O novo nascimento - A obra regeneradora de Deus
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"Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." (João 3:5)
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Nicodemos, um dos principais entre os fariseus, veio a Jesus de noite buscando respostas. Era um homem religioso, mestre em Israel, conhecedor profundo das Escrituras. Contudo, Jesus lhe apresenta uma verdade desconcertante: toda a sua religiosidade, conhecimento e posição não eram suficientes. Era necessário nascer de novo.
Esta conversa revela uma das verdades mais fundamentais do cristianismo: a salvação não é resultado de reforma moral ou esforço humano, mas de uma transformação radical operada por Deus.
O novo nascimento não é opcional para quem deseja ver e entrar no reino de Deus - é absolutamente necessário. Quando Jesus fala em nascer "da água e do Espírito", Ele não se refere a um ritual externo, mas à lavagem regeneradora da Palavra de Deus e à obra soberana do Espírito Santo. Cristo é o centro desta obra redentora, pois é através de sua morte e ressurreição que o Espírito Santo é enviado para regenerar corações mortos em pecado.
I. A NECESSIDADE ABSOLUTA DO NOVO NASCIMENTO
I. A NECESSIDADE ABSOLUTA DO NOVO NASCIMENTO
Jesus não apresenta o novo nascimento como uma sugestão, mas como uma necessidade absoluta: "se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (v.3). Por que esta exigência tão radical? Porque o homem natural está espiritualmente morto (Efésios 2:1). Não se trata de estar doente ou enfraquecido, mas morto. Um morto não pode se reviver, assim como um bebê não pode se dar à luz.
A condição humana após a queda é de total incapacidade espiritual. Paulo esclarece em Romanos 8:7-8 que a mente carnal é inimiga de Deus, não se sujeita à sua lei e nem pode fazê-lo. Por isso, mesmo um homem religioso como Nicodemos precisava nascer de novo. Suas obras, posição e conhecimento não podiam salvá-lo. A salvação requer uma transformação tão radical que só pode ser comparada a um novo nascimento - uma obra completamente divina. Cristo veio justamente porque estávamos perdidos e incapazes de nos salvar, e foi sua obra vicária na cruz que tornou possível esta regeneração.
II. A ÁGUA E O ESPÍRITO: A PALAVRA E A OBRA REGENERADORA
II. A ÁGUA E O ESPÍRITO: A PALAVRA E A OBRA REGENERADORA
Quando Jesus fala em nascer "da água e do Espírito", muitos se confundem. Mas as Escrituras interpretam as Escrituras. Em Efésios 5:26, Paulo fala de Cristo purificando a igreja "pela lavagem da água, pela palavra". Em Tito 3:5, ele menciona "a lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo". A água aqui representa a Palavra de Deus em seu poder purificador e vivificante.
Pedro confirma esta interpretação em 1Pedro 1:23: "sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre". Tiago também afirma que Deus "nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago 1:18). O Espírito Santo usa a Palavra como instrumento de regeneração. Não há novo nascimento sem a Palavra, pois é através dela que o evangelho de Cristo é revelado. A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus (Romanos 10:17). A Palavra proclama Cristo crucificado e ressurreto, e o Espírito Santo abre olhos cegos para ver a glória de Cristo nesta mensagem, produzindo vida onde antes havia morte.
III. A SOBERANIA DO ESPÍRITO NA REGENERAÇÃO
III. A SOBERANIA DO ESPÍRITO NA REGENERAÇÃO
Jesus usa uma ilustração poderosa no versículo 8: "O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito". O vento ilustra a soberania do Espírito Santo na obra da regeneração. Assim como não controlamos o vento, não controlamos a obra regeneradora de Deus.
Esta verdade é essencial para uma soteriologia bíblica. A regeneração precede a fé, não o contrário. O Espírito Santo age soberanamente sobre o coração morto, dando-lhe vida, e então o coração regenerado responde em fé e arrependimento. Em João 6:44, Jesus afirma: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer". A salvação é totalmente obra de Deus, de início ao fim. Isto não anula nossa responsabilidade de crer, mas revela que até mesmo a capacidade de crer é um dom de Deus (Filipenses 1:29). Cristo é o autor e consumador da fé (Hebreus 12:2), e o Espírito Santo aplica a obra redentora de Cristo aos eleitos, regenerando-os e unindo-os a Cristo pela fé.
IV. A CENTRALIDADE DE CRISTO NA REGENERAÇÃO
IV. A CENTRALIDADE DE CRISTO NA REGENERAÇÃO
O diálogo com Nicodemos culmina na mais famosa declaração do evangelho: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). O novo nascimento só é possível por causa da obra de Cristo. Ele precisava ser levantado como a serpente no deserto (v.14) para que pudéssemos ter vida.
Cristo é o centro e o fundamento da regeneração. Foi sua morte expiatória que satisfez a justiça divina, sua ressurreição que garantiu nossa justificação (Romanos 4:25), e sua ascensão que possibilitou o envio do Espírito Santo (João 16:7). Não há novo nascimento à parte de Cristo. Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6). O Espírito Santo não opera independentemente de Cristo, mas sempre testifica dele e glorifica a Cristo (João 16:14). Somos regenerados para sermos conformados à imagem de Cristo (Romanos 8:29), unidos a Ele em sua morte e ressurreição. A nova vida que recebemos é a própria vida de Cristo em nós, pois "Cristo vive em mim" (Gálatas 2:20).
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
O novo nascimento não é uma reforma, uma decisão humana ou um ritual religioso. É uma obra sobrenatural de Deus, operada pelo Espírito Santo através da Palavra, fundamentada inteiramente na obra redentora de Cristo. Assim como no nascimento físico não temos participação ativa, no nascimento espiritual somos completamente passivos - é Deus quem age, vivifica, regenera e salva.
Esta verdade deveria nos levar a três respostas práticas.
1) Humildade - Nossa salvação é totalmente obra de Deus, não temos do que nos gloriar (Efésios 2:8-9).
2) Gratidão - fomos amados quando éramos inimigos, escolhidos não por mérito, mas por pura graça.
3) Confiança - se Deus iniciou a boa obra em nós, Ele a completará até o dia de Cristo Jesus (Filipenses 1:6).
Se você já nasceu de novo, glorifique a Deus por sua obra soberana em seu coração e viva dignamente desta vocação celestial. Se você ainda não experimentou esta regeneração, saiba que não pode produzi-la por esforço próprio, mas Deus convida você a vir a Cristo pela fé. Olhe para Jesus crucificado e ressurreto, clame por misericórdia, e confie que Aquele que começou esta obra em seu coração é fiel para completá-la.
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mt 11:28).
A promessa permanece: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
