Se aproximando e permanecendo

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Introdução

O que você responderia se eu te perguntasse como você foi salvo? Talvez falaria algo sobre o “Plano de Salvação” ou porque Deus quis assim, mas, você realmente compreende o porquê da sua salvação e qual sua participação nisso tudo? Essas são perguntas que geralmente não fazemos, ou porque pensamos ser óbvia a resposta (e para quem pensa assim eu pergunto: óbvio para quem?) ou porque simplesmente somos gratos por sermos salvos e nada mais importa além disso. Mas pensar em como se dá a salvação e como nos aproximamos de Cristo molda diretamente a forma como viveremos o evangelho na prática.
Por isso, o objetivo hoje com esse sermão é nos aprofundarmos em: 1. Como se dá a salvação (ou como nos aproximamos de Cristo)
2. Como perseveramos até o fim Para isso, usarei como base Hebreus 4:16:
16 Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.

DESENVOLVIMENTO 1: COMO SE APROXIMAR DE CRISTO

“É com os nossos pecados”, declarou o escritor e pastor escocês do século XIX, Horatius Bonar, “que nos aproximamos de Deus, pois não temos mais nada a oferecer que possamos chamar de nosso. Esta é uma das lições mais difíceis de aprendermos; contudo, sem aprendê-la, não podemos dar um passo adequado naquilo que chamamos de vida religiosa.”
Como disse anteriormente, entender como se dá a salvação ou aproximação a Cristo impactará diretamente a forma como viveremos nossa vida cristã.
Basicamente há duas formas de entender: 1. Evangelho de Obras 2. Evangelho da fé
É comum e esperado que após o seu encontro com Jesus, sua vida seja transformada e seus comportamentos moldados a semelhança d’Ele, e tudo com o diz a frase:
⁠Tudo o que você vê de bom em mim é Cristo. Tudo de mal, sou eu mesmo. - João Calvino
Mas nem sempre foi assim, afinal, o que fez Deus te salvar ou te “escolher”? Será que foram suas habilidades? Sua simpatia ou algo do tipo? Estávamos mortos em nossos delitos e pecados: Efésios 2: 2 1 Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. 4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos, 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; 9 não de obras, para que ninguém se glorie. 10 Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.
Para quebrar o entendimento de evangelho pelas obras, precisamos entender que nós não temos mérito nenhum na obra da Salvação, afinal, estávamos mortos e morto não pode responder. Foi Ele que nos amou primeiro e não o contrário e saber disso é libertador, porque aquele que nos chamou é quem nos sustentará até o final. Filipenses 1:6:
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:6 — NAA)
Portanto, o que nos aproxima de Cristo e nos salva? O seu sangue e seu sangue somente: “Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo.” (Efésios 2:13 — NAA)
Não nos preocupemos com nossos medos, nem desanimemos ao ver nossa fragilidade, mas nos esforcemos para fortalecer nossa humildade e estarmos claramente convencidos de quão pouco podemos fazer por nós mesmos, pois sem a graça de Deus não somos nada. Confiemos em sua misericórdia e desconfiemos de nossa própria força em todos os sentidos, porque confiar nela é a raiz de todas as nossas fraquezas.
Santa Teresa de Ávila
Até agora conseguimos compreender o “COMO” da salvação e como nós não temos mérito nenhum nisso, somente Cristo e seu sangue. Agora, quero ilustrar na prática o que muda na vida Cristã se você entende isso.

DESENVOLVIMENTO 2: O QUE MUDA QUANDO ENTENDEMOS A GRAÇA

Tópico 1 — Muda o lugar de onde nos aproximamos de Deus

Não mais da culpa → mas da filiação O nosso entendimento sobre o PERDÃO é transformado. Até o nosso perdão sem Deus é permeado de amargura. Ilustração do Casal Aconselhado.
Não mais do medo → mas da ousadia (parrēsía): Onde aparece “ousadia” em Hebreus 4:16
A palavra grega usada é παρρησία (parrēsía), que significa:
ousadia, liberdade, franqueza, intrepidez, confiança aberta.
Algumas traduções refletem isso melhor:

Almeida Corrigida Fiel (ACF)

“Cheguemo-nos, pois, com ousadia ao trono da graça, para que alcancemos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”
Efésios 3:12
“em quem temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.”
Hebreus 10:19
“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus…”
Não mais do desempenho → mas do sangue

Tópico 2 — Muda o motivo da obediência

Obedecer para ser aceito × obedecer porque foi aceito
Obras como causa × obras como fruto
Fé e obediência fazem parte do mesmo pacote. Aquele que obedece a Deus, confia nEle; aquele que confia em Deus, obedece a Deus. Aquele que está sem fé está sem obras; e aquele que está sem obras está sem fé. Não oponham fé e boas obras uma à outra, pois existe um relacionamento abençoado entre elas; e se você abundar em obediência, sua fé crescerá excessivamente.
Charles Spurgeon
Santificação como resposta, não como moeda
A santificação é uma qualificação indispensavelmente necessária para aqueles que estarão sob a orientação do Senhor Cristo para a salvação; ele não levará ninguém ao céu, mas apenas aquele a quem ele santifica na terra. O Deus santo não receberá pessoas ímpias; esta cabeça viva não admitirá membros mortos, nem trará os homens à posse de uma glória da qual eles não amam nem gostam.
John Owen (teólogo puritano e estadista)
Quando Deus declara alguém justo, inevitavelmente ele trará também a santificação. “E aos que justificou, a estes também glorificou” (Rm 8.30). Quando a justificação ocorre, o processo de santificação começa. A graça sempre abrange ambas.
John F. MacArthur

