O ANO NOVO COMEÇA, MAS QUEM ESTÁ NO CONTROLE?
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· 8 viewsSermão de início do ano, chamando a comunidade a submeter suas vidas aos cuidados soberanos do Senhor
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Handout
13 Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”. 14 Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. 15 Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”. 16 Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Todo início de ano carrega consigo uma atmosfera quase litúrgica.
As pessoas fazem promessas, estabelecem metas, traçam planos, escrevem listas e dizem com convicção:
“Este ano vai ser diferente.”
Não é errado planejar. Não é pecado desejar crescimento, mudanças e avanços.
O problema começa quando o futuro é planejado como se Deus fosse apenas um espectador, e não o Senhor soberano da história.
Tiago escreve a cristãos que falavam do amanhã com uma segurança que só deveria pertencer a Deus.
E é exatamente aqui que o texto nos encontra neste início de ano.
CONTEXTO DO TEXTO
CONTEXTO DO TEXTO
Tiago escreve a crentes dispersos pela perseguição, exortando-os a uma fé prática, madura e humilde.
No capítulo 4, ele confronta:
orgulho espiritual;
autossuficiência;
vida cristã vivida sem dependência real de Deus;
E agora, nos versos 13–16, ele toca num ponto sensível: como lidamos com o futuro.
IDEA CENTRAL DO SERMÃO
IDEA CENTRAL DO SERMÃO
Planejar o futuro sem submissão a Deus não é apenas imprudência, é arrogância espiritual.
A ILUSÃO DO CONTROLE HUMANO SOBRE O AMANHÃ (v.13)
A ILUSÃO DO CONTROLE HUMANO SOBRE O AMANHÃ (v.13)
13 Ouçam agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro”.
Já vimos que o problema não está em planejar, o problema é planejar como se Deus não existisse.
O que caracteriza essa atitude eu gosto de chamar de “Ateísmo prático”.
O ateísmo prático é ter suas crenças fundamentadas intelectualmente em Deus, mas na prática viver como se ele não existisse.
“Um homem pode ser um ateísta de coração sem que o seja de cabeça. Ele pode não questionar a existência de Deus, e até mesmo defendê-Lo, enquanto o seu coração se encontra vazio de emoções para com Ele. Isso se chama ateísmo prático, ou seja, ateísmo em prática. O próprio diabo é um ateísta prático, pois ele sabe que existe um Deus, mas age como se não houvesse.” Stephen Charnock
Isso é perceptível no discurso de Tiago.
É possível perceber a arrogância das pessoas a quem Tiago se dirige, pois:
- Tomam decisões importantes sem buscar a Deus;
- Definem o local para onde irão;
- Definem o tempo que passarão neste local;
- Definem o tipo de negócio em que trabalharão;
- Definem inclusive o sucesso do negócio e estimam o quanto lucrarão.
Parece que são guiadas pelo vento das oportunidades e não pelo vento da vontade de Deus.
Tiago não está falando com ateus, mas com crentes que planejavam como se fossem donos do tempo e de suas vidas.
Esse é o espírito de muitas promessas de ano novo:
“Vou fazer”
“Vou conquistar”
“Vou resolver”
“Vou mudar”
“Tudo vai dar certo como planejei”
Há um certo paralelo com o discurso de Jesus sobre o fim dos tempos, quando se refere aos dias de Noé:
26 “Assim como foi nos dias de Noé, também será nos dias do Filho do homem. 27 O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o Dilúvio e os destruiu a todos. 28 “Aconteceu a mesma coisa nos dias de Ló. O povo estava comendo e bebendo, comprando e vendendo, plantando e construindo. 29 Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu e os destruiu a todos.
Apesar de ninguém culpar uma pessoa por comer, beber e casar-se, a questão é que, na vida dos contemporâneos de Noé, não havia lugar para Deus.
Essas pessoas viviam como se Deus não existisse, e o mesmo aplica-se aos negociantes aos quais Tiago se dirige.
