Exposição em Filipenses 1.6-11 - Garantias eternas
O triunfo da vida com Cristo • Sermon • Submitted • Presented
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EXPOSIÇÕES EM FILIPENSES – SÉRIE: O TRIUNFO DA VIDA EM CRISTO
Pregação na Igreja Batista Regular em Jardim Palmira – 11/01/2026
Gabriel Ferreira
Texto bíblico: Filipenses 1.6-11 Garantias eternas
INTRODUÇÃO
Meus irmãos, vivemos em um mundo onde o que mais temos são incertezas. Não temos certezas de nada, nem se quer, de que amanhã teremos um amanhã ou não. E por isso, muitas obras são inacabadas, param no meio do caminho por desânimo ou falta de recursos. Quantas vezes você mesmo já começou algum projeto com entusiasmo e o abandonou no meio do caminho? Quantas promessas de pessoas que estariam ao seu lado você já ouviu, mas que sumiram? É verdade que nós, seres humanos, falhamos em completar o que começamos. E o pior, projetamos essa fragilidade em Deus. Olhamos para as quedas que tivemos e pensamos “Será que Deus não está vendo ou desistiu de mim?”.
No fundo, esse medo revela que ainda acreditamos que Deus nos aceita na medida em que conseguimos manter a obra funcionando. E quando falhamos, supomos que Ele falha conosco.
Na última mensagem vimos que o triunfo da vida com Cristo é uma vida de comunhão, e que essa comunhão exigia sacrifício. Vimos sobre as prisões de Paulo e a ajuda dos Filipenses, mas hoje, Paulo eleva o nosso olhar. Ele sai do plano horizontal da nossa “cooperação” e parte para o plano vertical, da “operação de Deus”.
Paulo não está expressando um desejo, nem uma esperança emocional. Ele está fazendo uma afirmação teológica ancorada na identidade do sujeito da obra. Então a pergunta não é se a obra continuará, mas quem a iniciou.
Se a comunhão exige sacrifício de nossa parte, a salvação e perseverança dependem inteiramente de uma garantia que não vem de nós. Por este motivo Paulo escreve da prisão, mas o seu coração está livre e em paz. Por qual motivo? Porque ele não confia na sua situação, nem apenas na fidelidade dos seus irmãos; ele confia nas garantias eternas de Deus.
E hoje, baseados em Filipenses 1.6-11 aprenderemos que a nossa caminha cristã não é sustentada pela nossa própria força de vontade, mas pela fidelidade pactual e inabalável daquele que nos chamou. Veremos três garantias que sustentam a vida de quem triunfa em Cristo:
A Garantia da preservação de Deus (v. 6)
A Garantia do crescimento em amor (v. 9-10)
A Garantia da frutificação para a glória (v. 11)
Nessa noite, você pode ter entrado na igreja com medos de cair novamente e fracassar. Mas hoje Deus pode estar te convidando a confiar em sua mão, e nas suas garantias.
Filipenses 1.6–11 (NVI)
6 Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.
Na ultima mensagem vimos que a comunhão era algo fundamental na vida dos irmãos desta igreja e que ela exigia sacrificios daquela comunidade. Ao terminar de falar sobre a comunhão daquela igreja local, a escritura retrata que a contribuição deles procedia desde o primeiro dia do Apóstolo Paulo naquele local, até os dias atuais da escrita dessa carta.
Abrindo a pericope de agora, Paulo diz que está convencido. Ele tem plena convicção, plena certeza, garantia absoluta sobre o assunto. Tanto é verdade isso que o verbo convencido está no perfeito. O próprio tempo do verbo está expressando isso, podemos chamar este tempo perfeito de o tempo da certeza estabelecida.
E é diferente expressar algo passado com algo no tempo perfeito, pois o passado diz respeito a algo que apenas aconteceu. Mas o perfeito diz respeito a algo que aconteceu no passado de forma completa, e que os seus resultados continuam valendo firmemente hoje.
