A Viagem de Volta
Cristiano Gaspar
Igreja em Movimento • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução
Introdução
21 E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, Paulo e Barnabé voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, 22 fortalecendo o ânimo dos discípulos, exortando-os a permanecerem firmes na fé e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no Reino de Deus. 23 E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor, em quem haviam crido.
24 Atravessando a Pisídia, Paulo e Barnabé se dirigiram à Panfília. 25 E, tendo anunciado a palavra em Perge, foram para Atália 26 e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que agora tinham terminado. 27 Quando chegaram a Antioquia, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus havia feito com eles e como tinha aberto aos gentios a porta da fé. 28 E permaneceram muito tempo com os discípulos.
Eu gostaria que você começasse hoje fazendo um exercício de imaginação comigo. Tente se colocar na pele de alguém que acabou de sobreviver a uma tentativa brutal de assassinato. Imagine que você estava em uma cidade visitando pessoas, tentando fazer o bem, e de repente a multidão se voltou contra você. Eles não apenas gritaram ou insultaram, eles pegaram pedras. Pedras pesadas, com a intenção de matar. Você foi atingido repetidas vezes até perder a consciência. O sangue escorria, a dor era insuportável, e eles, pensando que você estava morto, arrastaram o seu corpo para fora dos portões da cidade e o jogaram em uma vala, como se fosse lixo.
Mas, milagrosamente, você sobrevive. Você acorda, cercado por alguns poucos amigos, dolorido, talvez com costelas quebradas e cicatrizes que levará para o resto da vida. Você e seu companheiro de viagem conseguem fugir para a próxima cidade, chamada Derbe, onde finalmente encontram um pouco de paz e sucesso.
Agora, pare e olhe para o mapa. Você está em Derbe. Se você olhar para o leste, verá as Montanhas de Tauro. Do outro lado dessas montanhas está Tarso, a cidade natal de Paulo. É o caminho para casa. É a rota de fuga. Dali até Tarso seria uma viagem relativamente curta e, o mais importante, segura. Em poucos dias, você poderia estar no conforto da sua casa, recebendo cuidados médicos, longe dos maníacos que tentaram te matar. Essa é a Opção A. É a opção lógica. É a opção que qualquer consultor de gerenciamento de risco ou qualquer pessoa sã recomendaria: "Vá para casa, recupere-se, você já fez o suficiente".
Mas então temos a Opção B. A Opção B é dar meia-volta. É virar as costas para a segurança de casa e caminhar novamente, passo a passo, exatamente para dentro das cidades onde você foi apedrejado, expulso e ameaçado de morte. É olhar para o lugar onde quase te mataram e dizer: "Eu preciso voltar lá".
O texto que acabamos de ler, no versículo 21, nos diz algo chocante. Paulo e Barnabé, estando em Derbe, tendo pregado o evangelho e feito muitos discípulos, decidiram não seguir pelo caminho curto para casa. O texto diz simplesmente: "voltaram para Listra, Icônio e Antioquia". Eles escolheram o caminho longo. Eles escolheram o caminho da dor.
Por que alguém faria isso? Essa é a pergunta que deve nos incomodar nesta noite. Por que voltar para a boca do leão? Eles não eram masoquistas. Eles não tinham um desejo de morte. Eles voltaram porque entenderam algo que nós, em nossa cultura moderna e individualista, temos uma enorme dificuldade de compreender. Eles entenderam que o cristianismo não é apenas um conjunto de crenças intelectuais que você carrega na sua cabeça, nem uma experiência espiritual privada que você sente no seu coração. Eles entenderam que ser cristão é, intrinsecamente, pertencer a um corpo. Eles voltaram porque havia novos cristãos naquelas cidades, "bebês na fé", que seriam devorados pelos lobos se ficassem sozinhos.
Nós vivemos em uma época que idolatra a segurança e o conforto. Nossa cultura nos ensina a cortar relações assim que elas se tornam difíceis, a mudar de emprego assim que o chefe nos desagrada, e a trocar de igreja assim que a música ou a pregação não atende às nossas preferências de consumo. Nós desenhamos nossas vidas para evitar a dor e maximizar o prazer. Se fôssemos nós em Derbe, teríamos ido para Tarso sem pensar duas vezes. Teríamos racionalizado: "Bem, Deus me livrou, agora é hora de cuidar de mim".
