SALMO 119.1-8
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UM CORAÇÃO QUE AMA PALAVRA DE DEUS - SERMÃO 1 (SALMO 119.1-8)
UM CORAÇÃO QUE AMA PALAVRA DE DEUS - SERMÃO 1 (SALMO 119.1-8)
ICT - O salmista introduz o salmo descrevendo a bênção de seguir a Lei do Senhor, seu desejo de alcançá-la e suas resoluções em cumprí-la.
TESE - O Crente é abençoado em seguir a Lei do Senhor, por isso ele a deseja e está resoluto em obedecê-la.
PB - Devocional
PE - Convidar os crentes a andar na Lei do Senhor e exortá-los a amar essa Lei.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Há mais de 200 anos, no distante país de Gales, existia uma menina chamada Mary Jones, que ainda não sabia ler – e, infelizmente, não havia escolas nas redondezas. Além disso, naquele tempo, as Bíblias – assim como os demais livros – eram muito raras e caras. Poucos podiam ter um exemplar das Escrituras Sagradas. E este não era o caso da menina, cuja família era muito pobre.
Em 1792, aos oito anos de idade, Mary Jones começou a acalentar um sonho: ter a sua própria Bíblia. Ela queria poder ler, em sua casa, aquelas histórias tão bonitas que costumava ouvir na igreja. Esse desejo, no entanto, parecia impossível de ser realizado.
Mesmo assim, Mary Jones fez uma promessa a si mesma: um dia, ela teria a sua própria Bíblia.
Ao completar 10 anos, a menina viu surgir uma oportunidade de aprender a ler. Seu pai foi vender tecidos numa vila próxima, e soube que ali seria aberta uma escola primária.
Tempos depois, quando a escola começou a funcionar, Mary foi uma das primeiras crianças a se matricular. Muito motivada, ela logo se tornou uma das primeiras alunas de sua classe. Em pouco tempo, aprendeu a ler. Agora, a grande dificuldade era conseguir a quantia necessária para comprar a própria Bíblia.
Para isso, fazia pequenos trabalhos, com os quais ganhava alguns trocados. Pegava lenha na mata para pessoas idosas e cuidava de crianças. Depois, com a intenção de ganhar um pouco mais, a menina comprou algumas galinhas e passou a vender ovos.
Durante o segundo ano em que estava juntando dinheiro, Mary aprendeu a costurar. Com isso, conseguiu guardar um valor maior – embora não o suficiente, ainda para concretizar o seu sonho.
Então, no correr do terceiro ano, Mary enfrentou um acontecimento imprevisto – seu pai ficou doente e deixou de trabalhar. Por isso, ele teve que dar tudo o que havia economizado durante aquele ano para sua família. Mas continuou trabalhando e, no final do quarto ano, com 15 anos de idade, conseguiu completar a quantia de que precisava para comprar a sua tão sonhada Bíblia. Mas onde iria encontrá-la?
O pastor de sua igreja lhe informou que ela só conseguiria encontrar um exemplar em uma cidade que ficava a 40 QUILÔMETROS dali. Onde morava o Rev. Thomas Charles, que costumava ter em sua casa alguns exemplares das Escrituras Sagradas, para vendê-los as pessoas da região. Com esta informação, a longa viagem de Mary Jones foi feita a pé.
Pensando em poupar seus sapatos da dura caminhada, a fim de poder usá-los na cidade, ela resolveu ir descalça. Depois de caminhar o dia todo Mary chegou à casa do Rev. Thomas Charles.
Ali, no entanto, mais uma dificuldade a esperava: o Rev. Thomas havia vendido todas as suas Bíblias. Ele ainda tinha alguns poucos exemplares, mas esses já estavam todos encomendados. Ao receber essa notícia, Mary começou a chorar. Em seguida, mais calma, ela contou toda sua longa história ao Rev. Thomas Charles.
Então o pastor, comovido, dirigiu-se até um armário, retirou de lá uma das Bíblias vendidas e entregou-a à Mary. Impressionado com a história daquela menina, o Rev. Thomas resolveu contar o que tinha ouvido aos diretores da Sociedade de Folhetos Religiosos, uma entidade cristã local.