Em outras palavras, Paulo não havia sido convencido em uma ocasião e poderia mudar de ideia. Podemos olhar da seguinte forma: Houve um momento em que Paulo olhou para a fidelidade de Deus e viu as evidencias da obra dele na vida dos irmãos filipenses. Ele foi convencido pelos fatos. E por conta disso, ele agora vive em um estado permanente de convicção.
Se olharmos em João 19.22, veremos que Pilatos escreveu um titulo para Jesus e colocou na parte superior da cruz, que dizia “JESUS O NAZARENO, O REI DOS JUDEUS”. Muitos judeus leram aquele titulo por que o lugar em que Jesus foi crucificado era proximo da cidade, e os sacerdotes pediram para Pilatos modificar o que havia sido escrito, dizendo que Jesus era quem se chama rei dos judeus, e não que ele era de fato o rei dos judeus.
Porém a resposta de Pilatos, no texto de João 19.22 diz “O que escrevi escrevi”. Basicamente Poncio Pilatos estava dizendo aos sacerdotes que o que tinha sido escrito, ficaria escrito e jamais seria modificado por ele. Era algo concreto e acabado, e que não teria retorno.
É o mesmo modo de pensar de Paulo. Ele estava plenamente convicto, e sem duvida alguma sobre o que estava afirmando. Mas, a pergunta é: certeza de que?
O texto deixa isso bem claro, “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus”.
Não resta duvidas agora sobre a convicção de Paulo, ele pensava desta maneira pois a garantia do seu pensamento não era em alguém comum. Ele estava se baseando na fidelidade de Deus. A fé de Paulo e a sua confiança estava naquele que começou a boa obra em vocês. Ele não estava se baseando nas atitudes em si dos seus irmãos, pois eles não eram os agentes principais, o agente principal de tudo e de toda a história é Deus.
Ou seja:
O grande projeto é de Deus
A grande história é de Deus; a metanarrativa é de Deus
Os nossos projetos estão dentro do grande projeto de Deus
A nossa história está dentro da grande história de Deus
Não poderia ser uma hipotese, não poderia ser uma probalidade ou um achismo. Deus é quem começou a boa obra, a regeneração, a participação no evangelho. Nada nesta vida e nem depois da morte podem frustar ou interromper a obra de Deus em nós.
A salvação é uma obra exlusiva de Deus. Foi Deus quem planejou a salvação. É ele quem escolhe, quem abre o coração, quem chama, quem regenera, quem dá o arrependimento para a vida, quem dá a fé salvadora, quem justifica, quem santifica e quem glorifica.
E isso significa que nossa alegria não está na intensidade da nossa fé, mas na fidelidade daquele que a sustenta. E isso é boa notícia, porque um Deus que começa e termina sua obra é um Deus digno de confiança, descanso e adoração.
Isso nos liberta do desespero e da vanglória. Desespero, porque não depende de nós; vanglória, porque não somos nós. Tudo termina na exaltação de um Deus absolutamente confiável.
E isso é defendido por Paulo como uma “boa obra”. Essa é a natureza da salvação, a salvação não é apenas algo que Deus realiza por nós, é algo feito diretamente em nós. Antes de nos levar para si, ele nos transforma dia após dia à imagem do Rei da glória.
E é justamente por isso que, o mesmo Deus que começou essa boa obra em nós vai completá-la. Deus jamais deixou uma obra inacabada. Ele jamais deixou algum projeto no meio do caminho. Nossa salvação ainda não está completa, mas está em progressão dia após dia, e Deus está trabalhando em nós. Nós fomos salvos, nós estamos sendo salvos e seremos salvos. É isso que chamamos de justificação, santificação, e glorificação.
Por isso, assim como Paulo, podemos ter plena certeza de que o que Deus começou em nós, será completo até o dia da vinda de Cristo. É isso que Paulo chama de o dia de Cristo Jesus. A mentalidade dos escritores daquela época era escatológica, a vinda de Cristo era iminente, mas era certeira. Assim como ainda é. E por Deus não mentir ou falhar, aquilo que começou terminará no dia da vinda de Cristo.