Tiago não está condenando os negócios dos comerciantes, apenas usa esses homens como exemplo por causa de sua falta de consideração para com Deus.
Para eles, o dinheiro, o sucesso e a prosperidade são muito mais importantes do que servir ao Senhor e sujeitar-se a Ele.
Calvino comenta:
Tiago, instigou a estupidez dos que desconsideravam a providência de Deus, e reivindicavam para si um ano inteiro, ainda que não tivessem um único momento em seu próprio poder
Transição:
Tiago agora desmonta essa falsa segurança lembrando-nos de quem realmente somos.
A BREVIDADE DA VIDA E A SOBERANIA DE DEUS (v.14)
A BREVIDADE DA VIDA E A SOBERANIA DE DEUS (v.14)
14 Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa.
Aqui Tiago atinge o coração do orgulho humano.
A palavra “neblina” aponta para:
fragilidade;
brevidade;
imprevisibilidade;
O autor de Eclesiastes menciona várias vezes a brevidade da vida e, de modo característico, diz como não faz sentido o homem buscar os bens materiais como significado e satisfação para vida, pois a vida e breve assim como os bens também o são.
Muitas vezes nos esquecemos da nossa brevidade, e agimos como se fôssemos governantes do amanhã.
1 Não se gabe do dia de amanhã, pois você não sabe o que este ou aquele dia poderá trazer.
Tiago compara a vida humana a uma neblina, que rapidamente aparece e desaparece.
O que é uma neblina?
Nada além de vapor que se esvai antes do nascer do sol. Ela é frágil e passageira.
Planejamos o futuro como quem o governa, mas não temos o poder de assegurar um segundo de nossa vida, somos como neblina.
O texto não nos chama ao medo do novo ano, mas à humildade em nos submeter à vontade de Deus.
E a reconhecer nossa fragilidade, incapacidade e extrema necessidade que temos de Deus.
A vida é curta demais para ser vivida como se Deus fosse opcional.
3 Esvaem-se os meus dias como fumaça; meus ossos queimam como brasas vivas.
Todo início de ano deveria nos lembrar não apenas que temos novos planos,
mas que dependemos completamente do Senhor para viver o hoje mesmo na incerteza do amanhã.
Transição:
Depois de confrontar a ilusão de tentar controlar o amanhã, e revelar nossa fragilidade, Tiago nos ensina a postura correta diante dos nossos planos.
UMA FORMA PIEDOSA DE PLANEJAR O FUTURO (v.15)
UMA FORMA PIEDOSA DE PLANEJAR O FUTURO (v.15)
15 Ao invés disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”.
Tiago ensina que Deus é soberano sobre nossa vida.
Em nossos planos, ações e realizações devemos reconhecer nossa submissão a Deus.
Assim, depois de um comentário sobre a brevidade da vida, ele volta ao assunto apresentado no versículo 13.
Ao invés de ignorarmos a Deus em nossas vidas e planos, devemos colocá-lo em primeiro lugar e dizer:
“Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”.
Essa frase não é um jargão religioso.
É uma confissão explícita da soberania absoluta de Deus sobre a vida, o tempo e as ações humanas, e ao mesmo tempo uma renúncia consciente da autonomia humana.
Dizer isso biblicamente é confessar:
que Deus governa o amanhã;
que a própria vida depende da vontade divina;
que nossos planos só têm legitimidade quando submetidos a Ele;
Irmãos, isso não é fatalismo, é fé madura.
Uma fé arraigada na realidade de que fomos comprados pelo precioso sangue de Cristo.
De que não somos mais escravos dos nossos desejos pecaminosos, mas que agora vivemos para a glória de Deus ao fazer sua vontade.
