A PROMESSA E A ÚNICA DIREÇÃO POSSÍVEL

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Gênesis 13
Abramos as nossas Bíblias no livro de Gênesis, capítulo 13, onde a Palavra de Deus nos revela um momento crucial na jornada de Abrão, o pai da fé. Este texto não é apenas um relato histórico de uma desavença familiar; é uma profunda lição de teologia, que contrasta a vida guiada pela fé com a vida dominada pela vista, e que culmina na gloriosa reafirmação da soberania da promessa de Deus.
As promessas originais de Yahweh a Abrão implicavam o dom da terra—"vai (…) para a terra que eu te mostrarei” (12:1)— Podemos observar que elas se concentravam explicitamente em duas promessas interligadas: Abrão teria descendentes (isto é, uma grande nação, 12:2), e ele seria o portador da promessa messiânica—ele seria uma grande bênção (12:2) e todos os povos seriam abençoados por meio dele (12:3).
- Este relato da separação dos caminhos de Abrão e Ló se concentra em uma faceta das promessas de Deus a Abrão: a promessa de posse da terra de Canaã como um lugar para os descendentes de Abrão (12:7; 13:14–17).
- A promessa da terra se torna o foco deste capítulo quando Abrão retorna do Egito para a terra de Canaã. Assim, 13:1–18 está ligado a 12:1–9 especialmente através da ênfase na terra. Também está ligado adiante à preocupação de Abrão com um herdeiro para receber as promessas de Deus (15:1–21).
- Entre estes está situado o remanescente da antiga aliança (associação) de Abrão com a casa de seu pai: Ló.
-  A situação de Ló entre a posse da terra e o nascimento de um herdeiro é um teste para Abrão: ele fará a ruptura final com a casa de seu pai?
O capítulo 13 de Gênesis se divide em duas grandes seções: a separação entre Abrão e Ló (vv. 1-13) e a renovação da promessa de Deus a Abrão (vv. 14-18).
- Existe um elemento interessante, Abrão por conta própria sai da terra da promessa, descendo para o Egito, sem que Deus lhe tenha ordenado. Agora, no regresso do Egito, Deus lhe coloca à prova, existem questões na vida de Abrão que necessitam ser resolvidas, entre elas está a questão de seu sobrinho, trazido por eles, sem que Deus, a princípio, tivesse ordenado.
I. O Retorno ao Altar e a Necessidade da Separação (vv. 1-7)
O texto começa com Abrão retornando do Egito (v. 1). É fundamental lembrarmos o que aconteceu no Egito. No capítulo anterior, Abrão, diante da fome, desceu ao Egito, um ato de incredulidade e desconfiança na providência divina.
- Lá, ele mentiu sobre sua esposa, Sarai, colocando em risco a própria linhagem da promessa. O Egito, na tipologia bíblica, é o símbolo do mundo, da autoconfiança e da falha humana.
No entanto, o versículo 2 nos informa: "Era Abrão muito rico; possuía gado, prata e ouro."
- Curiosamente, Abrão saiu do Egito mais rico materialmente, mas espiritualmente mais pobre pela sua falha.
- A riqueza material nem sempre é um sinal de bênção espiritual; muitas vezes, é um subproduto da nossa descida ao mundo.
O verdadeiro ponto de inflexão está nos versículos 3 e 4: "Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai, até ao lugar do altar, que outrora tinha feito; e aí Abrão invocou o nome do SENHOR."
- Abrão não retorna a Canaã de forma aleatória. Ele retorna ao altar. Ele volta ao lugar da sua primeira consagração, entre Betel (Casa de Deus) e Ai (Ruína).
- A vida do crente é vivida neste espaço: entre a comunhão com Deus e a realidade da ruína do mundo. O retorno de Abrão é um ato de arrependimento prático.
- Ele não apenas lamenta sua falha; ele refaz o caminho, volta ao lugar da adoração e invoca o nome do SENHOR.
- A restauração da vida espiritual sempre começa com o retorno ao altar.
- Satanás é muito hábil em se aproveitar desses momentos de fraqueza e lançar em mente, no coração, que não há mais caminho de volta, que não há mais recomeço. Que uma vez, que o caminho foi alterado, o pecado foi cometido, não há como recomeçar.
- Não apenas na vida de Abrão, mas na vida de diversos homens Bíblicos, que caíram, pecaram, desonraram a Deus, tiveram suas vidas restauradas, quando diante do Senhor se arrependeram.
-
- Contudo, a prosperidade que Abrão e Ló trouxeram do Egito se torna um obstáculo (vv. 5-6). "E a terra não podia sustentá-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que não podiam habitar um na companhia do outro." A riqueza, que deveria ser uma bênção, gerou contenda (v. 7).
- Aqui reside um princípio teológico profundo: a convivência entre a fé peregrina (Abrão) e o mundanismo latente (Ló) é insustentável.
- Ló, embora parente de Abrão, ainda não havia se separado completamente da mentalidade egípcia, da busca pela prosperidade imediata. O conflito entre os pastores é apenas o sintoma de uma incompatibilidade espiritual mais profunda.
II. A Certeza da Fé contra a Certeza dos olhos. (vv. 8-13)
Diante da contenda, Abrão demonstra uma maturidade espiritual notável (vv. 8-9).
-  Ele, o herdeiro da promessa, o mais velho, o líder, toma a iniciativa da paz: "Não haja contenda entre mim e ti... porque somos parentes chegados. Acaso, não está diante de ti toda a terra? Peço-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda."