Ele jamais desistirá do seu povo, pois aqueles a quem ele conheceu de antemção, os predestinou; aos que presdestinou, também chamou; e aos que chamou também justificou; aos que justificou, também glorificou. A garantida da salvação ou a perseverança da salvação depende de Deus. Ele não pode mentir e as suas priomessas são fieis e verdadeiras, podemos ter garantia eterna de que a nossa salvação não é apenas algo possivel, mas é algo concreto na mente de Deus. Em seus eternos decretos isso já é uma realidade, mas no curso da nossa história, sofremos ainda por conta do pecado e vivemos fraquezas naturais da vida humana.
Mas quando Cristo Jesus voltar em glória, seremos transformados. Este é o alvo, o dia de Cristo. Essa é a “linha de chegada”.
Mas a convicção de Paulo, alem de alicerçada no próprio Senhor, também era motivada pela relação com os crentes de Filipos. Eles são fruto da obra de Deus. E se há algum fruto de louvor neles, Deus é o seu autor. Por isso, no verso 6 que tratamos, Paulo lida com eles como uma boa obra de Deus iniciada, continuada e completada.
Agora, no verso 7, veremos como eles produzem fruto pois são participantes da graça de Deus. Deus está trabalhando neles. Por isso o texto diz...
7 É justo que eu assim me sinta a respeito de todos vocês, uma vez que os tenho em meu coração, pois, quer nas correntes que me prendem, quer defendendo e confirmando o evangelho, todos vocês participam comigo da graça de Deus. 8 Deus é minha testemunha de como tenho saudade de todos vocês, com a profunda afeição de Cristo Jesus.
O apóstolo destaca três coisas. Ele os traz no coração, e ele os traz no coração de três maneiras distintas.
Primeiro, no sofrimento pelo evangelho, ou seja, nas algemas. Essa igreja, cmom nenhuma outra, foi a solidária a Paulo em suas prisões. Ela foi o que o reconfortou nas horas mais dificeis da sua vida. Como vimos na semana passada, a koinonia ou a comunhão destes irmãos era algo sacrificial, eles desprendiam de muitos recursos para o auxilio do apóstolo e isso era um motivo de grande alegria para Paulo, por este motivo, em seu sofrimento pelo evangelho Paulo diz que os traz no coração.
Segundo, na obra do evangelho em si, ou seja, na defesa e confirmação do evangelho. Paulo era tanto um missionário como também um apologeta. E o que é um apologeta? Apologeta vem de apologia que no grego significa “defesa”. Ele anunciava a verdade e a defendia diante dos ataques dos heréticos. A defesa do evangelho diz respeito aos ataques que vem de fora. A escritura nos chama a sermos defensores da fé e a dar razões da esperança que possuimos (1Pedro 3.15)
Por isso, Paulo os trazia no coração, eles eram defensores da verdade, defensores do evangelho.
E em terceiro lugar, a ultima maneira que Paulo os trazia no seu coração era devido a compaixão de Cristo. E isso podemos ver nitidamente no verso 8. Paulo diz basicamente: “a saudade que tenho de vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus”. A palavra grega usada por Paulo para saudade, é a palavra splagcna.
Esse termo define as entranhas superiores, o coração, o figado e os pulmoes. Os gregos costumavam atribuir os sentimentos a estes locais do seus corpos. Assim, o que Paulo está dizendo é que suspira pelos crentes de Filipos com a mesma compaixão de Cristo Jesus. Ele os ama, como Jesus os ama. O crente não pode ter outro sentimento a não ser os sentimentos de Cristo Jesus.
O amor de Cristo Jesus passa por nós aos nosso irmãos. É muito mais do que mera emoção humana. É também emoção, de fato, sentimos emoções e isso é normal. Mas é muito mais do que emoções. A palavra se traduzida literalmente diz respeito as visceras. São sentimentos profundos que causam efeitos fisicos no corpo de Paulo.
E é justamente por isso, que como vimos no verso 3 na ultima mensagem, Paulo os traz sempre em orações. E como vemos agora, sempre os traz na mente. Estes crentes habitavam a mente dele. E é por isso que eles não participavam apenas da mente de Paulo, mas também de suas orações.