Profundamente tocados com a luta de Mary Jones para conseguir seu exemplar da Bíblia, os diretores daquela organização chegaram à conclusão de que experiências como a dela não deveriam mais se repetir. Decidiram, então, fazer alguma coisa para tornar a Palavra de Deus acessível a todos.
E, depois de muito estudo e oração, resolveram organizar uma nova sociedade, com a finalidade de traduzir, imprimir e distribuir a Bíblia. Foi assim que, no dia 7 de dezembro de 1804, foi fundada a primeira sociedade Bíblica, que recebeu o nome de Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.
A história de Mary Jones revela um profundo amor de uma criança pela Palavra de Deus, alguém que perseguiu essa palavra, que a ansiou como aquilo que era mais precioso em sua vida e resolutamente empenhou sua vida para alcançá-la.
Mary Jones, aponta para o mesmo sentimento do salmista que está diante de nós e nos ensina sobre a grande bênção que vem sobre aqueles que amam a Palavra de Deus e sobre como devemos propor em nosso coração o desejo de buscá-la.
ELUCIDAÇÃO
ELUCIDAÇÃO
Temos diante de nós, meus irmãos, o maior salmo do livro: 176 versos que de modo poético, exalta acima de tudo a Lei de Deus e o prazer em viver de acordo com os decretos revelados desse Deus. Nós não sabemos quem foi o seu autor, assim como tantos que a própria Escritura revelam que foram de Davi, de Asafe ou outros servos de Deus, mas, certamente, era um crente sincero que amava a Palavra de Deus e desejava obedecê-la.
Não sabemos quem era, mas a leitura deste salmo na língua hebraica nos faz perceber que era profundamente versado na poesia e conhecedor das técnicas melódicas de seu tempo. Ele utilizou as 22 letras do alfabeto hebraico para cada estrofe do poema e cada estofe é composta por 8 versos que repentem a mesma letra, por exemplo: a primeira estrofe, dos versos 1 a 8, que meditaremos hoje sempre começa com a letra Alef, os versos 9 a 16 a próxima letra do alfabeto Hebraico que é o Bet, dos versos 17 a 24 teremos Guimel, dos versos 25 a 32 a letra Dálet e assim sucessivamente até a letra Tav, que é a 22ª letra do alfabeto hebraico. De um modo que isso é um acróstico perfeito, cheio de beleza, poesia, paralelos. Algo que infelizmente em nossa cultura ocidental não tem tanto significado, mas que para a cultura hebraica revela grandiosidade, sabedoria, precisão.
Deus não revelou sua palavra de modo grosseiro, mas ele o fez de um modo belo e atraente. Neste salmo, em si, como a proposta era justamente apontar para a beleza da Lei de Deus, ele o fez de um modo que todos os homens pudessem ver que ele estava chamado atenção para a beleza dessas palavras. Você já ouviu uma música pela primeira vez e ficou extasiado pela poesia, de um modo que a letra só foi compreendida plenamente na segunda vez que a ouviu? Era tão bela, tão cheia de inteligência na disposição dos versos que seu coração parou de bater por um minuto enquanto a ouvia? Isso geralmente acontece comigo quando ouço algumas canções do querido Stênio Marcius. Há tanta beleza na poesia que eu preciso ouvir outra vez para compreender a beleza do que ele escreveu e depois não há mais como tirar a letra da cabeça. Parece que é isso que acontece aqui aqui, Deus usa um servo muito habilidoso para cantar a respeito de sua palavra e quando ele faz isso, todos nós, até hoje, que lemos este salmo, nos maravilhamos com sua letra. Imagina tê-la ouvida cantada.
Nestes versos ouviremos sobre a Lei de Deus várias vezes, mas os termos utilizados como decretos de Deus, desígnios, prescrições, mandamentos, não se referem apenas à lei, à Torah, mas a toda revelação da Palavra de Deus composta até aqui. O salmista exalta a Palavra de Deus maravilhado com ela e é isso que faremos aqui nesta manhã, meditando sobre o seguinte tema.
