1Co 1.1-9 - Igreja, graças a Deus

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IGREJA PRESBITERIANA DE APIAÍ
PLANEJAMENTO PASTORAL – SERMÕES EXPOSITIVOS
JANEIRO/2026
Rev. Mateus Lages
Tema: Amar como Jesus ama - a ética do Reino de Deus em 1Coríntios
Dia 04/01: 1Co 1.1-9 - Igreja, graças a Deus
SAUDAÇÃO/INVOCAÇÃO
Deus fala: João 14.21
Nós falamos: Oração inicial
Nós cantamos: Hino 93 - A firmeza na fé
CONTRIÇÃO/CONFISSÃO
Deus fala: Salmos 32.5
Nós falamos: Oração de confissão
Nós cantamos: Hino 115 - Unido com Cristo
INTERCESSÃO
Deus fala: Atos 1.6-11
Nós falamos: Oração de intercessão
LOUVOR
•⁠ ⁠Tua Voz
•⁠ ⁠Te Agradeço
•⁠ ⁠Corpo e Família
Tema: Amar como Jesus ama
1Co 1.1-9 - Igreja, graças a Deus
INTRODUÇÃO/CONTEXTO
Começo a exposição de hoje fazendo uma pergunta aos irmãos? Como surgiu a Igreja cristã? Irmãos, as comunidades cristãs surgiram pela proclamação do Cristo ressurreto. Gravem isso profundamente no coração. A história de Jesus antecede a Igreja, mas edifica a Igreja. Portanto, sem fé na ressurreição de Cristo, não há cristianismo. Reconhecemos isso pela estrutura da Epístola aos Coríntios que tratará de diversos temas, dos quais serão reconhecidos como importantes para os crentes se fundamentarem sua fé na ressurreição. Ou seja, é porque Cristo vive que nós cremos e alinhamos nossa vida.
Isso quer dizer que o comportamento cristão não é o mais adequado por causa da ética do mundo, mas da ética do Reino de Deus. Ser um bom marido, filho, aluno ou trabalhador é importante porque ao fazermos assim estamos vivendo conforme a ética de Cristo.
O autor da Epístola aos Coríntios recebeu um chamado do Cristo ressurreto para pregar aos gentios, dentre eles, na Grécia onde ficava a cidade de Corinto.
1Coríntios é a primeira das três grandes epístolas paulinas (junto com 2 Coríntios e Romanos) e surge, mais do que qualquer outra carta de Paulo, da necessidade pastoral gerada por controvérsias na igreja. Como observa William Hendriksen, trata-se da epístola que aborda a maior diversidade de temas, desde problemas éticos e eclesiásticos até doutrinas centrais como a ressurreição e o amor cristão.
Aqui é importante sabermos que a antiga Corinto foi caracterizada por ser uma cidade com múltiplas religiões e devassidão. Porém, é necessário que vejamos essa Epístola como enviada para a nova Corinto, cidade romana, que tal como Filipos e Éfeso, tinha orgulho de pertencer ao Império. Ela foi destruída em conflito contra os romanos em 146 a.C. e refundada em 44 a.C. pelo conhecido Imperador Júlio César para reativar a comercialização na conhecida rota do istmo, o que gerou um rápido crescimento econômico. Esse crescimento rápido gerou uma repovoação fundamentalmente mantida por alforiados de Roma, escravos libertos, mas também outros tantos que viram uma oportunidade de reconstruir a vida naquela cidade.
Como carne atrai moscas o dinheiro atrai pessoas, então, por tudo isso, Corinto foi repovoada por pessoas do Oriente e Ocidente. Desse modo, na nova Corinto, tal como a multiplicidade da religião, cresceu novamente a depravação. Isso implica dizer que Corinto dos dias de Paulo era ao mesmo tempo a cidade da oportunidade, do luxo e da libertinagem. Por isso, a Igreja de Corinto reflete como um espelho essa realidade.

Desenho para as crianças: façam o desenho de uma Igreja sustentada pela mão de Deus.

Essa atividade ensina que somente seremos Igreja de Deus quanto a mão dele sustentar nossa vida e nosso trabalho.
PROPOSIÇÃO
Irmãos, nosso texto base ensina que embora sejamos pecadores, Deus nos tornou Sua Igreja por meio do chamado para sermos santos e do derramar da sua graça na pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.
Vamos ao texto: 1Co 1.1-9 - Igreja, graças a Deus
1) Que os chamou para serem santos (1-3)
Na saudação inicial (1Co 1.1–3), Paulo afirma com clareza sua autoridade apostólica, destacando que foi chamado pela vontade de Deus, isto é, por iniciativa soberana de Deus. O termo chamado (klētos) indica essa iniciativa divina e retira dele qualquer mérito ao servir a Deus. O mesmo princípio se aplica à igreja: ela é formada por aqueles que foram chamados por Deus, não por escolha própria.