E é isso que veremos, Paulo continua a orar e explica agora essa oração, dizendo:
9 Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção, 10 para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo, 11 cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.
Paulo ora intercedendo por seus irmãos. Mas intercedendo pelo que? “Que o amor de vocês aumente cada vez mais”. Amor e mais amor.
Ele não ora pedindo para que TENHAM amor, isso eles ja tem! Ele pede para que este amor cresça. E podemos notar isso nitidamente já no contexto da fundação daquela igreja. Tão cedo Lidia se converteu ao evangelho, e ela abriu a casa para o apóstolo Paulo. Tão cedo o carcereiro creu, e ele tratou de Paulo e abriu sua casa. Quando foi necessário partir de Filipos, essa igreja logo se envolveu com Paulo para sustentar em seus custos e fez isso ao longo do ministério de Paulo.
Em nossa condição de cristãos, existe algo que pode crescer sem limites entre nós: o amor.
Mas, de que maneira o amor cresce? O texto diz que o caminho para que o amor cresça mais e mais é através do conhecimento e discernimento ou percepção. O amor precisa de conhecimento e de percepção clara da natureza e da situação do outro, percepção clara e conhecimento dos meios pelos quais de fato de pode ajudar ao outro, exterior e interiormente. O amor não é cego, e nem pode ser pois o amor não é apenas um sentimento. Quando amamos algo, desejamos saber cada vez mais acerca dele; se amarmos uma pessoa, desejaremos saber cada vez mais a respeito dela. Se amarmos Jesus, desejaremos conhecê-lo mais e mais.
Um amor sem conhecimento é como um rio largo e raso, é impressionante a distância e muito bonito ao reluzir a luz do sol, mas não sustenta ninguém.
Tudo na nossa vida é assim. Crescemos na medida em que conhecemos. Sem conhecimento da salvação, não pode haver progresso na salvação e nem maturidade. Se não conhecermos o Senhor, como poderemos amá-lo de fato? No entanto, quanto mais o conhecemos, mais o amamos. Isso é a teologia. É o conhecimento de Deus, é a busca por conhecer mais e mais. Isso é a a leitura bíblica, a oração. É a proximidade entre o cristão e o Senhor sendo estreitada através do conhecimento. Por isso, todo cristão DEVE SER UM ESTUDANTE, pois pare ser um cristão é preciso conhecer a verdade.
Sim, é preciso ler livros que falem sobre Deus. É preciso ler livros que falam sobre a igreja. É preciso ler livros que falem sobre jovens, sobre homens, sobre mulheres, sobre casais. Por é o conhecimento que faz com que amemos mais e mais. Crescer como um cristão é crescer na verdade e no conhecimento. Nada pode impedir tanto o crescimento como a ignorância.
Mas, o texto nos leva alem disso, para que o amor deve crescer? Podemos notar pelo menos três razões pelas quais o amor deveria crescer.
Primeiro, para os crentes aprovarem as coisas excelentes (10). O discernimento deve levar os crentes a rejeitarem as coisas más, e escolherem as coisas boas. A palavra usada por Paulo se referindo ao “provar” diz respeito a um termo comum da época para provar o metal ou a moeda com a finalidade de saber se era genuína, pura e sem mescla nem falsificação. É exatamente “Pôr sob teste” e depois aceitar quando testado ou aprovado, e rejeitar, caso fosse reprovado no teste.
O segundo motivo é para os crentes serem sinceros e inculpaveis. O amor que cresce é o amor sincero e inculpavel. Inculpabilidade tem que ver com a publicidade deste ato, ou seja, é um amor que todos veem e atestam. Já a sinceridade tem que ver com a “exposição ao sol”.
Em outros termos, ele é exposto a luz solar e não aparece nenhuma imperfeição. É limpo, nítido, sem mácula e sem falta. Mas também pode denotar uma “peneira”, pois o termo usado por Paulo pode expressar essa verdade também no ato de “julgar”. Dessa forma, os crentes são puros, isentos de toda contaminação.