TEMA: UM CORAÇÃO QUE AMA PALAVRA DE DEUS - SERMÃO 1 (SALMO 119.1-8)
TEMA: UM CORAÇÃO QUE AMA PALAVRA DE DEUS - SERMÃO 1 (SALMO 119.1-8)
1. CONHECE A BÊNÇÃO DE OBEDECER A VONTADE DO SENHOR. V.1-3
1. CONHECE A BÊNÇÃO DE OBEDECER A VONTADE DO SENHOR. V.1-3
O salmo começa com uma preciosa bem-aventurança, são abençoados ricamente aqueles que amam e vivem nos caminhos retos da Lei de Deus. Os versos 1 e 2 tem esse mesmo início, sendo a introdução para todos os 176 versos do poema, como já ouvimos. É curioso que o salmo tenha essas bem-aventuranças no início, assim como o próprio Livro dos Salmos, que se inicia com a mesma bênção sobre aquele que amam a Lei do Senhor e medita noite e dia nela. Como um poema que resume todo o saltério, o Salmo 119 tem a proposta de cantar da Lei de Deus e nos fazer amá-la cada dia mais, assim como faz todo o saltério, que foi criado para ser a Palavra de Deus cantada pelo Povo de Deus.
Isso começa quando ele diz: “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho”. São felizes os que andam em justiça, retidão e perfeição. A palavra irrepreensíveis aponta para um coração íntegro e completo em devoção ao Senhor, um coração que não tem de que se envergonhar ou motivo de repreensão.
Mas quem são estes que vivem de modo irrepreensível? São aqueles que andam na Lei no Senhor, que vivem uma vida em um só trilho, o trilho da Palavra de Deus. Eles não visitam este caminho, eles não pegam essa estrada como viajantes ocasionais, eles andam na Lei do Senhor em inteireza de vida e coração, são felizes aqueles que tem toda sua vida tomada pela Lei de Deus, que estão embebidos nela, mergulhados profundamente como se fosse um oceano do qual são criaturas natas.
A segunda bem-aventurança está no segundo verso 2 e revela a bênção sobre aqueles que guardam as prescrições do Senhor ou os seus testemunhos. Felizes são aqueles que têm essa palavra por preciosa, e por preciosa que é eles a escondem como tesouro de grande valor, guardado-o para não perdê-lo. Não apenas em tomar para si os testemunhos do Senhor, mas o guardar aponta para o desejo de observá-lo e obedecê-lo.
Por isso, este que é feliz busca esses testemunhos com todo o coração e alma. A beleza desta linha do poema está no desejo que o que é abençoado pela Lei do Senhor de perseguí-la até encontrá-la. Ele deseja o conhecimento de Deus através da sua Revelação. A palavra “buscam” aponta para um sentimento de estudar, esquadrinhar, investigar a Palavra de Deus com todo o anseio do coração e da mente do servo do Senhor. Este que a persegue é recebedor de toda bem-aventurança.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
Na última segunda-feira nós completamos 7 anos de casados. Comprar nossas alianças de casamento foi uma grande luta. Eu trabalhava na área da engenharia civil e juntei todo o recurso que eu tinha na época para comprar um bom par de alianças para o nosso casamento. Nós construímos um carinho muito grande por essas alianças, que inclusive tiveram nossos nomes gravados nelas. Mas depois de 3 anos de casados eu estava tirando a minha habilitação para pilotar moto e estava treinando em um campo de areia durante o inverno chuvoso de Garanhuns, que não um minuto de trégua na garôa pelo menos durante uns 3 meses do ano. Enquanto eu pilotava na chuva, com as mãos totalmente enxarcadas minha aliança caiu e eu não dei conta até terminar a aula. Várias motos passaram por cima da minha aliança que foi perdida no meio da lama. Imagine a minha aflição por ter perdido a nossa aliança de casamento e pior, imagine a minha aflição em ter que contar para Pietra que perdi minha aliança. Pulando o drama do momento em que cheguei em casa, montamos um plano para achar a aliança. Fomos na manhã seguinte, às 5h da manhã antes das próximas aulas, vasculhamos o campo na chuva e vento, procuramos por horas e nada. Voltamos vários dias seguidos, levamos algumas pessoas da família