Mas Paulo e Barnabé nos mostram que a formação de uma comunidade cristã, a Igreja, vale o risco da própria vida. Eles nos mostram que não existe cristianismo solo. Se você acha que pode ter Jesus sem a Igreja, ou espiritualidade sem comunidade, você está praticando uma religião que os apóstolos não reconheceriam.
Então, o que levou esses homens a fazer essa escolha perigosa? E o que é necessário para que nós deixemos de ser consumidores religiosos e nos tornemos construtores de uma comunidade real, profunda e sacrificial? O texto nos mostra três coisas que eles fizeram ao voltar, três marcas de uma igreja verdadeira que precisamos desesperadamente recuperar hoje: eles foram fortalecer as almas, eles foram organizar a liderança e eles foram relatar a graça. Vamos olhar para cada uma delas.
1. A Trama Acaba (O Que Devo Fazer?) - O Imperativo da Construção Comunitária
1. A Trama Acaba (O Que Devo Fazer?) - O Imperativo da Construção Comunitária
Se a introdução nos mostrou a decisão heroica de voltar, este primeiro ponto nos mostra a ação pragmática que eles tomaram. O que exatamente Paulo e Barnabé fizeram ao retornarem para a "zona de perigo"? Eles não voltaram apenas para tomar um café e relembrar os velhos tempos. O texto nos dá verbos muito específicos que descrevem o padrão de Deus para a vida cristã.
O versículo 22 diz que eles voltaram "fortalecendo a alma dos discípulos". A palavra grega usada aqui é fascinante: episterizo. Ela é composta por epi (sobre/intensidade) e sterizo (apoiar, tornar firme). Era um termo técnico usado, por vezes, em arquitetura. Imagine um edifício antigo cujas paredes começam a ceder sob o peso do teto. O que um arquiteto faz? Ele coloca colunas de sustentação, vigas extras para garantir que a estrutura não colapso. Isso é episterizo.
Aqui está a primeira exigência do texto para você: Você deve ser uma coluna de sustentação na vida de outra pessoa. O padrão bíblico para a comunidade não é apenas "frequentar" um culto. É olhar ao redor, identificar quem está tremendo sob o peso da vida — quem está lidando com a dúvida, com o luto, com o pecado — e se colocar ao lado dessa pessoa como um suporte estrutural, dizendo: "Eu não vou deixar você desabar". O cristianismo é um projeto de engenharia espiritual mútua. Se você vem à igreja, assiste ao culto e vai embora sem sustentar o peso de ninguém, você não está obedecendo a Atos 14.
Mas eles não pararam por aí. O versículo 23 diz que eles promoveram a eleição de presbíteros em cada igreja. Isso é profundamente contra-intuitivo para a nossa cultura. Nós amamos "movimentos", mas odiamos "instituições". Gostamos da ideia de uma espiritualidade orgânica, fluida, sem regras, sem hierarquia. Dizemos: "Eu sou espiritual, mas não religioso" ou "Eu amo Jesus, mas não a igreja institucional".
No entanto, Paulo, o maior missionário da história, volta para essas cidades e a primeira coisa que ele faz é institucionalizar o movimento. Por quê? Porque ele sabia que um organismo sem esqueleto não é um corpo livre; é apenas uma massa disforme, uma "amoeba" incapaz de ficar de pé.
Tim Keller costumava dizer que "um rio sem margens não é um rio livre, é um pântano". As margens restringem a água, sim, mas é essa restrição que dá ao rio direção, força e velocidade. Sem as "margens" da liderança, da doutrina e da ordem eclesiástica (os presbíteros), a vida espiritual se torna um pântano estagnado. O imperativo aqui é claro e desconfortável: Deus exige que você se submeta. Ele exige que você faça parte de uma estrutura onde há autoridade, onde há prestação de contas, onde há presbíteros que velam pela sua alma. Você não pode ser o seu próprio pastor. Você precisa de "margens" para fluir.
E, finalmente, o texto diz que eles "relataram" tudo à igreja de Antioquia (v. 27). Eles prestaram contas. Mesmo sendo apóstolos, eles não eram agentes livres. Portanto, a "Trama Acaba" nos deixando com uma lista de tarefas pesada. A Bíblia está dizendo: "Pare de ser um consumidor passivo de conteúdo religioso". A exigência é que você saia da sua zona de conforto, entre na vida bagunçada de outras pessoas para sustentá-las, submeta-se a uma liderança local e viva em transparente prestação de contas.