E em terceiro lugar, o amor deve crescer para que os crentes estejam preparados para a segunda vida de Cristo. Temos de viver hoje como se Cristo voltasse amanhã. Vivemos sob a luz da eternidade, sob a esperança da segunda vinda de Cristo e isso nos motiva à santidade.
Para sermos irrepreensiveis no dia de Cristo, devemos sê-lo agora. Não devemos esperar a sua vinda para nos santificarmos, pelo contrário, o esperado dia de Cristo virá e a relevância total então será que a igreja seja “pura e decorosa”. Para sermos puros e decorosos no dia de Cristo, já precisamos sê-lo agora!
E por fim, o ultimo verso destaca como este amor deve ser manifesto.
11 cheios do fruto da justiça, fruto que vem por meio de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.
Estamos a caminho do céu para prestarmos contas da nossa vida e não devemos comparecer diante de Cristo de mãos vazias, mas nos apresentar a Ele cheios do fruto de justiça. De forma alguma, Paulo vê, naquele dia, a igreja pobre e de mãos vazias diante de Cristo, mas “cheia do fruto de justiça”. A palavra “justiça” é tomada aqui no sentido de justiça prática, interna, e não no de justificação.
Mas, qual é a fonte do fruto de justiça? (1.11b). O fruto de justiça é por meio de Jesus Cristo. Não produzimos frutos por nós mesmos. O fruto não é produção própria da Igreja. A seiva que nos faz frutificar é Cristo. Dele vêm a força e o poder. O que existe de bom em nós é obra de Cristo.
E por fim, qual é o propósito final da apresentação do fruto de justiça no dia de Cristo? (1.11c). O propósito final da vida do cristão é a glória e o louvor de Deus. Tudo vem Dele, por meio Dele e para Ele. Deus é o fim último de todas as coisas. O cristão não é bom porque pretende ganhar louvor, crédito, honra e prestígio para si mesmo, senão para Deus.
Podemos notar nitidamente que o Pai (no versículo 6) está incessantemente trabalhando para a glória do Filho; o Filho (no versículo 11) está incessantemente trabalhando para a glória do Pai.
Aplicações:
1. Garantia para o desanimado: Talvez você esteja aqui hoje e sinta que sua vida cristã é um canteiro de obras abandonado. Você olha para seu caráter e vê os mesmos pecados de anos atrás; olha para a sua vida devocional e vê apenas cansaço, desânimo. Talvez você pense que Deus desistiu de você e que o seu caso é complicado demais para Deus ou que você não é crente o suficiente porque ainda não chegou à perfeição.
Mas escute o que o texto bíblico dessa noite tem a dizer para você através da carta aos Filipenses. O Deus que servimos não é um Deus de obras inacabadas! Paulo fala que está plenamente convencido, e isso significa que a decisão de Deus de te salvar no passado é uma garantia que ecoa com força total no seu presente.
Se você aceitou a Cristo Jesus a boa obra já começou. E se começou, o selo da conclusão já está gravado nela. O seu desânimo hoje não anula a fidelidade de Deus ontem, hoje e amanhã. Eu te entendo perfeitamente meu irmão, você pode estar cansado, mas aquele que sustenta o universo e não dorme e nem se cansa é o mesmo que está a cuidar da sua vida nos mínimos detalhes.
Mas talvez haja alguém aqui que nunca descansou nessa obra porque nunca entrou nela. Você admira Jesus, respeita a igreja, tenta viver corretamente, mas no fundo ainda confia no seu próprio desempenho. O sermão de hoje não é consolo para quem tenta se salvar, mas para quem já desistiu de si mesmo e confiou inteiramente em Cristo.
Ao invés de prometer para Deus neste novo ano que você “vai melhorar sozinho”, confesse que você não consegue. Confesse que não dá. Confesse que você não pode sozinho, que é duro demais para você e que você precisa de ajuda.
E todas as vezes que o desânimo vier, recite para si mesmo Filipenses 1.6. Lembre-se do autor e do salvador. Troque o “não consigo” pelo “ele me aperfeiçoa”.