para procurar a Aliança e nada. Naquela época eu não trabalhava mais na engenharia, eu era seminarista. Então eu não tinha mais nem esperança em ter o mesmo valor para aquela aliança. Mas não era apenas o valor financeiro, era o valor emocional, nossa primeira aliança, com nossos nomes gravados. Até que procurei uma solução mais ousada. Eu comprei um detector de metais, daqueles que as pessoas usam pra procurar ouro na praia. Eu passei outras semanas procurando a aliança com meu detector de metais. Infelizmente eu não a encontrei novamente e a dei como perdida. Ficamos muito tristes com isso. Até que muito tempo depois eu recebi uma mensagem de um desconhecido com a foto da minha aliança querendo devolvê-la. Ele soube da minha história porque na autoescola só se falava do moço do detector de metais procurando a aliança. Ele poderia tê-la vendido ou dado para outra pessoa. Mas ele falou que minha perseverança em procurar a aliança o fizeram me procurar até me encontrar e devolver, de tal modo que ele não quis nem ao menos ser recompensado por isso. Hoje eu estou usando essa mesma aliança, vocês não imaginam a alegria que veio ao meu coração naquele dia.
TEXTO
TEXTO
Este é o sentimento do salmista quando fala da bem-aventurança de buscar a palavra de Deus diligentemente até encontrá-la. Se o nosso coração se alegra por pequenas coisas terrenas como estas, o coração do crente deve ter a Palavra de Deus como seu tesouro de grande valor, que o busca e depois de encontrá-lo guardo como todo cuidado porque nele encontrou toda alegria.
Esta felicidade, de acordo o verso 3 se dá pelas consequências do que guarda a Palavra de Deus e a busca: Ele não pratica iniquidade. Este verso faz um paralelo claro com o verso 1, aquele que busca a Lei de Deus é irrepreensível. A Lei do Senhor o instruí a não pecar contra sua Santidade e pureza. Essa é a verdadeira felicidade para o crente, viver uma vida conformada com a vontade de Deus, sem quebrar a sua Lei. Existe maior desejo de alcançar essa alegria pelo crente verdadeiro do que jamais pecar contra a santidade do seu Deus? Por isso é feliz o que guarda essa lei. A maior alegria do crente é conformar-se a essa lei.
O paralelo entre este verso e o verso 1 continua, quando ele diz “e andamnos seus caminhos”. Os caminhos do Senhor e a sua Lei apontam para a mesma Palavra. É como se o salmista, em uma poesia magistral apontasse o modo para a bem aventurança de andar na Lei de Deus. Aquele que guarda essa palavra e a persegue pode aprender a viver toda essa vida tomada por esta palavra. Não podem andar nessa Palavra aqueles que vivem descompromissados com ela, mas aqueles que a desejam e a buscam.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
Alguns anos atrás eu pastoreei uma irmã que estava na igreja há muitos anos, ela já professava a fé há cerca de 20 anos. Era um membro ocasional da igreja, sem muitos compromissos com atividades dentro do corpo de Cristo, dificilmente teria feito uma única oração pública em qualquer reunião da igreja, tinha ainda muita confusão em relação ao que cria. Seus passos estavam longe de uma vida piedosa firmada na Palavra de Deus.
Um dia aquela irmã perdeu um filho muito jovem em um acidente de carro, afastado da igreja, de uma forma tragíca. Tivemos que estar muito próximos naquele momento para chorar com eles, orar com eles, meditar na Palavra de Deus. O que nós mais fizemos durante aqueles dias foi abrir a Palavra e meditar com a família. Aquela irmã foi profundamente abalada por aquela situação, e afinal, quem não seria. Ela não conseguia dormir mais a não ser com o uso de remédios fortíssimos.
Mas aquela mulher se entregou a uma busca muito profunda da Palavra de Deus. Não havia um culto em que ela não estivesse, ela começou a frequentar os estudos de doutrina da igreja, passou a anotar meus sermões e estudos. Ela buscou refúgio para a sua aflição na Palavra do Senhor.
