Um Coração Cheio de Deus para Iniciar uma Nova Jornada
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Transcript
então, lhes direis que as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da Aliança do Senhor; em passando ela, foram as águas do Jordão cortadas. Estas pedras serão, para sempre, por memorial aos filhos de Israel.
Liturgia do culto:
Josué 3.15
1. Deus muitas vezes permite que a situação se agrave para magnificar a sua ação soberana.
2. Deus cuida do seu povo quando o cenário se torna humanamente impossível; Ele não faz o que podemos fazer sozinhos, mas intervém naquilo que somente Ele pode realizar.
3. Deus é o Senhor do tempo, da natureza e da história, e tudo responde ao seu comando.
Um Coração Cheio de Deus para Iniciar uma Nova Jornada
Texto-base: Josué 4.1–7; 20-24
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Pergunta Homilética
O que é um coração cheio de Deus?
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Resposta Homilética
Um coração cheio de Deus é um coração que reconhece a ação do Senhor no passado, guarda a fidelidade de Deus como memória espiritual, transmite essa fé às próximas gerações e inicia uma nova jornada confessando publicamente que tudo vem do Senhor.
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Introdução
Estamos diante de um momento profundamente simbólico. Um ano se encerra, outro começa. A virada do calendário nos convida a olhar para trás e também a olhar para frente. Mas a Palavra de Deus nos ensina que esse olhar não pode ser superficial, nem apenas emocional, nem reduzido a números, conquistas ou perdas.
Em Josué 4, encontramos o povo de Deus após atravessar o Jordão — um marco decisivo na história da redenção. O povo já está do outro lado. O milagre já aconteceu. Mas, antes de avançarem, Deus ordena algo inesperado: parem, olhem para trás e construam um memorial.
Isso nos ensina que um coração cheio de Deus não vive apenas de expectativas futuras, mas é formado por uma memória espiritual bem construída.
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1. Um coração cheio de Deus olha para trás com humildade e reconhece que chegou até aqui pela mão do Senhor (vv. 1–3)
1. Um coração cheio de Deus olha para trás com humildade e reconhece que chegou até aqui pela mão do Senhor (vv. 1–3)
1 Tendo, pois, todo o povo passado o Jordão, falou o SENHOR a Josué, dizendo: 2 Tomai do povo doze homens, um de cada tribo,
3 e ordenai-lhes, dizendo: Daqui do meio do Jordão, do lugar onde, parados, pousaram os sacerdotes os pés, tomai doze pedras; e levai-as convosco e depositai-as no alojamento em que haveis de passar esta noite.
Pense em alguém que chega ao fim de um ano exausto, mas de pé.
Não foi o melhor ano, nem o mais fácil. Houve perdas, pressões e momentos em que parecia não haver saída. Ainda assim, essa pessoa chegou até aqui……..
Um coração cheio de Deus não diz: “eu consegui”.
Ele diz: “eu fui sustentado”.
Olhar para trás com humildade é reconhecer que ainda estamos aqui não porque fomos fortes, mas porque Deus foi fiel……..
O texto começa depois da travessia……….. O Jordão ficou para trás……
O impossível já foi vencido. Ainda assim, Deus não permite que o povo siga adiante como se aquilo fosse algo comum……. Ele manda parar.
Doze homens são escolhidos. Doze pedras são retiradas do leito do rio. Cada pedra representa uma tribo, uma história, uma vida sustentada pela graça de Deus.
Nada ali poderia ser atribuído à força humana, à capacidade do povo ou à estratégia de liderança…..
O Jordão estava em tempo de cheia — humanamente, o pior momento para atravessar. Isso deixa claro que não foi improviso nem ousadia humana, mas obediência, fé e dependência total do Senhor. O caminho só existiu porque Deus abriu. A travessia só aconteceu porque o Senhor foi à frente.
Como diria o apóstolo Paulo:
1 Coríntios 15.10
“Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã…”
Paulo olha para sua história — marcada por pecado, perseguição e transformação — e reconhece que tudo o que ele é e viveu existe apenas porque a graça de Deus o sustentou.
Aplicação
Um coração cheio de Deus começa confessando com humildade: se estamos aqui hoje, foi o Senhor quem nos trouxe.
Sobrevivemos a lutas, atravessamos dias difíceis, fomos sustentados quando as forças faltaram. Chegamos até aqui não por mérito, mas por misericórdia.
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2- Um coração cheio de Deus transforma a jornada vivida em memória espiritual (vv. 4–6)
2- Um coração cheio de Deus transforma a jornada vivida em memória espiritual (vv. 4–6)
"4 Chamou, pois, Josué os doze homens que escolhera dos filhos de Israel,
5 um de cada tribo, e disse-lhes: Passai adiante da arca do SENHOR, vosso Deus, ao meio do Jordão; e cada um levante sobre o ombro uma pedra, segundo o número das tribos dos filhos de Israel,
6 para que isto seja por sinal entre vós; e, quando vossos filhos, no futuro, perguntarem, dizendo: Que vos significam estas pedras?”
Há pessoas que passam por um ano difícil e desejam apenas esquecer tudo….
Outras, pela graça de Deus, aprendem a lembrar com fé. Elas não romantizam a dor, mas reconhecem que Deus esteve presente em cada etapa da caminhada.
A lembrança, quando iluminada pela fé, não gera peso — gera propósito.
Um coração cheio de Deus não apaga o passado; ele o ressignifica à luz da fidelidade do Senhor, transformando a jornada vivida em testemunho espiritual.
As pedras não eram decorativas. Elas tinham propósito. Cada uma carregava a marca do Jordão atravessado.
O memorial transformava acontecimentos em testemunho e impedia que o agir de Deus fosse tratado como algo comum ou esquecido com o tempo.
