O Rei e César (Marcos 12:13-17)

O Rei que se tornou servo: sermões no Evangelho de Marcos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O Rei e César (Marcos 12:13-17)

Introdução: A Armadilha do Discurso

A situação de Jesus em Jerusalém torna-se cada vez mais dramática. Desde a ressurreição de Lázaro e a purificação do Templo, as autoridades decidiram que Ele precisa morrer. Eles tentaram questionar Sua autoridade e foram confrontados pela Parábola dos Lavradores Maus. Agora, mudam a estratégia: não buscam mais um embate teológico direto, mas uma armadilha política.
Marcos nos diz que enviaram fariseus e herodianos para "apanharem" Jesus em alguma palavra (v. 13). Esta palavra, no original, refere-se a uma armadilha de caça. Eles não querem aprender; querem capturar o discurso de Jesus para justificar Sua prisão e morte.

Inimigos Históricos Unidos Contra o Rei

Observe a ironia: fariseus e herodianos.
Os fariseus eram zelosos da Lei, nacionalistas e detestavam o domínio romano.
Os herodianos eram a aristocracia conivente com Herodes Antipas e, por extensão, com Roma. Eram os "caguetes" do sistema.
Eles eram inimigos entre si, mas tornam-se "amigos" para destruir Jesus. Isso nos ensina algo: as hostes deste mundo se unem contra o Senhor. Não se assuste se adversários históricos se aliarem contra a Igreja e o Salvador; nossa esperança está naquele que vence o mundo com o sopro de Sua boca.

A Bajulação e a Pergunta Capciosa

Eles chegam com uma bajulação venenosa: "Mestre, sabemos que és íntegro... ensinas o caminho de Deus conforme a verdade" (v. 14). Eles tentam forçar Jesus a ser "corajoso" para que Ele diga algo perigoso. Então, lançam a questão: "É certo pagar imposto a César ou não?".
Para um israelita da época, imposto não era apenas uma questão contábil; era um símbolo de escravidão. Israel era uma teocracia; pagar imposto a um imperador pagão, que se autointitulava divino, era doloroso e humilhante.
Se Jesus dissesse "Sim, paguem": Ele seria visto como um traidor do povo e de Deus, um aliado de Roma.
Se Jesus dissesse "Não, não paguem": Os herodianos O denunciariam imediatamente como um revolucionário sedicioso contra César.

A Sabedoria da Moeda

Jesus, percebendo a hipocrisia, expõe a intenção deles: "Por que me pondes à prova?". Ele pede um denário. Aqui está um detalhe fabuloso: Jesus não tem a moeda, mas eles têm. Ao puxarem a moeda de dentro de suas vestes, eles revelam que já estão inseridos e usufruindo do sistema econômico de César.
Jesus pergunta: "De quem é esta imagem e inscrição?".
Na moeda de Tibério César, havia a imagem dele e a inscrição: "Tibério César, filho do divino Augusto, Pontífice Máximo" (Sumo Sacerdote). Aquela moeda era uma propaganda política e religiosa de que o Imperador era Deus e Sacerdote.

O Cerne da Questão: A Quem Você Pertence?

A resposta de Jesus é a base de toda a ética cristã: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (v. 17).
Jesus não está apenas dividindo o mundo em "política" e "religião". Ele está usando de ironia e desdém: "Se a moeda tem a cara dele e o nome dele, devolvam para ele. Mas deem a Deus o que é de Deus".
A pergunta implícita que ficou martelando na cabeça deles foi: O que pertence a Deus?
Se a moeda pertence a quem tem a imagem gravada nela, a quem pertence o ser humano? O Gênesis nos diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.
A moeda pode ter a imagem de César, mas César tem a imagem de Deus gravada em sua alma. Tudo pertence a Deus.

Aplicações Práticas

1. Sabedoria no Tratar com o Mundo

Jesus nos ensina a não sermos preguiçosos intelectualmente. Precisamos desenvolver sabedoria para lidar com bajuladores e com perguntas que tentam nos desviar do cerne do Evangelho. Seja sábio: entenda a motivação das pessoas e leve-as sempre de volta à realidade de Deus.

2. O Fim da Divisão entre Sagrado e Secular

Jesus não criou uma dicotomia onde o imposto é secular e a oração é sagrada. Para o cristão, tudo é sagrado. Como disse Abraham Kuyper: "Não há um centímetro quadrado em toda a existência sobre o qual Jesus não diga: É Meu!". Quer você coma, beba, pague impostos, trabalhe ou descanse, tudo deve ser feito para a glória de Deus.

3. Submissão e Cidadania

A Bíblia nos ensina (como em Romanos 13) a nos submetermos às autoridades, pois elas são instituídas por Deus para promover o bem e punir o mal. Pagar imposto, usar capacete, respeitar o sinal de trânsito — tudo isso faz parte de reconhecer a ordem que Deus estabeleceu na sociedade. O crente não é um fora da lei; ele é o melhor dos cidadãos porque faz o que é certo por amor a Deus.

4. A Quem Você Está Entregando sua Vida?

Este texto nos desafia a refletir: de quem é a sua família? De quem é o seu tempo? De quem é o seu salário? Se tudo é de Deus, não podemos viver como se tivéssemos áreas "reservadas" onde Ele não apita. Dar a Deus o que é de Deus significa reconhecer Seu senhorio absoluto sobre o nosso casamento, nossa capacidade intelectual, nossos dons e nosso lazer.

5. O Assombro Diante da Verdade

O texto termina dizendo que eles ficaram admirados. A resposta de Jesus não foi o que esperavam. O desafio para nós, nesta semana, é voltarmos para casa e perguntar: "Eu tenho dado a Deus o que é de Deus?". O perdão que você nega, o tempo que você desperdiça, a religiosidade que você usa para esconder a falta de conhecimento — tudo isso deve ser rendido ao Senhor.
Oração Final:
Senhor, reconhecemos que tudo o que somos e temos pertence a Ti. Não somos donos de nada, mas mordomos do Teu tempo e da Tua graça. Faz de nós cidadãos exemplares nesta terra, mas cuja lealdade maior está no Teu Reino. Que nosso corpo, mente e bens sejam devolvidos a Ti como oferta de gratidão. Amém.
S.D.G.
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