Cinco anos depois daquele dia fatídico que levou seu filho aquela irmã era outra pessoa. Uma serva dedicada, atuante na igreja, com palavras muito bíblicas em todo tempo, com uma mente que outrora estava confusa, agora estava totalmente lúcida e sã. Ela não dependia mais de medicamentos para dormir e quando perguntada sobre o seu sono ela sempre respondia: Meu remédio foi a Palavra de Deus.
Aquela irmã sempre foi para mim um exemplo de como é feliz aquele que busca a Palavra de Deus como seu maior tesouro. Mesmo em meio a tristezas arrazadoras esta Palavra sempre é o que produz verdadeira bênção sibre o coração dos servos de Deus.
2. VIVE ATRAVÉS DO ANSEIO DE CUMPRIR A VONTADE DO SENHOR. V.4-6
2. VIVE ATRAVÉS DO ANSEIO DE CUMPRIR A VONTADE DO SENHOR. V.4-6
O verso de número quatro apresenta para nós o propósito pelo qual o Senhor prescreveu a sua Lei para o seu povo. O Senhor ordenou seus mandamentos para que os cumpramos à risca, diz a minha versão da Escritura. A proposta do verso é mostrar que a Lei do Senhor exige completa obediência daqueles que estão debaixo de sua autoridade. Outra tradução diz que a Lei deve ser cumprida com toda a força, com toda disposição do coração daquele que a obedece.
Por isso a própria palavra de Deus nos diz que aquele que quebra um dos preceitos da Lei do Senhor quebra toda Lei. A obediência parcial não é uma opção para o que quer agradar ao Senhor, mas o coração que o obedece é entregue completamente a Deus.
Por isso o verso 5 apresenta o anseio do autor em que seus passos estejam firmes para contemplar todos os preceitos do Senhor. O seu desejo é poder andar no caminho do Senhor com pés que não se desviam pelo pecado, com joelhos que não vacilam diante da tentação. Se ele conhece que o propósito da Lei é que ela seja cumprida, seu desejo é poder obedecê-la plenamente.
O desejo se desdobra em ainda outro motivo: ele diz que quando considerar todos os mandamentos do Senhor não teria motivo pelo qual se envergonhar. Note que parece haver aqui um paralelo com o verso 1 que aponta para aqueles que são irrepreensíveis por obedecer à Lei de Deus. O desejo de cumprir todos os mandamentos é o de não ter motivo de vergonha, não ser digno de nenhuma repreensão. Ele sabe que o fim do pecado é vergonha e desonra para aquele que o pratica, por isso ele quer conhecer quais são os desígnios de Deus para não ter motivo pelo qual experimentar algum dissabor em consequência do pecado.
“Que fruto colhestes, então, das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é morte.” Romanos 6.21
Estes versos, portanto, apresentam o anseio ardente do coração do servo de Deus em cumprir à risca os decretos do Senhor e experimentar as bem-aventuranças descritas no início do Salmo. É como se nas primeiras linhas ele descrevesse as bençãos da obediência à Lei e depois de fazer isso a declaração é: eu desejo ser o bem aventurado que teme todos os mandamentos do Senhor.
Aqui nós temos o reconhecimento por parte do salmista de que há um ideal de obediência, que ainda não foi alcançada por ele, mas ele tem em sua alma um sentimento sincero de que esse ideal pudesse ser alcançado. Esta é a diferença real daquele que teme a Deus e ama sua palavra daquele que não tem ainda sua alma inteiramente devotada. Um terá o maior desejo de seu coração que é obedecer ao Senhor integralmente, o outro terá isso como um sentimento despreocupado e falso. O servo que ama o seu Senhor perseguirá sua vontade para com toda força.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
O sentimento do salmista parece brotar de um coração que entende a necessidade e exigência da lei de que seja plenamente obedecida. Mas ao mesmo vê a sua incapacidade e deseja ardentemente cumprir essa Lei. Não sei se você já teve em sua alma este mesmo desejo ao contemplar a Palavra de Deus, talvez depois de cometer algum pecado e confrontado com essa Palavra se lançar em arrependimento aos pés do Senhor e chorar porque não foi capaz de viver obedientemente e ansiar ser obediente a essa Lei. Talvez até em fazer aquelas promessas ao Senhor que tantas vezes fazemos, de que jamais quebraríamos mais uma vez aquele mandamento. O crente verdadeiro é aquele que entende a sua necessidade de obedecer à Lei de Deus e percebe sua incapacidade para isso. Essa é a diferença do que teme ao Senhor daquele que não o teme, aquele que teme ao Senhor sempre estará inconformado com aquilo que ele é e aquilo que ele deveria ser em Cristo.
