A mensagem do advento
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Introdução
Introdução
O texto que acabamos de ler está amalgamado a um período histórico extremamente complexo, característico por grandes tensões de caráter político-militar. Na época em que Isaías era profeta a Assíria despontava como uma grande potência mundial. Suas incursões no Antigo Oriente Próximo já traziam ares de ameaça sobre a Síria e a Palestina. Nesse cenário, Síria e Israel – o Reino do Norte - tentaram formar uma aliança contra a Assíria, buscando o apoio de Judá, mas o rei Acaz optou por fazer uma aliança com os assírios, pagando tributo para evitar uma conquista militar. O fato é que tanto Israel, o Reino do Norte, quando Judá, o Reino do Sul, sofreram com as invasões inimigas. O Reino do Norte em determinado momento foi destruído, e os habitantes do Reino do Sul enfrentaram o cativeiro. No meio desse cenário conflituoso, Isaías profetiza uma esperança que é considerada, no mínimo, surpreendente: uma criança nascerá do tronco de Jessé, um rebento que trará a luz para os que vivem nas trevas. Essa criança segundo esse oráculo, seria O guia para tempos de paz, e serviria a justiça e à equidade. Por intermédio do profeta, Deus tencionou mostrar ao seu povo à época, e à sua igreja hoje, que as soluções políticas e militares são insuficientes na resolução de seus problemas, de forma tal que é necessário que Ele mesmo, o Deus de toda terra, faça algo sem seu favor. Quando direcionamos nossos olhos para o NT, identificamos o claro cumprimento dessa profecia em Jesus, o Rei Redentor por excelência.
Transição
Transição
Tomando como base o texto lido, à luz de seu contexto histórico e considerando a clara perspectiva escatológica presente nele, chamo sua atenção para que consideremos o seguinte tema: A mensagem do advento. Minha intenção é desenvolver o tema a partir de três movimentos distintos. No primeiro, olharemos para o texto, buscando interpretá-lo; no segundo avaliaremos três implicações oriundas dele e por fim, no terceiro movimento veremos três aplicações decorrentes do texto para nossas vidas hoje.
1. A mensagem do advento revela a luz que vence as trevas – v.1-2
1. A mensagem do advento revela a luz que vence as trevas – v.1-2
Isaías inicia sua mensagem estabelecendo um forte contraste com os capítulos anteriores. Se voltarmos nos capítulos sete e oito, encontraremos oráculos de juízo sobre o povo de Deus. Agora, no capítulo 9, após os anúncios de juízo e devastação, surge a promessa de esperança. Zebulom e Naftali, tribos do extremo norte de Israel, foram as primeiras a sofrer com as invasões assírias por causa de sua vulnerabilidade geográfica e estratégica. Essas localidades eram mais distantes em relação às demais tribos, e eram áreas mais abertas e, portanto, suscetíveis aos ataques inimigos. A aflição e a obscuridade mencionadas no texto, definem e ilustram a situação das tribos afligidas e que sofreram com as incursões militares inimigas. Tais catástrofes recaíram sobre essas regiões não por acaso, mas como a manifestação do juízo divino diante da idolatria institucionalizada entre o povo. Contudo, é exatamente nesse território marcado por trevas profundas que Deus promete fazer resplandecer a luz da redenção. O povo que por um longo período “andava” em trevas, ou seja, vivia em um estado contínuo de miséria, medo e morte, veria uma grande luz. Isaías anuncia essa realidade na forma daquilo que podemos chamar de certeza profética: ainda que o cumprimento pleno estivesse no futuro, a promessa era tão segura que podia ser declarada como fato consumado. Assim como os lugares mais escuros são aqueles que primeiro percebem os primeiros raios da alvorada, em Israel o lugar da maior dor seria convertido no ponto inicial da esperança. Na Galileia, região onde se encontravam Zebulom e Naftali, a luz de fato raiou, pois, foi ali que Cristo iniciou seu ministério público, anunciando redenção e vida eterna.
