BRIGA ENTRE IRMÃOS! 2 Samuel 2.12-3.1

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Quando tentamos resolver as coisas pela força do braço, perdemos a razão e o coração é envenenado pela amargura.

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Grande ideia: Quando tentamos resolver as coisas pela força do braço, perdemos a razão e o coração é envenenado pela amargura.
Estrutura: uma derrota campal (vv. 12-17) e uma derrota pessoal (vv. 29-3.1)
Gênesis 4.2 NAA
Depois, deu à luz Abel, irmão de Caim. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi agricultor.
Gênesis 4.8–12 NAA
Caim disse a Abel, seu irmão: — Vamos ao campo. Estando eles no campo, Caim se levantou contra Abel, o seu irmão, e o matou. O Senhor disse a Caim: — Onde está Abel, o seu irmão? Ele respondeu: — Não sei; por acaso sou o guardador do meu irmão? E o Senhor disse: — O que foi que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama da terra a mim. E agora você é maldito sobre a terra, cuja boca se abriu para receber da sua mão o sangue do seu irmão. Quando você cultivar o solo, ele não lhe dará a sua força; você será fugitivo e errante pela terra.
Derrota campal: homens de Israel e homens de Davi. (vv. 12-17)
Abner tinha sido o fiel comandante de Saul.
Quem foi Abner na Bíblia?
Abner foi o general-chefe dos exércitos de Israel durante o reinado de Saul (1Sm 14.50–51), sendo filho de Ner e tio do rei Saul. Além de sua função militar, desempenhava papéis na corte real, investigando a identidade do jovem que matou Golias e posteriormente apresentando Davi ao rei.
Após a morte de Saul, Abner consolidou seu poder político. Levou Isbosete, filho de Saul, para Maanaim e o constituiu rei sobre Gileade, os assuritas, Jezreel, Efraim, Benjamim e todo o Israel (2Sm 2.8–32). Isso desencadeou conflito com Davi, que tinha o apoio de Judá. Abner enfrentou Joabe, general de Davi, em Gibeão, onde seus homens foram derrotados (2Sm 2.8–32), e durante a retirada, foi perseguido por Asael, irmão de Joabe, a quem matou em defesa (2Sm 2.8–32).
Abner está decidido a honrar a memória de Saul: sua lealdade impressiona (apesar de ele estar no lado errado da história).
1Samuel 15.10–11 NAA
Então a palavra do Senhor veio a Samuel, dizendo: — Lamento haver constituído Saul como rei, porque deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então Samuel ficou triste e clamou ao Senhor durante toda a noite.
1Samuel 15.26–28 NAA
Porém Samuel disse a Saul: — Não voltarei com você. Por você ter rejeitado a palavra do Senhor, ele também o rejeitou como rei sobre Israel. Quando Samuel se virou para ir embora, Saul o segurou pela borda do manto, e este se rasgou. Então Samuel lhe disse: — Hoje o Senhor rasgou das suas mãos o reino de Israel e o deu a alguém que é melhor do que você.
Mas a lealdade de Abner era enviesada politicamente.
A trajetória de Abner revela uma lealdade fundamentalmente instável e orientada por interesses pessoais. Enquanto a guerra entre as casas de Saul e Davi se prolongava, Abner consolidava seu próprio poder (2Sm 3.6–4.1), demonstrando que sua fidelidade ao reino de Saul estava condicionada ao que ele podia ganhar com a posição.
O ponto de inflexão ocorre quando Isbosete o confronta sobre suas relações com uma concubina de Saul, e Abner responde com indignação (2Sm 3.6–4.1). Mas sua reação não reflete genuína lealdade ferida—a acusação tinha conotações políticas claras, pois era vista como tentativa de usurpar o trono1. Ofendido pela falta de deferência, Abner jura transferir o reino para Davi, executando aquilo que o Senhor havia prometido (2Sm 3.6–4.1). Sua “lealdade” simplesmente muda de alvo.
Isso contrasta dramaticamente com a fidelidade de Davi a Saul. Davi permaneceu leal ao rei porque o amava genuinamente—por que teria poupado a vida de Saul duas vezes? Quando Davi teve oportunidade de matar Saul durante o sono, recusou-se, reconhecendo a autoridade divina sobre o ungido. Abner, por sua vez, recebe a repreensão de Davi por não proteger o rei, revelando que via sua posição como oportunidade para autopromoção.