O falso crente sempre está conformado com seu estado, mesmo que seja de terrível pecado, o verdadeiro crente é aquele que geme ansiando a bem-aventurança de cump+rir a Lei de Deus.
É consenso entre a maioria dos estudiosos dos nossos irmãos puritanos de que eles nunca estavam safisfeitos com a sua condição espiritual. Havia, de modo geral, no coração e nos escritos de todos os puritanos um certo senso de tristeza de melancolia constantes por causa dos próprios pecados. Mesmo homens que nós os consideramos verdadeiros santos em piedade sempre olharam para si mesmos com tristeza por causa do seu próprio pecado e por não ter alcançado ainda o padrão da Palavra do Senhor. Havia um anseio por isso. John Owen, escreve uma de suas frases mais famosas com este sentimento: "Quem me dera ser liberto de mim, Senhor, Quem me dera perder-me em Ti; Quem me dera não ser mais eu; Mas Cristo que vive em mim!"
Este é verdadeiramente o coração do servo do Senhor que quer obedecer à sua voz e anseia sua Palavra.
3. PRODUZ RESOLUÇÕES PIEDOSAS DE OBEDECER A VONTADE DO SENHOR. V.7-8
3. PRODUZ RESOLUÇÕES PIEDOSAS DE OBEDECER A VONTADE DO SENHOR. V.7-8
Os versos finais desta primeira estrofe são resoluções do salmista com relação à Palavra de Deus. A primeira resolução é uma declaração de que renderia graças ao Senhor, O que nasce no coração do servo do Senhor é o desejo de louvar pelo seu conhecimento da Lei de Deus. Note que ele diz que fará isso com integridade de coração, que aponta para a completude de coração. Uma alma entregue plenamente a Deus para serví-lo. Há algo muito similar deste verso com o verso 2, que aponta para aquele que busca ao Senhor com um coração completo e agora, esse mesmo coração deseja ser devotado totalmente ao Senhor em adoração pelo conhecimento da sua Palavra. Um coração puro, justo e reto.
Ele fala que isso acontecerá quando aprender todos os retos juízos do Senhor. mais uma vez está claro o paralelo com o verso três que aponta para aquele que é feliz por perseguir e esquadrinhar a Lei de Deus. O desejo de louvar ao Senhor vem de um coração que ao buscar o conhecimento de Deus por meio da sua Revelação escrita. Após aprender a profundidade da Lei de Deus ele quer entregar um coração grato a ele.
A segunda resolução está no verso 8. Cumprirei os teus decretos. A promessa feita pelo salmista é a de cumprir os decretos do Senhor, em obedecer com a própria vida todas as declarações da Lei de Deus. Ele não apenas deseja louvar ao Senhor com os seus lábios, não é uma devoção movida meramente por palavras, mas é um desejo sincero de guardar e obedecer à vontade de Deus. Este é verdadeiramente o coração do crente, a sua resolução máxima é obedecer a Deus. Todo aquele que se maravilha com a Lei de Deus com o verdadeiro maravilhamento quer entregar sua vida em verdadeira obediência a essa Lei.
