagem; às vezes é trocar Deus pela segurança de estar certo. É quando a verdade deixa de nos conduzir à adoração e passa a nos proteger de um encontro com o Rei.”
É justamente nesse momento que a atitude desses magos nos ensinam...
Eles não foram para encontrar sentido,
Eles foram adorar a ele porque reconheceram que nada mais era suficiente.
Eles estavam em busca do verdadeiro Rei, o único capaz de satisfazer plenamente o desejo humano de adorar.
(PAUSA)
E este texto nos apresenta outro personagem central da narrativa: o rei Herodes.
E é muito importante entendermos quem era esse homem.
Herodes era conhecido como Herodes, o Grande.
De fato, ele foi um grande construtor.
Levantou obras monumentais, fortalezas, cidades e até ampliou o templo em Jerusalém.
Externamente, parecia um rei poderoso e bem-sucedido.
Mas esse mesmo Herodes era também conhecido por sua crueldade.
Para preservar o poder, ele mandou matar qualquer um que ameaçou seus objetivos, inclusive membros da própria família.
Há um detalhe ainda mais significativo:
Herodes não era da linhagem de Davi.
Ele era idumeu, descendente de Esaú, alguém de fora da promessa, governando o povo da aliança.
Mas ainda assim, ele carregava o título de “rei dos judeus”.
E é exatamente aí que o conflito aparece.
Quando os magos chegam perguntando:
“Onde está o recém-nascido rei dos judeus?”
Eles não estão apenas fazendo uma pergunta religiosa.
Estão anunciando que um outro Rei nasceu.
Herodes não se perturba por uma simples curiosidade,
mas porque agora, o seu trono está ameaçado.
Diante do verdadeiro Rei, o falso rei entra em crise.
Porque quando o verdadeiro Rei se revela, todo poder que não vem de Deus é desestabilizado.
E aqui Mateus nos apresenta mais um grupo de personagens nessa história:
os sacerdotes e os escribas.
A primeira atitude de Herodes é chamar justamente esses homens.
Ele convoca aqueles que possuíam o mais alto conhecimento das Escrituras.
De fato, não havia ninguém mais qualificado do que eles para responder àquela pergunta.
E eles respondem com absoluta segurança, sem hesitação ou dúvida.
Mateus 2.5–6 “Em Belém da Judéia, responderam eles, porque assim está escrito por intermédio do profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel.”
Eles sabem quem é o Messias.
Sabem onde Ele deveria nascer.
Sabem interpretar corretamente o texto.
Mas o que impressiona Mateus, é que eles não fazem absolutamente nada com esse conhecimento.
Não se movem.
Não acompanham os magos.
Não vão a Belém.
Não adoram.
Isso não é ignorância, é comodismo espiritual e autossuficiência religiosa.
E a gente pode até olhar para esse texto e querer massacrar a atitude desses escribas e sacerdotes.
Mas isso não está distante da nossa realidade.
Isso é exatamente o dilema da adoração!
E presta atenção no que eu vou falar agora:
Tem gente que passa a vida na igreja, já leu a Biblia umas 5 vezes, não falta em nenhum culto,
MAS NUNCA TEVE UM ENCONTRO VERDADEIRO COM O CRISTO, O SALVADOR.
Muitas vezes, o versículo ta na ponta da lingua, mas não faz diferença na vida dele.
E não estou dizendo isso para desvalorizar o estudo bíblico ou a vida da igreja.
Muito pelo contrário, porque aqui nós valorizamos e muito!
O problema é quando o conhecimento não nos conduz à adoração.
Quando não nos leva a nos prostrar diante de Deus.
Nesse ponto, o que resta não é devoção a Cristo,
é só costume religioso.
E esse é o primeiro ensinamento que o texto nos traz:
Conhecimento sem devoção, não produz adoração.
Versículos 7 e 8
E a partir daqui, Mateus nos mostra uma segunda resposta ao nascimento de Jesus.
A falsa adoração de Herodes.
O texto diz que Herodes chama os magos em segredo,
E basicamente o que ele quer são informações de onde e quando Jesus nasceu.
Herodes diz que deseja adorar a Jesus, mas na realidade ele não quer verdadeiramente.
Herodes está preocupado na realidade de perder o seu posto de ser adorado,
De perder o título de "rei dos judeus", de "Herodes, o Grande"
A reputação dele esta em jogo.
MAS isso também nos soa familiar...
Porque, à medida que nos aproximamos de Cristo, é impossível nós permanecermos os mesmos.
A Palavra nos confronta, E
esse confronto ameaça aquilo que ocupa o centro do nosso coração.
- Ameaça o pecado que nós protegemos.
- Ameaça o controle que não queremos entregar.
- Ameaça o lugar de honra que, muitas vezes, reservamos para nós mesmos.
Assim como Herodes, podemos até dizer que queremos adorar,
mas, no fundo, o que não queremos, É PERDER O CONTROLE.
Não rejeitamos Jesus abertamente.
Apenas tentamos mantê-lo à margem,
enquanto preservamos o lugar que só deveria pertencer a Ele.
E este é o segundo ensinamento que este texto nos traz:
A falsa adoração protege o próprio trono.
versículos 9, 10, 11 e 12
A partir do versículo 9, Mateus nos mostra a resposta correta perante ao nascimento de Jesus.
O texto diz que,
"depois de ouvirem Herodes, os magos seguiram o seu caminho.
E a estrela que haviam visto no Oriente foi adiante deles,
até parar sobre o lugar onde estava o menino."
A verdadeira adoração sempre nos coloca em movimento sob a direção de Deus.
