A Igreja Verdadeira

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INTRODUÇÃO
Minhas irmãs e meus irmãos, eu estou extremamente empolgado para trabalhar com vocês esse ano. Quando eu recebi a notícia da minha possível vinda para cá, fiquei temeroso e ansioso, todavia uma alegria imensa encheu meu coração e comecei a pensar e planejar como trabalharíamos.
Porém, ainda que eu planeje, possa me esforçar o máximo e dar tudo de mim aqui, a Igreja Presbiteriana de Pirajui precisa entender que essa obra não depende de mim. A Igreja não depende do pastor ou seminarista que está à frente.
Vejam que essa igreja iniciou bem antes de mim, cresceu muito antes de mim e tem recebido da graça de Deus sem mim.
Não quero que vocês pensem que estou tirando a minha responsabildade de dirigir a igreja, porque eu tenho que me doar aqui e dedicar minha vida. Porém a Igreja não depende de mim. A Igreja só depende de uma pessoa: Deus.
Muitos passaram antes de mim e fizeram um trabalho maravilhoso. Talvez vocês tenham suas preferências, isso é normal. O meu jeito de trabalho pode ser muito diferente dos demais e vocês podem muito bem preferir os anteriores à mim, isso ninguém controla.
Mas nós precisamos ter em mente que, apesar de nossas preferências, quem governa e guia a Igreja é Deus! Então, se eu estou aqui em 2026, é pela Santa vontade de Deus e o que precisaremos é continuar na dependência dEle.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
É exatamente isso que o apóstolo Paulo está tratando e ensinando à Igreja de Corinto.
Vamos nos ater à realidade para qual o apóstolo está escrevendo esta carta. Corinto era uma cidade muito importante da sua época. Alexandre, o Grande, conhecido na história como um grande conquistador e que fez o Império Macedônio se consolidar, cerca de quatro séculos antes de Cristo, tornou Corinto um importante centro comercial e turístico - até por ser uma cidade próxima à dois grandes portos, Lacaeum (golfo de Corinto) e Cencreia (golfo de Sarônica). Quando o Império Romano toma o Império Macedônio, a cidade de Corinto se torna uma conhecida colônia romana, prosperando, crescendo e atraindo povos de várias partes do mundo - a cidade desfrutava de reconhecimento internacional.
Todavia, com todo esse crescimento e recebendo tantos turistas, Corinto se tornou um centro de imoralidade. E isso era de conhecimento mundial, pois autores gregos e romanos que antecederam o cristianismo, já escreviam sobre Corinto como “cidade da fornicação e da prostituição”. Existia um termo grego chamado “corinthiazesthai”, que significava “viver uma vida coríntia”, descrevendo uma vida imoral e com a sexualidade aflorada.
Sendo um centro comercial e recebendo pessoas de muitas nações, Corinto permitia diversos cultos de diferentes religiões. Existiam vários templos para deuses gregos, mas o que se destacava era o templo de Afrodite, deusa grega do amor - dentro desse templo, historiadores registravam cerca de mil prostitutas que ficavam para a prática de festas sexuais, demonstrando a realidade da imoralidade de Corinto.
Então, na época do apóstolo Paulo, Corinto se torna a capital da Província da Acaia, dentro do Império Romano, mantendo sua relevância internacional, sua importância comercial e sua imoralidade sexual.
É nesse contexto de mistura cultural e religiosa, que Paulo decide pregar. O apóstolo visita, ao menos três vezes, a cidade, plantando a Igreja e se devotando muito à ela, tanto que há registros histórico de pelo menos menos quatro cartas à Igreja de Corinto, porém temos apenas duas como Palavra de Deus.
As cartas de Paulo chegando à Corinto demonstravam a expansão do evangelho, pela importância internacional da cidade e levando o cristianismo às cidades vizinhas, às comunidades rurais mais afastadas e à outras nações pelos comerciantes que se convertiam.
