O Rei e a ressurreição (Mc 12.18-27)
O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos • Sermon • Submitted • Presented
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O Rei e a Ressurreição (Marcos 12:18-27)
O Rei e a Ressurreição (Marcos 12:18-27)
Introdução: O Contexto dos Confrontos
Introdução: O Contexto dos Confrontos
Estamos vindo de uma série de confrontos que Jesus tem enfrentado em Jerusalém. Desde Sua entrada na cidade, há uma tensão crescente entre Ele e o Templo, especificamente com seus líderes. No texto anterior, o embate foi com fariseus e herodianos; agora, entram em cena os saduceus.
Marcos é proposital ao nomear cada grupo. Ele escreve para um público romano e faz questão de dar uma característica teológica central desse grupo: os saduceus dizem que não há ressurreição.
Quem eram os Saduceus?
Quem eram os Saduceus?
Para termos uma ideia, comparados aos saduceus, os fariseus eram considerados "liberais". Os saduceus eram o grupo ultra-conservador da elite religiosa. Eles só aceitavam a Torá (os cinco primeiros livros de Moisés) como revelação autoritativa.
Negavam a autoridade dos Profetas e dos Escritos.
Não acreditavam em anjos ou no mundo espiritual.
Negavam a vida após a morte, incluindo a expectativa de ressureição; para eles, o fim era o sepulcro (inferência).
É este grupo que se aproxima de Jesus com uma questão capciosa. Embora usem o termo respeitoso "Mestre", a intenção não é aprender, mas colocar a autoridade de Jesus em xeque.
A Questão: Reduzindo a Ressurreição ao Absurdo
A Questão: Reduzindo a Ressurreição ao Absurdo
Eles trazem uma ilustração baseada na Lei do Levirato (Deuteronômio 25). Naquela cultura, o casamento visava a continuidade familiar e a segurança da viúva através do irmão do falecido. Os saduceus criam uma situação hipotética: sete irmãos que se casam, sucessivamente, com a mesma mulher e morrem sem deixar descendência. Por fim, morre a mulher.
O argumento deles é o que chamamos de reductio ad absurdum (reduzir ao absurdo). Eles perguntam: "Na ressurreição, de quem ela será esposa?". Eles tentam mostrar que a doutrina da ressurreição (crida pelos fariseus e ensinada por Jesus) é uma fábula sem lógica, que geraria um caos matrimonial na eternidade.
A Resposta de Jesus: O Erro nas Premissas
A Resposta de Jesus: O Erro nas Premissas
A resposta de Jesus é profunda e desconcertante. Ele não responde apenas à pergunta, mas ataca a raiz do problema. Ele diz: “Vocês estão enganados, pois não conhecem as Escrituras, nem o poder de Deus” (v. 24).
Imaginem o peso disso. Ele está dizendo aos especialistas na Lei que eles não conhecem a Lei. Jesus aponta dois erros fundamentais:
1. O desconhecimento da natureza da Ressurreição
1. O desconhecimento da natureza da Ressurreição
Jesus corrige a premissa de que a vida futura é uma mera extensão biológica desta vida. Na ressurreição, não haverá casamento; seremos como os anjos.
Nota Teológica: Seremos “como anjos” no sentido de não haver necessidade de procriação ou da instituição temporária do casamento. Não nos tornaremos anjos (seres espirituais de outra ordem), mas seremos seres humanos glorificados. A materialidade continua, mas as instituições temporais passam.
2. O desconhecimento da Autoridade das Escrituras
2. O desconhecimento da Autoridade das Escrituras
Jesus usa a própria arma dos saduceus contra eles. Ele cita a Torá (Êxodo 3), o texto que eles diziam dominar. No episódio da Sarça Ardente, Deus diz: "Eu SOU o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó".
Jesus faz uma leitura teológica brilhante: Deus não disse “Eu fui”. Se Abraão, Isaque e Jacó estivessem mortos definitivamente (aniquilados), Deus seria o Deus de “nada” e as promessas não teriam sido cumpridas. Mas, ao declarar-se Deus deles séculos após suas mortes físicas, Ele revela que Abraão, Isaque e Jacó estão vivos e que suas promessas também. A ressurreição está presumida no Pentateuco: Deus é Deus de vivos, não de mortos. Perder a ressurreição é perder a esperança da restauração final de todas as coisas.
Aplicações Práticas
Aplicações Práticas
1. Conhecimento Bíblico Conectado ao Poder de Deus
1. Conhecimento Bíblico Conectado ao Poder de Deus
Nossos equívocos e distorções teológicas nascem quando separamos as Escrituras do Poder de Deus. Não há teologia sem doxologia (louvor). Conhecer a Bíblia apenas intelectualmente, sem perceber a majestade e o poder do Deus que a inspirou, nos torna religiosos cegos. Precisamos de uma mentalidade teológica que nos permita ler a realidade através das lentes da revelação - que também nos revelam o poder de Deus.
2. Religiosidade Superficial como Esconderijo
2. Religiosidade Superficial como Esconderijo
A casca religiosa pode esconder um profundo desconhecimento de Deus. Os saduceus vestiam rituais e guardavam tradições, mas não entendiam as doutrinas centrais da fé. Tome cuidado para que suas atividades na igreja (o “ativismo religioso”) não sejam um subterfúgio para evitar a busca real e profunda pelas Escrituras. Não substitua o Deus da Bíblia pela “decoração” da vida religiosa.
3. O Casamento é Parabólico e Temporário
3. O Casamento é Parabólico e Temporário
O casamento é uma instituição divina, criada por Deus para ser uma parábola da união entre Cristo e a Igreja. No entanto, ele é temporário. Ele espelha o Evangelho aqui, mas o que é permanente é o próprio Evangelho e a nossa união final com Cristo. Isso nos dá a perspectiva correta: valorizamos o casamento hoje como um sinal sagrado, mas sabemos que nossa plenitude final está na presença glorificada de Deus.
4. A Ressurreição é o Cerne da Nossa Esperança
4. A Ressurreição é o Cerne da Nossa Esperança
Se não cremos na ressurreição, somos os mais dignos de pena. Ela não é apenas um conceito abstrato; ela é garantida pela Ressurreição de Jesus Cristo. Ele é a “amostra grátis” da nova criação. Seu corpo glorificado, que comeu peixe e ao mesmo tempo atravessou paredes, é o modelo do que seremos: seres humanos integrais (corpo e alma unidos), mas livres da dor, do pecado e da morte.
5. Jesus é a Resposta Final
5. Jesus é a Resposta Final
A resposta final de Jesus não foi apenas um argumento lógico; foi Sua própria vida. Os saduceus negavam a ressurreição, mas o túmulo vazio no domingo de manhã encerrou o debate. Jesus não apenas anuncia a ressurreição; Ele é a Ressurreição e a Vida. N'Ele, podemos confiar que, mesmo morrendo, viveremos, pois servimos ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó — o nosso Deus! O Deus de vivos!
Soli Deo Gloria.