Eles não caminham ao acaso; caminham guiados pela revelação que Deus soberanamente lhes deu.
E quando tornam a ver a estrela, o texto diz algo simplesmente lindo:
que eles “alegraram-se com grande e intenso júbilo.”
Essa alegria não nasce das circunstâncias,
não nasce porque tudo me vai bem,
mas nasce da certeza de estar no caminho certo,
e de saber que Deus esta nos conduzindo exatamente para onde deveríamos estar.
(PAUSA)
E Mateus nos diz que:
Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe.
A adoração começa exatamente nesse encontro.
E Mateus faz questão de destacar a atitude deles nesse encontro:
"prostrando-se, o adoraram."
Antes de qualquer entrega externa, há um coração que se dobra,
Porque a verdadeira adoração começa com rendição.
(PEQUENA PAUSA)
E só depois disso, o texto diz que eles abriram os seus tesouros.
E Mateus é muito cuidadoso com a ordem:
Eles não começam entregando coisas.
Eles começam entregando o seu coração.
Porque entrega de tesouro sem rendição do coração,
não é adoração, é barganha!
É dizer: “Deus, eu te dou ISSO, e o Senhor me devolve AQUILO em troca.”
Não, o evangelho não funciona assim.
Os magos não compram o favor de Deus.
Eles se ajoelham diante daquele que é o Rei
e, por isso, entregam o melhor que têm.
E o texto termina dizendo algo simples, mas profundamente revelador:
“E, tendo sido advertidos em sonho, voltaram para a sua terra por outro caminho.”
Isso não é apenas um detalhe sem importancia nessa narrativa.
É o resultado inevitável de um encontro verdadeiro com o Rei.
Quem se ajoelha diante de Cristo,
não volta para casa do mesmo jeito.
Quem adora a Cristo de verdade,
não continua andando pelos mesmos caminhos.
A verdadeira adoração não termina no momento do culto.
Ela continua quando nós voltamos pra casa,
Ela muda as decisões,
Ela muda as rotas do nosso caminho,
Ela muda as prioridades.
Porque quando Cristo ocupa o trono,
não é só o coração que se rende,
é a vida inteira que muda de direção.
(PAUSA)
Mas há um detalhe muito importante, e eu quis deixar propositalmente por último.
Mateus nos diz que os magos ofereceram três presentes específicos a Jesus:
ouro, incenso e mirra.
E isso não é uma simples informação no texto, nem aleatório.
No contexto daquela época, o ouro era oferecido a reis.
Era um presente de honra, de reconhecimento de autoridade.
Ao oferecerem ouro, os magos se ajoelham diante de alguém que eles reconhecem como Rei.
Mateus diz que também ofereceram incenso.
E naquele tempo, o incenso não era usado para qualquer pessoa.
O incenso estava ligado ao culto, à adoração prestada a Deus.
Ou seja, esse menino recebe aquilo que, nas Escrituras, pertence somente a Deus.
E por fim, Mateus menciona a mirra.
Uma substância usada no preparo de corpos para o sepultamento.
Talvez os magos não compreendessem toda a profundidade do que estavam oferecendo.
Mas Mateus, escrevendo à luz da cruz, quer que nós entendamos.
Este menino é Rei.
Este menino é Deus.
E este menino veio para morrer por nós.
Ele veio para ser entregue, crucificado, sepultado —
e ao terceiro dia ressuscitar.
A verdadeira adoração sempre nos conduz até aqui.
Ela não termina no encanto da estrela,
nem no gesto da oferta,
nem no momento do culto.
Ela nos leva ao Cristo que reina,
ao Deus que se fez carne,
e ao Salvador que deu a própria vida por nós.
É por isso que Ele é digno da nossa adoração.
É por isso que vale a pena se ajoelhar diante dEle.
E é por isso que, quando O encontramos,
não voltamos pelo mesmo caminho.
E ao chegarmos ao final dessa história, o texto nos deixa diante de um dilema muito claro:
A quem temos adorado de verdade?
Adoração não é algo que fazemos apenas aqui no culto.
Adoração é uma vida rendida na presença de Deus.
É quando Cristo governa nossas decisões, nossos afetos e nossas prioridades.
O dilema da adoração está diante de todos nós.
Não é uma escolha entre adorar ou não adorar —
porque todos nós adoramos alguma coisa.
O dilema é: quem ocupa o lugar da adoração no meu coração?
Talvez hoje você tenha percebido que outras coisas, aos poucos,
foram tomando o lugar que só Cristo deveria ocupar.
E muitas delas são, inclusive, coisas boas e legítimas:
buscar mais conhecimento (Carreira ou Biblico),
se dedicar a um ministério,
cuidar da sua família,
construir uma carreira,
ENFIM, poderiamos citar muitas coisas boas
Mas a pergunta que devemos fazer todos os dias é muito simples:
quem está no trono do seu coração?
A boa notícia do evangelho é que o Rei que nos chama à adoração
é o mesmo que se entregou por nós.
Ele nos chama a um encontro verdadeiro
e, a partir desse encontro, a uma vida plena.
Esse chamado não é apenas para estar no culto na próxima semana,
mas para um coração quebrantado,
que deseja estar todos os dias na presença dEle, adorando.
E Se essa palavra fez sentido para você hoje,
se o Espírito revelou ídolos que têm ocupado o lugar de Cristo,
eu te convido a orar.
Uma oração simples,
talvez, para alguns, uma oração que você nunca tenha feito:
uma oração de entrega.
Mas Não saia daqui hoje sem reconhecer o menino que nasceu em Belém
como Rei,
como Senhor,
e como Salvador da sua vida.
