VIDA ETERNA

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Transcript
CONVITE À LEITURA JO 17.1-5 NAA
¹ Depois de dizer essas coisas, Jesus levantou os olhos ao céu e disse:
— Pai, é chegada a hora. Glorifica o teu Filho,para que o Filho glorifique a ti,
² assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade,a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.
³ E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
⁴ Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer.
⁵ E agora, ó Pai, glorifica-me contigo mesmo com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.
ORAÇÃO

CONTEXTUALIZAÇÃO

Antes de falarmos sobre esse texto e o que ele tem a ver com o ano novo, eu preciso fazer algumas considerações importantes para que essa mensagem faça sentido. Você provavelmente já ouviu falar sobre a palavra Evangelho e o que ela significa. Evangelho é uma palavra que vem do grego e significa “boa notícia”. E que “boa notícia” é essa? Deus resgatando o seu povo por meio de Jesus.
Inicialmente, essa “boa notícia” era falada. As pessoas contavam umas às outras sobre as histórias de Jesus. Surgiram então 4 relatos escritos sobre essas histórias de Jesus, os chamados Evangelhos, escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. No mundo da literatura, existem diversos gêneros literários diferentes: livros de romance, ficção, aventura e entre outros. O Evangelho é um gênero literário totalmente único. Somente esses 4 livros podem ser chamados de Evangelho. Por que?
O termo Evangelho tem a ver com uma biografia. Talvez isso possa parecer estranho num primeiro momento. Mas o Evangelho é um relato organizado sobre as histórias de uma pessoa, Jesus, e que depende do ponto de vista de cada autor (o biógrafo). Isso significa que, mesmo que os 4 Evangelhos falem de Jesus, cada Evangelho fala sobre Jesus de uma forma diferente.
Por exemplo, Mateus. Marcos e Lucas fazem registros muito parecidos entre si, por isso são chamados de sinóticos, semelhantes. Existem várias histórias iguais/parecidas, uma estrutura e uma linguagem compartilhada entre eles. Já o Evangelho escrito por João tem muitas coisas diferentes desses 3 evangelhos.
João não segue a mesma estrutura, nem as mesmas histórias (em sua maioria) e nem a mesma linguagem que Mateus, Marcos e Lucas. Fazendo uma leitura mais atenta do que escreveu o apóstolo João, é possível perceber uma estrutura muito clara e muito didática.
Jo cap. 1, do versículo 1-18 é o prefácio da obra; a apresentação de Jesus como a luz que veio livrar o mundo das trevas. Do versículo 19 do capítulo 1 até o final do capítulo 12, podemos encontrar a primeira parte. Algumas Bíblias em português mostram essa divisão do Evangelho de João em 2 livros: do versículo 19 do capítulo 1 até o final do capítulo 12 o “Livro dos Sinais” e do capítulo 13 até o final do 20 o “Livro da Glorificação”. Por fim, o capítulo 21 é uma conclusão, um arremate. Durante todo o livro, o apóstolo João faz um contraste da fé dos discípulos e seguidores de Jesus com a incredulidade dos líderes e dos fariseus.
Isso faz diferença quando percebemos que, em João, há apenas 7 milagres de Jesus. Os outros 3 Evangelhos fazem uma sequência de um milagre atrás do outro, mas em João, depois de cada milagre há um convite para que cada leitor faça a sua escolha. Por isso o nome “Livro dos Sinais” e não “Livro dos Milagres”, porque, diante de cada sinal, qual será a nossa resposta? Crer (como fizeram seus seguidores) ou negar (como fizeram os fariseus)?
Na segunda parte, ou o “Livro da Glorificação”, onde está o texto que nós lemos, o propósito é mostrar a grandiosidade de Jesus. E diferente do que se espera de um relato grandioso (uma história bonita, cheia de vitórias, marcada por conquistas heróicas), o autor apresenta a glória de Jesus como aquele que morreu de maneira vergonhosa para o mundo, mas que morreu de maneira salvadora e gloriosa para os seus discípulos e seguidores. Mais uma vez, João faz o convite: qual é a nossa resposta? Crer (como fizeram seus seguidores) ou negar (como fizeram os fariseus)?
Por fim, antes de entrarmos no texto que nós lemos, uma última observação. 12 capítulos são gastos para falar sobre a maior parte da vida de Jesus; e do capítulo 13 ao 20, 8 capítulos falam sobre a última semana de Jesus. Do cap. 13 a 17: a última refeição de Jesus com os discípulos antes da crucificação, e de 18 a 20: sua morte a ressurreição. Mais uma vez, o propósito de João fica claro para nós: o discurso de Jesus para os discípulos antes da sua crucificação é importante e a sua vitória sobre a cruz é a nossa salvação.

INTRODUÇÃO

Feitas essas considerações, nossa reflexão de hoje é breve. O capítulo 17 do Evangelho de João fala sobre a oração de Jesus, conhecida como Oração Sacerdotal. Do verso 1-5, o texto que nós lemos, Jesus ora por si mesmo; do verso 6-19, Jesus ora pelos discípulos; e do 20-26, Jesus ora por aqueles que haveriam de crer no futuro (e isso inclui eu e você).
O texto que nós lemos está dentro da segunda parte do Evangelho de João, ou segundo livro chamado de “Livro da Glorificação”. Do capítulo 15 até o final do capítulo 17, estamos todos inseridos num mesmo momento. Jesus está sentado com os seus discípulos compartilhando sua última refeição antes de ser entregue aos guardas que o levariam preso.
Esse momento à mesa ocupa 3 capítulos em que Jesus está sentado conversando com seus discípulos dando-lhes alguns conselhos. E antes de ser entregue aos oficiais do império romano que o matariam, Jesus fez uma oração. Diferente de qualquer outra, essa oração mostra o real propósito da vida de Jesus.