Diante disso, seu apostolado não deriva da igreja, mas do próprio Cristo, o que legitima sua exortação aos coríntios. O mesmo se dá para o atual ministério pastoral. O Apóstolo tinha autoridade primária. O pastor, secundária, que deriva da doutrina apostólica ou bíblica. Porém, algo a considerar é que o pastor não pertence a Igreja, nem é dela, bem como a Igreja não é do pastor. Tanto é assim que o pastor presbiteriano não recebe salário, mas a côngrua, uma bonificação pelos dois principais serviços prestados na assistência dos membros da Igreja: afadigar-se na oração e no ensino da Palavra: Atos dos Apóstolos 6.4 “Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.”
A CI/IPB se fundamenta nisso para apresentar o Art. 39. Compete ao Ministro do Evangelho: I – pregar a Palavra de Deus; II – administrar os sacramentos; III – impetrar a bênção apostólica; IV – pastorear a igreja, instruindo-a na doutrina, exortando, consolando e advertindo; V – presidir o Conselho da igreja, quando pastor efetivo; VI – integrar concílios, com direito a voz e voto, nos termos da Constituição.
Por isso coloca a função da visitação para os presbíteros no Art. 42. Compete ao presbítero: I – governar a igreja, juntamente com o pastor; II – zelar pela pureza da doutrina e dos sacramentos; III – exercer a disciplina eclesiástica; IV – visitar os membros da igreja, especialmente os enfermos e necessitados; V – cooperar na administração espiritual da igreja; VI – integrar o Conselho da igreja, com direito a voz e voto.
Na sequência do texto, Paulo cita Sóstenes como “nosso irmão”. Preben Vang diz que “ao chamá-lo de irmão, Paulo o identifica como alguém que nasceu do mesmo ventre espiritual.” Quando você chama alguém de irmão é isso que você quer dizer? O Apóstolo considera a importância de Sóstenes diante dos Coríntios, e nós, temos considerado a importância dos seus irmãos na Igreja de Deus?
Agora, quanto aos destinatários, escreve à “igreja de Deus que está em Corinto”, sublinhando que a igreja pertence a Deus e existe em Cristo. Portanto, ela não existe para beneficiar pessoas ou conceder status de protestante, muito menos para obter proeminência política. Embora marcada por divisões e pecados, a igreja é descrita como formada por crentes santificados em Cristo Jesus e chamados para ser santos. Ou seja, o propósito de ser Igreja não envolve benefício pessoal em qualquer grau, seja para obeter um empregou ou conquistar o cônjuge, nem receber credibilidade dos pais ou filhos, mas para santificação, apresentada tanto como um ato gracioso definitivo de Deus quanto como um chamado contínuo à prática da santidade: (João 14.21).
Por isso sempre apresentamos a doutrina da santificação como algo processual, ou seja, que percorrerá toda nossa vida. Isso quer dizer que diante de Deus e dos irmãos você nunca deve ser definido pelo que foi, nem pelo quer se tornar, mas pelo que é. O passado já foi, o futuro ainda virá. O que importa é o hoje. Portanto, em 2026, todos os dias serão dias de decisão pela santificação, de modo que a sua santificação não dependa de líderes humanos, mas de Cristo, porque santidade é a vida que resulta da confissão de que Jesus Cristo é o Senhor.
Ao final da saudação afirma “graça e paz”. Isso resume o conteúdo do evangelho: a graça como o que procede de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, e, depois, a paz que flui somente dela. Essas bênçãos revelam a relação de aliança de Deus com seu povo. A igreja vive da graça e desfruta da paz porque Deus é seu Pai e Cristo é seu Senhor.
2) Que os presenteou com a graça (4-9)
Normalmente, Paulo oferece ação de graças elogiando alguma prática dos crentes, mas aqui, ele não elogia aqueles que já se sentiam proeminentes. Por que elogiar quem já tem o ego inflado? Para fazê-lo subir para ainda mais alto? Precisamos elogiar aqueles que lutam, persistem, sofrem e lutam com humildade e simplicidade.
Paulo inicia a epístola com ação de graças, revelando algo muito típico do coração pastoral: apesar dos graves problemas da igreja de Corinto, ele agradece sempre a Deus pela graça concedida aos coríntios em Cristo. Confesso aos irmãos, que somente nesta mesma convicção tenho sido capaz de me manter no ministério pastoral. Eu não sei quem faz parte do povo eleito de Deus. Somente ele sabe. Porém, eu não posso impedir quem quer que seja de se juntar a nós, porque quem separará o joio do trigo será o SENHOR no dia da ceifa/colheita.
Agora, note e imite Paulo aqui, porque sua gratidão a Deus pela Igreja não se baseia nas virtudes da igreja, mas na iniciativa graciosa de Deus, que os chamou, os enriqueceu no conhecimento e os colocou em comunhão com Cristo até o Dia do Senhor. O Dia final.