1 Ao homem pertencem os planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua.
O apóstolo Paulo vivia nesta perspectiva:
21 Mas, ao partir, prometeu: “Voltarei, se for da vontade de Deus”. Então, embarcando, partiu de Éfeso.
19 Mas irei muito em breve, se o Senhor permitir; então saberei não apenas o que estão falando esses arrogantes, mas que poder eles têm.
19 Espero no Senhor Jesus enviar-lhes Timóteo brevemente, para que eu também me sinta animado quando receber notícias de vocês.
Calvino trata essa postura como:
“A regra suprema da vida cristã: submeter tudo à vontade de Deus.”
Toda vez que dizemos ‘se Deus quiser’, estamos pregando um pequeno sermão contra o orgulho humano e a favor da soberania graciosa de Deus.
Transição:
Tiago, então, deixa claro que ignorar essa verdade não é neutro espiritualmente.
O PERIGO ESPIRITUAL DE VIVER SEM CONSIDERAR DEUS (v.16)
O PERIGO ESPIRITUAL DE VIVER SEM CONSIDERAR DEUS (v.16)
16 Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.
Tiago chama esse tipo de planejamento de:
orgulho;
arrogância;
malignidade;
J. B. Phillips diz:
“Como não poderia deixar de ser, você sente orgulho dentro de si ao planejar o futuro com tamanha segurança de como tivesse poder de executá-lo. Esse tipo de orgulho nada tem de bom”.
6 Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”.
18 O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda.
Começar um novo ano ignorando a soberania de Deus não é apenas um erro de estratégia, é uma atitude pecaminosa destrutiva.
Tiago e Epístolas de João (2. Bem e Mal (4.16,17))
Um cristão, portanto, pode gloriar-se apenas “de que sua vida é vivida na dependência de Deus e em responsabilidade para com ele”
23 Assim diz o Senhor: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em sua força nem o rico em sua riqueza, 24 mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara o Senhor.
17 Contudo, “quem se gloriar, glorie-se no Senhor”,
CRISTO NO TEXTO
CRISTO NO TEXTO
Jesus é o oposto do orgulho denunciado por Tiago.
Em João 6.38, Ele diz:
38 Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou.
31 Todavia é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço o que meu Pai me ordenou. Levantem-se, vamo-nos daqui!
Cristo viveu cada dia em perfeita submissão ao Pai, e morreu para nos salvar da ilusão de autossuficiência.
Se há alguém que podia controlar o amanhã, era Jesus. Mesmo assim, escolheu dizer: “Pai, seja feita a tua vontade”.
APLICAÇÕES
APLICAÇÕES
Não comece este ano confiando na força da sua disciplina, na clareza dos seus planos ou na firmeza das suas promessas. Comece confiando em Cristo, porque quando tudo o mais falha, Ele permanece fiel.
Talvez você tenha entrado neste novo ano cheio de metas, mas vazio de Deus. Hoje é o dia de trocar expectativas por arrependimento e fé, e descansar na obra perfeita de Jesus.
O Deus que governa o amanhã é o mesmo que entregou o seu Filho na cruz. Se Ele não poupou o próprio Filho para nos salvar, por que continuar vivendo como se nossa vida não precisasse Dele?
Que neste ano não digamos apenas ‘se o Senhor quiser’ com os lábios, mas com o coração rendido a Cristo, o único que garante vida, perdão e esperança além do amanhã.
APELO FINAL (PASTORAL, EVANGELÍSTICO E DOUTRINÁRIO)
APELO FINAL (PASTORAL, EVANGELÍSTICO E DOUTRINÁRIO)
Irmãos, o novo ano não nos pertence. Mas pertencemos Àquele que governa o tempo.
Não sabemos o que este ano trará, mas sabemos quem o sustenta.
Portanto:
não firme sua esperança em promessas humanas;
não ancore sua segurança em planos frágeis;
firme sua vida no Deus eterno;
“Se o Senhor quiser…”
Que essa não seja apenas uma frase, mas a confissão do nosso coração neste novo ano.
S.D.G