Aqui há uma verdade profunda, inclusive do ponto de vista humano: aquilo que não é lembrado corretamente acaba sendo esquecido ou reinterpretado de forma distorcida.
Nossa mente tende a fixar a dor sem propósito ou a vitória sem gratidão. Por isso Deus ensina o seu povo a lembrar de maneira intencional.
Mas a Escritura também nos alerta: memoriais não podem se tornar ídolos…
Eles existem para fortalecer a fé no presente, não para nos aprisionar ao passado. A memória que glorifica o passado, mas não gera confiança hoje, perdeu sua função espiritual.
As pedras falavam. Elas contavam uma história silenciosa, porém profundamente poderosa. Sempre que o povo as visse, sua mente seria reconduzida à verdade: Deus foi fiel. A memória espiritual reorientava o coração e renovava a fé.
Ali estavam representadas vitórias e livramentos, mas também tensões e medos — fé misturada com lágrimas, esperança forjada na dependência. O memorial ensinava o povo a não negar a dor, mas a enxergá-la à luz da presença de Deus……
Um coração cheio de Deus não fecha um ciclo apenas como quem encerra um calendário, mas como quem organiza a memória à luz da graça. Ele transforma tudo o que foi vivido — dias bons e dias difíceis — em memória espiritual, reconhecendo que Deus esteve presente em todo o caminho e continua governando o presente.
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3. Um coração cheio de Deus ensina as próximas gerações a reconhecerem Deus na história (v. 6)
3. Um coração cheio de Deus ensina as próximas gerações a reconhecerem Deus na história (v. 6)
6 "para que isto seja por sinal entre vós; e, quando vossos filhos, no futuro, perguntarem, dizendo: Que vos significam estas pedras?, 7 então, lhes direis que as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da Aliança do SENHOR; em passando ela, foram as águas do Jordão cortadas. Estas pedras serão, para sempre, por memorial aos filhos de Israel."
O memorial não existe apenas para quem viveu o milagre, mas para aqueles que ainda virão. Deus é explícito: “quando vossos filhos perguntarem…”. A fé bíblica sempre foi pensada para atravessar gerações.
A fé que não é ensinada se perde. A gratidão que não é transmitida se apaga. O que hoje é memória, amanhã se transforma em testemunho — ou em esquecimento.
As pedras provocam perguntas. E as perguntas abrem a porta para o discipulado.
O texto mostra que os pais explicavam o milagre continuamente. …..
As crianças aprendiam a confiar, inclusive naquilo que não podiam ver, como o memorial no meio do rio……
O ensino repetido moldava a obediência futura.
O apóstolo Paulo confirma esse princípio ao dizer:
2 Timóteo 1.5
“Lembro-me da tua fé sem fingimento, a mesma que habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice…”
A fé verdadeira não nasce do acaso. Ela é contada, vivida e ensinada no contexto do lar e da comunidade da fé.
Hoje, muitos filhos crescem ouvindo sobre metas, conquistas e sucesso, mas pouco sobre a fidelidade de Deus nos dias difíceis. Quando a fé não é narrada, ela se torna invisível. Quando não é explicada, não é assimilada.
Um coração cheio de Deus transforma a própria história em sala de aula espiritual.
Aplicação
Ao final de um ciclo, não ensinamos nossos filhos apenas que sobrevivemos, mas que Deus esteve presente em cada etapa da caminhada — inclusive quando não entendíamos o caminho…….
Um coração cheio de Deus entende que o culto de gratidão não é apenas pessoal, mas formativo…… Ele ensina às próximas gerações que a fidelidade do Senhor não depende das circunstâncias, mas da sua graça imutável.
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4. Um coração cheio de Deus confessa publicamente a fidelidade do Senhor ao encerrar um ciclo (v. 7)
4. Um coração cheio de Deus confessa publicamente a fidelidade do Senhor ao encerrar um ciclo (v. 7)
Vivemos em um tempo em que muitos preferem silenciar a fé para evitar exposição. Mas quando a gratidão não é expressa, ela perde força.
A confissão pública não exalta o homem — glorifica a Deus. E aumenta a sua Fé, a melhor forma de aprender é ensinar…..
Josué é claro. O memorial tem uma explicação objetiva:
“as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da aliança do Senhor”.
A gratidão culmina em confissão pública. O povo declara sem ambiguidade: foi o Senhor. Não foi sorte. Não foi acaso. Não fomos nós.
A fé que não confessa se enfraquece. A gratidão que não é expressa se esvazia.
Romanos 10.10
“Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação.”
A fé bíblica nunca é apenas interna. Aquilo que o coração crê, a boca proclama. A confissão pública é o transbordar natural de um coração cheio de Deus.
Assim como Israel declarou claramente que foi o Senhor quem abriu o Jordão, o povo de Deus hoje é chamado a confessar publicamente a fidelidade do Senhor.
Encerrar um ano sem reconhecer publicamente a fidelidade de Deus é perder o sentido espiritual do tempo vivido. Um coração cheio de Deus transforma o culto da virada em um altar de confissão: Deus foi fiel.
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Conclusão Pastoral
Um ciclo termina, mas Deus permanece o mesmo.
O Jordão ficou para trás.
As pedras permaneceram como memorial.
E o povo seguiu adiante com fé.
Assim, ao fecharmos este ano como igreja, fazemos uma confissão sincera diante do Senhor:
“Não foi um ano perfeito, mas foi um ano sustentado pela mão de Deus.”
Iniciamos a nova jornada não confiantes em circunstâncias, nem apoiados em promessas humanas, mas firmados no Deus que nos trouxe até aqui e que continuará conosco.
Que este culto marque o início de um novo tempo.
Um tempo vivido com um coração cheio de Deus.
Amém.
Amém.