2. A mensagem do advento revela a luz que liberta os oprimidos – v. 3-5
2. A mensagem do advento revela a luz que liberta os oprimidos – v. 3-5
O homem cultiva em seu íntimo, ainda que não perceba, a busca por algum tipo de redenção. Quando longe do Senhor, a satisfação dessa necessidade é deslocada para os mais variados objetos. Política, ideologia, ciência, prestígio, fama, dinheiro. Esses são apenas alguns dos exemplos de válvulas de escape sobre as quais o homem se apoia na intenção de redimir o significado e o sentido de sua história, à parte de Deus. É assim hoje e foi assim no passado. Deus, no entanto, deixa evidente que a esperança real não provém que qualquer outro lugar, se não dele. Aqui, nessa profecia de Isaías vemos uma esperança proclamada. E embora Israel e Judá houvessem depositado sua confiança nos homens, Deus está agora mostrando ao povo que o homem necessita de algo melhor e mais perfeito que um mero homem. A verdadeira esperança, contrariando os anseios de Israel e Judá não nasceria de alianças políticas nem de estratégias militares, mas da intervenção direta do Senhor. Isaías nesse momento desloca o foco do sofrimento do povo para a ação graciosa de Deus, reconhecendo-o como o agente da preservação, do crescimento e da alegria. A libertação anunciada é descrita por meio da quebra do jugo, da vara e do cetro do opressor — imagens claras de servidão e domínio violento. Assim como o Senhor, no passado, derrotara os midianitas nos dias de Gideão, Ele novamente agiria, demonstrando que a vitória pertence exclusivamente a Ele. Essa libertação possui um duplo horizonte: um cumprimento histórico parcial, quando Deus livra seu povo das potências opressoras, e um cumprimento escatológico pleno, quando toda opressão, toda guerra, toda violência, que são decorrentes do pecado serão definitivamente eliminadas, pois, o próprio pecado, a causa eficaz de todas essas coisas será destruído definitivamente. Quando o profeta desloca suas palavras do povo e as direciona à Deus, retratando sua ação soberana e graciosa, ele evidencia o que o próprio Deus tenciona nos mostrar: o fim das dores, das opressões, da violência, das guerras e de tudo o mais que gera sofrimento a cada um de seus pequeninos, não será resultado da força humana, mas da soberana e poderosa do Deus da aliança.
3. A mensagem do advento revela a luz que faz raiar um tempo de justiça e paz – v.6-7
3. A mensagem do advento revela a luz que faz raiar um tempo de justiça e paz – v.6-7
A esperança anunciada alcança seu clímax quando a luz deixa de ser apenas imagem e se revela como Pessoa: O Rei Redentor, que trará à luz um novo tempo. Perceba que o cerne da profecia é a esperança da redenção do povo de Deus. E essa redenção está intimamente, indissociavelmente, relacionada à pessoa do Redentor que é o centro da atenção do texto. Até o momento Ele fora identificado como uma grande luz, metáfora que é na realidade muito impessoal. Agora não. As palavras são mais claras. O conteúdo da revelação é límpido. A redenção, o resgate do povo, não seria operado de maneira impessoal. A esperança da redenção se estabelece no nascimento de alguém. Um menino nasce; um Filho é dado. Em todos os cenários o nascimento de uma criança é um dom, uma dádiva dada por Deus em benefício dos pais. Mas há algo diferente e especial aqui. Esse menino do qual fala Isaías, o menino que é a luz que resplandece para um tempo de paz e justiça, foi dado não em benefício de uma família, mas de todas as famílias. Ele nos nasceu, ele se nos deu. Ele nasceu e foi dado à Judá, à Israel, à Igreja. Ele nos foi dado com um objetivo: assumir as prerrogativas, direitos e responsabilidades reais, assumindo a liderança de seu povo, pois, o próprio Deus pôs sobre os seus ombros o direito e o dever de governar sobre os seus.
É interessante notar que Deus, por meio do profeta estabeleceu uma série de epítetos que descrevem o caráter daquele que é a grande luz: a) Maravilhoso Conselheiro: indicando sua magnifica sabedoria; b) Deus Forte: indicando que esse menino é Deus; c) Pai da Eternidade: indicando que como Deus ele vive eternamente; d) Príncipe da Paz: o Filho que nos foi dado (vindo da linhagem de Davi) será o responsável por estabelecer a paz e a justiça. Esse Rei, é diferente de qualquer outro já visto em Israel ou Judá. Olhe atentamente para cada um dos quatro nomes empregados por Isaías. Nos dois primeiros, Maravilhoso Conselheiro e Deus Forte, os primeiros termos (Maravilhoso/Deus) indicam divindade, enquanto os dois últimos (Conselheiro/Forte) expressam humanidade. Nos dois últimos nomes, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz, os primeiros termos (Pai/Príncipe) indicam humanidade, enquanto os dois últimos (Eternidade/Paz) expressam divindade. A criança a nascer, o Filho a ser dado, a grande luz que é identificada com esses nomes, tal como eles, é divino e humano. O povo precisava de um líder que fosse melhor que um líder humano. E Isaías está profetizando exatamente isso a respeito do Rei Redentor, ele é homem, mas é também Deus. E o Homem-Deus, assumindo as responsabilidades do Governante Supremo, executará um governo grandioso e que não terá fim. O que temos em vista aqui é um panorama escatológico, que aponta para a Redenção plena, executada no dia final. O Rei Redentor, de maneira definitiva destruirá todos os seus inimigos e promoverá a paz e a justiça perpetuamente.
E ao final dessa explicação talvez você se pergunte: E daí? O que isso tem que ver com minha vida? Qual o sentido da mensagem desse texto para mim hoje? E é justamente nesse ponto que quero chegar, mostrando a você as implicações e aplicações desse texto. Talvez você não esteja familiarizado com essas palavras. A implicação é o que o texto exige que seja verdade, enquanto a aplicação é o que se espera que façamos como resposta ao texto. Considerando o texto, temos três implicações necessárias e três aplicações decorrentes.