A lição central é que a lealdade verdadeira transcende conveniência política. Na política, o que mais interessa é o poder, e a ideologia não costuma ter tanta importância—mas a história de Abner sugere que essa abordagem pragmática, embora eficaz no curto prazo, revela caráter comprometido. Sua habilidade diplomática o elevou, mas sua lealdade mercenária o definiu como alguém que servia a si mesmo, não aos seus líderes.
A menção aqui de um duelo de punhais ou espadas, com 12 jovens representando cada um dos grupos (de Saul, Benjamim e de Davi, Judá).
O v. 14 traz a sugestiva frase de Abner: “Levante-se, pois, agora, os jovens e brinquem (שִׂחֲקוּsachaq) diante de nós”, termo que pode significar “brincar, divertir-se”, mas também “zombar, jogar, lutar”, indicando aqui uma espécie de duelo ritualizado que rapidamente se torna mortífero.
Que nome mais macabro: “Campo das Espadas” (Helcate-Hazurim), “campo de punhais”, ou “campo de hostilidades”.

HELCATE-HAZURIM (חֶלְקַת הַצִּדִּים, chelqath hatstsiddim). Um campo perto do tanque de Gibeão onde 12 homens do exército Davi (comandado por Joabe) e 12 homens do exército Saul (comandado por Abner) lutaram e morreram (

Essa história poderia ter terminado aqui:
2Samuel 2.17 NAA
Houve um combate intenso naquele dia, e Abner e os homens de Israel foram derrotados pelos homens de Davi.
Em vez de um confronto de exércitos inteiros, Abner—sugerindo ser o agressor—propôs que doze combatentes de cada lado se enfrentassem representativamente, semelhante ao duelo que Golias havia proposto anteriormente1. Doze homens de Benjamim enfrentaram doze dos homens de Davi, e em um combate mortal, cada guerreiro matou seu adversário, caindo todos juntos (2Sm 2.12–17).
O conflito não terminou naquele confronto inicial. Embora os soldados escolhidos de Joabe tivessem vencido o duelo, isso não foi considerado conclusivo, levando a uma batalha generalizada que resultou em muitas mortes e na derrota de Abner2. Uma “longa guerra” entre as casas de Saul e Davi se seguiria2, revelando que Helcate-Hazurim representava apenas um episódio numa luta mais ampla pelo controle do reino israelita.
2. Derrota pessoal: Abner e Asael. (vv. 18-28)
Essa é a face mais humana dessa luta entre irmãos: Abner e Asael (irmão de Joab e Abisai, comandantes de Davi).
Asael era sobrinho de Davi, filho de Zeruia (irmã do rei) e irmão de Joabe e Abisai. Essa conexão familiar o inseriu no círculo próximo da monarquia davídica, particularmente através de seus irmãos que ocupavam posições militares estratégicas.
Asael integrava as forças armadas de Davi, onde se destacava por suas capacidades marciais. Era notável pela sua ligeireza e valor, qualidades que o tornaram um guerreiro respeitado. Quando Davi posteriormente reorganizou seu exército em doze divisões, Asael recebeu o comando da quarta divisão, composta de 24 mil homens1—uma honra significativa que refletia tanto sua importância militar quanto sua posição privilegiada na estrutura do reino.
Abner tentava dissuadir Azael, mas esse tinha uma obstinação em mente: matar a Abner, para interromper o conflito definitivamente.
2Samuel 23.24 NAA
Entre os trinta figuravam: Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém;
A narrativa é tensa, e parece apontar que Abner matou a Azael em legítima defesa, o que entristece ainda mais a situação: irmãos que brigam, podem se matar.
Na realidade essa morte no campo de batalha, se seguiu um conflito que se tornou ainda mais pessoal.
A morte de Asael provocou uma mudança imediata e significativa no comportamento de Joabe. Após descobrir que seu irmão havia caído, Joabe e Abisai saíram em perseguição a Abner1, transformando o que havia sido uma batalha em algo mais pessoal e vingativo.
O contexto da morte é crucial para entender essa reação. Asael, conhecido por sua velocidade, perseguiu Abner persistentemente, ignorando os avisos do inimigo, até que Abner o matou com um golpe de lança no estômago1. Significativamente, Abner havia expressado relutância em matar Asael, questionando como poderia enfrentar Joabe depois disso1—uma preocupação que se mostrou bem fundada.
Posteriormente, quando Abner gritou para Joabe perguntando quando o derramamento de sangue terminaria e se ele não via que isso traria amargura, questionando quando Joabe mandaria seu exército parar de perseguir seus irmãos2, fica evidente que a morte de Asael havia inflamado Joabe com uma determinação que transcendia as considerações estratégicas da batalha. O assassinato do irmão transformou a dinâmica do conflito, convertendo uma disputa militar em uma questão de honra familiar que exigia retaliação. Essa reação estabeleceu um padrão que marcaria o relacionamento entre Joabe e Abner nos anos seguintes, alimentando ressentimentos que teriam consequências duradouras.