Apesar de tratar de situações específicas, como o caso do filho que estava mantendo relacionamento com a madrasta (esposa do pai) ou dos cristãos que, ao invés de resolverem seus conflitos internamente, estavam indo diante do juiz gentio, esta carta trata de problemas gerais que todo cristão enfrenta, tratando das formas como o cristão deveria lidar com suas dificuldades diárias, em diversas áreas. Então, esta primeira carta, se torna um padrão, não só para a Igreja de Corinto na qual foi destinada, mas às demais Igrejas que recebiam essa mensagem.
E Paulo, nessa perícope/bloco de texto, do capítulo 3, começa a tratar severamente a Igreja, pois estavam sendo incapazes de crescer espiritualmente, devido à incapacidade de exercer liderança na comunidade.
Paulo possui uma sabedoria que não é revelada pelo mundo, mas pelo próprio Deus e somente os espirituais ou experimentados poderiam receber (2.6). Todavia, a Igreja de Corinto se demonstrava como carnal. Ao invés de serem maduros espiritualmente, se mantinham como “crianças em Cristo”.
Aqueles irmãos, estavam vivendo de forma carnal e isso impedia que amadurecessem e recebessem essa sabedoria divina ensinada por Paulo.
Mesmo fazendo parte da Igreja e, principalmente, da liderança eclesiástica, eles não haviam entendido sobre a realidade do que é ser uma Igreja verdadeira. Estavam se comportando como crianças - enciumadas, birrentas, briguentas, etc.
Então, apóstolo precisa fazer com que aqueles crentes recalculassem sua rota para se tornarem uma Igreja verdadeira. Apesar de serem carnais e crianças, eles eram crentes em Cristo e Paulo quer que eles sejam promovidos a cristãos espirituais (maduros, experimentados e perfeitos).
Os cristãos de Corinto são pessoas espirituais que estão lutando com um problema de comportamento - assim como nós. Diariamente, lutamos contra nossos pecados e precisamos ser lembrados das riquezas espirituais abundantes que recebemos por Cristo, a fim de nos tornarmos uma Igreja verdadeira.
3. DESENVOLVIMENTO
Com base no texto lido, quero trazer a seguinte afirmação teológica: AS AFIRMAÇÕES EVIDENTES DE UMA IGREJA VERDADEIRA.
I) DEUS INSTITUI (vv. 5)
Paulo está afirmando incisivamente que a Igreja foi instituída por Deus.
Ora, não foi um humano que criou a Igreja. Não foi um homem carnal que instituiu a Igreja, mas o próprio Senhor.
Os homens são meramente servos que Deus fez a fim de que a Igreja continue, mas a peça principal da Igreja sempre será Ele.
Cristo, como o cabeça da Igreja, envia ministros, lideranças e crentes para conduzir o trabalho, porém nenhum desses possui a primazia ou é o mais importante.
Há uma pergunta (“Quem é Apolo? E quem é Paulo?”), uma resposta (“Servos por meio de quem crestes”) e uma tarefa (“e isto conforme o Senhor concedeu a cada um”).
Paulo demonstra que ele e Apolo são diferentes no ministério e não há problema nenhum nisso, o problema está em colocarem a preferência em agum deles. Paulo se opõe às divisões por conta de preferência, para que a Igreja deixasse o ciúme e vivesse o amor, como uma Igreja verdadeira.
A fé em Cristo não permite que nenhum homem se glorie das obras, pois o mais importante para os cristãos não são as resultados para si, mas o que fazem para Cristo.
Porque a verdade é que Deus instituiu a Igreja e os líderes que conduzirão, mas estes precisam ter em mente que não conduzem a Igreja por seus próprios méritos e nem para própria glória.
A Igreja sempre aponta para a glória de Deus e nós não podemos pensar que temos discípulos, mas formamos discípulos de Cristo.
Eu, por mim mesmo, não consigo sustentar a Igreja, assim como aqueles que passaram antes de mim. Nenhum homem tem o poder de sustentar ou instituir a Igreja, mas ela é instituída e mantida pelo próprio Deus.