1ª Implicação – A mensagem do advento é sobre Jesus, a luz que dissipa as trevas (no nosso caso, as trevas do pecado e da morte)
1ª Implicação – A mensagem do advento é sobre Jesus, a luz que dissipa as trevas (no nosso caso, as trevas do pecado e da morte)
O que Isaías anunciou como promessa no Antigo Testamento, o Novo Testamento nos mostra como cumprimento. A grande luz brilhou de fato sobre Zebulom e Naftali, a Galiléia dos gentios, quando a partir de lá Jesus iniciou seu ministério público, e a partir dali essa luz se espalhou por toda a terra, chegando até nós hoje. A antiga região marcada pela humilhação e pela escuridão (Mt 4.12–16) foi a primeira a ver o resplandecer da alvorada. Cristo entrou na história não em um cenário de força, mas em um mundo mergulhado em trevas espirituais — trevas de pecado, ignorância de Deus, idolatria e morte. Assim como no tempo de Isaías, hoje as trevas não são circunstanciais, mas um estado contínuo da humanidade caída. Ao se revelar como “a luz do mundo” (Jo 8.12), Jesus se mostra como aquele que dissipa as trevas do pecado e da morte, nas quais a humanidade se encontra afogada. Cristo é de fato a verdadeira luz que vinda ao mundo, dissipa as trevas e ilumina todo homem.
2ª Implicação – A mensagem do advento é sobre Jesus, a luz que liberta os cativos e os oprimidos pelo pecado
2ª Implicação – A mensagem do advento é sobre Jesus, a luz que liberta os cativos e os oprimidos pelo pecado
A libertação anunciada por Isaías encontra seu pleno significado na obra redentora de Cristo. Jesus proclamou que veio “para libertar os cativos” e “pôr em liberdade os oprimidos” (Lc. 4.18). Em sua cruz, Ele derrotou os nossos verdadeiros inimigos: o pecado, a culpa, a condenação e o poder da morte. A igreja hoje vive sob a certeza de que em Cristo, os fardos que esmagam a consciência são removidos, a escravidão do pecado é rompida e a alegria da reconciliação é restaurada. A libertação que Jesus oferece não é meramente circunstancial, mas espiritual, definitiva e eterna. Ainda aguardamos a consumação final, mas já experimentamos a realidade dessa liberdade pela fé.
3ª Implicação – A mensagem do advento é sobre Jesus, a luz que inaugura um novo tempo de justiça e paz com Deus
3ª Implicação – A mensagem do advento é sobre Jesus, a luz que inaugura um novo tempo de justiça e paz com Deus
Cristo, o menino anunciado por Isaías é o Rei que governa com justiça perfeita e paz verdadeira. Ele é o Príncipe da Paz que reconcilia pecadores com Deus (Rm. 5.1). Seu reino não se estabelece pela força, mas pela cruz; não se sustenta pela coerção, mas pela graça. Para a igreja hoje, viver sob o governo desse Rei significa experimentar uma nova realidade: já fomos justificados diante de Deus e vivemos na esperança da paz plena que será consumada na volta de Cristo. Já fomos libertos espiritualmente da opressão do pecado e do diabo, e à sombra das asas do Senhor desfrutamos de verdadeira paz e segurança. Embora ainda habitemos um mundo marcado por conflitos, injustiças e dores, sabemos que o reino de Jesus está em expansão e que seu governo não terá fim. O zelo do Senhor garante que a justiça triunfará e que a paz será definitiva.
Aplicações
Aplicações
1. Abandone falsas esperanças e confie somente em Cristo: O Advento nos chama ao arrependimento de toda confiança deslocada — seja em soluções políticas, segurança humana ou força pessoal. Israel e Judá erraram ao depositar sua confiança e sua esperança nos homens, você não deve cometer o mesmo erro. Somos chamados a voltar nossos olhos exclusivamente para Cristo, a única luz capaz de dissipar as trevas do pecado e da morte, a única e verdadeira esperança.
2. Viva hoje na liberdade que Cristo já conquistou: Se os jugos que pesavam sobre nós, junto com a vara da opressão do pecado e morte foram quebrados por Cristo, não há razão para que continuemos vivendo como escravos do pecado, da culpa ou do medo. O Advento nos convida a uma fé ativa, que desfruta da liberdade do evangelho e responde com obediência grata e alegria santa àquilo que Jesus já fez por nós.
3. Submeta sua vida ao governo do Príncipe da Paz: A esperança do Advento não é apenas futura; ela molda o presente. Viver sob o reinado de Cristo implica buscar justiça, cultivar paz e manifestar o caráter do Rei em um mundo ainda marcado por trevas, enquanto aguardamos com esperança sua consumação gloriosa. Devemos viver dessa maneira, a fim de que nossa própria vida seja um testemunho vívido e límpido do nascimento e dos resultados do nascimento de Cristo, o Rei Redentor.