A pergunta que fica no ar é: Você está fazendo isso? Se olharmos para a nossa agenda e para as nossas prioridades, a maioria de nós teria que admitir que estamos buscando conforto, não construção. Queremos os benefícios da fé, mas não o peso da estrutura. E é aqui que começamos a perceber que talvez não sejamos tão parecidos com Paulo quanto gostaríamos de pensar.
2. A Trama se Complica (Por Que Não Posso Fazer Isso?) - A Ilusão da Autonomia e o Ídolo do Conforto
2. A Trama se Complica (Por Que Não Posso Fazer Isso?) - A Ilusão da Autonomia e o Ídolo do Conforto
Se o mandamento é claro — edifiquem uns aos outros, submetam-se a líderes e prestem contas — por que achamos isso tão impossível de fazer na prática? Por que nossas igrejas estão cheias de pessoas que entram e saem sem nunca criar raízes profundas?
A resposta está em uma frase curta e profunda que Paulo e Barnabé repetiam nessas cidades, registrada no versículo 22: "É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus".
Sejamos honestos: nós detestamos essa frase. Se tivéssemos uma tesoura teológica, recortaríamos esse versículo de nossas Bíblias. Vivemos em uma cultura ocidental que fez um pacto silencioso com o Ídolo do Conforto. A premissa básica da nossa sociedade é que o objetivo da vida é a felicidade pessoal, definida como a ausência de dor e a maximização do prazer.
Nós aplicamos essa lógica de mercado à Igreja. Tratamos a comunidade cristã como tratamos o Spotify. Queremos uma experiência personalizada, curada por algoritmos para se adequar aos nossos gostos, onde podemos "pular" as faixas que não gostamos (aquelas conversas difíceis, aquelas pessoas estranhas, aqueles pedidos de voluntariado) e criar uma playlist espiritual que nos faça sentir bem sem exigir nada de nós.
Tony Merida, em seu comentário, aponta que Paulo estava preparando os discípulos para a realidade. Mas nós? Nós fugimos da realidade. Quando a "tribulação" chega na igreja — quando um líder nos decepciona, quando a música muda, quando alguém critica nossa postura política — o que fazemos? Nós não aplicamos o episterizo (o suporte estrutural); nós vamos embora. Dizemos: "Essa igreja não está mais me alimentando". Mas o que realmente queremos dizer é: "Essa igreja começou a exigir que eu morresse para mim mesmo, e eu não assinei contrato para isso".
Há um segundo ídolo aqui, talvez ainda mais profundo: o Ídolo da Autonomia. O texto diz que eles constituíram "anciãos" (presbíteros) em cada igreja. Isso implica autoridade. Isso implica que eu não sou a autoridade final sobre a minha vida. O coração humano moderno grita contra isso. Nossa cultura nos diz desde o berço: "Você é o capitão da sua alma. Ninguém tem o direito de lhe dizer o que fazer com seu dinheiro, seu corpo ou seu tempo". A ideia de se submeter a um grupo de anciãos/presbíteros imperfeitos, de prestar contas sobre seus pecados a outra pessoa, soa como opressão para nós. Queremos os benefícios da comunidade — o sentimento de pertencimento — sem o custo da submissão.
E aqui a trama se complica tragicamente. A ironia é que, ao protegermos nossa autonomia e nosso conforto, nos tornamos incrivelmente frágeis. Paulo disse que a tribulação é necessária para entrar no Reino. Por quê? Porque é a pressão que forja o caráter. Mas como evitamos qualquer tipo de pressão ou compromisso difícil na igreja, permanecemos espiritualmente infantis. Nós nos tornamos "cristãos de porcelana". Parecemos bonitos na prateleira de domingo, mas na primeira queda real da vida — um diagnóstico de câncer, uma demissão, um filho rebelde — nós nos despedaçamos. Por quê? Porque não tínhamos as "colunas" e os "suportes" da comunidade profunda que evitamos construir porque dava muito trabalho.
A nossa recusa em aceitar a tribulação da vida comunitária nos deixa despreparados para a tribulação da vida real. Achamos que somos livres porque não temos compromissos, mas na verdade, somos apenas solitários e desprotegidos. Você não consegue cumprir a ordem de Atos 14 sozinho. Sua força de vontade não é suficiente para vencer seu egoísmo. Você precisa de algo mais forte do que boas intenções para voltar para a "cidade que te apedrejou" e amar as pessoas que te feriram.