Os coríntios foram enriquecidos: em toda palavra, que é a capacidade de confessar e proclamar o evangelho e em todo conhecimento, que é a capacidade de compreender a verdade revelada. Esses dons confirmam o testemunho de Cristo entre eles e ainda hoje entre nós. Assim, aprendemos que dons são expressão da graça, não sinal de maturidade. Por isso, uma criança e um novo convertido pode apresentá-los, e, de igual modo, carecer de muita paciência dos irmãos maduros espiritualmente, porque embora tenham recebido o dom da graça que os dá capacidade para crer, a santificação não é imediata, mas carece de tempo de caminhada.
Voltando ao texto, percebemos que a graça é o tema dominante neste parágrafo. Ela é a dádiva divina, concedida soberanamente por Deus em Cristo, manifestada nos dons dados à igreja. Os coríntios foram enriquecidos “de todas as formas”, especialmente na palavra e no conhecimento, isto é, na capacidade de compreender e confessar o evangelho. Isso os igualou naquela Igreja, dividia por uma série de motivos, dentre eles, pelo fato de terem alguns ricos e outros pobres.
Notemos, agora, irmãos, como esses dons, porém, não existem como fim em si mesmos, mas estão ligados à esperança escatológica: os coríntios vivem enquanto aguardam a revelação de Jesus Cristo. Deus concedeu esses dons para fortalecer a Igreja; os coríntios usavam para autopromoção. Por isso, o teste de qualidade espiritual tanto para as formas de expressão quanto para o conhecimento é o amor.
Portanto, somente a expectativa do retorno do Senhor molda o uso dos dons e sustenta a vida cristã. Isso quer dizer que sua fragilidade comportamental reflete a sua fragilidade no conhecimento da Palavra, por meio da qual, por exemplo, você aprende que Cristo venceu a morte e voltará buscar sua Igreja: Atos dos Apóstolos 1.10–11 “E, estando eles com os olhos fixos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois homens vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: — Homens da Galileia, por que vocês estão olhando para as alturas? Esse Jesus que foi levado do meio de vocês para o céu virá do modo como vocês o viram subir.”
Isso quer dizer, irmãos, que fora do senso da parúsia, da segunda vinda ou chegada de Cristo você não progride na santificação. Se você não crê ou não espera que o mesmo Cristo encarnado que veio como um bebê voltará co autoridade e poder supremos, sua vida não muda. Poderá ser que você creia e seja salvo, mas permaneça patinando na lama do pecado até o fim. Sem progressão, apesar de ter recebido o conhecimento de que depende de Jesus para receber perdão e salvação.
Ao final, o Apóstolo, portador da mensagem de salvação aos gentios, expressa plena confiança na perseverança dos santos: Deus mesmo confirmará os crentes até o fim e os apresentará irrepreensíveis no Dia do Senhor. Essa segurança não repousa na fidelidade humana, mas na fidelidade de Deus, que cumpre suas promessas redentivas. Isso quer dizer, irmãos, que não podemos dar voz ao nosso sentimento e nem mesmo nas nossas escolhas momentâneas, de modo que o que fazemos suprima ou minimize a obra do Deus que nos chamou e derramou graça sobre nós.
Então, como Paulo, também temos o dever de fundamentar toda essa esperança no chamado eficaz de Deus, que conduz os crentes à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Essa comunhão envolve união, participação nos méritos de Cristo, santidade presente e esperança futura.
CONCLUSÃO/APLICAÇÃO
Concluindo, aprendemos pelo tema AMAR COMO JESUS AMA, hoje, 1Co 1.1-9 - Igreja, graças a Deus: 1) que os chamou para serem santos (1-3) e 2) que os presenteou com sua graça (4-9).
A igreja existe pela graça do chamado soberano de Deus, é separada em Cristo e chamada a viver em santidade. Por isso, dizemos: graças a Deus, que nos chamou para sermos santos.
A igreja vive, cresce e persevera porque Deus a presenteou com sua graça, a sustenta até o fim e a conduz à glória. Por isso, dizemos: graças a Deus, que nos presenteou com sua graça.
Assim, esse trecho inicial com saudação e ação de graças estabelece o tom que percorrerá da epístola: uma igreja fraca e problemática é sustentada pela fidelidade de Deus e a graça da comunhão real com Cristo. Irmãos, não há nada de maior valor. Independente do que aconteça, você está firmado nessa fé que concede o conhecimento de que você pertence a Igreja de Deus. Que essa realidade te fortaleça para suportar as aflições e o encoraje para contornar os conflitos. A vida não envolve somente você, mas antes de você, o Senhor Jesus Cristo. Ame-o acima de tudo.
ORAÇÃO FINAL E BÊNÇÃO
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