Talves vocês estejam pensando: “anualmente existem mudanças na nossa igreja”; “anualmente precisamos de um pastor de outra Igreja para dirigir”; até pensam “anualmente vem seminarista ou evangelista diferente e nada muda”.
Eu convido vocês a olharem, pela fé em Cristo, que Deus foi aquele que instituiu e tem mantido essa obra. E essa obra não é pra glória de homens, mas pra que Ele seja exaltado.
O propósito de Deus é instituir e manter a Sua Igreja, independente do homem.
Um erro evidente que acontece nos nossos dias em muitas igrejas é colocar o pastor no centro da Igreja. O homem não é o centro, mas Deus é. Muitos colocam a esperança num pastor ou num líder, sendo que na verdade, estes homens foram colocados ali pelo próprio Deus.
Então, entendam que Deus me colocou aqui e também te colocou aqui. Ele quem instituiu essa Igreja e Ele quem conduzirá. Entendam que Ele precisa ser sempre o centro da Igreja, porque sem Ele, não existe Igreja.
E quando entendemos isso, também entendemos que não foi um homem carnal que deu Sua vida pela Igreja. Foi Jesus. O único. 100% homem e 100% Deus, que viveu uma vida sem pecados, morreu a nossa morte e ressucitou, para que a Igreja fosse firmada tão somente nEle.
O Davi não consegue dar a vida pela Igreja, nem mesmo sustentar. Mas Jesus, através da Sua morte substitutiva, Ele salva os seus e institui a Sua Igreja.
Por isso, a primeira afirmação evidente de uma Igreja verdadeira é que Deus institui.
II) DEUS FAZ CRESCER (vs. 6-7)
Paulo está afirmando incisivamente que a Igreja tem crescimento por Deus.
Ora, não é nenhum ser humano que faz a Igreja crescer. Não é um homem carnal que dá crescimento à Igreja, mas o próprio Senhor.
Os homens não são “alguma coisa”, mas a peça principal da Igreja é Ele e Ele mesmo dá o crescimento.
Paulo, nesses dois versículos, utiliza ilustrações agrícolas.
Quem aqui já plantou algo? O que é muito importante para que haja o crescimento de uma planta ou de uma árvore? Primeiro o semear e depois o regar. Essas duas ações são as mais importantes num processo de plantio, porém, mesmo sendo as mais importantes, Paulo demonstra que o ser humano é incapaz de, por si mesmo, fazer a Igreja crescer (crescimento verdadeiro).
O homem depende inteiramente de Deus para a colheita, isto é, para que a Igreja cresça, dependemos inteiramente de Deus.
A pregação do evangelho, nesse texto de Paulo, é colocado como indispensável para o processo de plantio, porém, ainda assim, somente através da Graça de Deus a Igreja terá crescimento.
Meus irmãos, por mais que eu tenha feito planos para a Igreja de Pirajui, o crescimento virá através de Deus.
Os ministros são agricultores que plantam e regam - isso é nossa obrigação - mas o crescimento é do Senhor. A fertilidade da obra de Deus é dada pela Graça divina.
Precisamos exercer com amor aquilo que Deus colocou em nossa mão, sabendo que Ele dará o crescimento, em Seu tempo.
Não há distinção em quem planta ou rega, todos temos funções importantes na obra de Deus e precisamos exercê-las para que Deus dê o crescimento e possamos usufruir desse crescimento, glorificando a Ele.
A Igreja de Pirajui precisa estar firmada nessa afirmação de que é Deus quem dará o crescimento e devemos confiar nEle.
Nesse momento, entendemos que não somos absolutamente nada e que Deus é o Senhor, o mantenedor e o que dá crescimento à Igreja.
E quando entendemos isso, também entendemos que não foi um homem carnal que deu Sua vida pela Igreja. Foi Jesus. O único. 100% homem e 100% Deus, que viveu uma vida sem pecados, morreu a nossa morte e ressucitou, para que a Igreja crescesse nEle. O crescimento da Igreja será em Cristo.