Mesmo Abner apelando para alguma racionalidade, não havia mais espaço para nada. Não foi um foi um fim, mas uma pausa.
2Samuel 2.28–3.1 NAA
Então Joabe tocou a trombeta, e todo o povo parou, e eles não perseguiram mais Israel e a luta acabou. Abner e seus homens marcharam toda aquela noite pela planície. Passaram o Jordão e, caminhando toda a manhã, chegaram a Maanaim. Joabe deixou de perseguir Abner. E, tendo reunido todo o povo, verificou que faltavam dezenove dos homens de Davi, além de Asael. Porém os servos de Davi tinham matado, dentre os de Benjamim e dentre os soldados de Abner, trezentos e sessenta homens. Levaram Asael e o sepultaram no túmulo de seu pai, em Belém. Joabe e seus homens caminharam toda aquela noite, e, ao amanhecer, chegaram a Hebrom. Durou muito tempo a guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi. Davi se fortalecia cada vez mais, enquanto a casa de Saul se enfraquecia.
Comentário Bíblico Latino-Americano Conflito entre Abner e os Filhos de Zeruia (2.18–3.1)

Embora Abner fosse um guerreiro que lutava pelo poder, e embora seu discurso não fosse de todo sincero, o conteúdo de suas palavras soou verdadeiro. Abner fez uma espécie de crítica às guerras, definidas por ele como uma matança entre irmãos que só traz amargura, inclusive para quem sai vitorioso.

Embutida no texto, a doutrina da providência divina.
O versículo 3.1 funciona como comentário editorial que interpreta a longa guerra não apenas como conflito político, mas como processo sob soberania divina, no qual a casa escolhida por Deus progride e a casa rejeitada definha. A ênfase não está em um triunfo instantâneo, mas em uma dinâmica prolongada, na qual Deus cumpre sua promessa por meio de processos históricos complexos, que envolvem violência, escolhas humanas e até ambições pessoais, sem que isso anule o propósito divino.
Não houve perdão, nem ao menos em declaração ou em intenção. Tudo foi adiado, estendido pelo tempo, que definitivamente não cura tudo.
C. S. Lewis:
Ser um cristão significa perdoar o indesculpável, porque Deus perdoou o indesculpável em você. Isso é difícil. Talvez não seja difícil perdoar uma única e grande ofensa, mas como perdoar - e continuar perdoando, a sogra mandona, o marido intimidador, a esposa irritante, a filha egoísta, o filho enganador- as provocações incessantes da vida diária? A única possibilidade, em minha opinião, é lembrar a nossa posição, ao manter o significado das palavras que pronunciamos quando dizemos em nossas orações todas as noites: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”. Não há outros termos em que Deus nos oferece o perdão. Recusá-lo seria o mesmo que recusar a misericórdia de Deus para nós mesmos. Não há nenhuma indicação de exceções e Deus mantém a sua palavra.
3. Outras aplicações:
(a) Ninguém sai vencedor em uma guerra entre irmãos. Todos perdem. Na guerra, só existem vencidos. Jesus veio para ser a nossa paz. A paz entre irmãos.
Isaías 9.6 NAA
Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu. O governo está sobre os seus ombros, e o seu nome será: “Maravilhoso Conselheiro”, “Deus Forte”, “Pai da Eternidade”, “Príncipe da Paz”.
Os profetas predisseram que Cristo viria como o "Príncipe da Paz" (Isaías 9:6) que "proclamaria a paz às nações" (Zacarias 9:10). Jesus cumpriu as profecias e pregou "paz a vós que estáveis longe [os gentios] e paz aos que estavam perto [os judeus]" (Efésios 2:17). Na época do nascimento de Cristo, os anjos proclamaram: "Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá. Que o coração de vocês não fique angustiado nem com medo" (Lucas 2:14). O próprio Jesus é a nossa paz. Nele, temos "a paz de Deus, que excede todo o entendimento" para guardar nosso coração e nossa mente (Filipenses 4:7). Jesus veio para trazer paz à Terra e chamou os Seus seguidores para continuar a Sua missão (Mateus 5:9). Fazemos isso compartilhando o evangelho - "as boas novas de paz por meio de Jesus Cristo" (Atos 10:36) - e vivendo em paz uns com os outros (Romanos 12:1814:19Hebreus 12:14). Como o próprio Jesus é a nossa paz, podemos desfrutar de harmonia e integridade em nosso relacionamento com Deus e com os outros.