EXPLICAÇÃO

Jesus sabe do que está por vir: traição e sofrimento. Mas diante disso tudo, ele confirma: “Pai, é chegada a hora”. É como se Jesus dissesse: o momento decisivo da história não está apenas começando — ele já está em andamento e não pode ser revertido. Não há hesitação, não há surpresa. A cruz não é um acidente no plano de Deus; ela é o centro dele.
Jesus continua sua oração olhando para a missão que o Pai lhe confiou. Quando ele diz que o Pai lhe deu autoridade, o termo usado não fala de força bruta ou poder opressor, mas de um direito legítimo de agir. É a autoridade de quem foi enviado e autorizado pelo próprio Deus. Isso significa que nada do que Jesus faz em favor do seu povo é improvisado; tudo acontece porque o Pai o investiu plenamente dessa autoridade.
Mas o coração do verso aparece quando Jesus fala do propósito dessa autoridade: “para que conceda a vida eterna”. O verbo “conceder” indica um dom, não uma recompensa. Vida eterna não é algo que conquistamos por esforço moral ou religioso; é algo que recebemos das mãos de Cristo. Ele não aponta um caminho e diz “façam”; ele estende a mão e diz “recebam”.
Vamos fazer a leitura do versículo 3: E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Esse é o versículo principal para a nossa reflexão hoje. Jesus não começa dizendo como alcançar a vida eterna, mas o que ela é.
Ele não trata a vida eterna apenas como algo que começa depois da morte, mas como uma realidade presente, algo que pode ser vivido agora.
O verbo “conhecer”, no grego, não descreve um conhecimento frio ou distante, como quem decora informações. Trata-se de um conhecer contínuo, relacional, pessoal. É o tipo de conhecimento que cresce com o tempo, que envolve convivência, confiança e amor. Jesus está dizendo que vida eterna não é simplesmente saber coisas sobre Deus, mas viver em relacionamento com ele.

APLICAÇÃO

A frase que resume a nossa reflexão é: Jesus glorifica o Pai e concede vida eterna à todos os que crerem.
Talvez você esteja se perguntando: tá, mas e daí? É só isso? “Jesus glorifica o Pai e concede vida eterna à todos os que crerem”?
E é aqui que está o problema. O que é mais importante para você do que a vida eterna? O que é importante para você hoje? Quais são as suas metas para 2026? Será que dentro da sua agenda você tem separado a devida importância para a vida eterna que Jesus já conquistou por mim e por você?
Vida eterna não é ter que fazer para receber.
Vida eterna não é um troféu esquecido na parede pegando poeira.
Vida eterna é um presente. Jesus não diz que a vida eterna é algo a ser alcançado, algo futuro e distante, mas que a vida eterna é conhecer o verdadeiro Deus e isso começa aqui e agora. Talvez, a maior parte dos nossos dias contemple atividades que só beneficiam a nós mesmos, que só falam dos nossos interesses e temos gastado poucos momentos lendo a Bíblia e orando.
Porém, a morte e a ressurreição de Jesus garantiram para nós livre acesso a Deus. Por meio do sangue de Jesus, todo aquele que se arrepender e crer será salvo. E esse sangue abriu espaço para que nós pudéssemos nos relacionar com Deus. Cada um de nós. A salvação não é uma premiação geral, não é uma realidade abstrata e genérica. Esse relacionamento com Deus é individual, pessoal, verdadeiro, real…
Será que eu e você temos medo? O medo no relacionamento com Deus pode nos dar a sensação de que, se nós contarmos do nosso pecado para Deus e nos aproximarmos muito dele, talvez ele vá embora depois que ver toda essa sujeira dentro do nosso coração; quem sabe ele fique cansado depois de você ter dito que ia mudar e não mudou.
Jesus disse em Jo 17.4: “Eu te glorifiquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer”. A obra de Jesus foi morrer na cruz para perdoar os nossos pecados. E se ele disse que “realizou a obra que tinha para fazer”, então nós fomos perdoados de todos os nossos pecados. Não há nenhum só pecado que não tenha sido perdoado. É por isso que João Batista disse que Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não é preciso uma nova morte e ressurreição de Jesus, ele é o sacrifício perfeito.
Essa semana eu li uma frase que me desconcertou. O nome do livro é “O Evangelho Maltrapilho”, indicação do Pr Tiago. Nesse livro, tem uma frase assim: “Deus espera muito mais erros de nós do que nós mesmos”. Isso significa que, à luz da nossa natureza humana falha, ainda que perdoados pelo sangue de Jesus, o pecado ainda será uma realidade. Mas isso jamais nos afastará de Deus porque ele enviou o seu filho para morrer na cruz e assim nos garantir vida eterna!
É por isso que em outro lugar das Escrituras diz que: “No amor, não existe medo. Antes do perfeito amor, lança fora o medo”, 1Jo 4.18. Se nós quisermos nos relacionar verdadeiramente com Deus, precisamos deixar o medo para trás. Mais uma vez, João faz o convite: qual é a nossa resposta? Crer (como fizeram seus seguidores) ou negar (como fizeram os fariseus)?
Talvez, você já esteja pensando em quais coisas deseja para 2026. Você provavelmente sabe o que deseja alcançar, quais são seus sonhos, planos e objetivos. Esse texto nos convida a pensar que não há nada mais importante do que a vida eterna que Jesus morreu para conquistar e que o Espírito Santo nos ajuda a desfrutar.
A vida eterna é um presente. Não precisamos fazer nada para alcançá-la, é ela que veio a nós em forma de um bebê. A vida eterna é um presente que eu e você precisamos apenas receber das mãos do Senhor toda vez que o buscarmos.
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