Tópico 3 — Muda a forma como lidamos com o pecado

Pecado não gera fuga de Deus, gera aproximação arrependida
O arrependimento é a mão liberando aqueles objetos imundos aos quais ela havia se agarrado com tanta tenacidade; fé é estender a mão vazia a Deus para receber Seu dom da graça.
Arthur Walkington Pink
Mais graça para os outros do que para nós mesmos.
Confissão em vez de autopunição
Dependência diária, não perfeccionismo espiritual

Tópico 4 — Muda nossa relação com a fraqueza

Fraqueza deixa de ser surpresa
O fraco sem o Espírito e o fraco com o Espírito (é diferente)
Fraqueza passa a ser o lugar onde a graça opera
(Conectar com “graça para socorro em ocasião oportuna”) acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.
A ocasião oportuna é justamente na fraqueza.

DESENVOLVIMENTO 3: COMO PERSEVERAMOS ATÉ O FIM

Agora, é uma triste realidade que nem todos que se aproximam de Jesus, irão se manter até o fim: Exemplos bíblicos de apostasia

1. Judas Iscariotes

Caminhou com Jesus
Viu milagres
Ouviu os ensinos
Participou do ministério 📖 João 6:70–71; Mateus 26:24

2. Demas

Cooperador de Paulo
Abandonou a fé por amor ao mundo 📖 2 Timóteo 4:10

3. Os discípulos que retrocederam

Seguiam Jesus enquanto o discurso agradava
Se afastaram quando a palavra confrontou 📖 João 6:66

4. Simão, o mágico

“Creu” externamente
Coração não regenerado 📖 Atos 8:9–24

5. Reis de Israel (ex.: Saul)

Começou bem
Terminou afastado do Senhor 📖 1 Samuel 15:22–23

6. Os falsos mestres

Estiveram no meio da igreja
Saíram porque nunca foram de fato 📖 1 João 2:19

Palavras de Jesus sobre engano e falsos convertidos

⚠️ Muitos se enganarão

📖 Mateus 7:21–23
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus…”
📖 Mateus 24:4–5
“Vede que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome…”
📖 Mateus 24:11
“Levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.”
📖 Mateus 24:24
“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas… de tal modo que, se possível fora, enganariam até os eleitos.” Muitos são chamados mas poucos escolhidos
Jesus sempre tem muitos que amam Seu reino celestial, mas poucos que carregam Sua cruz.
Thomas à Kempis (escritor ascético)

Tópico 5 — Perseverança não é autossustento

Quem começou a obra → quem sustenta
Perseverança dos santos como promessa, não como ameaça
Segurança que gera vigilância, não relaxamento
Somente o Espírito pode mortificar o pecado; ele tem a promessa de fazê-lo, e todos os outros meios sem ele são vazios e vãos. Como ele, então, mortificará o pecado se não tiver o Espírito? Um homem pode mais facilmente ver sem olhos, falar sem língua, do que verdadeiramente mortificar um pecado sem o Espírito.
John Owen (teólogo puritano e estadista)
(Filipenses 1:6 como eixo)

Tópico 6 — Perseverar é continuar se aproximando

É aqui que finalmente entra nossa participação, não na salvação, mas no prosseguir do conhecimento de Deus.
O mesmo caminho da conversão é o da caminhada cristã
O que nos salvou no início é o que nos sustenta no fim
Sangue no começo, sangue no meio, sangue no fim

Tópico 7 — O trono não muda conforme o seu dia

Não é trono de humor
Não é trono de performance
É trono de graça — sempre

CONCLUSÃO

A vida cristã, do começo ao fim, não é sustentada pelo esforço humano, mas pela graça de Deus em Cristo.

Como fomos salvos → pela graça

A Escritura é inequívoca:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.” (Efésios 2:8)
Não fomos salvos porque nos aproximamos corretamente, mas porque Cristo se aproximou de nós quando estávamos mortos. A salvação não começou em nós — começou em Deus.

Como vivemos → pela graça

A mesma graça que nos justificou é a graça que nos sustenta diariamente:
“Assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele.” (Colossenses 2:6)
Não entramos pela graça para depois tentar permanecer pelas obras. Vivemos a vida cristã da mesma forma que a recebemos: dependentes, humildes e confiantes em Cristo.

Como perseveramos → pela graça

Nossa esperança não está na força da nossa constância, mas na fidelidade daquele que nos chamou:
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus.” (Filipenses 1:6)
A perseverança não é a prova de que somos fortes, mas de que Deus é fiel.

Onde vamos sempre → ao trono da graça

Quando caímos, quando falhamos, quando nos sentimos fracos ou confusos, a Escritura não nos manda fugir, mas nos aproximar:
“Acheguemo-nos, portanto, com confiança ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para socorro em ocasião oportuna.” (Hebreus 4:16)
O trono para o cristão não é um lugar de condenação, mas de misericórdia e ajuda.

APLICAÇÃO

Se você tem tentado viver o evangelho confiando em sua disciplina, volte à graça.
Se você caiu e pensa que precisa “se consertar” antes de orar, aproxime-se agora.
Se você está firme hoje, lembre-se: não é mérito, é misericórdia.
Se você está fraco, cansado ou confuso, o caminho não é para longe — é para mais perto de Cristo.
Não somos chamados a confiar mais em nós mesmos, mas a nos aproximar mais daquele que nos salvou, nos sustenta e nos levará até o fim.
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