- A atitude de Abrão é um testemunho da sua confiança na soberania de Deus.
- Ele abre mão do direito de escolha porque sabe que sua herança não depende de sua estratégia humana, mas da fidelidade da promessa divina.
- A fé genuína é generosa e pacífica, pois entende que Deus é o provedor. Abrão não teme perder a melhor parte, pois ele já possui a melhor parte: a promessa de Deus.
- Deus não precisa de lugar bom para nos abençoar.
- Em contraste, Ló faz a sua escolha (vv. 10-11). O texto nos diz que Ló "levantou os olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada... como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito."
- Ló escolhe pela vista. Ele é atraído pela aparência da oportunidade, pelo que é verde, fértil e economicamente promissor.
- A menção de que a campina era "como o jardim do SENHOR" (Éden) e "como a terra do Egito" é uma ironia bíblica devastadora.
- Ló busca o paraíso na terra e a prosperidade do mundo, repetindo o erro de Abrão, mas com consequências mais graves. Ele não consulta a Deus; ele apenas vê e escolhe.
- A escolha de Ló é materialista e egoísta, e o texto nos mostra a sua direção fatal (v. 12): "Ló, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas até Sodoma."
- A atração pelo mundo é gradual. Começa com a escolha da campina, passa pela habitação nas cidades e culmina na proximidade com Sodoma.
O narrador bíblico, com a precisão de um teólogo, interrompe a narrativa para julgar a escolha de Ló no versículo 13: "Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o SENHOR."
- A prosperidade material que Ló buscou estava intrinsecamente ligada à perversidade moral. A escolha da vista, do lucro imediato, leva o crente para a esfera da iniquidade.
Característica
Abrão (A Escolha da Fé)
Ló (A Escolha da Vista)
Motivação
Confiança na Promessa de Deus
Aparência da Oportunidade
Ação
Generosidade, Paz, Renúncia
Egoísmo, Contenda, Escolha
Destino
O Altar (Comunhão com Deus)
Sodoma (Proximidade com o Pecado)
Princípio
Viver pela Fé (2 Co 5:7)
Viver pela Vista
III. A Reafirmação da Promessa pela Graça Soberana (vv. 14-18)
O clímax teológico do capítulo ocorre após a separação. O versículo 14 é um marco:
"Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele..."
- Deus não fala a Abrão enquanto Ló está presente.
- A promessa de Deus, em sua clareza e plenitude, só é revelada ao homem de fé após a separação do mundanismo. A comunhão plena com Deus exige a renúncia do que nos afasta d'Ele.
- A promessa que se segue é uma das mais ricas do Antigo Testamento, fundamentada na graça soberana de Deus. Deus não diz: "Porque você foi generoso, eu te darei." A promessa é incondicional, baseada no Seu eterno propósito.
1 A Promessa da Terra (v. 15): "porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre."
◦ Ló escolheu uma pequena porção de terra pela vista; Deus dá a Abrão toda a terra pela promessa. O que Abrão perdeu em termos de oportunidade imediata, ele ganha infinitamente mais pela promessa de Deus. A herança do crente é infinitamente maior do que qualquer ganho mundano.
2 A Promessa da Descendência (v. 16): "Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência."
◦ Esta é a promessa messiânica. A descendência de Abrão culmina em Cristo (Gálatas 3:16). A bênção de Abrão é, em última análise, a bênção da salvação para todas as nações. A promessa de Deus transcende o pó da terra e alcança a eternidade.
- A promessa de Deus exige uma resposta de obediência (v. 17): "Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei."
- A fé não é passiva. Abrão deve tomar posse simbólica da terra pela obediência. A promessa de Deus nos move à ação.
- E qual é a resposta final de Abrão? (v. 18): "E Abrão, mudando as suas tendas, foi habitar nos carvalhais de Manre, que estão junto a Hebrom; e levantou ali um altar ao SENHOR."
- Abrão continua sua vida de peregrino, mas o centro de sua vida é o altar. Onde Ló armou suas tendas em direção a Sodoma, Abrão arma suas tendas e levanta um altar. A adoração é a marca distintiva do povo da aliança.
Conclusão e Aplicação
Gênesis 13 nos confronta com a eterna escolha entre a fé e a vista.
3 O Perigo da Escolha Materialista: Cuidado com a campina do Jordão em sua vida. Aquilo que parece mais verde, mais lucrativo, mais fácil, pode ser o caminho que leva à proximidade com Sodoma. O crente é chamado a viver como peregrino, com os olhos fixos na cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus (Hebreus 11:10).
4 A Suficiência da Promessa: A fé nos ensina a ser generosos e a abrir mão dos nossos direitos, porque sabemos que a promessa de Deus é a nossa verdadeira herança. Nossa bênção não depende de quão bem escolhemos, mas de quão fiel é Aquele que prometeu.
5 O Chamado à Separação e Adoração: Se há contenda em sua vida espiritual, se a promessa de Deus parece distante, examine se você não está tentando conciliar o altar com o Egito, a fé com a vista. A clareza da promessa e a plenitude da comunhão só vêm depois que Ló se separa. Volte ao seu altar, invoque o nome do SENHOR e viva pela fé na soberana e incondicional promessa de Deus.
Que o Senhor nos conceda a graça de vivermos não pelo que vemos, mas pelo que cremos. Amém.
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