Mas note que essas resoluções não são baseadas em mera decisão do salmista. Ele não as faz por sentimento de justiça própria, mas ele diz? não me desampares jamais. Estas palavras mostram a dependência do Senhor que este servo tem. Essas palavras não apontam para uma possibilidade real de que o Senhor o desampare. Na verdade, é uma oração submissa que diz ao Senhor, eu cumprirei os teus decretos, eu louvarei o teu nome, mas eu preciso que tu me sustentes até o fim. Ele entende que se o Senhor o desamparar ele não poderar cumprir nenhuma das prescrições da Palavra de Deus.
Nós lemos aqui as palavras que emanam de um coração sincero que deseja entregar ao Senhor uma vida de louvor e obediência. Mas ao mesmo tempo que se entrega em submissão ao Senhor esperando que ele o sustente.
ILUSTRAÇÃO
ILUSTRAÇÃO
Essas palavras relembram uma musica antiga, composta por Marta Kerr chamada Consagração que apresenta ao Senhor resoluções piedosas em completa dependência:
Seja o meu canto
Para sempre só pra Te louvar
Seja, tão somente
Eternamente pra Te adorar
Seja o recado que Tu tens
Hoje aqui pra dar
Mas possa eu trazer na mente
Que Tu és quem o dá!
Seja minha vida
O padrão daquilo que eu falar
No procedimento
O exemplo aos fiéis levar
Na pureza grande
E também na fé e no amor
Mas possa eu lembrar-me sempre
Que dependo de Ti, Senhor!
Essas palavras mostram um coração resoluto em obedecer a Deus, mas que ao mesmo tempo se lança diante do Senhor em dependência. Estes versos que lemos nos mostram que aquele que serve ao Senhor deve ansiar obedecer a sua vontade, mas esse desejo deve ser transformado em resolução e decisões piedosas em obedecer.
Essas resoluções são encontradas no teólogo americano Jonathan Edwards quando escreveu suas 70 resoluções pessoais, em algunmas delas ele coloca a prática da Palavra de Deus:
Resolução 19: "Resolvi jamais fazer qualquer coisa que eu tenha receio de fazer, caso não tenha certeza de que é lícito de acordo com a Palavra de Deus; ou sobre a qual eu tenha dúvidas se a Bíblia permite ou não."
Resolução 28: "Resolvi estudar as Escrituras de modo tão constante, firme e frequente que eu possa perceber e sentir, de forma evidente, que estou crescendo no conhecimento delas."
Este deve ser o sentimento dos servos do Senhor em relação à sua Palavra.
APLICAÇÕES FINAIS
APLICAÇÕES FINAIS
Você deseja ser bem -aventurado? Você deseja ser um homem ou uma mulher feliz? Deseja ter um casamento abençoado, criar filhos que temem ao Senhor? Não há outro meio a não ser através da Palavra de Deus. Vivemos vidas espirituais devastadas, casamentos cheios de conflitos, criação de filhos rebeldes porque na maioria das vezes vivemos vidas distantes da Palavra. Queremos que a nossa vida dê certo longe da Palavra. Só quando nossa vida estiver embebida pela Palavra, enxarcada dela poderemos viver esta bem-aventurança.
Devemos ansiar por esta palavra e persegui-la. Perseguir com o que está disponível a nós. Com livros, pregações, podcasts. Deus no cobrará pelo acesso que temos à Palavra e não a bucamos.
Devemos propor em nosso coração não apenas ouvir, mas praticar. Lutar contra o pecado através de Cristo que obedeceu e é a Palavra.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Ao encerrarmos nossa reflexão sobre o Salmo 119:1-8, somos lembrados de que a verdadeira felicidade e plenitude vêm de uma vida dedicada a seguir os caminhos de Deus. Assim como Mary Jones, que perseverou em sua busca pela Palavra de Deus, somos desafiados a cultivar um desejo ardente de conhecer e aplicar as Escrituras em nossas vidas. Que possamos ser pessoas que andam em integridade, que guardam os mandamentos do Senhor em nossos corações. Que nossa caminhada seja marcada por um compromisso com a verdade, buscando sempre uma relação mais profunda com o nosso Criador. Que a luz da Sua Palavra ilumine nossos passos e nos guie em todos os momentos, e que, ao perseverarmos em nossa jornada de fé, possamos alcançar a vida abundante que Deus nos prometeu.