2. Um amor em crescimento: Vivemos em um contexto em que a palavra amor foi esvaziada do seu sentido original. Para o mundo, amar é aceitar tudo, é não questionar nada, é seguir apenas o que o coração sente. Muitos acabam trazendo essa mentalidade pra dentro da igreja pensando “Se eu amo, não posso julgar; se eu amo, não posso dizer que está errado”. Isso não é amor, o amor não é assim! Isso produz uma vida cristã medíocre, onde não é possível discernir o que é certo do que é errado.
A escritura nos convoca a não apenas amar mais, e sim, transbordar em amor através do pleno conhecimento e todo discernimento. O amor cristão não é cego, é um amor que estuda a palavra, que conhece o caráter de Deus e que por isso, aprende a corrigir em amor, a exortar, a confrontar o pecado.
Mas isso vai muito além de “isso é pecado ou não?” essa mentalidade é a de um bebê na fé. Os cristãos não ficam preocupados com se “isso é ou não pecado”, mas eles se perguntam: “Isso é excelente para a glória de Deus? Isso me torna mais parecido com Cristo?”
Teste isso na sua semana, diante de algum convite ou conversa, diante de algum filme, gasto financeiro ou qualquer outra coisa não pergunte a si mesmo “isso é pecado?” Pergunte: Isso é o melhor que posso oferecer para Deus com o meu tempo e com o meu corpo?
Se você sente amor por algo que a bíblia condena, entenda que esse sentimento não provém de Deus. Peça ao Senhor para que eduque o seu coração, eduque os seus sentimentos. Ore “Senhor, que o meu amor seja guiado pelo conhecimento da tua vontade e não pelas minhas emoções passageiras. Que eu não seja controlado por meus impulsos, mas pelo Senhor”.
Lembre-se de que o objetivo de tudo isso é ser “puro e irrepreensível” no dia de Cristo Jesus.
E por fim,
3. Tenha uma vida que produza frutos para Deus: Muitos vivem uma vida cristã de manutenção. O objetivo parece não pecar muito, não causar algum escândalo na igreja e chegar ao céu por um triz. Alguns vivem suas vidas como se a vida com Deus fosse sobre si mesmo – seus sentimentos, suas lutas, sua paz. Mas o texto bíblico diz que fomos salvos para algo muito maior, fomos salvos parar estarmos cheios do fruto de justiça. Deus não quer que você apenas sobreviva, ele quer que você transborde em frutos.
Paulo deixa claro que esse fruto não é uma fabricação sua. Ele diz que o fruto vem “por meio de Jesus Cristo”. Talvez o seu cansaço hoje venha do fato de você estar tentando fabricar bondade, fabricar paciência, fabricar santidade com as suas próprias mãos. Mas a igreja não é uma fábrica de esforço humano, é uma seara que pertence a Deus. Ele é o dono, ele é o agricultor, é ele quem planta e é ele quem faz produzir.
Se o dia de Cristo fosse hoje, o que você teria nas suas mãos? Frutos de justiça? Serviço ao próximo, palavras de edificação, integridade no trabalho, zelo e amor na liderança dos seus ministérios, domínio próprio, perseverança, longanimidade?
Ou apenas folhas secas de uma religiosidade de fachada? Se esconde atrás dos seus ministérios? Das suas posições? Se esconde no banco da igreja sem se envolver em nenhuma atividade? Não se preocupa, não se importa. É seco por fora, e seco por dentro?!
Amanhã, ao acordar na segunda-feira faça uma oração ao Senhor: “Senhor, eu sou apenas um ramo, mas tu és a videira verdadeira. Sem ti, hoje eu não produzirei nada que preste. É tudo através de ti. Me purifica destes meus pecados, e faça com que eu frutifique. O Senhor é o dono da igreja, o Senhor é o dono da minha vida. Faça o que o Senhor quiser.”
E em cada ato que você fizer, por mais “antinatural” que for para você, agradeça em seu coração em segredo: Isto é para o louvor do Senhor e da sua glória, ó Deus. Não a mim, mas a ti toda glória!