O Davi não consegue dar a vida pela Igreja, nem mesmo fazê-la crescer. Mas Jesus, através da Sua morte substitutiva, Ele salva os seus e faz a Sua Igreja crescer.
Por isso, a segunda afirmação evidente de uma Igreja verdadeira é que Deus faz crescer.
III) DEUS RECOMPENSA (vs. 8-9)
Paulo está afirmando incisivamente que a Igreja tem recompensa e galardão por Deus.
Ainda que Deus tenha instituído e tenha dado o crescimento, através da Sua Graça, Ele atribui galardão aos servos que ouviram Sua voz e trabalharam na lavoura Santa.
Os homens recebem galardão da obra, que é de Deus. Mesmo não merecendo, nos tornamos cooperadores na lavoura de Deus, que Ele mesmo institui e dá o crescimento e recebemos um galardão.
Paulo, novamente, utiliza ilustrações agrícolas, demonstrando que os cristãos trabalham na Igreja para Deus e não para si mesmos. E ao trabalhar para o Senhor da lavoura, Ele é capaz de recompensar pelo trabalho.
O intuito dos cooperadores de Deus nunca deve ser a própria glória ou os aplausos da multidão, mas agradar ao Senhor. É para o Senhor que consagramos o que fazemos aqui.
Então, quando estamos trabalhando para que a Igreja de Pirajui cresça, nada mais fazemos que cooperamos com Deus, na obra que Ele mantém e sustenta e que Ele dará galardão.
Assim como em um plantio, nós não temos o controle no crescimento de uma planta, mas nós regamos e plantamos crendo que Deus dará o galardão.
O fato de não termos controle no plantio, não deve nos fazer parar de planta e regar.
Não sabemos se a Igreja de Pirajui deixará de ser congregação, se emancipará e tornará uma Igreja forte comigo à frente dos trabalhos, mas nós precisamos trabalhar buscando esse resultado.
O apóstolo nos incita para o esforço laboral ou, como lemos, “segundo o seu próprio trabalho” (3.8). Nós precisamos nos esforçar e trabalhar de forma árdua na obra de Deus.
E esse trabalho árduo independe de salário, pois é pago com a benevolência e a Graça de Deus.
Nesta noite, recebemos a exortação de Paulo, para que trabalhemos com esforço e entendemos que precisamos trabalhar na obra de Deus.
E quando entendemos isso, recebemos força do próprio Cristo para o trabalho. Jesus, 100% homem e 100% Deus, que viveu uma vida sem pecados, morreu a nossa morte e ressucitou, para que pudéssemos trabalhar na Igreja e ainda receber um galardão que não merecíamos.
O Davi não consegue dar a vida pela Igreja, nem mesmo consigo trabalhar sozinho e dar galardão a vocês. Mas Jesus, através da Sua morte substitutiva, Ele salva os seus, nos dá força para trabalhar e ainda nos dá galardão.
Por isso, a terceira afirmação evidente de uma Igreja verdadeira é que Deus recompensa.
4. CONCLUSÃO
Meus irmãos, quero partir para a conclusão, voltando ao início do sermão, quando falei para vocês que a Igreja Presbiteriana de Pirajui não deve depender de mim ou dos que passaram antes de mim. Eu e os que me antecederam, somos homens falhos e fracos, redimidos por Cristo e chamados para pregar o evangelho com amor, mas nós, por nós mesmo, nunca conseguimos sustentar a Igreja.
A nossa Igreja precisa depender de Deus, que é quem sustenta.
Somos chamados ao trabalho árduo da lavoura de Deus, aqui na Igreja de Pirajui, entendendo que a Igreja depende somente de Deus e que somos meros cooperadores da obra que é sustentada e mantida integralmente pelo Senhor.
AS AFIRMAÇÕES EVIDENTES DE UMA IGREJA VERDADEIRA são que (I) Deus institui, (II) Deus faz crescer e (III) Deus recompensa.
Que Deus nos abençoe. Amém!
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