(b) Questões mal resolvidas na família podem eclodir em vinganças geradas no calor do ressentimento venenoso. A alma que não perdoa, fica amargurada. Almas amarguradas matam.
A amargura em relacionamentos emerge quando mágoas e ressentimentos não são processados adequadamente. Conflitos não resolvidos—rixas, contendas e ressentimentos acumulados—acabam prejudicando profundamente a qualidade do vínculo.
A transformação começa com o reconhecimento de que a dinâmica do amor genuíno é incompatível com mágoas retidas. Isso exige uma mudança interior deliberada. Atitudes amargas precisam ceder espaço para a alegria, enquanto você cultiva um estilo de vida menos centrado em si mesmo.
Três práticas concretas facilitam essa transformação:
Perdão genuíno e contínuo. Paulo orienta os cristãos a suportarem-se mutuamente e perdoarem como Cristo perdoou, elevando assim o padrão dos relacionamentos interpessoais. Quando você abandona todo ressentimento e perdoa completamente de coração, abre caminho para buscar reconciliação sincera.
Comunicação honesta e construtiva. A reconciliação exige falar a verdade, mas de forma que edifique o outro conforme suas necessidades específicas. Isso significa expressar ferimentos sem atacar o caráter da pessoa.
Substituição de padrões antigos. Em lugar da amargura e da ira, cultive bondade e compaixão. Quando você apresenta suas ansiedades a Deus em oração grata, a paz de Cristo substitui a tensão emocional.
Importante reconhecer que relacionamentos pacíficos exigem sua participação ativa—você não pode controlar o outro, apenas garantir que seu lado está correto. A mudança acontece gradualmente conforme você enfrenta o que lhe aconteceu com Deus à vista.
Colossenses 3.13–14 NAA
Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros. Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.
Ilustr.:
Corrie Ten Boom: O Perdão em Meio ao Horror por Márcio Batista 15 dezembro
(15/4/1892-15/4/1983)
O perdão é a maior evidência da presença de Deus em nós.
Perdoar é uma das atitudes mais desafiadoras da vida cristã. Não se trata de sentir vontade, mas de tomar uma decisão consciente de soltar a dor, mesmo quando tudo em nós clama por justiça. Uma das histórias mais impactantes sobre o poder do perdão é a da escritora e missionária holandesa Corrie Ten Boom.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Corrie e sua família esconderam judeus em sua casa para protegê-los do regime nazista. Por causa disso, foram presos. Corrie foi levada com sua irmã Betsie para o campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha.
Ali enfrentaram fome, frio, humilhações e violência inimagináveis. Betsie não resistiu e morreu naquele lugar. Corrie sobreviveu e, anos depois, passou a viajar pelo mundo pregando sobre o amor de Deus, a fé e... o perdão.
Mas foi em uma de suas pregações, na Alemanha, que Corrie teve um dos momentos mais difíceis de sua vida. Após a mensagem, um homem se aproximou dela — um dos ex-soldados do campo de concentração onde ela e sua irmã haviam sofrido. Ele havia se convertido e, arrependido, estendeu a mão pedindo perdão. Corrie congelou. Tudo voltou à mente: os gritos, a dor, o sofrimento. Ela não sentia vontade alguma de perdoá-lo.
Foi nesse momento que ela entendeu, na prática, que o perdão não é um sentimento. É uma atitude. Ela orou silenciosamente, pedindo força a Deus, e então, com dificuldade, estendeu sua mão e disse: “Eu perdoo você, irmão, de todo o meu coração.” Corrie disse que, naquele instante, algo inexplicável aconteceu. Um calor percorreu seu braço e encheu seu coração. Ela sentiu a cura. A liberdade. O peso foi tirado.
Corrie ensinou ao mundo que o perdão liberta mais a quem perdoa do que a quem é perdoado. Ela poderia ter guardado rancor, alimentado o ódio, vivido aprisionada ao passado. Mas escolheu perdoar — por amor a Deus e por obediência à Sua Palavra.
Perdoar não é esquecer, nem justificar o erro do outro. Perdoar é abrir mão do direito de revidar, é entregar a dor nas mãos do Justo Juiz e caminhar em liberdade. Corrie Ten Boom nos lembra que o perdão é uma ponte entre a dor e a paz. E que, com a ajuda de Deus, somos capazes de perdoar até o imperdoável.
Perdão é escolha. É poder. É cura.
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