3. A Trama é Solucionada (Como Ele Fez Isso?) - O Verdadeiro Pastor que Entrou na Zona de Perigo
3. A Trama é Solucionada (Como Ele Fez Isso?) - O Verdadeiro Pastor que Entrou na Zona de Perigo
Como quebramos o poder desses ídolos de conforto e autonomia? Como deixamos de ser consumidores espirituais e nos tornamos irmãos e irmãs sacrificais? A resposta não é "tente ser mais forte". A resposta é olhar para Aquele que Paulo estava, imperfeitamente, imitando.
Olhe novamente para o mapa da sua imaginação. Vemos Paulo e Barnabé deixando o conforto de Derbe para voltar à perigosa Listra. É uma imagem heroica. Mas se você ajustar o foco da lente da história da redenção, verá que essa viagem de Paulo é apenas uma sombra pálida de uma viagem infinitamente maior e mais perigosa.
Houve outro Missionário que tinha um lar muito melhor que Tarso. Jesus Cristo vivia na comunhão perfeita da Trindade, na segurança absoluta, na glória inimaginável. Ele tinha a "Opção A" garantida eternamente. Mas Ele olhou para nós — nós que éramos como os listrenses, volúveis, supersticiosos, rebeldes e hostis a Deus — e Ele disse: "Eu preciso ir até lá".
Jesus não tomou o atalho. Ele desceu à "cidade" deste mundo caído. E observe as diferenças cruciais que mudam tudo:
Paulo disse que "através de muitas
tribulações nos importa entrar no Reino". Mas Jesus sabia que, para
nós entrarmos, Ele teria que ser expulso. Na cruz, Jesus enfrentou a . Ele não recebeu apenas pedras literais; Ele recebeu a
"pedra" da justiça divina contra o pecado. Ele foi esmagado, não
por uma multidão descontrolada, mas pelo peso da nossa culpa. Ele foi
arrastado para fora da cidade de Jerusalém (Hb 13:12) e deixado na
escuridão total, gritando: "Deus meu, por que me desamparaste?".
Ele perdeu todo o conforto para que, nas nossas tribulações, nunca
fôssemos desamparados.Sobre a Tribulação (v. 22):Grande Tribulação
Nós resistimos à autoridade dos presbíteros porque
temos medo de abuso e amamos nossa autonomia. Mas olhe para Jesus. Ele é o
"Supremo Pastor" (1 Pe 5:4). Ele é a autoridade máxima do
universo. No entanto, o que Ele fez com Sua autoridade? Ele não a usou
para nos explorar; Ele a usou para nos lavar os pés. Ele não disse
"sirvam-me ou morram", Ele disse "eu morrerei para
servi-los". Quando você vê o Rei dos Reis se submetendo à cruz para
salvar traidores, o seu medo de submissão começa a derreter. Se a Autoridade
Suprema me amou a ponto de morrer por mim, eu posso confiar na autoridade
delegada que Ele estabelece na igreja. O Evangelho cura nossa alergia à
autoridade porque nos mostra uma Autoridade que sangra por nós.Sobre os Anciãos (v. 23):
Paulo voltou para ser uma coluna
de apoio. Mas na cruz, Jesus foi "demolido". Seu corpo foi
quebrado. Por que? Para que Ele pudesse se tornar a Pedra Angular sobre a
qual a nossa vida pode ser construída com segurança. Ele foi feito fraco
para que, quando você estiver desabando sob o peso da depressão, da dúvida
ou do fracasso, você possa se apoiar nEle e encontrar um suporte que nunca
falha.Sobre o Fortalecimento (Episterizo):
A razão pela qual não conseguimos nos comprometer com a comunidade é que estamos tentando preencher nosso vazio com o conforto humano ou com a aprovação humana. Mas quando você olha para a Cruz, você vê o amor absoluto. Você vê que já é aceito, já é amado, já é valorizado ao preço do sangue de Deus. Isso destrói o ídolo da Autonomia: "Eu não pertenço a mim mesmo, pertenço a Quem morreu por mim". Isso destrói o ídolo do Conforto: "Se Ele sofreu tudo isso para me trazer para a família, como posso reclamar de um desconforto para servir a essa família?".
A virada cristocêntrica é esta: Paulo voltou para Listra porque o Espírito de Jesus estava nele. Mas nós só podemos "voltar para Listra" — voltar para o compromisso difícil com a igreja — quando o sacrifício de Jesus estiver em nós, derretendo nosso egoísmo e nos enchendo de uma gratidão que supera nosso medo da dor. A coragem de Paulo não vinha de sua personalidade forte; vinha de sua visão clara do Salvador sofredor.
4. A Trama Começa (Como, Por Meio dEle, Posso Fazer Isso?) - A Porta Aberta para o Mundo
4. A Trama Começa (Como, Por Meio dEle, Posso Fazer Isso?) - A Porta Aberta para o Mundo
O que acontece quando essa realidade — o Supremo Pastor sendo "apedrejado" por mim — desce da cabeça para o coração? O que acontece quando você para de olhar para a igreja como um clube de serviços e começa a olhar para ela através das lentes da Cruz? Tudo muda. A sua "viagem de volta" começa agora.
Primeiro, você muda de Consumidor para Construtor. Lembra da palavra episterizo (fortalecer/dar suporte)? Antes, você entrava na igreja perguntando: "Será que vão me cumprimentar? Será que a música vai ser do meu gosto?". Agora, você entra perguntando: "Quem está prestes a desabar aqui hoje? Quem precisa de um suporte?". Você olha para aquele irmão difícil, aquele "listrense" que talvez já tenha te ferido com palavras, e em vez de fugir para Tarso, você se aproxima. Você suporta o peso. Você se torna um voluntário que não desiste na primeira frustração. Por quê? Porque Cristo suportou o seu peso. A gratidão pelo Evangelho te torna a pessoa mais resiliente da sala.
Segundo, você ganha uma Nova Ótica sobre o Sofrimento. O versículo 22 diz que é necessário passar por tribulações. Antes, quando a dor chegava — desemprego, doença, solidão — você pensava: "Deus me esqueceu" ou "Fiz algo errado". Agora, você entende que a tribulação não é um tribunal de juízo, mas uma academia da graça. Se Jesus já levou a punição na cruz, então a dor que você sente hoje não é punitiva; é formativa. Deus está usando essas pedras não para te matar, mas para esculpir em você a imagem de Jesus. Isso te dá uma coragem sobrenatural. Você pode enfrentar a quimioterapia, o luto ou a crise conjugal sem desespero, porque sabe que isso é o caminho para o Reino, não para fora dele.
Terceiro, e mais belo de tudo, você vê a Porta se Abrir. O texto termina no versículo 27 com uma frase gloriosa: "Deus abrira aos gentios a porta da fé". Pense nisso. Se Paulo tivesse ido direto para Tarso, se ele tivesse escolhido a segurança, aquelas igrejas teriam morrido. Mas porque ele aceitou o risco, porque ele aceitou a dor, a porta da fé foi escancarada para as nações. Existe uma lei espiritual aqui: O conforto fecha portas; o sacrifício abre portas. Enquanto a sua igreja estiver focada apenas em seu próprio conforto, em manter as tradições e evitar problemas, a porta para a cidade estará fechada. Mas no momento em que nós, como comunidade, decidirmos amar sacrificialmente, acolher os quebrados e suportar os custos do discipulado real, o mundo vai olhar e perguntar: "O que eles têm?". A missão acontece quando a comunidade sacrifica sua segurança pela salvação dos outros.
Conclusão
Conclusão
Então, voltemos ao mapa da nossa introdução. Você está em Derbe. Você tem duas opções diante de você hoje. Você pode pegar a estrada para Tarso. Você pode continuar vivendo uma vida segura, privada, evitando se comprometer profundamente com a igreja, evitando a dor dos relacionamentos reais, mantendo seu coração protegido atrás de muros de autonomia. É o caminho seguro. Mas é o caminho da esterilidade. Você chegará em casa, mas chegará sozinho.
Ou você pode pegar a estrada para Listra. Você pode dizer hoje: "Senhor, eu vou parar de brincar de igreja. Eu vou me submeter. Eu vou servir. Eu vou amar essas pessoas imperfeitas que o Senhor colocou na minha vida, mesmo que isso me custe, mesmo que doa". Parece o caminho perigoso. Parece o caminho mais longo. Mas é o único caminho onde você encontrará a vida real.
Como você encontra forças para fazer essa escolha? Olhando para a Cruz. Na Cruz, vemos o corpo que foi quebrado e o sangue que foi derramado. Vemos Jesus, que não ficou no conforto do céu, mas fez a longa viagem até o nosso inferno particular para nos resgatar. Ele é o Pão da Vida que foi moído para nos alimentar. Se você comer e beber dEle hoje pela fé, se você deixar a beleza do sacrifício dEle encher sua alma, você vai levantar deste banco não com a força de vontade de um estoico, mas com o coração em chamas de um filho amado. Não vá para Tarso. Volte para a cidade. Volte para a missão. Vamos orar.
